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BRASIL, Sul, CURITIBA, Homem, de 46 a 55 anos, Livros, Viagens, Vinhos e Atlético Paranaense.



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    UM FURACÃO PELO BRASIL, blog passional de luiz carlos schroeder


    A última imagem!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 11h28
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    O balanço final!

    Dez dias depois - nível normal de adrenalina, ansiedade controlada, racionalidade plena, emoção equilibrada – volto a escrever sobre o que já é passado, sobre o já ficou pra trás, sobre o que já não existe mais: o Atlético na segunda divisão. Foi uma aventura acompanhar o nosso time nesta campanha. Sempre achei que fosse difícil, que não seria nada fácil, que duas vagas já estavam garantidas (América-MG e Ceará) e sobrariam outras duas. Mas jamais pensei que sofreríamos até o último momento. E sempre achei que seria difícil, porque – ao contrário de muitos que se apaixonaram – eu nunca acreditei no treinador uruguaio. E, se ainda restava alguma dúvida, deixei de ter qualquer esperança no dia em que ele, ainda no campeonato paranaense, escalou o Manoel como centroavante. A gota final foi em Maceió, quando colocou Héracles com a camisa 10, dando-lhe a responsabilidade de armar as jogadas de ataque.

    Juan Ramón pegou a estrada e foi embora

    Assim como não acreditei no Carrasco, também não botei fé no menino chamado Harrison. Ele não me seduziu , não me encantou, sequer me entusiasmou. Vi ali um novo Alex (esse do coxa). Um jogador que joga olhando pro chão, não levanta a cabeça, demonstra pouco tesão, parece estar sempre deprimido, tem jeito de quem na véspera perdeu pai e mãe. Como eu não tenho bola de cristal nem sou pitonisa, o futuro pode até me contrariar e ele vir a fazer sucesso momentâneo em algum time brasileiro ou mesmo em futebol de baixo nível como o turco. Também não gostava do goleiro Rodolfo. E comentei que ele falhara em Varginha e Maceió. Parecia estar dormindo em alguns momentos do jogo. Às vezes saltava atrasado, noutras rebatia no pé do atacante. Depois, ele mesmo confessou sua dependência à droga. E sabemos que nenhum usuário de álcool ou drogas mantém absolutamente normais os seus reflexos.

    Alan Bahia também foi viver outros mares

    Mas eu não acerto em tudo. Aliás, eu acerto muito pouco. Estou muito longe de ser Deus nem sou dono da verdade. Tive decepções nas minhas previsões. Thiago Adam, que tinha boa altura e ótimo toque de bola, não engrenou. Edigar Júnio - aquele que, igual ao nome, sobra onde não precisa e falta onde é necessário – não disse a que veio. O tal do Taiberson corre muito e pensa pouco. O Furlan, como todo menino “forte e cheio de saúde”, torceu o tornozelo no primeiro buraco em que pisou. Surpresas boas ficaram por conta de Cléberson, um zagueiro que trata a bola com estilo e elegância, e Marcelo, um atacante que corre bem, dribla melhor, chuta com qualidade e força. Cléberson, se não se apaixonar por si mesmo, é sucesso garantido. Marcelo, se olhar menos para o espelho, será jogador de seleção. Humildade nunca fez mal a ninguém. Já disse aqui e repito: bater pênalti não é coisa para iniciante. E bater pênalti em decisão é coisa para maestro.

    Cléberson, o herói da partida final

    Ao fazer um balanço, não é possível esquecer Paranaguá. Povo acolhedor, ruas estreitas, frutos do mar em abundância e poucas vagas pra estacionar. Estádio razoável, arquibancadas amplas e sujas, gramado pesado, muita serra pra subir depois do jogo. Não deu certo. Foi um desastre. Lá tivemos as nossas únicas duas derrotas “em casa”. Claro que o diminutivo Jorginho, e sua demasiada covardia, tiveram grande parcela de responsabilidade. Mas até hoje não me convenci – nem quero me convencer – do acerto das retrancas do pequeno (será sempre pequeno) Jorge. Naquelas duas derrotas ele contrariou a sua própria lógica: de recuar após fazer um gol. Naquelas duas belas tardes de sábado ele recuou o time mesmo sem fazer gol.

    A bela Paranaguá

    Um campeonato com três momentos especialíssimos e inesquecíveis.  O jogo disputadíssimo e emblemático contra o América-MG, no Ecoestádio. A vitória de lavar a alma em Salvador. A alegria completa em São Caetano. Esses três jogos foram para esquecer os de Maceió, Campinas e Bragança Paulista. Mas nem sempre os jogos fora de casa foram iguais à sofrível atuação de Ipatinga. Vencemos dez vezes como visitante, apenas onze como mandante. Fora de casa, fizemos a segunda melhor campanha; em casa, ficamos em sexto. Depois do mar morto de Carrasco e as tempestades malcheirosas de Jorginho, a bonança dos tempos de Tião de Campos. Grande Tião! Com o professor Sebastião Ricardo Drubscky de Campos, perdemos apenas duas partidas, contra Goiás e Bragantino, ambas longe de casa. No primeiro turno, sem ele, havíamos perdido sete jogos. Das treze rodadas que passamos no G4, nove foram sob seu comando. Para quem não liderou o campeonato em nenhuma das trinta e oito rodadas, o terceiro lugar foi uma boa colocação.

    Boas férias, Tião!

    Eu poderia fazer uma análise individual dos jogadores. Mas isso os comentaristas de futebol, especialistas ou não, já fizeram. Todos já escreveram e falaram à exaustão. Eu – e todos os que acompanham este blog já sabem – sou um torcedor. Um torcedor apaixonado. E, como torcedor apaixonado, tenho direito de ter preferências. Não só de ter preferências. Tenho o direito de não gostar. Não gosto do Derley, a mula! Não gosto do Elias, que joga de cabeça abaixada, é lento e tem pouca inteligência. Mas gosto muito do João Paulo, pela técnica, pela garra e especialmente pela tranquilidade. Gosto do Marcelo, a quem defendi quando a maioria queria pisar na sua cabeça. Claro que tenho medo que ele (o Marcelo) pegue, por contágio, a doença do Manoel e passe a se achar um craque. Craque no Brasil de hoje, só o Neymar! Não preciso nem falar que gosto de Paulo Baier. E lamento que ele esteja chegando ao fim. Eu renovaria o seu contrato, o colocaria em alguns jogos, faria uma grande festa de despedida ao final do campeonato brasileiro de 2013. Mas isso é olhar de torcedor apaixonado. Como dirigente, faria um jogo de despedia ao final do campeonato paranaense. Mas, antes, prestaria uma grande homenagem. Está na hora do Atlético fazer a galeria dos seus grandes heróis. É preciso homenagear os que ainda estão vivos. Temos pelo menos um time inteirinho de grandes ídolos, ainda vivos: Roberto Costa; Djalma Santos, Belini, Alfredo e Júlio; Alex, Kléberson e Nivaldo; Sicupira, Washington e Assis; dentre tantos outros.

    Paulo Baier, a própria legenda

    Foi viajando para apoiar o Furacão nesse ano de brisa e ventania que conheci o “leite quente” e a “nave do ET” em Varginha. Lá tive o prazer de conhecer vários atleticanos, dentre eles irmãos e sobrinhos do massagista Bolinha e atleticanos de primeira linha, como Paulo Fernando da Silva (que esteve presente em todos os jogos do Atlético), Gabriel Robles De Césaro (reside em Uberlândia) e Wagner Corrêa (mora em Ribeirão Preto). Em Maceió, além da boliviana que faz ótimas tapiocas, conheci o Giuliano Oliveira (que esteve em vários jogos fora do Paraná), além de César Nedopetalski (nascido em Irati) e seu filho Caio César, ambos residentes em Recife. Estes dois, pai e filho, foram a todos os jogos no Nordeste: Maceió, Fortaleza, Goianinha, Natal, Salvador e Arapiraca. Na Fortaleza das boas cachaças – e de um ótimo restaurante de carnes argentinas, o Cabaña del Primo – tive o prazer de conhecer o pontagrossense que lá reside, Gilberto Abib  (e seu filho, do mesmo nome). Nestas viagens conheci outros dois curitibanos que estiveram na maioria dos jogos; Juninho Baulhout (que vi pela primeira vez em Varginha) e André Ricardo Guenzen (que conheci pessoalmente em Belo Horizonte).


    Em Recife, Alexandre, César e Caio comemorando a classificação, após o último jogo

    Em Campinas, naquela triste tarde de sábado, conheci vários atleticanos, cujas lembranças estão pra sempre na minha retina. Logo na entrada do estádio o mecânico paulistano Juliano Pinto e sua noiva Amanda. Que gentilmente emprestaram o automóvel para que todos guardassem nele seus pertences, pois a polícia campineira é a única do mundo que não deixa torcedor entrar com mochila ou sacola no estádio. Lá conheci também o Anderson Moraes Lemes Rosa, sua esposa e seu filhinho Joaquim, que moram em Uberlândia, onde ele trabalha com atletismo. Naquela tarde também encontrei pela primeira vez o Robson Silva (que mora em Curitiba) e sua namorada Bruna (de Sumaré-SP). No Brinco de Ouro conheci também o Fernando Brito e a Tati (que me prometeram convite de casamento), que depois revi em Barueri, Bragança e (à distância) em São Caetano.


    A Campinas irei, pra ver Fernando e Tati casar

    Mas também tive a oportunidade de conhecer atleticanos que nunca vi, quem sabe um dia os abrace pessoalmente. Gente como o motorista Val Forgatti, que mora e - pensando no futuro - trabalha muito em Boston. Ou como o engenheiro Alexandre Haag Filho, que vive o descanso da aposentadoria em Buenos Aires. O hoteleiro de Araxá, Leandro Furtado, que sempre comentava o blog e nunca perdeu as esperanças. O Lincoln Barison Fernandes, de Dourados, lá no Mato Grosso do Sul, conhecido na cidade como “o professor atleticano”. Não posso esquecer do Diego Baya, cidadão do mundo, em cada cidade um flash com a camisa rubro-negra. E gente da qualidade de Rodrigo Marsen, que mesmo sendo de Curitiba nunca encontrei pessoalmente, mas que ficava me procurando entre os torcedores atleticanos nas imagens da televisão. E o Silvio César Ávila, nascido em Ponta Grossa (eu achava que ele era de Cianorte, me corrigiu) e morador de Santos, onde trabalha na Petrobrás. São atleticanos como esses os grandes responsáveis pela nossa ascensão. Mesmo longe, às vezes em outros países, não deixam de demonstrar o carinho, a paixão e o amor que sentem pelo Atlético. É pura energia positiva!


    Em Boston, Val Forgatti e sua filha Valentina

    Sim! Antes que me perguntem, já respondo afirmativamente. Eu faria tudo de novo! Só eu sei os momentos que vivi após jogos ridículos e sofríveis – dignos de times de várzea - como os de Maceió (2x0 para o rebaixado CRB), Campinas (2x1 para o rebaixado Guarani), de Ipatinga (1x1 com o rebaixado Ipatinga) e Bragança Paulista (2x1 para o péssimo Bragantino). Para esses quatro times, dos vinte e quatro pontos disputados, perdemos dezessete! Em algumas situações, vendo as derrotas e a contínua caída na tabela, me imaginei sendo o único atleticano na torcida visitante. Foi muita pretensão minha. Em nenhum jogo, nem nos piores momentos, nem na mais longínqua cidade, havia menos de trinta atleticanos. Foi o caso de Ipatinga, numa sexta-feira, as dez pras dez da noite. Paixão não se explica. A paixão pelo Atlético não precisa de explicação!

    A comemoração pela classificação

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 11h11
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    SEM INTERNET

    Aos amigos do Blog!

    Estou ainda sem internet na minha nova casa, em Nova Petrópolis, na Serra Gaúcha. Mas ainda esta semana postarei um balanço da caminhada atleticana pela segunda divisão. Falarei também da minha experiência, das coisas boas e ruins, dos amigos que fiz, da alegria de ser torcedor do Furacão.

    Para o próximo ano, ampliarei este espaço. Manterei comentários sobre futebol, especialmente sobre o que nos une: o Clube Atlético Paranaense. Mas falarei também sobre literatura, viagem, vinho, poesia e gastronomia. E sobre isso tudo escreverei despretensiosamente, sem nenhum conhecimento profissional. Escreverei - como fiz neste blog - por absoluta paixão!

    Aguardem!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 11h19
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    A sentença

    Dia 27 de novembro de 1998. Ontem fez catorze anos. Nesse dia, então juiz do trabalho, proferi decisão numa ação trabalhista que envolvia o Furacão. A decisão foi nos autos 10.996/98, da 7ª Junta de Conciliação e Julgamento (hoje, 7ª Vara do Trabalho). A ação era movida pelo operário da construção civil Milton Batista dos Santos contra o Clube Atlético Paranaense. Naquele processo discutiam-se verbas decorrentes do trabalho prestado na construção da Arena da Baixada. Com o Atlético no coração, não podendo prejudicar os interesses do trabalhador, escrevi:


     

                                                       "TERMO DE AUDIÊNCIA

                                                       Aos vinte dias do mês de novembro do ano de mil e novecentos e noventa e oito, às 13:03 horas, na sala de audiências da 7a Junta de Conciliação e Julgamento de Curitiba, sob a presidência do Juiz do Trabalho, LUIZ CARLOS SCHROEDER, presentes os Srs. Rubens Boaventura Mendonça, Juiz Classista Temporário representante dos empregados, e  José Toaldo Filho, Juiz Classista Temporário representante dos empregadores, foram apregoadas as partes. Ausentes os litigantes, MILTON BATISTA DOS SANTOS e CLUBE ATLÉTICO PARANAENSE, impossibilitada ficou a derradeira proposta conciliatória, pois que o Juiz Presidente ponderou ao Colegiado o seguinte:

    a)    O cartão de visitas do Juiz Presidente o identifica como atleticano e nele inclusive traz impresso o mascote do clube - o cartola;

    b)    O veículo do Juiz Presidente, com o qual locomove-se diariamente de sua residência ao prédio do Fórum Trabalhista de Primeiro Grau, possui dois adesivos externos (um no vidro traseiro e outro no porta-malas) e um adesivo interno (no porta-luvas), todos demonstrando sua paixão pelo Clube Atlético Paranaense, acrescentando-se que o mencionado automóvel é acionado por chave de ignição, na qual está anexado um chaveiro do Furacão;

    c)    O microcomputador do Juiz Presidente, utilizado para a elaboração das sentenças, tem em sua tela de espera - automaticamente acionada a cada minuto sem movimentação do mouse - uma mensagem de elogio, amor e loucura pelo Atlético, além de ter impresso o escudo do clube no suporte do mesmo mouse;

    d)    Não bastasse, o Juiz Presidente comparece a quase todos os jogos do Rubro-Negro, demonstrando ser um atleticano dos mais apaixonados;

    e)    Ademais, o Juiz Presidente -, que é sócio do clube desde 1975 – atualmente é Sócio Ouro Construtor do melhor e mais moderno estádio de futebol em construção no país, a nova Baixada; e, por último,

    f)     Ao retornar ao seu apartamento, onde mora com sua filha  – uma adolescente simpatizante da Torcida Organizada “Os Fanáticos” -, diariamente o Juiz Presidente convive com objetos pertencentes à primogênita, dentre os quais espelhos, toalhas, camisetas, xícaras, copos, cálices, livros, canetas, fitas-cassete, fitas de vídeo, cd-rom, bandeiras, fotos e posters do Clube Atlético Paranaense.

                                            Assim, entende o Juiz Presidente não ter a menor isenção de ânimo para julgar ação que envolva o Clube Atlético Paranaense, dando-se por suspeito, por motivo íntimo (Parágrafo único, Art. 135, do CPC), razão pelas qual o Colegiado – abstendo-se a presidência - decide adiar a presente audiência de julgamento, aguardando-se o retorno da Juíza Titular, que se encontra em férias.

                                                   Para a sessão de  julgamento  e  publicação  desta  sentença,  designa-se  o  dia 25/01/99, às 17:58 horas.

                                                   Informe-se a Corregedoria do E. TRT da 9a Região, com cópia desta.

                 CIENTES as partes. Nada mais.

     

                                                   Luiz Carlos Schroeder

                                                        Juiz do Trabalho

     

    Juiz Classista dos Empregados                                                     Juiz Classista dos Empregadores"

     

    Esse amor sempre existiu, nunca acabará!

    Dá-lhe, Furacão!

     



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 08h03
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    A última batalha

    Passadas duas noites e um domingo inteiro, hora de falar um pouco sobre a última batalha. Eu já estava ansioso desde a sexta-feira pela manhã. Dormi mal, acordei cedo no sábado, estava com pressa, não tive fome nem sede. Assim fiquei até a hora de ir pro estádio. A torcida estava otimista, mas havia um certo temor. Temor reverencial, talvez, diante de um adversário para o qual não perdemos há vários anos. Tudo o que não podia acontecer era o Paraná Clube complicar nosso acesso à Primeira Divisão, quebrando o tabu logo agora. Estávamos todos certos da classificação, mas ninguém queria comemorar antes da hora. Afinal, como dizia  o Vô Alfredo, "ovo só existe depois que a galinha botar".

    Antes do jogo, o torcedor já roía as unhas

    A tempestade de 15 minutos, antes do jogo, não prejudicou o gramado. O time entrou em campo e logo mostrou que estava exatamente como a torcida: nervoso, ansioso, com muita pressa. Mas jogava bem, com vontade de ganhar. Perdeu várias oportunidades de gol. Marcelo participou de uma bela jogada, em triangulação pela direita, chutou forte. A bola desviou num adversário e ainda se chocou contra a trave. Mas logo depois, para a festa de todos, o zagueiro Cléberson fez o gol. Nossa preocupação era tanta que só vibramos depois que o bandeirinha iniciou sua corrida pro meio do campo. Foi o primeiro gol de Cléberson como profissional. E foi o gol da classificação. O gol mais importante do ano. O derradeiro gol atleticano no campeonato, o que nos garantiu na Série A.

    No intervalo, placar de 1x0, o torcedor estava mais descontraído

    No intervalo, estávamos terminando o campeonato em segundo lugar. O Criciúma não ganhava do Avaí, Vitória empatava com o Ceará, São Caetano e Guarani também empatavam. Para não nos classificarmos tínhamos que tomar dois gols e o São Caetano ganhar. E veio a segunda etapa. Começamos dando passe de calcanhar. E eu não gostei. Poucos gostaram. Numa falta desnecessária, seguida de uma desatenção da zaga e uma falha do goleiro, tomamos o gol de empate. O time demorou para reagir. Ao reagir, mandou uma bola no travessão. Depois, Marcelo sofreu pênalti e mostrou sua arrogância juvenil. Ele que em outro jogo já havia "brigado" com Elias porque queria bater um pênalti, dessa vez "teimou". Colocou a bola embaixo do braço, desobedeceu a ordem do banco e bateu no travessão. Que seja uma lição. Ser humilde, meu craque, não faz mal nenhum. Só faz bem. Pênalti é para especialista. Pênalti em jogo decisivo é para maestro.

    Marcelo vibrou antes da hora

    O pênalti perdido por Marcelo abateu o jogador. Abateu o time. Abateu o torcedor. A notícia do segundo gol do São Caetano, lá em Campinas, nos levou ao desespero. Bastava um gol do adversário e não subiríamos. O Paraná Clube se entusiasmou, veio pra cima do Atlético. Eles queriam botar água no nosso chopp, no nosso whisky, no nosso sagrado vinho. E aí entramos em pânico. Foram vários ataques deles. O goleiro Wéverton fez duas boas defesas. E - no pior momento - Cléberson, já no final do jogo, tirou de cabeça uma bola em cima da linha. Seria o segundo gol do time tricolor. Cléberson, o autor do gol mais importante do ano, fez a defesa mais importante do campeonato. Foi o homem do jogo. O craque da partida. O herói da batalha final!

    Albari Rosa / Gazeta do Povo / Jogadores da equipe principal, como o zagueiro Cleberson, devem atuar apenas no segundo turno do Paranaense

    Cléberson, 20 anos feitos em agosto revelação do ano, o herói da decisão

    E o sufoco durou até o último segundo. No fundo tivemos medo de sofrer o segundo gol. Medo de perder a classificação depois de uma campanha tão difícil. Medo de permanecer na segunda divisão. E não é vergonha dizer que tem medo. Mas esse medo nunca se transformou em covardia. Ao contrário,  a ousadia sempre foi maior que o medo. E foi pela ousadia de Tião de Campos - Professor Sebastião Ricardo Drubscky de Campos - que o time deixou de jogar "fechadinho" (diminutivo que combina bem com Jorginho). Foi com Tião de Campos que o time se impôs na cancha, readquiriu confiança, passou a receber novamente o respeito dos adversários. Parabéns, professor!

    O professor Tião (Ricardo Drubscky) de Campos está feliz da vida

    A festa, nos primeiros momentos, foi maior por parte dos jogadores. A torcida ainda estava despertando, meio incrédula, quase que não acreditando na volta à Série A. O torcedor rubro-negro foi muito maltratado nos últimos tempos. Times ruins, diretores péssimos, jogadores fracos, técnicos sofríveis, campanhas desastrosas. Tudo somado nos levou à derrocada, nos colocou como time de segunda. E neste ano sofremos muito. Um ano inteiro sem jogar no próprio estádio. Perdemos o campeonato estadual por um pênalti mal batido. Fizemos um péssimo início de campeonato na Série B. Passamos sufoco a maior parte do segundo turno. Respiramos mais aliviados depois da vitória em São Caetano. Finalmente, ao final do ano, mesmo sem título, a classificação.

    Daniel Castellano / Gazeta do Povo / Foi mais sofrido do que o esperado, mas o Atlético conseguiu o acesso

    A comemoração de jogadores e torcida após o apito final

    Aos poucos o torcedor foi se liberando, começou a vibrar, ergueu a voz, cantou o nosso hino. A nação rubro-negra não silenciou mais e foi às ruas comemorar. Curitiba se enfeitou de vermelho e preto. A alegria voltou à maioria de suas casas, ao seio da maioria de suas famílias. A maior torcida do Paraná está novamente em festa!

    O torcedor feliz, deixando o belo e acanhado Ecoestádio

    Enfim, como sempre digo, esse time só me dá alegria!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 09h42
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    Estamos de volta!

    Quase duas da manhã, retornando agora da casa do amigo Paulo Costa, coxa-branca. Ele a esposa Cibele, ofereceram a mim e ao advogado e professor universitário Manoel Caetano Ferreira Filho um jantar especial, regado a picanha, bife de chorizo e carneiro e uma seleção de vinhos e espumantes de entusiamar todo atleticano em festa. A paz no futebol passa também pelas relações de amizade que construímos com os torcedores de times adversários. E foi isso que fiz hoje. Respeitando os adversários, mas sem jamais deixar de festejar o feito do Furacão, estivemos reunidos com amigos que torcem para os outros times da capital. E, na casa deles, cantamos o hino do Furacão!

    Os dois espumantes e os quatro tintos oferecidos pela família coxa-branca na comemoração da nossa classificação

    O final da tarde e a noite, entrando pela madrugada, é de muita comemoração. Depois de uma campanha de mais de seis meses, com vários tropeços e muitas dificuldades, estamos de volta à elite do futebol brasileiro. A felicidade e a comemoração devem evitar excessos, mas não podem ser contidas. Por isso mesmo, sobre o jogo só escreverei amanhã à noite. Antes, tenho de viajar daqui a pouco para Santos, onde passarei o domingo em família, comemorando com duas das minhas filhas e meu casal de netos. Lá, comemoraremos o acesso do Furacão e o aniversário de primeiro ano da Alice. Na noite deste domingo estarei de volta e escreverei sobre a batalha contra o Paraná.

    Com as bandeiras, Pedro Botelho - à esquerda - e Deivid e Elias - à direita - festejando a classificação do Furacão

    Para a próxima semana, prometo também fazer um balanço do que foi essa caminhada rumo à Primeira Divisão. Foi uma jornada sofrida. Sofrimento com as vergonhosas derrotas, no início da competição, para Boa, CRB e Ceará. Com os empates absurdos - em casa - diante de Goiás, Bragantino, Guarani e América-RN. Derrotas desesperadoras, em Paranaguá, para Vitória e São Caetano. Derrotas doídas como as de Belo Horizonte, Campinas, Goiânia e Bragança Paulista. Mas de jogos maravilhosos, dentre eles a épica vitória de 5x4 contra o América-MG e as espetaculares vitórias em, Salvador e em São Caetano. Um campeonato sofrido até o último jogo, até o último minuto, até o último lance.


    Comecei a comemorar lá mesmo no Ecoestádio

    E antecipo desde já, que - antes do post com o balanço final - publicarei aqui, em no máximo uma semana, uma decisão que dei, quando exercia a magistratura do trabalho, numa ação trabalhista movida contra o Clube Atlético Paranaense, na época em que se construía a Arena da Baixada, há mais de catorze anos.

    Dá-lhe, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 02h12
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    Pra cima deles, Atlético!

    Após o jogo de Criciúma senti dores nas pernas como se tivesse caminhado por longas horas. Senti dores nos braços como se tivesse feito exercícios uma semana inteira. Senti dores nas costas como se tivesse descarregado sozinho um caminhão de sacas de café. Pura tensão. Aquele jogo me deixou tenso demais. Não escondo que aceitei o empate como um resultado normal. Lá, eu aceitava tudo que não fosse uma derrota. E as dores passaram depois de uma boa noite de sono. Só retornei na manhã de domingo, sem pressa, com toda a calma, chegando a Curitiba no final da tarde.


    Trânsito lento na volta de Criciúma

    Desde ontem, sexta-feira, sinto-me ansioso como nunca estive nos últimos anos. Não vejo a hora desse jogo começar e resolver tudo. Já sei que pode chover a qualquer hora e poderemos ter em Curitiba, à tarde, uma tempestade. Meu kit de torcedor na chuva já está preparado. Capa de plástico e boné rubro-negro. A voz preparada para mais de noventa minutos. Chegarei mais cedo para pegar um ótimo lugar, onde possa enxergar bem, lá nas arquibancadas superiores (não consegui habilitar nas inferiores). Sabemos, todos, que será um  jogo difícil. Um jogo tenso. Um jogo estudado. Um jogo de xadrez. Tecnicamente, nosso time é muito melhor, temos muito mais qualidade. Fisicamente, estamos prontos para a batalha final. Psicologicamente, temos jogadores experientes e, portanto, preparados para um jogo dessa importância. Mas se futebol fosse resolvido apenas por esses aspectos, o Barcelona jamais perderia, pois tem qualidade, preparo e frieza. Futebol, como dizia o filósofo argentino, se decide ali, em noventa minutos, onze contra onze!


    Cartão habilitado, ingresso garantido

    Para nós, atleticanos, este é o jogo do ano. Na verdade, como o campeonato é por pontos corridos, todas as partidas foram batalhas importantes e decisivas. É verdade que nem sempre os jogadores entenderam assim. A diferença é que esta é a última batalha. E, por isso mesmo, nela não se pode errar. Quem erra, perde. Quem erra na última, não tem mais chance de se recuperar. O Atlético entra em campo pensando na classificação. Pensando no acesso. Pensando na volta à Primeira Divisão. Temos a necessidade do acesso. Nosso adversário, ao contrário, nada almeja. Joga sem compromisso. Isso é ruim ou é bom? Não é ruim nem bom. Dependemos somente de nós. A batalha será ganha se jogarmos com muita atenção, com muita personalidade, com muito empenho, com muita vontade, com muito desejo, com muito tesão, com muito prazer!

    É preciso jogar com vontade, determinação e alegria

    E o resto é bobagem! Pra cima deles, Furacão!!!

    (Para quem não viu, ontem o blog - e minhas viagens para ver o Atlético - foram motivos de uma reportagem na Gazeta do Povo. Para ler o texto do jornalista André Pugliesi, clique aqui)



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 07h18
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    A polícia medrosa e os "sem ingresso", mundo afora...

    São 14.434 sócios. Que possuem um total de 15.608 cadeiras. Portanto, são 15.608 lugares reservados para os que são sócios, pagam R$ 70,00 por mês, independentemente de haver ou não jogo. Mas a polícia - aquela que adora baixar o cassetete no povo e mostrar virilidade às moças curitibanas - resolveu abaixar o número de lugares no Ecoestádio. É a velha política de segurança pública brasileira. É a velha tática da polícia medíocre. É a velha sistemática de uma polícia autoritária e medrosa. Tem briga no carnaval do Largo da Ordem? Mude-se o local do carnaval. Tem briga de torcedores por causa do futebol? Proíbam-se as torcidas organizadas. Tem marido traído no sofá da sala? Retire-se o sofá. Prenderam alguém? Não! Instauraram algum inquérito? Não! Proibir é muito mais fácil do que trabalhar. E polícia que não prende os brigões do carnaval e do futebol, jamais enfrentará a bandidagem e o crime organizado.

    O "civilizado" policial paranaense acoxando a "violenta" torcedora coxa: uma vergonha!!!

    Com apenas 5.940 lugares para a torcida rubro-negra, mais de 60% dos seus sócios, que pagam rigorosamente em dia, não têm o direito de assistir a partida. Ou seja, menos de quatro em cada dez sócios é que poderão ir ao jogo. Os demais farão o que a maioria já vem fazendo desde o início do ano: assistirão pela TV paga, ouvirão pelo rádio ou acompanharão pela internet. E os não-sócios têm sofrido muito mais, pois este ano não houve venda de ingressos em Curitiba. Enquanto a Arena está sendo reformada para a Copa do Mundo, é difícil a vida do torcedor atleticano. Mas muito mais difícil é a vida do Val Forgatti. Curitibano, ele mora nos Estados Unidos há mais de 12 anos. E, para garantir o sustento da família e o futuro da filha, trabalha duro. Acorda cedo. Enfrenta a neve e o frio. Muito frio. Muitos graus abaixo de zero. Forgatti mora em Boston, Massachusetts, onde é motorista de caminhão entregador. Quem conhece a página do Forgatti, no facebook, sabe da sua paixão pelo Furacão. Acompanha diariamente a vida do clube, sempre pela internet. Tem uma filha de um ano e cinco meses. E, emocionado, ao falar da filha, me disse: "Luiz, minha filha já fala 'Atléticoooo... Goooool' E eu fico cheio de orgulho quando ela fala isso". Mesmo sem estar fisicamente presente, Val Forgatti segue o Atlético em toda a parte.

    Val Forgatti, no Gillette Stadium, em Massachusetts, no jogo Brasil x México, provando o seu amor

    Existem os que não estão no exterior. Que moram aqui no Brasil. Mas não moram em Curitiba e em suas cidades não há jogos do Atlético. Milhares torcem pelo Atlético desde criança e nunca viram o Furacão, ao vivo. Eles não tem dinheiro para viajar e assistir ao seu time do coração. Nem por isso eles são menos atleticanos que os outros. Nesta caminhada pela segunda divisão, acompanhando um Furacão pelo Brasil, vi muita gente feliz, de sorriso estampado no rosto, porque estava pela primeira vez assistindo um jogo do Atlético. Foi assim em Barueri, São Caetano, Campinas, Bragança Paulista, Guaratinguetá, Varginha, Belo Horizonte, Ipatinga, Salvador, Arapiraca, Maceió, Natal e Fortaleza. Muitos chegavam a mim e pediam para tirar uma foto comigo. No início eu não entendia aquilo. Depois comecei a entender. Era o sentimento de ser atleticano. Eles queriam uma foto ao lado do torcedor que estava viajando pelo país para acompanhar o Atlético neste momento difícil da sua história. Imagine se esses torcedores tivessem um acesso mais facilitado junto aos nossos jogadores. Imaginem se o Atlético os presenteasse, ainda que fosse com um simples adesivo ou imã de geladeira. Em Natal, um senhor se aproximou de mim e pediu para tirar uma foto. Eu concordei e ele disse: "Minha filha não pôde vir ao jogo, a mãe não deixou, tem medo da violência. Mas minha filha me pediu uma foto com o homem do blog, o que viaja para ver o Furacão." Essa menina certamente é tão atleticana quanto o Caju, o Jofre Cabral e Silva, o Sicupira e o Mário Celso Petráglia!

    O atleticano Joka Madruga (em Criciúma, à esquerda na foto), enquanto nós vemos o Atlético, está sempre trabalhando

    Dizem que o futebol é uma instituição brasileira. Mentira! O Brasil tem bons jogadores de futebol. E teve grandes craques. Atualmente estamos em baixa. No futebol internacional não temos nenhum grande jogador brasileiro. Em nenhum campeonato europeu, de primeiro nível, há um brasileiro como protagonista. Se aqui o futebol fosse uma insituição, os estádios para a Copa do Mundo já estariam prontos. E o Atlético não estaria jogando no Ecoestádio. Se o futebol fosse uma instituição haveria mais respeito entre os dirigentes de clubes. Que normalmente agem como se fossem torcedores dos mais fanáticos. E normalmente não são. Apenas fazem esse joguinho para agradar a torcida. Futebol é instituição na Inglaterra, na Espanha, na Alemanha. Mas é verdade que o futebol é o que temos de mais democrático. Aqui, em se tratando de futebol,  não há diferença entre juiz e motorista, médico e cozinheiro, dono de posto e frentista, professor universitário e analfabeto. No estádio, somos todos atleticanos. Até achamos que somos mais atleticano que os outros, que somos o maior atleticano de todos os tempos, que a nossa paixão supera a de todos os demais. Mas somos absolutamente iguais!

    Hicham Zraik, em Beiruth, no Líbano, mostrando a sua paixão

    Em Criciúma, ao final do jogo, se aproximou de mim um rapaz que eu não conhecia pessoalmente. Mas foi um prazer conhecê-lo. Hicham Zraik, descendente de libaneses é de uma família de atleticanos, seu pai foi presidente do Atlético na época das dificuldades. Hicham é um jovem médico que está sempre com o Furacão. Este ano esteve no Líbano, visitando familiares. E não esqueceu de, na mala, colocar uma bandeira do nosso clube. Lá, em Beiruth, foi ao estádio assistir a um jogo da seleção do Líbano, válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Vestiu a camisa libanesa, mas fez questão de demonstrar que o seu coração é rubro-negro. Aliás, o futebol tem dessas coisas. Conheci muita gente nesta caminhada. Muita gente especial. Do garçom da Fogo de Chão, em Belo Horizonte - que é do interior do Paraná e fanático pelo Atlético - ao engenheiro e empresário de Aracaju, que esteve no jogo de Arapiraca - e que é atleticano desde a adolescência e nunca morou no Paraná. Na arquibancada, não interessa se o cara é esquerdista, liberal, petista, tucano ou direitista. Ali, somos todos apaixonados pelo Atlético. É o caso, por exemplo, do engenheiro aposentado Alexandre Haag Filho, que reside em Buenos Aires e, lá, fundou uma Embaixada do Atlético.

    Alexandre Haag Filho, mora em Buenos Aires e fez essa foto hoje, no Parque de Palermo, com os jacarandás ao fundo

    Outro aspecto que merece comentário é o da faixa etária. Há jovens que morrem de amor pelo clube, há meninas que levam os namorados para o futebol, há octogenários que não deixam de ir ao estádio, há meninas adolescentes que se apaixonam pelos jogadores, há crianças que choram por uma derrota, há homens sérios que choram por uma vitória. E há mulheres maduras que cantam, em todos os seus versos, a versão atleticana do The Wall (clique e ouça na versão original), como se fossem fanáticas - não pelo Atlético, mas pelo Pink Floyd. E em qualquer país do mundo há um atleticano. Em todos os cantos do planeta alguém já falou no Furacão. Em Toledo ou em Paris, em Rio Negro ou Nova Iorque, em Mangueirinha ou Roma, em Astorga ou Madrid, em Sengés ou Lisboa. Em todos os lugares, sempre há um fanático. Um desses atleticanos apaixonados é o Diego Bento Batista. Curitibano, 29 anos, profissional da área de marketing, Diego Baya - como é conhecido - se transformou num peregrino mundo afora. Já morou em Goiânia, Brasília, Palmas (TO), São Paulo e Florianópolis. Ultimamente, por um ano, morou na Irlanda, em Dublin. E agora anda viajando pela Europa. Na mala, sempre uma camisa e uma bandeira do Furacão.

    Foi assim que Diego Baya, na Praça do Comércio, em Lisboa, comemorou a vitória sobre o ABC

    Portanto, se você não conseguiu habilitar seu cartão, não chore! Nem reclame. Há milhões de atleticanos, mundo afora, sem ingresso. Mas todos estarão unidos no próximo sábado. Todos estarão presentes, seja em alma ou em espírito, no Ecoestádio. Falta um pontinho. Faltam 90 minutos. Falta muito pouco. Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 13h49
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    Previsão confirmada!

    Quem leu o que escrevi aqui, na madrugada de sábado, sabe que o resultado do jogo foi exatamente o que queria o Criciúma, sua torcida, toda a população da cidade. Eles falavam em empate. Conseguiram. Pelas ruas do centro da cidade, na manhã de sábado, famílias inteiras desfilavam com o uniforme do time. Havia um clima de euforia. Mas essa euforia não era manifestada pelo desejo de vencer o Atlético. E, sim, pelo desejo de classificação, o que - na análise deles - seria possível com um empate.

    O calçadão central de Criciúma

    No hotel, já no café da manhã encontrei vários atleticanos que haviam chegado na véspera, além de jornalistas esportivos da RPC, FM 98.7, Transamérica. O comentário, em alta voz, do gaúcho (quase uruguaio) Abrelino Fernando Gomes, era de classificação do Atlético com uma vitória. E é claro que ele não perdeu a oportunidade de falar que suas filhas (netas do grande atleticano Xiquinho Zimermann) são todas torcedoras do Furacão e estavam certas da classificação.


    Na porta da loja, a família do Tigre

    Voltando pro hotel, encontrei vários atleticanos que àquela hora (13h00) já estavam na cidade. Todos também muito otimistas, falando em vitória, em classificação antecipada. Fotografei muitos, conversei com vários, mas não havia negociação. Quem falasse em empate, naquele momento, não era um bom atleticano. Eu que acompanhei o time durante todo o campeonato, desde a primeira partida, sei que ele é limitado e por isso mesmo evitei discutir. Pra mim, o importante era não perder.

    O garotinho adorou fazer pose para o fotógrafo de Curitiba

    A torcida do Atlético foi chegando, chegando mais e tomando aos poucos o espaço dos 1.500 lugares reservados. Mas a diretoria do Criciúma havia vendido outros 300 ingressos na cidade. E, antes do jogo, resolveu vender mais 200 ingressos para os fanáticos atleticanos. Resultado: chamou a polícia, que aumentou o espaço destinado aos rubro-negros. Fomos, pois, 2.000 atleticanos, num total de 16.540 torcedores. Nas ruas da cidade já se notava isso desde cedo.

    Atleticanas, batendo papo com o "tigrinho", na Cachaçaria Água Doce

    Ainda antes de chegar ao hotel para mais um banho e a troca da roupa (era preciso colocar uma camisa que me identificasse como rubro-negro), encontrei outros grupos de torcedores do Furacão. Em cada bar, um grupo de atleticanos. Em cada lanchonete, outro grupo de rubro-negros. Em cada esquina, mais atleticanos. Encontrei até um rubro-negro que mora em Porto Alegre e que veio de ônibus de linha para ver seu time jogar em Criciúma.


    O rapaz sem camisa é bancário em Porto Alegre e viajou pra ver o seu time do coração

    Fomos para o estádio, torcida rubro-negra animadíssima, dando um verdadeiro show. A guerra foi apenas verbal. Nenhum incidente. Nenhuma briga. Nada fora dos limites normais de torcedores apaixonados. A foto era emblemática. Quando a fiz, pensei na hipótese de o futebol ser sempre assim, com paz em todos os estádios do Brasil e do mundo. Quem sabe um dia...

    Surpreendentemente havia poucos policiais a separar as duas torcidas

    O jogo iniciou com 13 minutos e atraso. Tudo para encerrar depois do fim do jogo de São Caetano, onde o time do ABC paulista jogava contra o já classificado Goiás. O Atlético, inexplicavelmente, iniciou o jogo com a camisa branca, com a qual - no primeiro tempo - não deu sequer um chute a gol. O Criciúma mandou uma única bola a gol, em cobrança de falta. Nosso goleiro rebateu e em seguida encaixou a bola, sem comprometer. Aliás, eu já dizia a todos que Santos iria se consagrar defendo a nossa meta. Só não se consagrou porque o adversário, depois da falta, não chutou mais nenhuma.

    No primeiro tempo, a camisa que o torcedor não gosta

    No segundo tempo, de camisa trocada, o rubro-negro finalmente entrou em campo. Era, em campo, o Atlético que o povo gosta. Foi pra cima, atacou, deu vários chutes a gol. Obrigou o goleiro do Criciúma a fazer pelo menos uma importantes e grande defesa, em um "pelotaço" de Marcelo. No segundo tempo, o time da casa não chutou sequer uma bola contra o nosso gol. Mas, aos 32 do segundo tempo, quando veio a notícia do resultado final em São Caetano (1x1), o Atlético abdicou de atacar. O Criciúma já havia abdicado desde o primeiro tempo. Achou melhor, o Atlético, o empate do que o risco de uma derrota. E agora? Agora falta mais um pontinho. No próximo sábado, basta o empate contra o Paraná.

    O time usando a camisa que o povo gosta

    Jogo encerrado, muita festa da torcida local. Depois de oito anos o Criciúma volta à elite do futebol brasileiro. Aos atleticanos, a volta pra casa. Mais 500 km de viagem. Eram 25 ônibus, dezenas de vans, uma centena de automóveis. Eu fiquei. Não gosto de dirigir à noite. Fui jantar na Cantina Vettorazzi. Voltei para o hotel, notei o grande movimento de automóveis, perguntei na recepção o que estava acontecendo. Era o time do Criciúma comemorando a classificação num jantar "fechado", no restaurante do hotel onde me hospedei. Consegui, de longe, fotografar alguns dirigentes e jogadores em festa.

    Zé Carlos, artilheiro da Série B, está sentado, com camisa escura e boné branco

    Falta um pontinho, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h56
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    O café colonial e a luz no fim do túnel

    Em Criciúma, desde a metade da tarde. Já conversei com frentista de posto de gasolina, porteiro de hotel, atendente de farmácia, motoboy, garçom e churrasqueiro. Todos - sem exceção - respeitam o Atlético, acham que o nosso time é melhor que o deles, se dão por satisfeito com o empate (que classifica o Criciúma). Nós, ao contrário, precisamos ganhar. De toda forma, a cidade é bela, limpa, progressista, moderna e de povo educado. Logo na chegada, abaixei o vidro e perguntei a um motoboy onde ficava o hotel. Ele tentou explicar e, em seguida, interrompeu a explicação me dizendo: "Vem comigo!" E, cidade adentro, me mostrou o caminho. Perguntei quando devia, ele me disse: "Nada! Vale a amizade!". E, antes que eu falasse qualquer coisa, olhou a placa do meu carro e disse: "Um empate é bom pros dois!". E, acelerando a moto, foi embora.

    O calçadão da Praça Nereu Ramos, no centro de Criciúma

    Eu havia saído de Curitiba as 10h00. As 13h00 parei para almoçar na metade do caminho, em Itapema, no Café Colonial do Tirolez (com "z" mesmo). O Rudiberth Horwarth (nascido em Corupá, SC, e filho de uma austríaca com um "húngaro alemão"), depois de uma década, lembrou de mim e mais uma vez me recebeu muito bem. Sua esposa, a Gládis, nascida em Estrela (RS), não estava e não pôde saber que em breve eu estarei morando nas terras gaúchas. Paguei R$ 38,00 e comi só o que precisava. Dei um lucro tremendo, nem experimentei as tortas - uma mais bonita que a outra. Mas não fui embora sem me deliciar com um apfelstrudel com nata.

    O apfelstrudel da Gladis, uma maravilha!

    Segui viagem, passei tranquilamente pela região metropolitana de Florianópolis, a estrada está ótima, o trânsito fluiu bem. As notícias negativas ficam por conta da onda de ataques aos ônibus em Florianópolis e outras cidades catarinenses. Como disse o "Rudi", essa "queima" de ônibus é uma coisa de louco. Ou pra louco! Santa Catarina sempre foi um estado tranquilo, sem nenhum histórico de violência. Certamente o governo estadual - e suas polícias - não esperavam por isso. Por isso mesmo o governador não titubeou e pediu socorro à Polícia Federal. Que já está agindo na região.

    À exceção de 10 km, a BR 101 está toda duplicada entre Curitiba e Criciúma

    No Brasil tudo é demorado. Faz quase 20 anos que começaram as obras de duplicação da BR 101, entre Garuva (SC) e Osório (RS). A região é rica, economicamente importante, pela rodovia passam dezenas de milhares de caminhões todos os dias. E a duplicação ainda não está concluída. Falta pouco, é verdade. Mas falta! Ao passar pelo Morro Agudo, no município de Paulo Lopes (SC), vi a luz no fim do túnel. Não sei se a luz é para a duplicação da estrada ou para a caminhada do Atlético pela segunda divisão. Mas havia luz no fim do túnel!

    A luz no fim do túnel

    A grande novidade da viagem foi saber que finalmente começaram a construir a "outra ponte" no canal de Laguna. Trata-se de uma ponte extensa, de mais de 2,5 km. Antes que caia a atual (pois a velha já caiu), finalmente a obra foi iniciada. Em breve teremos, pois, a BR 101 totalmente duplicada neste trecho. E, então, poderemos ir de Curitiba a Porto Alegre por uma rodovia decente.

    A ponte de Laguna

    As 16h30, depois de 480 km, entrei em Criciúma. Em vários estabelecimentos comerciais e industriais encontrei bandeiras do Criciúma, hasteadas ao lado da bandeira nacional. Vi que a cidade está mobilizada, que o povo está entusiasmado com a real possibilidade do Criciúma voltar à primeira divisão. Neste sábado, com toda a certeza o Heriberto Hülse estará lotado. E, exatamente no enorme mastro, em frente ao seu portão principal, uma bandeira gigante do nosso adversário está permanentemente tremulando. Será, sem nenhuma dúvida, um grande jogo!

    A bandeira gigante

    Depois do banho (e do perfume, obviamente), esperei Priscilla. Ela não apareceu. Não ligou, nem me deu a menor satisfação. Sozinho, resolvi jantar no hotel. Em seguida chegaram ao restaurante os atleticanos Joka Madruga e André Ricardo Guenzen, além do seu pai. O papo foi agradável e percebeu-se facilmente o sentimento unânime de muito otimismo.

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h19
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    Todos, com olhos em Criciúma

    O jogo é sábado. Estádio Heriberto Hülse, 16h20. Será a penúltima partida. Na matemática de hoje, precisamos fazer quatro pontos em duas partidas. A outra, na rodada final, será contra o Paraná, no Ecoestádio. Logo, o melhor resultado é sempre a vitória. Neste caso, mais do que nunca! Eu iria no sábado pela manhã. São quase 500 km. Mas, todos - de forma unânime - me falam que atravessar a região de Florianópolis leva, hoje, em torno de duas horas. Para não correr riscos, deveria eu sair de Curitiba as 05h00 da manhã de sábado. Então, para chegar antes e sem problemas, viajo nesta sexta-feira. Vou de carro, pela 101.

    Este é o trânsito que devo encontrar entre Biguaçu e Palhoça

    Sem pressa, passarei o dia na estrada. Chegarei à terra que um dia foi a capital brasileira do carvão - e que hoje é uma cidade multi industrial (cerâmica, química, vestuário, plástico, metal-mecânica e também mineração) - no final da tarde. Ficarei hospedado no Hotel Apolo XVI, bem pertinho do estádio. Criciúma, que tem 200.000 habitantes, é bem mais moderna que a progressista Arapiraca. E o Heriberto Hülse é um estádio aconchegante, como o da cidade alagoana, mas com muito mais conforto. O estádio, que já recebeu mais de 31.000 pessoas, em 1995, num jogo contra a Chapeoense, tem hoje capacidade limitada a 22.000 torcedores, em respeito ao Estatuto do Torcedor. Certamente estará lotado e, lá, seremos no mínimo 2.000 rubro-negros, todos com ingressos já comprados.

    Estádio Heriberto Hülse, na bela Criciúma

    O Atlético está preparado e até já escalado. Os dois times precisam vencer. O jogo tem caráter decisivo, é de alto risco, o efetivo policial será dobrado. Mas a cidade catarinense - e seu povo - não tem histórico nem tradição de violência. Muito menos no futebol. Em campo, uma batalha. Fora dele, um clima de paz. Sexta à noite e sábado pela manhã andarei pela cidade com Priscilla e sentirei o clima. Prometo um novo post antes do jogo, ainda na manhã de sábado.

    Priscilla Vieira, a musa do Tigre

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h58
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    O amor nordestino!

    Ontem voei pela GOL de Curitiba a Aracaju (passagem de R$ 714, 32, comprada em março e paga em seus vezes), num total de sete horas de viagem, incluídas escala e conexão. Na capital do Sergipe, aluguei um carro (R$ 260,30, divididos com meu amigo Paulo Fernando da Silva) e viajei mais 190 km até Arapiraca, nas Alagoas. Chegamos no final da tarde, nos hospedamos no Hotel Sol Nascente (R$ 99,00 pelo apartamento luxo), onde jantamos (R$ 22,00 por pessoa) com o jornalista curitibano André Ricardo Guenzen e os paranaenses (que moram no Recife) Cesar Aziul Nedopetalski e seu filho Caio Cesar. No hotel estava também hospedada a delegação atleticana e lá encontramos vários outros torcedores rubro-negros que vivem no Nordeste.

    Obra de duplicação da BR-101, trecho entre Aracaju e Maceió

    Em seguida fomos para o "Fumeirão", forma como a imprensa e a população local chamam o Estádio Municipal Coaracy da Mata Machado. Ingresso (a R$ 10,00) comprado em bilheteria única, demos a volta no quarteirão e entramos no setor da torcida visitante. No total, éramos meia centena de atleticanos confiantes em mais uma vitória. O estádio é simpático e aconchegante. Vê-se bem o jogo de qualquer setor. Mas tem um péssimo gramado e uma sofrível iluminação. A progressista cidade e a campanha do seu time merecem um estádio bem melhor.


    Arquibancadas tubulares no Fumeirão

    A foto, feita antes do início da partida, mostra a ansiedade dos meus amigos. Mas, no intervalo, o clima já era de alívio e satisfação. O Furacão começou arrasador. Mesmo perdendo cinco oportunidades de gols, o time fez três ainda no primeiro tempo. Marcelo, Marcão a Maranhão - os 3M - marcaram para a felicidade na nação rubro-negra. O time não parecia o mesmo que na terça-feira à tarde, em Curitiba, no Ecoestádio, havia empatado em 1x1 com o América de Natal.

    André Ricardo Guenzen, Paulo Fernando da Silva, Caio Cesar Nedopetalski e Cesar Aziul Nedopetalski

    No segundo tempo, como de costume, o Atlético recuou e - num momento de desatenção - tomou o primeiro gol. Depois dos trinta minutos, em lance em que havia seis (sim!) impedidos, o adversário fez o segundo gol. Para mim, independentemente de ter havido impedimento, nosso goleiro mais uma vez falhou. Nas duas oportunidades. Ele não tem mesmo nenhuma saída. E, bobamente, ainda levou um cartão amarelo e não joga em Criciúma, no próximo sábado. O show foi dentro de campo, mas também nas arquibancadas.

    Um show em vermelho e preto em Arapiraca

    Os atleticanos, aliás, seguimos mesmo o nosso time em toda a parte. Ontem, lá no interior das Alagoas, havia torcedores das mais diversas cidades. Como Curitiba, Rio de Janeiro, Recife, Aracaju, Maceió, Palmeira dos Índios e Santana do Ipanema. Mas é preciso citar dois deles. Dois rapazes atleticanos, fanáticos pelo Furacão, que sequer conhecem Curitiba e viram pela primeira vez o Atlético jogar perto de suas casas. Na foto abaixo, a faixa levada pelo Lucas Meireles de Melo, sergipano de Macambira, apaixonado pelo nosso querido Clube Atlético Paranaense. Na outra ponta, ajudando-o, o arapiraquense Gabriel Leite. Sem dúvida, uma linda e emocionante demonstração de amor pelo Atlético.

    O sergipano Lucas Meirles de Melo e o alagoano Gabriel Leite

    Jogo encerrado, voltamos para o hotel. Lá, ainda com a presença dos jogadores e comissão técnica - que jantaram e depois viajaram para tomar o voo da madrugada em Maceió - comemoramos a vitória e o aniversário de Paulo Fernando da Silva. Todos alegres, relembramos a vitória, a longa campanha desta Série B, situações difíceis e momentos de felicidade. Esteve conosco, também, o engenheiro Alexandre Gomes Silvestre, paranaense de Castro e que há mais de uma década vive na capital de Pernambuco.

    André, Alexandre, Luiz Carlos, Cesar e Paulo Fernando

    O vinho da comemoração foi uma gentileza do Cesar Aziul Nedopetalski, que o levou de casa (Recife) para Arapiraca. Um tinto chileno, cabernet sauvignon, safra 2008, com 13,8% de álcool. O delicioso Machalí, produzido em uma vinícola boutique, do mesmo nome, situada no Vale do Cachapoal, 130 km ao sul de Santiago.

    Hoje pela manhã retornamos a Aracaju, Gastamos R$ 75,00 de gasolina, divididos com o Paulo Fernando da Silva. Almoçamos (R$ 64,00 para cada um) no excelente restaurante Pitu com Pirão da Eliane, na Praia de Atalaia. Paulo Fernando seguiu para Curitiba, eu permaneço aqui até amanhã no final da tarde, conhecendo mais da capital sergipana.


    A bela vista da Praia de Atalaia, em Aracaju, desde a sacada do meu quarto, no Radisson Hotel

    Faltam quatro pontos, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h12
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    O fumo de Arapiraca, quem leva?

    Saio cedinho nesta sexta-feira. Será a última longa viagem desta caminhada. Este blog, todos que o acompanham sabem, surgiu com prazo de validade. O blog existe para registrar a caminhada do Furacão rumo á Série “A”, tudo sob a ótica de um torcedor apaixonado. E a campanha está terminando. Tudo iniciou lá em Joinville, no dia 19 de maio. Quase seis meses atrás. Faltam três partidas. Nesta sexta-feira, dia 09 de novembro, a antepenúltima missão será em Arapiraca, no sertão das Alagoas. Meu voo sai do Afonso Pena as 07h32, com escala em Campinas e conexão no Galeão. Desço as 13h25, horário local (uma hora mais tarde aqui), em Aracaju. Do aeroporto de Aracaju viajo mais 175 km, dirigindo até a cidade do fumo. Eu que sou filho de gente nascida na terra do fumo, no Rio Grande do Sul (mãe de Arroio do Tigre e pai de Cerro Branco, ambas cidades vizinhas a Sobradinho), agora vou conhecer Arapiraca, cidade polo da outra região produtora de tabaco.

    http://www.robsonpiresxerife.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/zix.jpg

    O fumo em corda de Arapiraca, que me faz lembrar do Vô Alfredo e seu "palheiro" com fumo de Sobradinho

    O jogo contra a ASA – Agremiação Sportiva Arapiraquense – será as 20h50 (aqui no Sul 21h50). A cidade é a segunda mais importante das Alagoas, tem 217.000 habitantes, foi criada alguns meses depois da fundação do Atlético, em 1924. Centro universitário do interior do estado, Arapiraca possui três universidades públicas e nove faculdades particulares. Como praticamente todo o Nordeste, há quase dez anos cresce a índices chineses, em média 8% ao ano, sendo o quinto município nordestino em aumento do PIB desde 2006. Para termos uma ideia da sua importância, a cidade tem dez emissoras de rádio, oito delas de frequência modulada (FM). É nessa Arapiraca que o Furacão entra em campo logo mais à noite para buscar três pontos.

    O centro da "capital do fumo"

    O jogo será no Estádio Municipal, cujo nome é Coaracy da Mata Fonseca e comporta 14.000 torcedores. Segundo a previsão do tempo, deve chover na hora do jogo e a temperatura será de 23 graus. Aliás, Arapiraca normalmente tem uma temperatura agradável à noite. Chovendo ou não, é preciso que o clima seja de Furacão e que o nosso time faça o possível e o impossível para trazer mais três pontos. Três pontos que serão fundamentais para alcançarmos o nosso objetivo. O time deles? É bom! A ASA faz a quinta melhor campanha do segundo turno, tem o maior artilheiro do país neste ano (e vice da Série B), Lúcio Maranhão. E, com 44 pontos, já garantiu sua permanência na Série B de 2013.


    O "alçapão" da ASA

    No jogo, no qual reencontrarei os curitibanos André Ricardo Guenzen e Paulo Fernando da Silva, verei também Cesar Aziul Nedopetalski e seu filho Caio Cesar, paranaenses que moram em Recife. Aliás, esta campanha tem servido para encontrar atleticanos agradáveis e apaixonados Brasil afora. A respeito, na terça-feira, no triste jogo contra o América potiguar, vi a partida ao lado de dois atleticanos que não moram em Curitiba. De um lado, o advogado Paulo Francisco Veiga de Freitas, de Santo Antônio da Platina (PR). De outro, o administrador de empresas Gabriel Robles de Césero, que mora em Uberlândia (e que eu já havia encontrado nos jogos de Varginha e Belo Horizonte). A amizade e o companheirismo entre atleticanos de todo o país, certamente mereceria uma tese. Ou, ao menos, uma dissertação de mestrado sobre o comportamento humano.

    Paulo Francisco Veiga de Freitas, Luiz Carlos Schroeder e Gabriel Robles De Césero

    A notícia desagradável é o e-mail da Renata Zduniak. Acabei de abrir a caixa de entrada do meu correio eletrônico e, lamentavelmente, me deparei com a mensagem renatiana. Infelizmente, pelo sucesso que anda fazendo em São Paulo, ela não estará de corpo presente em Arapiraca. Estará presente em espírito. Na falta do corpo, fiquemos pois com o espírito. Não se trata de espírito de corpo, muito menos de espírito de porco. Mas, no caso da Renata Zduniak, o corpo fará falta. Muita falta!

    Renata Zduniak, musa da Associação Sportiva Arapiraquense

    Pra cima dela (ASA), Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 20h13
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    O filho do Caju

    Alfredo Gottardi, o grande goleiro Caju, primeiro paranaense a ser convocado para a Seleção Brasileira, é o maior ídolo rubro-negro em todos os tempos. Caju não disputou Copas do Mundo porque elas não aconteceram. Em 1942 e 1946, em razão da Segunda Guerra Mundial, não tivemos o campeonato mundial de seleções. De família atleticana, Caju jogou toda a sua carreira unicamente pelo Atlético, dos 18 aos 35 anos, de 1933 a 1950. Foi seis vezes campeão paranaense (1934, 1936, 1940, 1943, 1945 e 1949), integrando o esquadrão de 1949, responsável pelo apelido de "Furacão".

    No destaque, Caju, o goleiro do time em 1943

    Nascido em 14 de janeiro de 1915, Caju era também conhecido como "A Majestado do Arco". Aprendeu a ser goleiro desde criança. Seu professor e treinador, desde a infância, foi seu irmão mais velho, Alberto Gottardi. Alberto foi goleiro do Atlético de 1928 a 1933, tendo sido campeão invicto e goleiro menos vazado em 1929. E Alberto preparou o irmão Caju como seu sucessor, que acabou sendo o maior goleiro da história atleticana. Alberto Gotardi morava em uma casa vizinha à Baixada, trabalhou no Atlético até o fim da sua vida, foi pai de dois jogadores rubro-negros: Rui, meia-direita do Furacão de 1949 (que fez 65 gols com a nossa camisa); e Aldir, meia-esquerda.

    http://circuloatleticano.files.wordpress.com/2010/05/albertogottardi.jpg?w=460

    Alberto Gottardi, o goleiro de uniforme claro, em 1929

    Em 1944, no dia 07 de novembro, há 68 anos, nascia Alfredo Gottardi Júnior, sobrinho de Alberto, primo de Rui e Aldir, filho do Caju. Alfredo, ao contrário do tio, do pai e do irmão Celso (que jogou no Atlético nos anos 1960), não foi goleiro. Ao contrário dos primos, não foi atacante. Alfredo foi o zagueiro mais técnico que vi jogar. De grande habilidade, bom driblador, excelente toque de bola, Alfredo jogava com classe e elegância. Era elegante dentro e fora do campo. Cabelo sempre bem cortado e penteado, barba aparada, vestia-se muito bem e fazia sucesso entre as mulheres, fossem atleticanas ou não.

    Alfredo, classe e elegância a serviço do Atlético

    O futebol de categoria estava no DNA de Alfredo. Além de ser um  Gottardi, sua mãe era Cecatto - uma família que deu também grandes jogadores para o Atlético. Dona Glacy era irmã de Ari Cecatto e Osvaldo Cecattinho, que formaram a ala esquerda do Atlético nos anos 1930. Outro irmão, Cecattão, foi grande jogador de basquete quando o rubro-negro ainda competia na modalidade. Dificilmente Alfredo disputava uma jogada com os atacantes. Quase nunca corria para tomar a bola dos adversários. Preferia que estes dominassem a redonda e então dava o bote e os desarmava. Era muito difícil alguém driblá-lo. Aliás, era mais fácil acontecer o contrário: ele driblar o atacante e sair jogando. Assisti a mais de 100 partidas de Alfredo com a camisa atleticana. Nunca vi Alfredo dar um chutão e vi pouquíssimas vezes ele perder a bola ao driblar um atacante. Praticamente não cometia faltas. Não lembro de tê-lo visto ser expulso.

    Alfredo, protegendo o goleiro Altevir

    O segredo dessa habilidade veio dos primeiros passos no futebol. Começou como meia-esquerda, criando as jogadas para o ataque, no time juvenil. Depois, foi recuado e passou a jogar como volante de marcação. Alfredo Ramos, técnico do time campeão de 1970, viu no xará a sua imagem e semelhança. Alfredo Ramos, o Polvo, foi quarto-zagueiro do Santos, São Paulo, Corinthians e Seleção Brasileira. Era famoso por desarmar seus adversários com classe. O chamavam de Polvo porque suas pernas pareciam tentáculos que facilitavam o desarme do adversário, sem fazer faltas. Ramos via o xará Gottardi Júnior treinando e aproveitou a contusão do zagueiro Tião - num amistoso contra o Água Verde - para fazer um teste. Ramos recuou o Gottardi Júnior para a quarta zaga. Indagado pelo repórter de rádio Dias Lopes, sobre a improvisação, respondeu: "Esse rapaz vai jogar de quarto-zagueiro, como eu joguei. De cabeça erguida e tomando a bola com categoria." E assim foi!

    Alfredo, no time campeão de 1970

    Neste momento em que o time luta para voltar à Primeira Divisão, nada melhor do que comemorar o aniversário e o bom futebol de um craque como Alfredo Gottardi Júnior. Esse grande jogador faz parte da seleção atleticana de todos os tempos. E nela, está ao lado de seu pai, o Caju. Aliás, essa seleção - eleita por jornalistas, historiadores e ex-jogadores - é composta pelo goleiro Caju; na lateral direita, Djalma Santos; zagueiro central, Zanetti; Alfredo, na quarta zaga; e Júlio na lateral esquerda. No meio campo: Kléberson, Assis e Jackson. No ataque: Alex Mineiro, Sicupira e Cireno.


    Em pé: Treinador Geninho, Djalma Santos, Caju, Alfredo, Júlio, Zanetti e Presidente Petráglia.

    Agachados: Alex Mineiro, Assis, Kléberson, Sicupira, Jackson e Cireno

    No ano passado, Alfredo participou de um encontro do Círculo de História Atleticana (criado e dirigido pela Desing de Produto e fanática atleticana Milene Szaikowski) e lembrou dos tempos em que era marcador de Pelé. Disse: "O Pelé era impressionante. Ele não deixava você encostar nele e fazer falta. E eu sempre deixei o atacante dominar a bola, porque eu tinha a certeza que eu roubava a bola. Mas o Pelé tinha um dom, ele dominava a bola e se ele sabia que tinha dificuldade pra driblar o cara, ele não driblava, ele tocava a bola. Então eu sempre me dei bem marcando o Pelé por causa disso. Porque eu deixava ele dominar a bola e não dava cacete nele. Ele sabia que podia jogar bola. Então ele não me enfrentava, ele pegava a bola, chegava do meu lado, tocava e já saía ali na frente para receber." E sobre a falta que fez em Pelé: "Uma vez eu dei uma chegada nele, mas foi sem querer. Ele ficou tão bravo e me disse: ‘Você nunca chegou em mim!’ E eu falei: ‘Tropecei, desculpa, tropecei.’" Esse é Alfredo Gottardi Júnior, o aniversariante de hoje!

    http://farm6.static.flickr.com/5132/5534356667_59b13c3805.jpg

    Alfredo, em foto de 2011, aos 67 anos de idade

    Parabéns, Alfredo!!!

    -.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.

    EM TEMPO: Ontem à tarde, no EcoEstádio, o torcedor atleticano sofreu um duro golpe. O time jogou mal, desperdiçou várias oportunidades, cometeu uma falha imperdoável e permitiu que o América-RN empatasse o jogo. Perdemos dois pontos. No início da noite, outro golpe: o São Caetano ganhou de 2x0 do Criciúma, em Santa Catarina. A diferença - que era de quatro - agora é de apenas dois pontos entre nós e o São Caetano. Neste momento, precisamos de sete pontos para obter a classificação sem depender dos resultados dos adversários. Sexta-feira, em Arapiraca, e no outro sábado, em Criciúma, precisamos vencer. É claro que não perdemos o otimismo nem a coragem. Como diz o nosso hino

    "Rubro Negro é quem tem raça,
    e não teme a própria morte!
    "



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 11h34
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    Falta pouco, mas falta...

    Sou um eterno otimista. Meu bonequinho, aí ao lado, esteve otimista desde o primeiro comentário. Mesmo nas agruras de Varginha, Maceió, Fortaleza, Belo Horizonte, Paranaguá, Campinas, Paranaguá (de novo), Goiânia e Bragança Paulista, mantive meu otimismo. Lembro do pênalti perdido por Alan Bahia, no último minuto em Varginha. Lembro do ridículo jogo (o último do uruguayo inventor), em Maceió. Lembro do pênalti perdido por Paulo Baier, no finalzinho do jogo em Fortaleza. Lembro do ponto jogado fora pelo Manoel no final do jogo, em Belo Horizonte. Lembro das duas derrotas, em Paranaguá, ambas causadas pelo "medo" do pequeno Jorginho. Lembro do ponto jogado fora lá em Campinas, quando a torcida conseguiu ser pior do que o time, brigando entre si. Lembro com tristeza do vexame de Ipatinga. Lembro do ponto entregue ao adversário pelo recuo "drubsquiano" em Goiânia. E lembro, também, de outro ponto jogado no lixo pelo Manoel, no final do jogo de Bragança Paulista.

    Tristeza

    E também lembro das coisas boas. Aliás, é delas que minha memória tem os melhores registros. Não esqueço da goleada em Joinville. Nem dos 3x0 contra o Barueri, na noite gelada da Vila Capanema. Dos dois gols de Marcelo na noite chuvosa de Florianópolis. Da noite de Marcão, em Goianinha, o único jogo que não assisti ao vivo. Do gol de Baier, dando o sangue, contra a ASA. Da bela e convincente vitória contra o Criciúma. Do grande jogo de João Paulo contra o Paraná, fechando o turno. Como esquecer da goleada de Barueri e do golaço de Marcão no difícil jogo contra o Ceará? Também não esqueço das belas atuações de Manoel, na maioria dos nossos jogos. E ninguém esquecerá jamais da emblemática vitória de 5x4 contra o América-MG. Foi o jogo da "virada". Foi o jogo que mostrou o desejo coletivo de vencer. De se classificar. De subir!

    Alegria

    Até parece mentira. Mas não perdemos mais nenhuma partida desde Bragança Paulista, no dia 29 de setembro. De lá, a esta parte, foram seis vitórias e um empate (contra o Guarani). Três dessas vitórias, fora de casa: ABC, Vitória e São Caetano. Nunca estivemos tão bem. Estamos vencendo por mérito. E não porque o adversário fez pênalti bobo (caso do zagueiro do ABC, em Paranaguá) ou jogou a bola pra dentro (como fez o goleiro do Guaratinguetá, lá nas margens do Rio Paraíba). Este é o nosso melhor momento no campeonato. É a nossa fase adulta. Nosso grande momento de maturidade. Por isso, acredito que nesta terça nosso time fará um bom jogo. Estamos todos - jogadores e torcida - confiantes!

    Confiança

    Nesta caminhada, já viajei 40.014km e gastei R$ 10.353,48. Aproveitei todos os momentos de cada viagem. Gastei em homenagem ao amor incondicional que tenho pelo Atlético. E estou fazendo isso na mais difícil etapa da história do nosso clube, nos últimos 20 anos. E não me arrependo. Ao contrário, me sinto feliz. Tenho certeza que a jornada já valeu por si só. Espero que ela seja coroada com a classificação. Mas já me sinto contemplado pelas alegrias que o time me deu. Nestes seis meses, engordei seis quilos, num  misto de ansiedade e boa mesa. Vinhos? Foram 20 garrafas. A última, em São Paulo, no almoço de domingo. Um vinho tinto da Sicília. Um nero d'ávola. O "Terrae Dei", Da Corvo Di Salaparuta, 13% de álcool, safra 2009.

    Vinte vitórias, vinte garrafas de vinho!

    Dá-lhe, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 22h10
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    Atlético Campanella!!!

    Que alegria! Uma felicidade estampada no rosto. De sair sorrindo pelas ruas sem se preocupar com o que os outros pensam. A imensa nação atleticana merece isso mais uma vez. Em campo, um time que fez lembrar aquele que jogou há duas semanas em Salvador, contra o Vitória. Uma vitória pra ser festejada hoje, amanhã e segunda-feira. E temos que festejar, sim! Eu sei que faltam mais quatro partidas, mais doze pontos a serem disputados. Mas temos o direito de manifestar nossa alegria. E sei, também, que ainda não ganhamos nada. Que faltam mais seis pontos. Mais duas vitórias. Agora, nessas quatro rodadas finais, precisamos ganhar mais duas partidas. Das quatro, bastam duas.

    Torcida rubro-negra tomou conta do Anacleto Campanella

    Por uma dessas casualidades que não se explica, Turquinha e eu assistimos ao jogo de uma posição privilegiada. Os ingressos para a torcida visitante estavam esgotados, teríamos que comprar ingresso para sentar com os torcedores do Azulão. Por acaso conversamos com um familiar, que entrou em contato com um amigo diretor do São Caetano. Logo depois recebemos uma ligação nos oferecendo um camarote. E por isso, pudemos ver o jogo sem problemas, sem conter nossa preferência, ainda que não tenhamos abusado da generosidade dos adversários. E foi bonito ver a torcida do Furacão. Eram 1.100, acrescidos de mais 500 ingressos colocados à venda hoje. Cerca de outros mil rubro-negros assistiram ao jogo em meio à torcida do time da casa. Dos 5.101 pagantes, a metade era nossa.

    Marcelo fez mais dois e já tem quinze gols no campeonato

    Em campo, uma bela atuação. Logo no início uma produtiva troca de passes entre João Paulo, Marcelo, Henrique e Maranhão. Cruzamento na área, gol de Marcão. Antes dos 30 minutos, em cobrança de falta de Elias, Marcão ajeitou de cabeça para Marcelo fazer de peito. No primeiro tempo o São Caetano não chutou nenhuma bola que levasse perigo ao nosso goleiro. Na segunda parte, como era de se esperar, eles vieram para cima. Somente aos 30 minutos diminuíram, em uma falha da dupla Luis Alberto-Weverton. Afora esse lance, os dois - e o time todo - jogaram muito bem. Quando todos nos assustamos, entrou Baier e logo fez um passe para Marcelo, que chutou de fora da área e fez 3x1 quando eram 33 minutos do segundo tempo. E aí foi só esperar o final do jogo.

    Jogadores comemoram a vitória junto à torcida

    Jogo terminado, vitória sendo festejada, bateram à porta, avisaram da saída rápida da van. Voltamos alegres para São Paulo. Não sem antes de sair do estádio, ver e ouvir a torcida atleticana gritando o nome do presidente Petráglia. A mesma torcida que vaiava o presidente há alguns meses atrás, lá em Paranaguá, agora o ovacionava. Me lembrei daquele senhor atleticano de Paranaguá, que depois de um jogo me disse: "esses mesmos que estão vaiando agora, ao final do mandato vão querer fazer uma estátua pra ele". Chegamos há pouco ao hotel, aqui nos Jardins. Agora, pra encerrar bem o sábado, vamos ao Teatro Frei Caneca, ver a peça "A Partilha".

    Faltam duas vitórias, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 19h58
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    Anacleto Campanella

    Anacleto Campanella. Todo atleticano sabe o que esse nome significa na história do Clube Atlético Paranaense. É o nome do estádio do São Caetano. É o nome do estádio onde, em 2001, o Atlético ganhou de 1x0 e obteve seu primeiro título de campeão brasileiro. É neste estádio, pois, que o nosso time decide a sua sorte na Série B. Sábado, 16h20, no Anacleto Campanella, em São Caetano, a 15km da Praça da Sé. Outro município, mas perto do centro da capital paulista. Nosso time precisa ao menos empatar para continuar um ponto à frente do São Caetano, nosso único rival na disputa pela quarta vaga. Se ganharmos, nos distanciamos, ficamos a quatro pontos deles. Se perdermos, eles nos ultrapassam. É sábado!

    Anacleto Campanella, palco da mais importante conquista da história atleticana

    Será um jogo de muita paciência. De poucas oportunidades e muitas emoções. De nervos à flor da pele. A calma e a tranquilidade nos levarão à vitória. A pressa e a ansiedade só farão bem ao time adversário. A partida começa com o Atlético um ponto à frente. E será preciso saber administrar essa vantagem. Nesse jogo de tática e inteligência, como dizia o meu amigo argentino - o filósofo do "Bife Sujo" -, entraremos em campo "por una bola" (eu já disse aqui neste blog que ele nunca usava a palavra "pelota"). Que essa única bola seja a que nos levará de volta à Primeira Divisão do futebol brasileiro. Que se repita, também a nosso favor, o placar daquela tarde de 23 de dezembro de 2001.

    A foto do time campeão de 2001, tirada no dia do jogo, no Anacleto Campanella

    É óbvio que essa não será a única partida que precisamos ganhar. Nem será a última do campeonato. Teremos, depois dessa, mais quatro. América-RN, terça-feira, 16h00, em Curitiba. ASA, em Arapiraca, Alagoas, na sexta-feira (09), 21h50. E nas duas últimas rodadas, em dois sábados seguidos, teremos primeiro o Criciúma, lá, no dia 17, e depois o clássico contra o Paraná, no dia 24. O jogo desse sábado não será o jogo mais importante da vida do Atlético. Mas será o jogo mais importante do ano rubro-negro. Por isso todos os atleticanos, presentes ou não ao estádio, estarão "de olho" nos acontecimentos do Anacleto Campanella.

    Apoio não faltará. Em menos de duas horas a torcida rubro-negra esgotou todos os ingressos colocados à venda. No setor de visitantes, estarão mais de mil atleticanos. Centenas de outros estarão, anonimamente, entre os torcedores locais. Centenas de milhares estarão em frente à tela da televisão e outros tantos de ouvido atento às informações do rádio. Essa energia positiva, essa corrente anônima, esse sentimento que nos une, certamente nos encaminharão para um bom final de campeonato. Os momentos mais difíceis foram superados. O time hoje é respeitado pelos adversários. A torcida nunca deixou de acreditar.

    A jovem e bela torcida do Furacão erguerá sua voz no Anacleto Campanella

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 09h45
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    João Paulo dispara no Datafolha!

    Tenho medo de me transformar num torcedor chato, insatisfeito, reclamão, que vê defeito em tudo e passa a se associar com a "geração Arena". Eu sei que é uma associação criminosa. Uma espécie de formação de quadrilha contra os interesses do nosso time. Eu sou, como já disse outras vezes, do tempo das "meias furadas de Djalma Santos". Sou do tempo em que o nosso estádio era um verdadeiro estádio ecológico, com 13.000 lugares. Tinha até rio (Rio Ivo) que passava atrás das arquibancadas cobertas e muitas árvores (inclusive lindas araucárias) a enfeitar a curva do gol dos fundos. Sou do tempo em que qualquer vitória por 1x0 nos deixava muito feliz. Mas, confesso, que estou (quase) me entregando ao "bando dos chatos". O time não tem ajudado. Alterna, por exemplo, excelentes partidas (Avaí e Vitória) com péssimas atuações (Guarani e Guaratinguetá). Os jogadores parecem ora dormir, seja na chuva ou no sol quente, e ora estarem despertos - e espertos -, seja no sol de Curitiba ou na sombra de Salvador. Eu deveria estar feliz. Mas não estou!

    Nas arquibancadas superiores o visual é lindo, mas a visão do jogo deixa a desejar

    Não gostei da forma "dorminhoca" (lembram da boneca?) que o time entrou em campo. Alguns jogadores (como o pernalonga Botelho, de tantas alegrias) estranhavam a bola; outros atletas (como Marcão) se estranharam com o sol; alguns supercraques (como Manoel) decidiram mudar de posição; outros boleiros (como Luís Alberto) surpreenderam positivamente. Mas faltava vontade. Faltava raça. Faltava desejo. Faltava tesão. Jogamos contra um time fraco, sem nenhum brilho. Vi o Atlético jogar contra todos os times. Duas vezes contra o Guaratinguetá, pra mim a pior equipe do campeonato. Nosso meio-campo conseguiu passar 45 minutos sem uma única jogada de criação. Se Marcelo tiver um "lampejo", pode acontecer algo. E aconteceu. Ele entrou pela direita, driblou e cruzou. Elias (que estava péssimo) fez de cabeça. Nem vou falar dos gols perdidos, especialmente aquele que Marcão recebeu sozinho - de Maranhão -, pisou na bola e tentou colocar no canto esquerdo do goleiro. Mas o "guardião" (peguei essa época) mandou a escanteio. Também não vou falar do lance em que Marcão recebeu sozinho e, tendo Marcelo ainda mais só, ao invés de passar, resolveu mandar um balaço para o Marcelo - que nem teve tempo de ver a bola passar à sua frente. O 1x0, na primeira parte, foi lucro!

    O espaço dos visitantes (que não vieram) foi aberto para os mascotes e suas famílias

    No segundo tempo, tudo igual. Oportunidades perdidas com Elias, Marcão e Marcelo. E aí, com o Paulo Baier já em campo (que entrou a 15 minutos do fim) o time ganhou em criatividade. E, já depois dos quarenta minutos da segunda etapa, Marcelo teve mais um lampejo. Recebeu pela direita, entrou pelo meio, driblou, deu um belo passe a Felipe - que chutou. A bola bateu no poste esquerdo do goleiro e sobrou para Paulo Baier (impedido) fazer 2x0! Impedido porque "a trave é neutra", disse Manoel Caetano. Ora, a trave é neutra mas, jogando em casa, é nossa! Dois minutos, João Paulo, o melhor em campo, tomou a bola do adversário, correu com ela, deixou o Marcão numa posição privilegiada. O centroavante só teve o trabalho de correr para o gol e chutar. Depois, correr para o abraço e comemorar. 3x0!

    João Paulo, manteve o padrão

    A torcida saiu satisfeita. Apenas satisfeita. Não saiu alegre. Que daqui uma semana os atletas entrem mais antenados, com mais vontade, mais dedicação, mais determinação e consigam a vitoria contra o São Caetano. A vitória nos deixará confortados. O empate ajudará. A derrota será o fim. Nós, torcedores, faremos nossa parte. Estaremos lá em número superior à própria torcida do São Caetano. Se preciso for, compraremos ingressos destinados à torcida local e com ela sentaremos. Mas lá estaremos, gritando, berrando  e - com sol ou chuva - incentivando o nosso time.

    A torcida rubro-negra deixando o Ecoestádio

    À noite, em casa, já mais tranquilo e relaxado, o vinho.  A promessa continua sendo cumprida. Para cada vitória, um vinho. Hoje, um tinto chileno. O legítimo Marques de Casa Concha, Cabernet Sauvignon. safra 2008, 14,5% de álcool. Comemorei a vitória e a pesquisa. O Datafolha, na pesquisa sobre o desempenho das equipes da Série B, informa que João Paulo tem o melhor passe do campeonato. Em média, 43 passes certos por jogo.

    Paulo Baier marcou presença entre o vinho e a "taça"

    Faltam três, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 23h19
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    Parabéns, alemão da Linha Onze!

    Nesta quinta-feira, 25 de outubro de 2012, Paulo César Baier, completa 38 anos de idade. Nascido na Linha Onze, uma pequena colônia de agricultores descendentes de alemães, localizada a 24km da cidade de Ijuí, no Rio Grande do Sul, Baier ainda joga em alto nível e é ídolo de todos nós. Falar bem de Paulo Baier é "chover no molhado". Para a imensa nação rubro-negra paranaense, Paulo Baier é simplesmente o Maestro! E ponto!

    Parabéns, Paulo Baier!

    Feliz Aniversário, Maestro!

    Muito obrigado pelas alegrias que tem nos dado!


    (abaixo reproduzo um texto, publicado no início do ano passado, no site da fábrica de tratores Massey Ferguson)


    "Paulo Baier, homem do campo

     

    Tradição no campo começou com os avós, imigrantes alemães e agricultores, há mais de 60 anos

    Um dos maiores goleadores do futebol moderno, o meia-atacante Paulo Baier até hoje divide as atenções entre suas duas paixões de infância: a bola e a lavoura.

    Aos 36 anos, o jogador do Atlético Paranaense diz estar próximo de pendurar as chuteiras – mas já visualiza uma “aposentadoria agitada” em sua cidade natal, a pacata Ijuí, na região Noroeste do Rio Grande do Sul.

    O atleta acompanha de longe o dia a dia na fazenda, por telefone e via internet, mas qualquer folga ou período de férias é motivo para ir tratar pessoalmente dos negócios da família. O gosto pela agricultura é uma herança dos avós paternos, que chegaram ao Estado na década de 1950, vindos da Alemanha. Seu avô Alberto Baier, 88 anos, é um dos mais tradicionais agricultores da região. Mesmo com a saúde debilitada, ainda é comum vê-lo com uma enxada em mãos, ajudando os netos a arar a terra. “Hoje os tempos são outros, no início era uma dificuldade, porque a área era pequena e tínhamos pouca estrutura. Mas não perdi o gosto pela coisa”, diz seu Alberto.

    Colonizada por 18 etnias, Ijuí ostenta o título de Terra das Culturas Diversificadas. São dezenas de pequenas propriedades dividindo espaços ao longo da zona rural do município de 80 mil habitantes. A propriedade da família Baier, localizada entre a região das Missões e o Planalto Médio gaúcho, também é caracterizada pela diversificação.

    Beneficiadas pelo clima subtropical da região, as plantações de soja, milho, aveia, trigo e cevada enchem os olhos ao longo de 150 hectares. Com o jogador longe, quem supervisiona as atividades no campo é seu irmão Eder, 30 anos. Ao contrário de Paulo, ele abandonou a carreira no futebol ainda jovem. “Não iria me render bons frutos, ao contrário da lavoura”, compara.

    O árduo trabalho diário ganhou um reforço de peso no final do ano. A família decidiu ampliar sua frota de tratores, adquirindo um modelo MF 4297, da Massey Ferguson. “Era preciso mais força, mas com qualidade. Fizemos a melhor escolha”, comemora o jogador. A máquina está sendo usada especialmente na atividade de preparo do solo, plantio e colheita da silagem. Para comemorar a entrega do trator, a fábrica e a concessionária Redemaq promoveram uma entrega especial nas terras dos Baier.

    O novo modelo de 120 cv se uniu ao MF 85X e MF 290. O novo trator utiliza um motor de quatro cilindros AGCO Sisu Power turboalimentado. A força, a economia, o design moderno e o conforto são as principais características da Série MF 4200, lançada no mercado na faixa de potência entre 65 cv e 130 cv.

    Investimento na lavoura
    O jogador não esconde suas aspirações pelas coisas do campo. “Muitas vezes deixei de comprar imóveis em áreas nobres para ampliar nossas terras e a mecanização agrícola. Não me arrependo de nada, pelo contrário”, declara o experiente dono da camisa 10 e capitão do Atlético-PR.

    “Ele sempre gostou de dirigir o trator, desde pequeno, e sabe como é cada etapa da plantação e da colheita. É aí que a gente vê porque até hoje investe em agricultura”, comenta o pai do atleta, seu Elemar, de 64 anos.

    A pecuária, outra atividade iniciada pelos Baier há pouco mais de três anos e que ainda está em segundo plano, deve ganhar especial atenção nas próximas temporadas. Em uma área anexada à fazenda, são criadas ovelhas e 52 cabeças de gado holandês, destinados ao corte e à produção de leite. “A ideia é ampliar esse número para 100 bovinos”, adianta Baier. Diariamente, são produzidos 1,2 mil litros de leite, comercializados entre cooperativas de Ijuí e arredores.

    A vitoriosa carreira do jogador abriu portas para toda a família. A pequena casa de madeira deu lugar a uma residência robusta, com piscina e campo de futebol. Até os animais foram beneficiados com um gigantesco galpão de alimentação.

    A produção anual da colheita é de 45 toneladas de milho e 100 toneladas de soja, além de 2 mil sacos de cevada e outros 2 mil de trigo.

    Aposentadoria no Atlético
    Casado com Fernanda há 14 anos e pai de Paola, 8, e Júlia, 3, Baier mora em Curitiba desde o seu acerto com o clube paranaense. Um dos artilheiros da era do campeonato dos pontos corridos, também se destaca pelo poder de servir aos companheiros com passes precisos, principalmente nas bolas paradas.

    O experiente meio-campista está entusiasmado com sua passagem pelo Atlético. Ao final da temporada 2010, renovou seu contrato com o clube da Baixada por mais dois anos. Baier revela que pretende continuar e até, possivelmente, encerrar sua carreira no clube, não descartando a possibilidade de um dia ser dirigente. Um dos aspectos que mais o motivam é o reconhecimento do torcedor atleticano. “O carinho da torcida é muito grande e o clube possui uma estrutura invejável. Estou de bem com a vida”, diz.

    Futebol na lavoura
    A exemplo da maioria dos jogadores de renome do futebol brasileiro, Paulo Baier teve uma infância sofrida. Antes de se destacar nos estádios de grama bem aparada pelos quatro cantos do país, aprendeu a dominar a bola em descampados de barro e traves improvisadas à beira de laranjais, em Ijuí. Trabalhava pesado na enxada até o jogo começar e ainda tinha fôlego para correr.

    Em 1994, conseguiu uma chance no Esporte Clube São Luiz, clube pelo qual ganharia destaque na primeira divisão do Campeonato Gaúcho. “Eu morava a 28 quilômetros do clube, no interior. Às vezes não tinha dinheiro para o ônibus, então pegava carona”, recorda.

    Depois de algum tempo, Baier passou a residir nas dependências do clube. A rotina foi mantida por quatro anos até o meia assinar o seu primeiro grande contrato, com o Criciúma, em 2003. Foi o grande destaque do clube catarinense no Campeonato Brasileiro daquele ano, sendo então desejado por diversos clubes do Brasil. Na ocasião, acertou com o Goiás, onde foi o grande destaque no Brasileirão de 2004 e conquistou o prêmio Bola de Ouro da revista Placar. Baier iniciou sua carreira como lateral-direito e se adaptou à meia cancha com o passar dos anos. Jogou ainda pelo Palmeiras, Botafogo, Atlético Mineiro, Vasco da Gama, América-MG, Pelotas, Goiás e Sport."



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 16h33
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    Um fim de tarde sem o pôr-do-sol

    Lembro-me quando nas noites escuras da Toledo da minha infância, com suas ruas muito pouco iluminadas, eu sentava na soleira da porta da nossa casa e ficava a imaginar como era a  vida entre as estrelas. Eu sempre me metia na conversa delas. Falava com elas dos meus sonhos e desejos, dos meus planos e projetos, do futuro da minha vida. Nas noites nebulosas, eu não encontrava as estrelas, ficava sem minhas companheiras de fantasias, entristecia, ia deitar mais cedo. Há noites, como a de hoje, em que devemos deitar mais cedo.

    Lembro-me que na maioria daquelas noites sem estrelas, nas quais deitava mais cedo, na cama, quietinho, eu sentia o vento bater nas paredes, escutava o uivo da ventania querendo entrar pelas frestas da janela, ouvia o vendaval brigando para levar embora o telhado da nossa casa. Nessas noites, mesmo deitado e sem sequer abrir o olho, eu me enchia de forças para enfrentar a tempestade. Há noites, como a de hoje, em que devemos deitar mais cedo e enfrentar a tempestade.

    Lembro-me que após noites de céu tenso e carregado, depois da tempestade noturna, o dia amanhecia em festa e o sol nos despertava para mais uma jornada de alegria infantil. Era o mundo se colorindo de céu azul e sol brilhante, com cheiro de terra molhada e pão quente. Ninguém mais se lembrava da escura noite sem estrelas, cheia de raios e trovões. Há noites, como a de hoje, em que devemos dormir mais cedo, enfrentar a tempestade e, amanhã, acordar em festa.


    A capa de chuva da torcida é de plástico e custa R$ 5,00

    Eu nunca vi um furacão. O velho Mundo Novo, negro alto e magro que vivia em Toledo, descendente de escravos angolanos, dizia que em dias de furacão o céu ficava negro, se enraivecia e se vingava de todo o mal que os brancos faziam contra os negros. E ele afirmava que na África não havia furacão. Furacão era coisa que a natureza mandava pra “branco pagar”. Meu avô materno, o Vô Alfredo, descendente  de suíços, riu quando contei a ele as palavras do Mundo Novo. E foi logo me dizendo que em dias de furacão o céu ficava vermelho - de raiva dos capitalistas exploradores -  e se vingava de todo o mal que os ricos faziam contra os pobres. Até hoje não sei quem tinha razão. Eu nunca vi um furacão.


    A capa de chuva da polícia militar é impermeável e não tem preço

    Eu me lembro que gostava dos finais de tarde em que havia sol. Eu sentava na soleira da porta que dava para o Paraguai (eu aprendi desde cedo que o sol nascia pro lado da saída à Cascavel e morria pro lado da saída ao Paraguai) e ficava esperando a hora. No verão era melhor. Dava tempo de chegar da rua sem pressa, tomar banho, jantar e esperar a hora. Eu ficava ali, sentadinho, quietinho, sem contar para ninguém que estava esperando a hora. Era a hora do meu céu. Era a hora do pôr-do-sol. Era a hora em que o céu não tinha a cor do Mundo Novo nem a cor do Vô Alfredo. Nessa hora o céu era rubro-negro. Como era bonita a cor do céu quando o sol “morria” lá pras bandas do Paraguai...


    A capa só protege da chuva, não do assento molhado

    Hoje não teve Furacão. Nem pôr-do-sol. Hoje não teve jogo. Nem futebol! Hoje teve mais “aipódi”, “aipédi”, “emepetrêis”, “vídeoguêime”, essas coisas que a boleirada adora. Hoje à tarde, no Ecoestádio, tive certeza que os eletrônicos dominaram a concentração dos jogadores de futebol. Estavam concentrados desde ontem. Ontem à tarde começou a chover. Choveu a noite toda. A madrugada inteirinha. A manhã toda. Na hora do almoço. Até o jogo começar. Foi chuva que não acabava mais. E eles entraram em campo e jogaram como se estivéssemos num período de seca, sem chuva nem umidade. Jogaram como se estivessem no Barradão. Mas o Ecoestádio se chama Janguitão.


    Bandeiras encharcadas também tremulam

    Essa moçada não conversa entre si. Se conversassem, teriam jogado de outra maneira. Mal o jogo começou e eu - na minha profunda ignorância de torcedor apaixonado – fui logo dizendo ao Manoel Caetano e ao Narciso que o Marcão iria se consagrar. Era só chutar de longe, o goleiro rebateria, o Marcão golearia. Sabe quantas bolas chutamos no gol (“no” gol, não “a” gol) no primeiro tempo? Uma! De longe o João Paulo chutou uma, o goleiro mandou pra escanteio. Pensei que conversariam no intervalo. Não conversaram. No segundo tempo chutamos três: umo, o golaço de Marcelo; outras duas, chutinhos de Deivid e Elias. E pensar que eu aprendi desde minha infância que, com campo molhado, se chuta de longe porque a bola ficava lisa e pesada. E que por isso o goleiro rebate. Se ele rebate, dá escanteio ou rebote. E se dá rebote, é só faturar. Não chutamos, não houve rebate, não deu rebote, ninguém faturou. O goleiro deles nos carimbou!


    Luiz Carlos Schroeder e Manoel Caetano Ferreira Filho, com o uniforme especial do dia

    E a culpa não é de Deus, nem de São Pedro, muito menos do São Caetano. A culpa não é da chuva, nem do gramado do Malucelli, muito menos da visão futurista do Petráglia. A culpa não é do Weverton (que não pegou porque ninguém pegava aquela bola) nem dos técnicos Elias e Paulo Baier, muito menos do Marcão. Jogadores de categoria técnica sofrem no campo encharcado e centroavante (que é cargo de fazer gol e não de mostrar categoria) sofre para se locomover ali na zona do agrião, onde o gramado molhado se transforma quase num lamaçal deslizante. Tião de Campos podia ter enxergado. Se enxergou, não falou. Se falou, não ouviram. É muito “aipódi”, “aipédi”, ouvido ocupado, fone de ouvido, ouvido fechado. Não ganhamos, apesar do belo gol do Marcelo. E ainda tem gente que acha que ele é perna-de-pau. Verdade! Antes do jogo, encostei no alambrado e ouvi um senhor falar que o Marcelo faz gol, mas é “patadura”. O filósofo do “Bife Sujo” diria que esse tipo de afirmação é uma “injusticia al fútbol!” Hoje não tivemos vitória, nem Furacão, muito menos pôr-do-sol. A culpa pelo empate talvez seja da nossa torcida. Só existem, em Curitiba, dois mil e duzentos atleticanos sem medo de se molhar? Não acredito. Não acredito que sejamos tão poucos!


    Octávio Naspolini Neto, 13 anos, catarinense, vive com sua família em Salvador

    Esse menino aí da foto, o Octávio, esteve sábado passado no Barradão, demonstrando seu amor ao futebol. Octávio é torcedor do Criciúma (cidade onde nasceu) e do Bahia (estado onde vive), mas gosta muito do Atlético. Na falta de uma camisa do nosso time, usou a do Milan. Um desenho em vermelho e preto foi sua bandeira. Na vida de Octávio há um detalhe que emociona. Octávio, como seu irmão gêmeo, é autista. Hoje faltou gente como Octávio. Faltou torcida. Faltou grito. Faltou ganhar no grito. Na goela. No berro!

    (E o Narciso acaba de me ligar pra dizer que acabou a partida entre São Caetano e Ipatinga. Eles, como nós, empataram. Continuamos no G4. A sorte está conosco. Não podemos jogá-la pela janela. Não podemos desperdiçar as oportunidades que a vida nos dá!)

    Vamos subir, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h42
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    Sob a luz natural

    Os jogos foram marcados para as 15h00 porque o Ecoestádio não tem sistema de iluminação. É preciso jogar enquanto houver luz natural. Agora, com o horário de verão, poderíamos iniciar as partidas as 16h00. Porém, nesta terça, mesmo com o relógio adiantado em uma hora, o jogo contra o Guarani começará as 15h00. Ou seja: sob a luz e o calor do que, até sábado passado, era 14h00. É por isso, e muito mais, que o futebol a cada dia que passa perde público. E é exatamente o que quer a Globo. Quanto menos público nos estádios, mais público em frente da televisão paga. Sábado, contra o Guaratinguetá, o jogo será as 14h00, sol a pino, sol das 13h00. Uma vergonha!

    Sob o sol de Curitiba

    A previsão para a tarde desta terça é de tempestade. É prudente estar preparado, levando o boné e a capa de chuva. A torcida crê em muito mais do que apenas uma tempestade. A torcida rubro-negra acredita que nesta terça-feira haverá um Furacão no Barigui. Chovendo ou não, lá estaremos. É preciso incentivar o time, apoiar os jogadores e buscar mais uma vitória. Mais do que nunca são fundamentais os pontos dos jogas em casa. São quatro partidas em Curitiba (Guarani, Guaratinguetá, América-RN e Paraná). Se vencermos essas quatro partidas chegaremos aos 70 pontos e estaremos de volta à Primeira Divisão.

    Os namorados Junior Benunues e Amanda Camilo, de Itaberaí, interior de Goiás, atleticanos que nunca moraram no Paraná

    Quem sabe para o próximo sábado o bom senso prevalece e o jogo comece mais tarde. Eu sei, a culpa é da grade de programação dos canais pagos da Globo, que em véspera de segundo turno eleitoral precisa conciliar horário de verão, jogos da Série B e todos da Série A. Mas será um absurdo jogar e torcer debaixo do sol das 13h00, agora 14h00. É desumano para os atletas e uma maldade com os torcedores. Enquanto a seriedade não se instala no futebol brasileiro e nossos dirigentes continuarem na mediocridade, é assim que segue o baile. Portanto, com sol forte ou tempestade, façamos uma terça-feira de Furacão.

    Pra cima deles, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 20h48
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    Furacão varreu Salvador!

    Estou no avião, voltando pra Curitiba, e escrevendo este texto que vou publicar assim que chegar em casa. E estou voltando feliz. Foi diferente de tudo que se imaginou. O André aceitava o empate, mas achava que seria possível uma vitória. O otimismo do Cesar era um 2x1 sofrido. Seu filho Caio se contentava com um empate. Eu havia escrito na véspera que não contava com nenhum ponto na minha matemática e, no estádio, disse a vários amigos que qualquer resultado seria normal. Confesso que dizia isso para assimilar, inclusive uma derrota por goleada. Depois de uma manhã no Centro Histórico e um moqueca de siri mole no Yemanjá, duas horas de trânsito lento, em ruas estreitas, André e eu deixamos o carro nos fundos de um “barracão” (R$ 10,00), caminhamos uns 1.000 metros a pé, compramos rapidamente o ingresso na bilheteria de visitantes. Orientado pela bilheteira paguei R$ 20,00 pelo meio ingresso (“pra que pagar inteira se ninguém fiscaliza”, disse ela).

    Em frente ao Palácio Rio Branco, na cidade alta

    Entramos no estádio, com portão exclusivo para visitantes, quando o jogo já estava em andamento há dois minutos. Logo nos primeiros momentos, falei aos que estavam ao meu lado, dizendo que me encontrava duplamente surpreso. Primeiro pela tranquilidade do nosso time, que não se mostrava pressionado com as mais de 30.000 pessoas (28.314 pagantes) presentes ao estádio e torcendo pelo time baiano. Segundo, pelos chutões da equipe adversária, fazendo as tais “ligações diretas” entre defesa e ataque. O Vitória não trabalhava a bola no meio de campo, coisa que o Atlético fazia com um belo toque. Criamos boas jogadas e tivemos várias chances, como o chute desperdiçado por Deivid, a cabeçada de Cléberson, o tiro livre de Elias no travessão. Tomamos um susto (o nosso goleiro mais ainda) no gol que eles fizeram e não valeu, pelo impedimento de quem pegou o rebote.


    Mais de 30.000 pessoas no Barradão

    Na minha opinião de torcedor – e não de um expert – no primeiro tempo faltaram duas coisas ao time: que Elias olhasse mais para os lados (e teríamos aproveitado melhor algumas jogadas de ataque) e que Manoel não insistisse tanto em ser o “novo Gamarra” (aquele zagueiro que não faz, mas sofre falta). O árbitro não caiu na conversa do nosso zagueirão e ele (Manoel) quase nos complicou por três vezes, sempre esperando que fosse marcada uma suposta falta que estaria sofrendo.

    Manoel, o comandate da zaga

    Começou a segunda parte do jogo e, quando todos esperávamos um sufoco, logo aos dois minutos, Henrique lança Elias, que dribla o primeiro, entra na área e chuta com o “pé direito”, no cantinho. 1x0! E, então, todos pensamos: agora vem o sufoco. O sufoco não veio. O Atlético continuava mandando no jogo, até que o pernalonga Pedro Botelho esqueceu o que aprendeu na Europa e resolveu se lembrar daquele curso de ator. Ao invés de preferir fazer o segundo gol, optou pela cena do pênalti inexistente. O juiz também não caiu na conversa dele. Cartão amarelo. Como já tinha recebido um, veio o vermelho. E perdemos um jogador quando ainda tínhamos mais de meia hora de jogo. Agora vem mesmo o sufoco, concordamos todos. E mais uma vez o sufoco não aconteceu. Ao contrário, o nosso time continuou dominando o jogo e – mesmo com um a menos – fez o segundo gol. Numa bela jogada de Marcelo, pela direita, que foi à linha de fundo e num pequeno espaço de terreno. Entre dois zagueiros, esperou o momento certo de cruzar. Marcão não desperdiçou: 2x0! E quando era de se esperar uma reação do adversário, o que vimos foi um Vitória perdido em campo, sem criatividade, apenas cruzando bolas na área que – desta vez – serviram para consagrar o nosso goleiro.

    Elias comemora a abertura do placar, aos dois minutos do segundo tempo

    Os grandes destaques da partida foram Elias (especialmente no segundo tempo), a desenvoltura de Henrique, o fôlego de João Paulo, a tranquilidade de Cléberson e as rápidas descidas de Maranhão. Não se pode esquecer que Marcelo foi super marcado (segurando sempre dois zagueiros) e Marcão se deslocou com facilidade. Enfim, um jogo de time grande. Com a cara de Primeira Divisão. Com o jeito e a coragem do Furacão! Time com personalidade, sabendo o que queria, encarando o rival na casa deles, com um jogador a menos por mais de meia hora. Técnica, tática, raça e determinação. É disso que o povo gosta!  Na verdade, é necessário reconhecer que o professor Tião de Campos deu um nó no Carpegiani. Povoou o meio de campo com três cães de guarda (Deivid, João Paulo e Henrique) e isso impediu a progressão do adversário. Ao Vitória só restava a “bola comprida” e a “correria sem rumo”. Parabéns, professor Sebastião Ricardo Drubski de Campos!

    O professor Tião de Campos

    É preciso destacar, também, a extrema tranquilidade e segurança oferecida à nossa torcida (éramos pouco mais de uma centena de atleticanos). Um bom número de policiais e dezenas de estagiários da escola de polícia estavam ao nosso lado. Ressalte-se, também, que em nenhum momento a torcida do Vitória fez qualquer menção de nos agredir ou sequer ofender. Nem mesmo quando vibramos pelos gols marcados ou quando uma sequência de passes de mais de um minuto calou o Barradão e nossas vozes se fizeram ouvir, aos gritos de “olé, olé”. Aliás, o baiano continua muito simpático, alegre, receptivo e festeiro. Mas os baianos também continuam com os velhos e maus hábitos de jogar lixo na rua, beber muito e urinar em qualquer lugar. Faltam banheiros públicos e uma boa política de limpeza pública.

    A questão do lixo jogado nas ruas continua muito séria em Salvador

    Mais duas horas para voltar ao hotel, no Rio Vermelho. Duas horas para tomar um banho, relaxar, sorrir sozinho e dizer como o Caio, ao final do jogo: “Esse time só me da alegria!” As dez da noite, André, Paulo Fernando e eu estávamos na casa local da churrascaria Fogo de Chão, agora de propriedade de um grupo de investidores norte-americanos. Lá, comemoramos a vitória com os garçons paranaenses, catarinenses e gaúchos. Mal sabíamos que àquela hora o outro gaúcho, o Paulo César Carpegiani estava se demitindo do Vitória. A passagem do Furacão, sem nenhuma sombra de dúvida, causou estragos na capital baiana.

    André Ricardo Guenzen, Luiz Carlos Schroeder e Paulo Fernando da Silva

    Como os garçons não podiam beber e os meus amigos não bebem, tomei sozinho uma garrafa do “Cateninha”, malbec argentino, de Mendoza, safra 2010, 13,5% de teor alcoólico. E faltam mais quatro garrafas. Desculpem-me... Faltam mais quatro vitórias, em sete jogos!


    Vamos subir, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 16h58
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    O furacão já está na Bahia

    Acordei cedo. O voo saiu as 08h58. Na conexão em Belo Horizonte, uma hora de atraso. A chegada em Salvador, que devia ter acontecido as 12h20, foi as 13h30. A passagem, pela GOL, eu comprei em março, quando saiu a tabela do campeonato. Paguei R$ 643,14, em seis vezes. D aeroporto - mais 40 minutos para receber as malas, ver o táxi mais caro do mundo (R$ 97,50 por 25km), desistir dele e substitiuí-lo por um carro alugado -, saí as 14h10. Levei, pela orla, exatas duas horas para chegar ao Hotel Mercure, no Rio Vermelho. Eu havia reservado o Íbis (2 estrelas). Ontem, porém, entrei na internet e vi que a diária estava em R$ 168,00. Mas que o Mercure (três estrelas), que fica ao lado, sairia por 138,60 se eu pagasse adiantado. Troquei de hotel.

    Dilma ou Lula, de quem é a culpa?

    O manobrista me disse que o trânsito estava todo engarrafado "por conta" de um comício com a presença da presidente Dilma. O pessoal da recepção, ao contrário, me disse que o trânsito está assim todos os dias e que a culpa é do Lula. Que por causa dele o povo melhorou de vida e comprou carro. A senhora de São Paulo, que estava ao meu lado no balcão, com seu olhar típico de classe média paulistana, olhou pra mim e disse que "essa gente agora deu de atrapalhar o trânsito e transformar nossos aeroportos em rodoviárias". Não sei o porquê, mas a paulistana me fez lembrar daquele alemão de bigodinho, que certamente colocaria "essa gente" no forno. Como eu preciso guardar todas as minhas energias para o jogo de amanhã - quatro da tarde, no Barradão, contra o Vitória -, nem discuti. Olhei pra ela, disse "É!" E tomei o elevador.

    Nesse setor, em que estão os dois rapazes em pé, sentará a torcida do Furacão

    A partida de amanhã é das mais difíceis. Voltei ao Nordeste, uma semana depois, com seis pontos a mais na algibeira. Sexta ganhamos do ABC, lá em Natal (1x0); terça ganhamos, em Curitiba, do catarinense Avaí (3x1). Eu confesso que, na minha previsão, não tem nenhum ponto ganho contra o Vitória. Um empate será um excelente resultado. Uma vitória, um pé no G4! O jogo, como todos sabemos, será uma guerra. O Vitória quer  antecipar ao máximo sua classificação e buscará o melhor resultado. O gaúcho Paulo César Carpegiani não brinca em serviço e mandará seu time nos atacar desde o primeiro segundo de jogo. Vamos ter que aguentar muita pressão do rubro-negro baiano. A propósito de pressão, Vanessa me ligou agora e confirmou presença no jogo. É uma atração a mais.

    Vanessa Rangel, a musa do Vitória

    O calor nem é dos piores. À tarde, no horário de mais calor, fazia 28 graus. A sensação térmica, em razão da umidade, era de pouco mais de 30 graus. Esperamos que nossos jogadores mantenham o ritmo das três últimas partidas.

    Pra cima deles, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 17h35
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    A ansiedade

    A ansiedade é um sentimento de apreensão desagradável, vago, acompanhado de sensações físicas como vazio (ou frio) no estômago (ou na espinha), opressão no peito, palpitações, transpiração, dor de cabeça, ou falta de ar, dentre várias outras. A ansiedade, marcada por essas características biológicas do ser humano, sempre antecede momentos de perigo real ou imaginário. Há equipes de futebol que entram em campo ansiosas. Com  medo de perder, querem fazer o segundo gol antes de terem feito o primeiro. Parece que o Atlético, neste campeonato, já superou esta fase.

    Quem anda com muita ansiedade, indo com muita sede ao pote, roendo unhas e dedos, é a torcida atleticana. Ontem foi fácil perceber isso. A torcida quer o gol em instantes, quer o segundo gol de imediato, quer uma goleada ainda no primeiro tempo. A torcida não admite o menor erro, não aceita um pequeno deslize, não está dando fôlego aos jogadores. Nesta fase do campeonato, um ponto atrás do G4, o torcedor do Furacão está muito mais nervoso que os jogadores. É preciso ter calma. Muita calma. Os jogadores precisam de tranquilidade, ao menos na primeira metade do primeiro tempo. A ansiedade não nos levará ao primeiro gol. A tranquilidade permitirá aos jogadores fazerem na prática o que treinaram na véspera.

    Ontem, na minha opinião (também comungada pelo meu companheiro de Janguitão, o professor de direito Manoel Caetano), o Atlético teve uma de suas melhores partidas. Iniciou o jogo com tranquilidade, muito apetite e excelente criatividade. Paulo Baier estava em campo e, quando ele está, tudo fica mais fácil. Um ou dois toques do maestro facilitam as coisas. A experiência e a inteligência desse veterano jogador permitem atalhos, o que não é muito comum para a maioria dos jogadores. Paulo Baier é o que os "comentaristas" costumam chamar de "jogador diferenciado". Pois bem. Mesmo o Atlético jogando bem e criando oportunidades, o torcedor estava nervoso e irritado, querendo o primeiro gol em segundos. E então Maranhão apanhou o rebote na saída da nossa área, tocou por elevação para Marcão, este para Henrique, que passou para Paulo Baier. O maestro, com um leve e sutil toque em profundidade deixou Marcão na cara do gol. Marcão viu Marcelo ainda mais livre e deu um presente ao goleador. 1x0! Uma jogada trabalhada - de forma coletiva como é e sempre deve ser o futebol - que resultou no que os antigos chamavam de "uma pintura de gol". Uma obra de arte!

    Albari Rosa/ Gazeta do Povo / Marcelo comemora com Paulo Baier o gol que abriu caminho para o triunfo rubro-negro: armador foi decisivo

    (foto de Albari Rosa - publicada na página da Gazeta do Povo)

    O gol, comemorado na foto por Marcelo e Baier, acalmou a torcida. Mas a tranquilidade não durou muito. Apesar de novas chances criadas, o Atlético não fez o segundo. E, numa bobeira da zaga, o Avaí empatou. Não gosto de "achar culpados", mas sempre sinto que o nosso goleiro se posiciona mal e sai muito mal do gol. Depois do empate, a irritação voltou às arquibancadas. Já estavam alguns a pedir a substituição de Henrique, outros a chamar Paulo Baier de "velho", quando Saci tocou rapidamente para João Paulo, este em um toque para Henrique, que também num só toque passou a Paulo Baier. O maestro, para dar continuidade à música, deu um toque apenas para João Paulo, que mandou a bola no ângulo superior esquerdo do goleiro Moretto. 2x1! E a torcida se acalmou.

    Albari Rosa / Gazeta do Povo / João Paulo comemora com Paulo Baier o segundo gol atleticano diante do Avaí

    (Em outra foto de Albari Rosa, Paulo Baier e João Paulo comemoram o segundo gol)

    No segundo tempo, quando a maioria ansiosa já começava a se manifestar, Ligüera (que havia entrado no lugar de Paulo Baier), tocou para Marcelo, que driblou o zagueiro, foi à linha de fundo e cruzou para Marcão (cercado por três zagueiros) tocar a bola entre as pernas de Moretto. 3x1!   E o Moretto? Futebol é assim mesmo. Há quase sete anos atrás, em janeiro de 2006, assisti em Portugal ao clássico entre Benfica e Sporting. Naquela noite gelada de sábado, pleno inverno europeu, o Sporting venceu por 3x1, com dois gols do "Levezinho" (Liédson) no final do jogo. O goleiro do Benfica? Era o sul-matogrossense (nascido em Eldorado, ali do outro lado do Rio Paraná, pertinho de Guaíra) Marcelo Moretto. Vi esse rapaz jogar duas vezes. Nas duas ele perdeu por 3x1. Levou seis gols. Antes, no Estádio da Luz, em Lisboa, pelo valorizado campeonato português; agora, no Janguitão, pela segundona brasileira.

    Moretto, nos tempos de Benfica, defendendo pênalti cobrado por Ronaldinho Gaúcho, do Barcelona

    Mais três pontos na algibeira, chegamos a 55. Faltam 15 pontos. Precisamos vencer mais cinco das oito partidas restantes. E para comemorar a vitória, não podia faltar o bom vinho. Ontem, em homenagem ao Marcelo Moretto e a todos benfiquistas, tomei um tinto do Alentejo. Um Reserva 2006, D.O.C. Reguengos. Um legítimo Esporão, com 14,5% de teor alcoólico. Uma maravilha. Esse vinho, eu garanto, cura ansiedade!

    Faltam cinco, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 10h20
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    Até debaixo d'água!

    O jogo de hoje é o de nº 30. Os que acompanham o blog sabem que fui a 28. Só não pude comparecer - por causa da greve, período em que trabalham, dos policiais federais - ao jogo de Goianinha, contra o América-RN. Sobre essa ausência eu contei no post Um caso de polícia (federal)!, no dia 08 de agosto. Mas no último sábado estive em Goianinha. Depois do jogo contra o ABC, no dia seguinte, fomos conhecer a Praia da Pipa. E passamos pelo estádio, às margens da BR-101, distante 60km de Natal. Eu não podia deixar de registrar o fato e lembrar que aquele foi o único jogo ao qual não estive presente.


    Eu estive em Goianinha

    A praia da Pipa é uma espécie de Trancoso (BA) ou Visconde de Mauá (RJ). Além de muito bonita e frequentada por gente também bonita (o público é majoritariamente jovem), Pipa tem aquela aura esotérica, algo misteriosa, um tanto exótica. É onde os meninos se encontram para fumar, as mães para fazer "reiki" e as avós para usar suas roupas estilo "bicho-grilo". Há uma boa rede hoteleria e a gastronomia não deixa a desejar. Quem quer conhecer uma praia bonita e tranquila, deve ir à da Pipa, a pouco mais de uma hora de Natal.

    Pipa, uma das praias mais bonitas do Rio Grande do Norte

    Com a viagem a Natal, na qual utilizei milhas do programa Smiles e paguei apenas as taxas de embarque, já fiz 34.484km e gastei R$ 8.251,91. O orçamento que era de R$ 10.000,00 está ficando apertado. Espero não precisar uma "suplementação" muito grande. De qualquer forma, considero essa uma rica e interessante experiência. Acredito que quem é atleticano de coração e - tendo tempo e condições financeiras - deve fazer isso ao menos uma vez na vida. Em Natal reencontrei vários amigos que têm ido aos jogos desta Série B. Dentre eles, o Paulo Fernando da Silva que até agora esteve presente em todos.

    Caio, Cesar, Luiz Carlos Schroeder, André e Paulo Fernando

    Hoje, três da tarde, mais um jogo. Faltam nove. Destes, precisamos ganhar seis. São necessários ao menos 70 pontos para garantir a classificação. Talvez seja possível subir com menos. Mas, para garantir, precisamos de mais 18 (já fizemos 52). No jogo de hoje, contra o Avaí, mais três pontos estarão em disputa. Todos sabemos que o jogo será difícil, que o Avaí tem o costume de "pregar peças" ao Furacão. O time catarinense vem pra ganhar, pois ainda tem chanches de classificação. Cabe ao nosso time manter o mesmo espírito das duas últimas partidas. Maranhão, João Paulo e Paulo Baier voltam. As bandeiras rubro-negras tremularão daqui a pouco no Janguitão. A tarde será decisiva e colorida. Dia de atleticanos matarem o trabalho.

    Michele Toardik, atleticana até debaixo d'água

    Pra cima deles, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 10h17
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    "Del Rey" um tremendo jegue!

    Saí de Curitiba na quinta-feira as 20h30, com atraso de uma hora, porque chovia muito no Rio e uma pista do Galeão estava alagada. Minha conexão para Natal era as 22h10 e as 22h50 já sobrevoávamos o Rio de Janeiro por mais de 40 minutos, aguardando "na fila" a ordem para pousar. Uma vez em solo, uma surpresa: o avião que ia para a Natal estava aguardando a mim e mais uma passageira. De van, fomos levados à porta da aeronave. Quando entramos no avião a maioria dos passageiros - ali sentada por mais de uma hora, nos aguardando - olhou com aquela cara de "estamos atrasados por causa de vocês". Mas quando souberam quem era a moça, fizeram cara de "então, tudo bem". A moça que viajava comigo desde Caxias do Sul era personagem importante naquela viagem e conseguira fazer o voo nos esperar. A potiguar, que trabalha em uma empresa da serra gaúcha, estava viajando para, na sua terra, na sexta-feira (12), casar com um gaúcho que já viajara na véspera. E, assim, o voo - que era para chegar 01h10 - chegou ao Augusto Severo as 02h30 da madrugada de sexta-feira. No Hotel Majestic, em Ponta Negra, só cheguei as 03h30.


    Luiz Carlos Schroeder, com a lagoa e as dunas de Genipabu ao fundo

    Turquinha, ao contrário de mim, nem conseguiu sair de Belo Horizonte, só chegou a Natal as 10h30 da manhã da sexta-feira. Aproveitamos o resto do dia para enfrentarmos o congestionamento e irmos até a praia de Genipabu. Depois passear pela lagoa, praia e dunas de Genipabu (eu havia conhecido em 1975 e Turquinha não a conhecia), almoçamos lá mesmo, no Duda's Bar, uma deliciosa peixada ao molho de camarões. Com duas cervejas, R$ 33,00 por pessoa. Depois, enfrentamos o trânsito novamente, passamos pelo centro histórico e chegamos ao hotel no final da tarde. Deu para ter uma noção do crescimento de Natal nesses anos (eu havia estado lá pela ultima vez em 1988). A cidade está bem organizada, muitos edifícios (quase nenhum na orla, felizmente), várias grandes avenidas, não faltam hotéis e restaurantes. A lamentar, os buracos em quase todas as vias e o lixo acumulado em terrenos baldios, temas dos dois candidatos que disputam o segundo turno das eleições municipais.


    Turquinha, na praia de Genipabu

    À noite, em companhia dos paranaenses que moram no Recife, Cesar (pai) e Caio (filho), fomos ao "Frasqueirão". Ingresso de R$ 40,00, comprado após longa fila em uma das três bilheterias (não há bilheteria exclusiva para visitantes), entramos e encontramos quase uma centena de atleticanos, a grande maioria formada por paranaenses que vivem no nordeste. Reencontrei o empresário Paulo Fernando da Silva e o jornalista André Ricardo Guenzen, que me mostrou uma foto tirada à tarde, nas ruas de Natal. Foto de uma bandeira do Furacão em um carro, cujo proprietário é um curitibano que mora na capital do Rio Grande do Norte.

    O carro do atleticano que mora em Natal

    O Frasqueirão é um estádio pequeno e bonito, boas acomodações mesmo nas largas arquibancadas sem cadeiras, de excelente gramado e boa iluminação, se vê o jogo de pertinho. A partida começou tensa, o time da casa tentando pressionar o Atlético nos primeiros 20 minutos. Mas a pressão não deu resultado, a não ser um chute em cobrança de falta (que Weverton espalmou) e numa falta de comunicação entre zagueiro e goleiro (saiu muito mal e voltou correndo atrás da bola, como se ela uma galinha fosse), que poderia ter resultado num gol ridículo. O Atlético criou três reais oportunidades no primeiro tempo e fez 1x0 com mais um gol de Marcelo, desta vez de cabeça, aproveitando cruzamento de Henrique, após excelente passe de Derlei.

    Marcelo, que mesmo à noite enxerga muito bem, fez seu décimo-primeiro gol na Série B

    No segundo tempo o ABC foi ataque o tempo todo. Mas atacava mal, faltava habilidade a seus atacantes, que chutaram uma dezena de bolas e nenhuma a gol. Nosso goleiro não fez nenhuma defesa importante. O deles, ao contrário, fez uma bela defesa em chute de Elias, após jogada muito bem trabalhada pela esquerda, com Wellington Saci, Marcelo e Derlei. Tivemos duas outras boas oportunidades: um chute forte de Derlei e um chute com efeito de Ricardinho, ambos rentes ao ângulo superior esquerdo do goleiro.  O Atlético postou-se bem, foi firme na defesa, teve posse de bola e domínio da partida, soube fazer contra-ataques pelas dois lados do campo. Não comungo da idéia que o time jogou mal no segundo tempo. Era normal que o adversário viesse com tudo parta tentar o empate. E o Atlético tanto não caiu de produção que criou as três oportunidades com Derlei, Elias e Ricardinho. O que faltou foi efetividade. Mas isso tem faltado desde o início do campeonato. O Atlético cria, mas concretiza muito pouco.

    O simpático Frasqueirão

    De altamente positivo, a bela atuação de Derlei. Destruiu bem, deu passes de qualidade, tabelou, chutou a gol. Foi sua primeira boa atuação com a camisa do Atlético. Antes, ele tinha feito uma partida razoável contra o América-RN, naquele jogo que eu só assisti pela televisão, em Goianinha. Eu diria que a mula jogou com cabeça. E soube usá-la. O filósofo do "Bife Sujo", se estivesse vivo, certamente elaboraria uma tese, segundo a qual Derlei não é uma mula. Ele diria que Derlei, pela sua adaptação ao nordeste, é um jegue! Consigo "ver" o argentino dizendo "Del Rey, un tremendo jegue!".

    Reconhecendo que Derlei mereceu foto

    A vitória que a todos nos deixou feliz, foi comemorada em família. No sábado à noite, com a família do Cesar Aziul Nedopetalski (ele, a esposa Claudia e os filhos Caio e Clarinha), Turquinha e eu jantamos no imperdível Camarões Potiguar.  Além da excelente cozinha, o restaurante tem um agradável e bem-decorado ambiente. E comemoramos a vitória de dupla forma. Primeiro com um suave espumante nacional, um moscatel Nero.


    Em sentido horário, Clarinha, Caio, César, Luiz Carlos, Turquinha e Cláudia

    Em seguida, para acompanhar o jantar, o vinho. Tomamos um malbec argentino. Alamos, o vinho "pop" da Catena Zapata. Safra 2011, 13,5% de teor alcoólico. Caiu muito bem com o risoto de camarões e também com os camarões ao jerimum. E assim tem sido esta caminhada pela Série B. Aproveitando as viagens e os jogos para conhecer novos atleticanos, fazer amigos, construir relações.

    Faltam mais seis, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 09h31
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    Das dez últimas, a primeira!

    Ontem tomei um avião em Curitiba, as 14h00, voo da GOL. Mas ele não desceu em Caxias do Sul. Bem que o piloto tentou três vezes, mas era impossível visualizar a pista do aeroporto da segunda maior cidade do Rio Grande do Sul. Acabamos pousando em Porto Alegre. Quando ainda estávamos dentro do avião, um pequeno jato saiu da pista, "fechando" o Salgado Filho por algumas horas. De ônibus, subimos a serra. De Caxias do Sul a Nova Petrópolis, vim de carro. A minha chegada aqui, que era para acontecer as 16h00, aconteceu com quatro horas e meia de atraso. Meus compromissos foram adiados para a manhã de hoje e já resolvidos. Escrevo da bela, tranquila e acolhedora Pousada da Neve, onde me hospedei. Daqui a pouco saio de Nova Petrópolis e vou para Caxias do Sul, pouco mais de 30km de uma bela estrada, que mais parece um cenário europeu. As 15h20, se tiver voo, decolo para Curitiba. No início da noite, de Curitiba para o Galeão. Do Galeão para Natal, onde devo chegar 01h10 da madrugada.

    Nova Petrópolis RS Nova Petrópolis   Serra Gaúcha RS

    A primavera já enfeita as praças de Nova Petrópolis

    E, amanhã à noite, na capital potiguar, o primeiro dos últimos dez jogos. Ou a primeira das últimas dez batalhas finais. Ou, se preferirem, a primeira das últimas dez guerras que viveremos até 24 de novembro. Do frio do Rio Grande do Sul (aqui na serra gaúcha fez 9 graus nessa madrugada) para o calor do Rio Grande do Norte (para amanhã a previsão é de 30 graus, em Natal). Que o calor contagie o nosso time e repita a atuação com garra de determinação do sábado passado (de muito calor). Será mesmo necessário muita vontade e disposição para vencermos mais uma partida decisiva. Que seja a primeira das sete vitórias que ainda necessitamos.

    Em Natal, o sol sempre embeleza as suas praias

    O ABC luta para não cair. Vendeu caro a derrota (1x0), para o líder Vitória, no último sábado. Vai jogar tudo o que tem. Será um adversário dificílimo. O que não entendi - e me pareceu risível - é a justificativa para a ausência de Paulo Baier na delegação. Ele estaria sendo "poupado" para o próximo jogo, em virtude do calor e do pouco tempo de recuperação para a partida da próxima terça-feira contra o Avaí. Ora! Na noite de amanhã, em Natal, haverá menos calor do que tivemos sábado passado em Curitiba, quando o jogo começou as 14h00. E, ao que eu saiba, só poupa quem tem. e o que tem sobrando. E, pelo que me consta, ao Atlético não sobra, falta! Faltam 21 pontos na nossa contabilidade!

    Val, a musa do ABC estará lá no "Frasqueirão"

    O jogo será no acanhado "Frasqueirão", estádio do ABC. Se o Boca Juniors tem "La Bombonera", o ABC tem o "Frasqueirão". Lá, o estádio se parece a uma caixa de bombons; aqui - dizem - com uma frasqueira. E o ABC, fundado em 1915, tem esse nome em homenagem ao pacto de amizade fraternal assinado em 1903 por Argentina, Brasil e Chile. Amanhã, é preciso que o Atlético entre em campo com muito respeito ao adversário. Que jogue com firmeza, se mantenha sólido na defesa e esteja preparado para um jogo difícil. O jogo exigirá muita calma e paciência.

    Pra cima deles, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 10h44
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    Schumacher, neles!

    Sábado passado, mais ou menos neste horário (quase dez da noite), no Aeroporto de Guarulhos, conversavávamos - eu, meu cunhado Eduardo Maluf (diretor de futebol do Atlético Mineiro), meu amigo Paulo Fernando da Silva, João Alfredo Costa Filho (nosso vice-presidente de futebol), além do Dr. Luiz Sallim Emed  e do Marcio Lara (respectivamente 1º e 2º vice-presidentes do Furacão). Lamentávamos todos a nossa derrota em Bragança Paulista, quando chegou o Cuca (ex-atacante do Grêmio e atual técnico do Galo, eterno torcedor do Furacão) reclamando do fato de termos sido prejudicados pela arbitragem no primeiro gol do Bragantino. Naquele exato momento passou um rapaz alto (1,91 de altura), loiro, de olhos azuis e o Cuca, sem pestanejar, disse: "esse cara aí já foi nosso, depois vendido pro Udinese". Logo o Maluf - que à época era diretor de futebol do Cruzeiro - recordou que "ele fez o quinto gol contra o Cruzeiro naquele 5x4".

    O nosso Schumacher reapareceu esta semana

    Thiago Maier dos Santos, curitibano de 26 anos, é o nosso Schumacher. O sobrenome "Schumacher", em alemão, significa sapateiro. Naquele 06 de agosto de 2005, contra o Cruzeiro, ele deu uma sapatada, quando o jogo estava 4x4. Foi aos 45 minutos do segunto tempo. E decretou 5x4 para o Furacão! Quer conferir os nove gols? Clique aqui e se divirta. Pois é. Quis o destino (e "quiseram las brujas", como diria o filósofo do "Bife Sujo") que uma semana antes Schumacher, o sapateiro, reaparecesse. Ele está jogando no Volyn, da cidade de Lutsk, na Ucrânia. Contundido, veio se recuperar por três semanas em Curitiba, sua cidade. Antes de embarcarmos, ele que estava chegando da Europa fez questão de me dizer: "sou atleticano e acompanho tudo pela internet".

    Torcida comemorando no Ecoestádio (se o blog fosse comercial, juro que pagava "royalties" ao grande atleticano Joka Madruga)

    E hoje a história se repetiu. Contra um time mineiro, seis anos depois, metemos 5x4. E hoje foi muito mais dramático. Hoje foi aos 49 minutos do segundo tempo. No último segundo do jogo. Na última jogada. No último lance. No último chute. Dessa vez não foi um Schumacher. Hoje foi o homem da batuta. Hoje foi o maestro. O "velho" de Ijuí. Naquela terra não da apenas Dunga e Perondi. Em Ijuí tem também Eliezer Pacheco e Paulo Baier. Maestro Paulo Baier! Dia 25 fará 38 anos. Jogou todo o segundo tempo. Quando entrou em campo eram 15h00 e os termômetros marcavam 31 graus. No primeiro minuto do segundo tempo, em seu primeiro toque na bola (um só toque; um só leve toque), deixou Marcão na cara do gol. E Marcão empatou: 3x3! No seu último toque na bola, 49 minutos depois, a temperatura em 30 graus, o "velho", o "quase aposentado" Paulo Baier fez 5x4 para o Furacão. Quer ver os nove gols? Confira, clicando aqui!

    Baier, de maestro a rei!

    No jogo em si, muitas deficiências (especialmente na defesa, onde nossos jovens zagueiros tomaram um banho dos "velhinhos" Anderson e Fábio Júnior), alguns erros do Tião de Campos (como substitui mal o nosso "professor"), algumas bobagens (o recuo após a virada para 4x3). De outro lado, houve luta, dedicação, garra, vontade, desejo. Que não seja um tesão transitório. Que ele se manifeste nas próximas dez rodadas. Mas continuarei não entendendo a escalação de Daniel. Muito menos entenderei a sua substituilção, ainda no primeiro tempo (sem ter ele cometido uma falha sequer). Também não compreenderei jamais a entrada da mula no lugar de um atacante. Basta o time estar vencendo para o Tião mostrar seu eterno medo. Tião, você não é mais técnico do Tupy! Isso aqui é o Atlético Paranaense! Que feio é recuar sempre que está vencendo. Derley, a velha mula sem cabeça, não tem função. Na hora de ir pra cima e fazer mais um, matar o jogo, sai Marcelo (contundido) e entra mais um volante. E naquele momento tínhamos em campo Deivid e João Paulo. De bom, tivemos Baier, Marcelo, Elias e João Paulo.

    Com os dois de hoje, dez gols de Marcelo!

    Valeu pela raça! Lembro, apenas, que nossa defesa não sobe nas bolas altas, que nosso goleiro não sai, e que nossos homens de meio-campo não olham pro Marcão. Quando estava 4x4, em três lances, Marcão estava livre. Mas nossos ansiosos Elias, Saci e Mula preferiram chutar a gol - e erraram! Depois do jogo, ainda sem almoço, vim pra casa. Tomei um banho, comi uma maçã e festejei. Depois fui "almojantar" no Dom Carneiro. Lá, comendo o cordeiro da vitória, o Ubiratan me serviu um vinho especial.

    Bira, com estilo "a la Paulo Baier", me servindo o bom vinho

    O vinho, claro, foi da melhor qualidade. A ocasião pedia algo especial. Levei de casa um chileno, cabernet sauvignon, 14,5% de álcool, safra 2006. Sim! Um "Dom Melchor". Parecia um suco de uva. Uma maravilha!!! O vinho, bem que eu poderia ter dividido com o meu amigo Sidnei Machado, advogado e professor universitário. Ainda nesta semana ele me disse que estava "sem tesão para a política", mas que este nunca faltava quando o assunto era o Furacão!

    A ocasião pedia um bom vinho

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h55
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    A toalha, o tesão e o brilho no olho!

    Eu concordo com todos que dizem que não é hora de desistir. Que não é hora de jogar a toalha. Que a hora é de união. Que cada jogo é uma batalha. Aliás, neste campeonato, em momentos bem mais difíceis não perdi meu otimismo. Sempre acreditei na classificação para a Primeira Divisão. E continuo acreditando. Mas ninguém tapa o sol com a peneira. Ninguém esconde elefante em casinha de cachorro. Ninguém pode negar a realidade. A derrota contra o Goiás, nas circunstâncias em que se deu, foi triste e decepcionante. Ficou a sensação de que com um pouco mais de esforço o empate poderia ter sido alcançado. E com ele, três pontos a menos em relação ao Goiás. Mas a desanimadora derrota de sábado passado, em Bragança Paulista, foi muito mais do que um banho de água fria. Foi a triste constatação de que falta muito a esse grupo de jogadores que está vestindo a camisa do Atlético. Falta determinação. Falta vontade. Falta garra. Falta desejo. Falta tesão!

    Eu não joguei a toalha. A torcida rubro-negra não jogou a toalha. A imensa nação atleticana não jogou a toalha. Mas os jogadores deixaram a toalha cair. E fizeram isso mais de uma vez. E quem deixa a toalha cair corre sérios riscos. Não só o de ficar nu. Mas o de ficar sem a própria toalha. De encharcá-la. De sujá-la. Só há uma toalha. E ela deverá servir até o final do campeonato. Cada jogo não é mais uma batalha. Batalhas, se perdem e se ganham. Agora, cada jogo é uma guerra. E guerra não se perde. Quem perde a guerra é um eterno derrotado. Esperamos, todos, que esta semana de conversa, ensaio e treinamento tenha servido para ajudar a fazer um grupo com espírito vencedor. Neste sábado, no sol da Rede Globo (duas da tarde), saberemos. Vamos ver quantas camisas os jogadores terão de trocar. Vamos ver quem transpirará mais em nome da história e da tradição rubro-negra. Vamos ver quem correrá atrás da vitória como se estivesse correndo para salvar seu ser mais querido.

    Não há mais tempo para experiência. Não há mais tempo para análise. Não há mais tempo para contemporização. Muito menos há tempo para improvisação. É este o time. São estes os jogadores. O grupo é este. É com estes que vamos. E, mostrando raça e vontade, terão sempre o apoio da torcida. Sabemos da limitação técnica do time. Sabemos que é um time de segunda. Sabemos que esse não é um time de "encher os olhos". O que queremos não é classe, categoria e jogo bonito. O que queremos é disposição, garra e muita luta. Queremos que os jogadores honrem até o último segundo a camisa e a história do Clube Atlético Paranaense. Queremos brilho no olho!

    Pra cima deles, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 12h50
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    Churrasco do "Tchê", Cuca e pouca fome de vencer!

    O sábado estava lindo desde muito cedo. Saí de casa as 07h30, com um sol maravilhoso. Viajei para Guarulhos, voo das 09h00. Lá, o Paulo Fernando da Silva me aguardava (havia ido mais cedo) e dividimos o mesmo carro. Ao meio-dia estávamos na simpática Bragança Paulista. O dia continuava lindo. Almoçamos na Churrascaria Lago do Sul "Tchê", em frente ao belo lago da cidade. O proprietário - catarinense de Descanso, lá próximo da divisa com o Rio Grande do Sul e com a Argentina - é mais um daqueles rapazes que foi trabalhar em São Paulo, como garçom de churrascaria, e fez a vida. De garçom na capital, virou dono de churrascaria no interior.

    Lago do Taboão, cartão-postal de Bragança Paulista

    Depois do almoço, sem pressa nenhuma, nos dirigimos ao estádio, que as 15h00 ainda não havia aberto os portões. Conversei com alguns torcedores atleticanos que vivem no interior paulista (Bragança Paulista, São José dos Campos, Taubaté, Amparo, Campinas, Guarulhos e Piracicaba) e com o Luiz (do Rio de Janeiro, que veio com a esposa). Todos, sem exceção, achavam o jogo decisivo para as nossas pretensões de clasificação e confiavam na vitória. Eu, como já havia escrito durante a semana, achava o jogo difícil, mas estava certo de que venceríamos. E meu palpite, muito embora eu não tenha contado a ninguém, era 2x1 pra nós.

    A feia entrada dos visitantes no Nabi Abi Chedid

    Público pequeno (pouco mais de 1.200 pagantes, dos quais quase duas centenas eram atleticanos), o jogo começou e vimos um Atlético tranquilo em campo, tocando bem a pelota, dominando o jogo, tendo a posse de bola e criando oportunidades. O Fernando Brito, de Campinas, logo disse que precisávamos fazer um gol o quanto antes para perturbar o adversário. Chutamos pouco e, quando chutamos, o fizemos muito mal. Logo no início tivemos um jogador, fundamental para as nossas jogadas de ataque, machucado. Saiu Maranhão e - inexplicavelmente - entrou Derley. A "mula", como sempre, não sabia se entrou como lateral, como zagueiro ou como volante. E o time adversário deitou e rolou pelo setor esquerdo do seu ataque, só não marcando gol porque seus atacantes "viviam" impedidos.

    Atleticanos em Bragança

    No finalzinho do primeiro tempo aquela reiterada, costumeira e previsível falha. Goleiro que não sai nem grita, defesa que olha, centroavante adversário que faz o gol. Se a bola entrou? Não sei, ninguém sabe, ninguém saberá. O bandeirinha correu pro meio de campo, o juiz marcou. Já vi as imagens da televisão umas dez vezes. E não vi a bola dentro do gol. Como também não posso afirmar que a bola não entrou. As imagens não conseguem mostrar a linha do gol nem a bola dentro. Mas, os atleticanos temos sempre uma desculpa. O Cuca, técnico do Atlético Mineiro, veio ver a família em Curitiba, na noite de sábado, vijando no mesmo voo de Guarulhos para cá. E, ainda na sala de embarque, assim que se aproximou de nós, foi dizendo "Já sei que fomos roubados". Alguém já tinha dito ao Cuca, torcedor do Furacão, que o juiz prejudicara o Atlético em Bragança Paulista.

    Tem que "abrir os olhos", diz Cuca

    No segundo tempo a história se repetiu. Dominamos o jogo, tocamos exaustivamente a bola, tivemos maior controle do balão, fizemos o gol de empate, mas perdemos várias oportunidades de liquidar a partida. Confesso que não entendi a entrada do Taiberson no lugar de Felipe. Mas quem manda é o Tião de Campos. No final, depois de muitas oportunidades criadas e perdidas, Manoel - o excelente zagueiro do Furacão - "furou" como beque varzeano. Cabeceou para o goleiro sem a força suficiente, deixou o adversário na "cara do gol". Este agradeceu e tocou na saída do goleiro. E assim perdemos mais uma. Para o Bragantino, time que está na zona do rebaixamento, perdemos cinco dos seis pontos disputados. Cinco!!!!!

    Manoel lembrou dos tempos da várzea maranhense

    A tristeza não é apenas perder. A tristeza maior é sentir que o time não vibra. A tristeza é, principalmente, perceber que os jogadores nem sentem a derrota. No aeroporto de Guarulhos, duas horas após o jogo, o clima era de total naturalidade. Jantavam e sorriam como se o time tivesse ganho a partida. Desculpem, mas não sinto esse time com vontade de ganhar a classificação e subir para a Primeira Divisão. Ao menos é essa a impressão que me passam os jogadores. E essa impressão me passam tanto dentro como fora do campo. Para os nossos profissionais, parece que não faz diferença ganhar ou perder.

    Delegação jantando após o jogo no restaurante do Aeroporto Internacional de Guarulhos

    No caminho de volta, de Bragança Paulista a Guarulhos, no rádio, ouvimos o treinador Wagner Benazzi do Bragantino falar sobre a vitória do seu time. Pois bem. O treinador do time que nos venceu, disse na rádio local que "o placar justo era no máximo o empate". Ou seja, perdemos para um timinho, cujo treinador achou que no máximo, por justiça, eles mereciam empatar. Algo mais a dizer? Nem o filósofo do "Bife Sujo" explica o que anda acontecendo com nossos jogadores. A verdade é que há um desânimo generalizado entre os torcedores. A falta de vontade de vencer, estampada no rosto de nossos jogadores, ainda vai acabar contagiando a grande torcida rubro-negra. Esperamos que, durante esta semana, ao menos mude o clima no CT do Caju. Que alguém se encarregue de reunir o elenco, de tentar uní-lo, de procurar fazer desse um grupo com vontade de vencer. Se continuarmos entrando em campo de "barriga cheia", não iremos a lugar nenhum. Muito menos voltaremos à Primeira Divisão.

    É preciso ter fome de vitória!

    (A minha indignação já escrevi ontem, no post intitulado "Eu sou atleticano!")



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 20h45
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    Eu sou atleticano!

    A vida nem sempre nos oferece oportunidades. Mas às vezes as circunstâncias abrem caminhos que estavam fechados. E muitas dessas vezes não abrimos os olhos e não aproveitamos o ensejo. Quem viu o jogo de ontem, seja ao vivo ou pela televisão, compreende muito bem o que estou falando. O Atlético joga bem, mantém a posse da bola, troca passes curtos e certos, domina o jogo. Mas não chuta! E quem não chuta, não faz gol. E quem não faz gol, toma! E se o adversário fizer mais gols, a  gente perde. O futebol é assim. Simples. Sem segredos. E é exatamente por ser simples e facimente compreensível que o futebol se tornou o esporte das multidões. No mundo inteiro!

    Multidão atleticana no "Caldeirão do Diabo", o velho Estádio Joaquim Américo

    É sabido que o Atlético tem uma das melhores estruturas do futebol nacional. Disputa com os dois grandes times mineiros para saber quem tem o melhor e mais moderno centro de treinamento do país. Consta que é um dos poucos clubes brasileiros que paga salários em dia. Dizem que o rubro-negro oferece aos seus jogadores um clima tranquilo e sereno para a realização cotidiana do seu trabalho. Mas nos últimos tempos não tem havido o retorno esperado. Nos últimos tempos o time tem desiludido o torcedor. O Furacão é cada vez menos um time vitorioso. Não empolga. Não entusiasma. Não encanta. Não emociona.

    "Rubro-negro é quem tem raça", diz o nosso hino - que a torcida enfeita em mosaico

    Parece que esse grupo de jogadores não tem um verdadeiro comprometimento. Parece que esse grupo de jogadores ainda não se reuniu e tomou a decisão de querer se classificar para a Primeira Divisão. Parece que esse grupo de jogadores joga sem emoção. A esse time falta vontade, falta raça, falta dedicação. A esse time falta vestir a camisa do Atlético. Não apenas usá-la. Essa camisa é preciso vestir com dignidade. Essa camisa foi feita para ser encharcada de suor. Essa camisa foi feita para - se preciso for - ser rasgada pelo adversário na nossa corrida para o gol. Esse uniforme não foi feito para, ao final de uma partida, continuar limpinho. Quem não põe a bunda no chão e não suja o calção durante os noventa minutos, está no lugar errado.

    Édson, aquele da família Arantes do Nascimento, não tinha medo de sujar o calção

    Ainda há tempo. Faltam onze rodadas. Ficou mais difícil. Para garantir o acesso, precisamos de oito vitórias. Quem sabe seja possível com menos de 70 pontos. Ficou bem mais difícil, mas ainda é possível. Mas mais do que a matemática da professora loira, é hora de mexer com os brios desses homens. São homens? Têm brio? Têm sangue correndo nessas veias? Estão dispostos a dar o suor e o sangue? Querem subir pra Primeira Divisão? Querem fazer jus aos altos salários? Querem ficar na história do Atlético?  Ou querem ter suas passagens por aqui lembradas apenas como sanguessugas, preguiçosos ou medíocres?

    O pequeno Gabriel, mais um paulista atleticano, merecia muito mais na sua primeira vez num estádio de futebol

    Eu não sou comentarista. Eu sou atleticano. Eu sou torcedor. Os jogadores vão embora, eu fico. Eles passam, o clube permanece. Essa gente vai embora, mas na história do meu clube não há lugar para quem não entregar a última gota de suor que dispõe. E quem não quer se empenhar, que vá embora. Tire a camisa. E abandone o clube. Aqui só há lugar para vencedores. Aqui não tem lugar para jogador "meia-boca". Aqui tem que ser cabeça, tronco e membros. Aqui é lugar de sangue, coração e alma. Aqui é o Clube Atlético Paranaense!


    As meninas viajaram 1.000 kms, de ônibus, para ver a melhor defesa do campeonato errar duas vezes

    Amanhã, com mais tranquilidade e calma, escreverei sobre a simpática Bragança Paulista, seu povo, o estádio, a torcida atleticana e o jogo de ontem.



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 15h10
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    Lorena não vai "estar podendo ir"...

    Os nossos dois próximos adversários jogaram na semana passada. Em Bragança Paulista, o Bragantino ganhou do América-MG por 2x0. Depois disso o time mineiro já jogou novamente e perdeu em casa por 2x1 para o Barueri. Isso mostra duas coisas: o Bragantino é um adversário difícil quando joga em casa e o América-MG virá jogar aqui, no próximo sábado com duas derrotas "nas costas". E neste sábado vamos a Bragança Paulista, enfrentar o Bragantino. E ainda não esquecemos que esse time nos tomou dois pontos (0x0) no primeiro turno, em Paranaguá, naquele tarde em que o estreante Jorginho chamou nosso time de "fedido".

    O centro, o bosque, estádio, o lago e o aeroporto - esta é Bragança Paulista

    Vou a Bragança Paulista chateado, desapontado, um pouco triste. A minha amiga Lorena Bueri me ligou agora há pouco, dizendo que não vai "estar podendo ir" no sábado. Mudou pra capital e já fala o português paulistano, como verbo auxiliar e muito mais! Contava com ela me recepcionando, me mostrando a cidade, me apresentando tudo. É uma pena! Mas, de qualquer forma, estaremos na terra do libanês Nabi Abi Chedid (nasceu em Ramarith).

    http://www.portalpower.com.br/wp-content//uploads/2012/02/musa-paulistao-bragantino.jpg

    Lorena Bueri, a musa do Bragantino

    Os que têm mais de 50 anos certamente lembram do Nabi Abi Chedid. Folclórico, foi deputado estadual por dez mandatos (40 anos ininterruptos), de 1962 a 2002. Envolveu-se em várias confusões, era defensor da ditadura militar e grande amigo de Paulo Salim Maluf e José Maria Marin, atual presidente da CBF. Nabi foi presidente do Bragantino, da Federação Paulista de Futebol e da Confederação Brasileira de Futebol. Faleceu em 2006 e virou nome do estádio local. Seu filho, o Marquinhos (Marco Antônio Nassif Abi Chedid), que já foi deputado federal (atualmente é vereador), preside o clube há muitos anos.

    José Maria Marin, então vice-governador de Paulo Maluf, toma posse na presidência da FPF em 1982, recebendo o cargo de Nabi Abi Chedid

    O jogo será difícil, como dificílimos serão todos os demais jogos que teremos pela frente. Não há moleza! Como diria o meu amigo argentino - o filósofo do "Bife Sujo" - "Para ser un campeón, se debe ganar!" Abrindo um parênteses, no último jogo, contra o Ceará, fui abordado no Ecoestádio por um leitor do blog. Ele acha que conheceu o filósofo do "Bife Sujo", queria saber o nome e se tenho foto do argentino. Tenho algumas fotos do filósofo - que não gostava de ser fotografado. Ele não gostava de fotografias, pois tinha fugido para o Brasil, logo após o golpe militar de 1976. Aqui, mudou de nome e tinha medo de ser reconhecido pelos agentes da Operação Condor. Com filosofia de bar, ou não, temos mais um desafio pela frente. E esperamos, todos nós, que o time jogue com vontade e esteja atento desde o primeiro minuto de jogo.

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 16h34
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    Mais matemática, professora!

    A professora de matemática que o Furacão contratou já deu suas primeiras aulas lá no CT do Caju. Alunos aplicados serão recompensados no final de novembro. Gazeteiros e soberbos tendem a não passar de ano. Ao que parece - pelo que se vê das tabelas, planilhas, cursos e palestras - só a nota 70  garante o acesso à Primeira Divisão. É quase certo o acesso com 69 pontos e bem possível com 68. Com menos, a manter-se a média dos seis primeiros, é praticamente impossível. Quem quiser "tirar a prova", basta clicar no site do pessoal do Departamento de Matemática da UFMG, pois os mineiros têm estudado muito a matemática do futebol.

    Leonardi, de Ponta Grossa, torce em pé para calcular melhor (o rapaz antes dele é seu filho Henrique, o menino da foto de 03/08/2012)

    Já o gaúcho Tristão Garcia, homem da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - que se tornou famoso no final dos anos 1990 pela aplicação da matemática ao futebol -, diz que o Atlético, apesar de estar em quinto lugar, deve ser um dos quatro classificados. Veja a entrevista dele clicando no site do TerraTV. O certo é que o meu amigo argentino, já falecido, o filósofo do "Bife Sujo", dizia que - se a matemática mandasse no futebol - Arquimedes e Pitágoras certamente teriam formado "un dúo mortal en el ataque de Boca Júniors".


    Sábado, na saída do Ecoestádio, todos eram matemáticos

    Na verdade, diante da alta média de pontos dos seis primeiros classificados, os matemáticos de toda ordem falam que só 70 pontos garantem realmente a classificação. E é com esse número que devemos trabalhar. Já fizemos 46 pontos em 26 rodadas. Restam mais 12 jogos. Ou seja, restam mais 36 pontos a serem disputados. Destes 36 precisamos fazer 24 pontos. Esse é o número mágico. Necessitamos ganhar 2/3 (dois terços) dos pontos que disputaremos até o dia 22 de novembro.

    Como todos sabemos,  a professora de matemática contratada pelo Furacão é uma loira

    E, assim, voltamos àquele número de 8 pontos a cada 12 disputados, sobre os quais eu já havia escrito logo após o jogo contra o Joinville. Vamos de novo dividir os próximos 12 jogos em três grupos de quatro. Em cada grupo, necessariamente precisaremos fazer 8 pontos. O primeiro grupo será de jogos contra Bragantino (fora), América-MG (casa), ABC (fora) e Avaí (casa). No segundo grupo, jogaremos contra Vitória (fora), Guarani (casa), Guaratinguetá (casa) e São Caetano (fora). No terceiro grupo: América-RN (casa), ASA (fora), Criciúma (fora) e Paraná (casa). Não tem moleza! Quem quer ser campeão, precisa ganhar quase todas. Quem quer subir, também!

    Daqui pra frente, estádio matematicamente lotado em todas as partidas

    Para facilitar o seu cálculo, alguns dados: O Atlético tem a melhor defesa do campeonato e o quinto melhor ataque da competição. No primeiro turno chegamos em sexto lugar.  Computados apenas os jogos do segundo turno, estamos fazendo campanha de G4. No returno temos 14 pontos em sete rodadas, atrás apenas de Goiás (16) e São Caetano (15). Ou seja, já estamos fazendo dois terços dos pontos disputados. E no segundo turno o melhor ataque é o nosso (18 gols), seguido de São Caetano (15) e Vitória (12). A serem levados em conta, também, o desempenho de dois adeversários diretos. O Criciúma terminou a primeira parte em segundo lugar (42); neste segundo turno, ele está em décimo-primeiro lugar (10). O Joinville terminou o primeiro turno em terceiro lugar (36) e agora, no segundo turno, está em décimo-quinto (8).


    Marcão fez o segundo gol e o garotinho começou a fazer cálculos no celular do pai

    Todo mundo anda fazendo contas. O Caio Nedopetalski, que mora em Recife, não para de fazer simulação de resultados na página do UOL. O Giuliano Veiga de Oliveira, de São José dos Pinhais, vive a procura de dados e me mandou a tabela em excel do site Nacopa.net. O Gilberto Abib (pai), em Fortaleza, aproveita o intervalo de almoço no Banco e "manda ver" nas contas. O André Ricardo Guenzen, aqui de Curitiba, já comprou calculadora nova e acha que da pra classificar com 69. O Fernando Brito, de Campinas, é mais otimista e fala em 65 pontos pra subir. O Gabriel Robles de Cesaro, de Uberlândia, viajou e - quando voltou - foi surpreendido pelas duas filhas Adriele e Amanda, que acreditam no Furacão!


    Adriele (8) e Amanda (5) em homenagem-surpresa ao Gabriel, no dias dos pais, na Igreja Cristã Rumo Frutífero, em Uberlândia

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 19h27
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    Um sábado de festa!

    A semana havia sido tensa, de muita ansiedade pela espera de mais um jogo decisivo. Sim! Todos os jogos agora são decisivos. Temos mais doze difíceis e decisivos jogos pela frente. E a torcida tem feito a sua parte. Comparece, incentiva, apoia. Um sábado, de tarde lindamente ensolarada e uma torcida cheia de cores e alegria. A nação rubro-negra quebrou mais um recorde de público e compareceu em massa ao acanhado Janguito Malucelli. Famílias inteiras foram se divertir no Ecoestádio e fizeram uma verdadeira festa!

    Logo na chegada ao estádio vi a lucidez e o comando militar do segundo-tenente Marcelo. "Segurou", por dois ou três minutos, a fila de torcedores que entravam pelo portão das arquibancadas inferiores e separou o joio do trigo. Sem uso da força - e muito menos da violência -, mas com uso de razoável efetivo, deu uma aula de tática e afastou uma centena de baderneiros que, sem ingresso, foram ao estádio apenas para tentar agredir os torcedores que vieram do Ceará. Retirados do local, garantiu-se a tranquilidade de todos e a segurança dos pouco mais de vinte cearenses. Eu gostei do que vi, pois neste ano tenho aprendido - na prática - como é difícil e inseguro ser torcedor visitante. 

    Se a semana foi nervosa, em campo o Atlético fez um gol tranquilizador logo no início da partida, num belo chute de Elias, de fora da área. E poderia ter feito mais dois em seguida. Não fez. Deivid (quis fazer de letra e ficou sem número) e Marcão (cabeceou como se fosse um zagueiro) perderam. E por isso sofremos no início do segundo tempo. O futebol arrasador, do começo da partida, não foi uma constante durante o jogo. O Ceará mostrou que tem um time razoavelmente bom, com uma boa meia cancha e um ataque perigosíssimo, que vive de uma jogada mortal pela direita.

    No início do segundo tempo sofremos o empate numa falha da nossa defesa. Num lance que já estava resolvido, Maranhão perdeu a bola e o goleiro Weverton foi muito mal na jogada. Felizmente Marcão, poucos minutos após, teve um momento de centroavante, girou sobre o zagueiro e de "bico" fez 2x1. Depois tivemos uma substituição que ninguém entendeu: saiu Maranhão que dava vida ao ataque e entrou Felipe, que à exceção de um chute de fora da área, não foi bem. E mais duas substituições previsíveis e sem novidade: a entrada do maestro Paulo Baier no lugar do cansado Elias e a troca de Marcão por Tiago Adan. Últimos minutos tensos, final feliz!

    Pelo andar da carruagem, somente 70 pontos garantem a classificação para a Primeira Divisão. Restam doze jogos. Fora jogamos com Bragantino, ABC, Vitória, São Caetano, ASA e Criciúma. Em casa; América-MG, Avaí, Guarani, Guaratinguetá, América-RN e Paraná. Não podemos perder mais que 12 dos 36 pontos a serem disputados. E é importante não perdermos para São Caetano e Criciúma, dois adversários diretos na busca da vaga. Ou seja: precisamos fazer 24 pontos (vencer oito das 12 partidas) e não deixar nossos dois adversários diretos se distanciarem ainda mais. Mas, antes de pensarmos neles, o objetivo agora é vencer o Bragantino. Mais uma batalha, mais uma decisão, mais um jogo dificílimo. Mais uma semana de ansiedade!

    Tendo a certeza que "pra subir todo santo ajuda", como pede o João Paulo, fui pra casa feliz. E como o sábado era de festa, levei meu vinho pra tomar no jantar do encontro anual de toledanos da minha geração. Um ano em Curitiba, outro em Toledo, nos reunimos pra "matar as saudades". A vitória apertada contra o Ceará mereceia o etiqueta negra da Vinha Tarapacá, cabernet sauvignon chileno do Valle del Maipo, um gran reserva, safra 2007, com 14,5% de álcool.

    Vinho Chi Tarapaca Cosecha Gran Res Cabernet Sauvignon Etiqueta Negra 750ml

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 12h14
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    O Paraná, a um passo da Terceira Divisão!

    Farum fica no condado de Frederiksborg, parte oriental do Reino da Dinamarca. Em danês (dinamarquês em "brasileiro"), a palavra farum significa "lugar de passagem". Às margens de dois grandes lagos e próxima do mar, a cidade vive basicamente da pesca e da agricultura. Existe há mais de 2.000 anos e jamais chegou aos 19.000 habitantes. A metade da sua população, aliás, não é formada de "nacionais". Vieram, na sua maioria, da Turquia ou de países do Oriente Médio; são basicamente sírios, libaneses e palestinos. Em termos de religião, a cidade é dividida entre luteranos e muçulmanos. No dia 02 de outubro haverá uma grande festa na cidade. E dela participarão todos, independentemente da religião.

    No mês de dezembro, uma rua da pacata cidade de Farum, no Reino da Dinamarca

    A festa do dia 02 de outubro acontecerá no Farum Park, estádio com capacidade para 10.100 espectadores. Nesse dia, o FC Nordsjaelland, clube de futebol local, receberá o Chelsea, campeão de futebol da Europa. O time inglês irá a Farum para jogo válido pela segunda rodada do primeiro turno, Grupo "E", da Champions League. Um cidade de menos de 20.000 habitantes, num estádio para 10.000 pessoas receberá o campeão de Europa, em jogo válido pelo mais importante campeonato de clubes do futebol mundial.

    Farum Park, um verdadeiro estádio de Primeiro Mundo

    E o Brasil? Aqui não deixaram o Furacão disputar a final da Libertadores (em 2005) em seu estádio. Exigiram capacidade mínima de 40.000 lugares. Para a UEFA (União das Federações Européias de Futebol) o que interessa é o padrão de qualidade e conforto de um estádio e não a sua capacidade. No Farum Park há lugares para 10.100 torcedores confortavelmente sentados e sempre protegidos da chuva, da neve e - eventualmente - do sol. A respeito, na noite de início de outono, a temperatura em Farum deverá estar na casa dos oito graus.

    Em breve a Arena da Baixada poderá receber até 45.000 torcedores

    E o Paraná? O Paraná está indo pra terceira divisão. Domingo tudo será decidido. Todo o trabalho de um ano será disputado em apenas noventa minutos. Na noite de domingo alguns estarão felizes, comemorando. Outros estarão tristes, lamentando. Espero, sinceramente, que o Paraná sorria, que o Paraná festeje, que o Paraná comemore a ida para a terceira divisão! O Albino Turbay não é estádio de primeiro mundo, é bem menor que o Farum Park.

    O Estádio Albino Turbay, capacidade para 2.000 torcedores

    E Cianorte? Cianorte é pujante, tem uma economia forte e sua população ultrapassa a casa dos 70.000 habitantes. Fundada em 26 de julho de 1953 pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná - e daí a origem do seu nome (Cia Norte) -, a cidade que já teve a economia sustentada na agricultura do café, é hoje um dos maiores polos atacadistas do país, na área do vestuário. O setor tem quase 500 indústrias e mais de 600 marcas na cidade. Quase 19.000 pessoas (a população inteira de Farum) trabalham na indústria da confecção.

    A moderna e arborizada Cianorte

    E o Leão do Vale? O Cianorte Futebol Clube jogou domingo em Mogi Mirim. E venceu o time do Rivaldo (o pentacampeão mundial é literalmente o dono do time) por 2x1. Joga no próximo domingo em casa e por um empate estará definitivamente no G4 da Série "D". Basta apenas o empate para o Paraná ter um representante na Terceira Divisão do próximo ano. E todo o Paraná - capital e interior - estará unido no domingo. Torceremos todos, não pelo empate, mas pela vitória consagradora - que levará o time paranaense ao terceiro maior degrau do futebol brasileiro!

    Que domingo os jogadores do Leão do Vale (do Ivaí) repitam essa cena

    Dá-lhe, Cianorte!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 22h11
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    O que acontece?

    O que acontece? Voltei a Goiânia depois de muitos anos. Não é a mesma da primeira metade dos anos 1970 nem é a mesma da segunda metade dos anos 1980. Fazia quase 25 anos que eu não ia a Goiânia. Decepção total! A cidade ficou mais suja (hoje ao meio-dia quando saí do hotel parecia ter havido o "campeonato do lixo" na madrugada, pra saber quem põe mais lixo na calçada), menos arborizada (derrubaram quase todas as árvores da Avenida Anhanguera), as ruas ficaram mais esburacadas (em alguns buracos o culto e competente Rafael Valdomiro - Greca de Macedo - entraria inteirinho, com barriga, bunda e tudo), as mulheres ficaram mais feias (não cuidam do cabelo, da pele - e como se vestem mal!!!) e a arquitetura é ridícula (parece haver uma aposta pra saber qual bairro constrói mais prédios acima de 40 andares).

    Em Goiânia, (Rafael) Valdomiro (Greca de) Macedo estaria "no buraco"

    O que acontece? Em Goiás estão todos loucos! Cheguei ao estádio, com meu amigo de 30 anos, o Eduardo Perin (toledano, filho de gaúchos de Nova Prata, que já mora há mais de vinte anos em Goiânia e trabalha na área da arquitetura). Ninguém, nem mesmo a polícia, sabia dizer por onde entrava a torcida visitante. Simplesmente não há entrada para visitantes. A polícia mandou eu tirar a camisa (branca) com o escudo do Furacão e entrar junto com a torcida do Goiás. Não há um setor exclusivo para a torcida visitante. Meia dúzia de gordos policiais (ávidos pra descer o cacetete em alguém) nos separavam dos milhares de torcedores locais.  O Eduardo ficou comigo até eu conseguir entrar e foi pra casa (não é fã de futebol, prefere a vela náutica) e eu entrei ladeado por um bando de "camisas verdes".

    Os "camisas verdes", espécie de nazistas tupiniquins, integralistas de Plínio Salgado, na segunda metade dos anos 1930, no Rio de Janeiro

    O que acontece? No jogo Goiás x Atlético havia mais de 20.000 pessoas (18.179 pagantes). Mais pagantes que o jogo do líder da Série A (Fluminense x Atlético-GO, 6.340 pagantes). Muito mais público que o jogo do vice-líder da Séria A (Náutico x Atlético-MG, 15.013 presentes). Quase o dobro de pagantes que o jogo do time de maior torcida do Brasil (Flamengo x Grêmio, 11.968 pagantes). O que estão fazendo com o futebol brasileiro? Pensar que sou dos tempos em que iam quase 200.000 pessoas ao Maracanã e ninguém saía machucado. Agora não tenho mais nenhuma dúvida! Camila (minha filha nº 3) tem razão quando diz "Pai, você está ficando velho!"

    Em janeiro de 1994, em Quatro Ilhas, Camila não me chamava de "velho"

    O que acontece? Acabei de ver Flamengo x Grêmio e vi o tricolor gaúcho, no segundo tempo, jogar como um timinho. Fez 1x0 no primeiro tempo, contra o Flamengo, lá no Rio. No segundo tempo se acovardou. Jogou como se fosse o "Zequinha Barroso", o São José (do Passo da Areia), e por isso o Flamengo conseguiu o empate. O nosso adversário fidagal, esse aqui do "alto", ganhava do Santos (1x0) quando entrei no meu carro, num dos estacionamentos próximos ao aeroporto. Quando cheguei em casa, meia hora depois, por se acovardar, perdia - e perdeu! - por 2x1. Ontem, o nosso time perdeu. E perdeu porque se acovardou. Depois de estar sendo derrotado no primeiro tempo (2x0), chegou ao empate em 15 minutos do segundo tempo. E aí? E aí recuou! E na hora de substituir o Elias, o que fez o Tião de Campos? Foi covarde! Colocou a mula do Derlei (aquele que até hoje não disse a que veio). A mula sem cabeça! Quem "não pensa, só carrega peso", dizia meu avô Alfredo. Ia entrar o maestro. O "professor" mudou de idéia. Pôs essa "coisa" (que enquanto esteve em campo não sabia se era atacante ou defensor, jogador ou espectador). Quem joga pra empatar, perde! Quem prefere Derlei a Paulo Baier, merece castigo! Os "deuses do futebol" não perdoam tamanho vacilo!

    A mula sem cabeça

    O que acontece? Mais de 20.000 pessoas, mais de 5.000 carros. Nenhum policial de trânsito. Nenhum agente de trânsito. Na saída, vi automóveis passando sobre canteiros de avenidas, vi carros rodando sobre flores, vi veículos entrando à "esquerda proibida". Vi de tudo em termos de infração de trânsito, só não vi policial ou agente de trânsito. Ninguém pra orientar a saída de tanta gente e tanto carro do estádio. De carona com o Paulo Fernando da Silva, que havia alugado um carro, levamos 45 minutos pra fazer 1,5km.

    O espantado Edivaldo Cardoso de Paula, homem que o "governador" Carlinhos Cachoeira mantinha no Detran-GO até meses atrás

    O que acontece? Depois da terceira vez em que se pergunta a mesma coisa, todos são unânimes. Motoristas de táxi, porteiros de hotel, garçons de bar e restaurante, donos de banca de jornal, atendentes de farmácia. Todos, sem exceção, dão uma olhadinha pros lados, certificam-se que ninguém está vendo e falam baixinho "Cachoeira é quem manda!" Não sabia, mas soube agora que Carlinhos Cachoeira é - de fato - o governador de Goiás há muito tempo. Manda na polícia, na construção civil, no Detran, na saúde pública, na coleta do lixo, no "tapa-buracos", nas habitações populares, no zoneamento urbano e nas construtoras de edifícios que são "de mais de quarenta andares pra tentar enxergar Brasília à noite". Como disse um garçom "aqui todo mundo sabe que o Marconi é 'pau mandado' do Dr. Carlinhos".

    A primeira dama Andressa Mendonça e seu "marido" Dr. Carlinhos Cachoeira, o real governador de Goiás

    O que acontece? A cidade já tem quase um milhão e meio de habitantes, mas "treinamento de pessoal" é coisa que passou longe. Os garçons demoram, o vinho é aberto depois que o prato principal chega à mesa, o recepcionista do hotel "três quase quatro estrelas" (onde a seleção brasileira fica hospedada a partir deste domingo) nem oferece carregador de malas. Parece que quase ninguém na cidade conhece as palavras "bom dia", "boa tarde", "boa noite", "por favor" e "muito obrigado"! A moça da Laselva (no aeroporto) cobra o jornal e da o troco sem olhar pra você, mas fica o tempo todo ao telefone fofocando com a  amiga. E o aeroporto? Pagar R$ 16,95 de taxa de embarque naquele cubículo? Em Goiânia a Infraero devia pagar pra quem usa o aeroporto. Banheiros minúsculos e imundos (tive o desprazer de conhecer as baratas goianas), ar condicionado insuficiente, bancos em número inferior a menos da metade da metade dos passageiros. Uma vergonha!

    O vergonhoso, apertado e imundo aeroporto de Goiânia

    Me desculpem os goianos! Mas fico feliz em saber que Goiânia não foi escolhida pra ser sede da Copa do Mundo. Nem vou falar que - depois de bater em alguns dos nossos torcedores (como se duas centenas fossem agredir dezenas de milhares) - por "medo de confusão" a polícia pediu pra torcida visitante sair vinte minutos antes do final da partida. Eu e vários torcedores que estavam com esposa e filhos nos negamos e não saímos. Mas vou falar que Goiânia não cuida de quem chega ao aeroporto, não cuida da segurança dos visitantes, não cuida dos próprios motoristas locais, não cuida dos buracos, não cuida do treinamento de pessoal,  não cuida de nada - nem do lixo!!!

    O domingo sujo dos habitantes de Goiânia

    De positivo, nada? Sim! De positivo a certeza que eu (com mais de 100kgs) sou mais magro que a maioria dos policiais que vi (e vi centenas) em Goiânia. De positivo a garra dos jogadores do Atlético, que - mesmo perdendo - honraram a camisa rubro-negra; no calor e na baixa umidade, correram e jogaram muito mais que o time local. De positivo, o serviço, a qualidade, o ambiente e até o site do Bar Gloria (assim mesmo, sem acentuação; clique aí e veja). O Eduardo Perin gentilmente me levou lá, me apresentou o lugar (e pagou a conta!!!). E eu gostei! Tomamos vários "chopp", comemos bolinhos de bacalhau e de mandioca com carne seca; de prato principal um arroz com carne de sol maravilhoso. E pensar que faz anos que eu não frequentava bares. Mas fui. E gostei! E gostei muito! Inclusive do sambinha ao vivo, no volume certo!

    Bar Gloria, em Goiânia, um gostoso ambiente com samba no volume certo

    E o Furacão? Continuo confiante, basta jogar pra ganhar! Nunca pra empatar ou perder! "Podemos até perder, pero venimos a ganar!", já dizia o meu amigo, o filósofo do "Bife Sujo"!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h39
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    Sábado, um jogo nervoso!

    Sábado, quatro da tarde, Serra Dourada, Goiânia. Muito calor, campo grande, baixa umidade. Mas quem quer voltar à primeira divisão não pode escolher clima, tempo e temperatura. Nem tamanho do gramado. Em campo, estarão o Goiás - líder do segundo turno (13) - e o Atlético, vice-lider (11). Será o jogo do melhor ataque do returno (Atlético fez 14 gols em cinco jogos) contra a melhor defesa desta fase (Goiás sofreu apenas um gol em cinco partidas). Sem dúvida nenhuma, um grande jogo!

    Serra Dourada, o palco do espetáculo

    Goiânia é uma cidade nova e moderna. Fará 79 anos no próximo dia 24 de outubro. Bem planejada, arborizada e limpa, a capital de Goiás - com seus parques e lagos - lembra muito Curitiba. Tem pouco mais de 1.320.000 habitantes (décima-segunda maior cidade do país) e é a terra de gente do gabarito de Carlinhos Cachoeira, Demóstenes Torres e Marconi Perillo, dentre outros menos famosos. De clima quente e seco, típico do cerrado, nunca foi nem é agradável para alguém que mora na altitude da serra do mar paranaense. Mas é lá que estaremos para buscar mais pontos nesta caminhada rumo à Séria A.

    A bela capital de Goiás

    O jogo que será difícil, disputado, tenso e nervoso, terá no apito aquele galã carioca. Trinta e sete anos, ídolo das mulheres que gostam de futebol, ele certamente atuará com o rigor que lhe é peculiar. Cirurgião-dentista, tecnicamente bom e fisicamente preparado, ele pertence ao Quadro de Árbitros da FIFA desde 2010. Péricles Bassols Pegado Cortez, sorridente fora de campo e carrancudo dentro dele, me parece ser o árbitro certo para esta partida.

    O dentista e galã que anda com o apito entre os dentes

    Para contrapor, a Anielly prometeu me apanhar no aeroporto e me ciceronear pela cidade. Disse que durante o passeio vai me mostrar tudo, principalmente os pontos turísticos da cidade. Nascida em Rio Verde, Anielly Campos foi Miss Goiás em  2009 e atualmente é  a musa do Goiás Esporte Clube. Bonita, simpática e inteligente, Anielly representa muito bem a beleza da mulher goiana. Alta (1,78), olhos verdes, 21 anos, ela será excelente companhia pelas ruas e bosques de Goiânia. Aliás, definitivamente, o Brasil é mesmo um país de mulheres lindíssimas!

    Anielly Campos não estará no banco de reservas neste sábado

    No banco de reservas, comandando o Furacão, estará o outro membro da família Campos. Tião (Ricardo Drubscky) de Campos, deverá levar a jogo o que tem de melhor, à exceção de Manoel, ainda em tratamento. Todos nós esperamos um time aguerrido, forte, determinado. Que esteja disposto a vencer e que saiba jogar sem dar espaços ao Goiás. Como me dizia o filósofo do "Bife Sujo" (aquele bar-restaurante que na segunda metade dos anos 1970 ficava onde a Vicente Machado ainda se chama Cândido Lopes - e que depois mudou para a Saldanha Marinho), "en la cancha de Ríver jugamos por una bola". E ele falava assim mesmo, utilizava a palavra "bola", nunca usando pelota. Quinze anos depois, Felipão veio treinar o coxa, ouviu a frase do argentino e saiu dizendo que tinha inventado o "jogamos por uma bola".

    O filósofo do "Bife Sujo" só bebia coca-cola com fernet

    Tenho acompanhado nos últimos dias o entusiasmo e a alegria de todos pelos gols de Marcelo. Quero lembrar aqui a frase daquele senhor de Paranaguá: "a boca que xinga é a mesma que beija".  Quero lembrar, especialmente, do quanto vaiaram esse rapaz ao final da partida contra o Vitória. Naquela tarde de sábado, ele perdeu dois "gols feitos". A imprensa "pegou no pé" e grande parte da torcida "caiu de pau". Passaram a semana criticando-o. Pois eu, falando sobre o jogo, naquele dia escrevi no blog sob o título Marcelo, um grande jogador!. Vale a pena reler!

    Marcelo (20 anos), sua velocidade e seus dribles

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 01h10
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    Os nossos campeões mundias!

    O Atlético é o único clube do Paraná onde atuaram jogadores campeões mundiais de futebol. Os mais jovens lembram de Kléberson, campeão mundial em 2002, na Copa da Coréia e Japão. Antes dele, porém, jogaram no Furacão os campeões mundiais Bellini (1968 e 1969) e Djalma Santos (1968, 1969, 1970 e 1971). Ambos foram campeões nas Copas da Suécia (1958) e Chile (1962). Mas há um outro campeão mundial que jogou no rubro-negro paranaense e de quem quase ninguém lembra. Ele foi campeão mundial na Copa do México, em 1970. E foi o zagueiro titular. Seu nome é Hércules Brito Ruas. Sim, ele mesmo, o zagueiro Brito.

    A seleção que entrou em campo na decisão da Copa de 1970, 4x1 contra a Itália

    Em pé: Carlos Alberto, Félix, Wilson Piazza, , Brito, Clodoaldo e Everaldo

    Agachados: Jairzinho, Gérson, Tostão, Pelé e Rivelino

    Brito nasceu no dia 9 de agosto de 1939, na cidade do Rio de Janeiro. Iniciou a carreira no seu clube do coração, o Vasco da Gama (onde jogou por dez anos), mas defendeu também Internacional, Flamengo, Cruzeiro, Botafogo, Corinthians e Atlético Paranaense. Foi considerado, pela imprensa internacional, o melhor jogador da Copa do México. Era o único zagueiro da Seleção Brasileira. Seu companheiro de zaga era Wilson Piazza, volante que foi improvisado como quarto-zagueiro. Brito, no ano seguinte à conquista da Copa do Mundo, em 1971 foi protagonista de um lance que o marcou definitivamente, quando acertou um soco no árbitro José Aldo Pereira. No auge da carreira, teve que cumprir suspensão por um ano.

    O centroavante Roberto segura Brito, que queria bater mais no Zé Aldo

    Em 1975 Brito jogou no Furacão, disputando o campeonato paranaense e o campeonato brasileiro. Quase ninguém tem recordações de Brito no Atlético. Pesquisei muito, procurei bastante, não encontrei nenhuma foto da passagem de Brito pelo Clube Atlético Paranaense. Fui a um colecionar da Revista Placar - na época era semanal e lida por milhões de brasileiros - e nela encontrei um poster do time de 1970.

    Em pé: Oliveira, (?), Alfredo Gottardi, Brito, Altevir e Ladinho

    Agachados: Buião, Sicupira, Caio, Didi Duarte e Bira Lopes.

    Os nossos quatro campeões mundias ainda vivem. Penso que o Atlético deveria reuní-los e prestar uma grande homenagem. Hideraldo Luiz Bellini (82 anos), Dejalma dos Santos (83 anos), Hércules Brito Ruas (73 anos) e José Kléberson Pereira (33 anos) engrandecem a história do Clube Atlético Paranaense.

    A eles, a nossa eterna gratidão e respeito!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 01h31
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    O Furacão voltou!

    Depois de três meses, voltamos ao G4! Sim, o Atlético já esteve no grupo dos que serão promovidos à primeira divisão. Nas quatro primeiras rodadas estivemos entre os primeiros quatro. E, na quinta, perdemos para o CRB, lá em Maceió, no último jogo do uruguayo. Nossos últimos três meses foram de time pequeno. Time que, estando na segunda, faz campanha apenas para ficar na segunda. Mas, estamos de volta. E estamos invictos há nove jogos (sete vitórias e dois empates). Este é o saldo do professor Tião (Ricardo Drubscky) de Campos. Que veio pra ficar. Neste campeonato, não sai mais!

    Tião de Campos, esse é o cara!

    Como já escrevi aqui, depois do café da manhã de sábado, em Barueri, saí de ônibus para o aeroporto de Viracopos, em Campinas. De lá, fui no turbo-hélice da Azul para Cascavel. De Cascavel a Toledo, de carro. Passei o final de semana em família. Ontem, eu e duas das minhas irmãs fomos com minha mãe a Puerto Iguazu. Era o aniversário dela (83 anos) e ela queria comer bife de chorizo na Argentina. O nosso restaurante preferido, o La Rueda, estava fechado, era o dia da emancipação municipal. Fomos ao AQVA Restaurant e, lá, muito bem atendidos pelo mozo (garçon) Andrés. Carne tenra, acompanhada de batatas fritas, mandioca e purê de batatas, um malbec Saint Felicien.

    O bife de chorizo (contra-filé) argentino

    A terça-feira começou cedo. Muito cedo. Em Foz do Iguaçu, tive que acordar as quatro da madrugada, fazer uma ducha, tomar um "café em pé", pegar um táxi e correr pro aeroporto. O voo da Azul saía as 05h45. As seis e meia da matina pousamos no Afonso Pena, em Curitiba. As sete e meia eu já estava em casa. E aí fui descansar para o grande jogo contra o alagoano CRB  - Clube de Regatas Brasil. Ao meio-dia saí para o almoço de todas as terças. Eu e meus amigos (Paulo da Costa, empresário; Pedro Leão, professor universitário; Narciso Ferreira de Souza, motorista; e, Manoel Caetano Ferreira Filho, advogado e professor universitário) almoçamos há alguns anos, todas as terças-feiras, na Churrascaria do Darci, na Rua Albano Reis, Bom Retiro. É uma dessas poucas churrascarias tipicamente curitibanas que sobreviveram. Eu sou cliente dela desde 1976, quando cheguei a Curitiba para estudar Direito. Lá, às terças, comemos carneiro assado na grelha e tomamos um bom tinto. Hoje, o vinho foi um Luigi Bosca, D.O.C., outro malbec argentino.

      Churrascaria do Darci, único lugar onde o "morto" sorri

    Dali, sem os nossos amigos Paulo da Costa (coxa-branca) e Pedro Leão (paranista, desde os tempos do Ferroviário), fomos ao Janguitão. O sol explodia de emoção e embelezava ainda mais a tarde enfeitada de vermelho e preto. Os jogos de terça à tarde, exatamente por serem em dia de trabalho, recebem uma torcida mais bonita. Muitas famílias, muitas crianças, muitas moças bonitas, muitas mães - e os pais que vem junto. Mulheres no estádio, mesmo em dia de chuva e arquibancada descoberta, dão sempre um ar de elegância à torcida. Os homens, especialmente os da minha geração, estão sempre preocupados com o sol. E para o jogo das três da tarde é preciso levar um kit. Óculos de sol, boné e protetor solar. Mas, com apetrechos de sobrevivência ou não, estávamos lá. Queríamos a vitória. Estávamos dispostos a incentivar. Ainda que o sol nos fizesse transpirar, molhar a camisa tanto quanto ou mais que os jogadores. Ali estávamos para torcer, gritar, berrar e comemorar. A cada gol, uma festa!

    A elegância da mulher atleticana

    A primeira meia hora foi tensa. O time entrou bem, jogando com firmeza e determinação, raça e vontade, mas errava muito. Pelo menos duas chances reais de gol foram perdidas, uma por Marcão e outra por Marcelo. Mas aos 34' João Paulo viu o Pedro Botelho e, com classe, deu um passe por cobertura. O "pernalonga" foi à linha de fundo e cruzou à meia altura, Elias de voleio fez 1x0. Cinco minutos mais tarde, o mesmo João Paulo descobriu Marcelo e deu a ele um passe açucarado. Foi só Marcelo "virar" e chutar em gol. 2x0!! No segundo tempo a zaga bobeou, eles diminuíram. Em seguida, aos 25', Elias deixou Marcelo na "cara do gol" e ele só teve o trabalho de tocar na saída do goleiro, 3x1!!! Elias saiu, entrou o maestro Paulo Baier. E, para a felicidade geral da nação atleticana, seis minutos depois, aos 38', ele fez uma linda tabela com Henrique e, com efeito, colocou a bola no cantinho direito do goleiro, 4x1!!!!

    Ontem o Atlético presenteou a mim e ao Paulo Fernando da Silva com bonequinhos do maestro

    Afora os 13 minutos de Paulo Baier, onde sempre há jogadas de alta plasticidade (toques refinados, "chapéus", chutes em curva, passes inteligentes), o melhor em campo foi aquele jogador que quase não aparece para a torcida. Na minha modesta opinião de torcedor, João Paulo é um show. Joga para o time, desarma bem, organiza com qualidade, tem visão de jogo e sabe armar o contra-ataque. João Paulo, o melhor do jogo!

    João Paulo, o Bugre de Beltrão, o nome do jogo

    A torcida está feliz! Apenas para lembrar, no dia 29 de agosto, após o empate contra o Joinville, escrevi aqui, sob o título Muita confusão e pouca matemática!, que - sem contar as duas últimas partidas (Criciúma fora e Paraná em casa) - poderíamos dividir as demais 16 em quatro grupos de quatro. E que, em cada grupo, deveríamos ganhar ao menos oito pontos (oito em cada 12). Pois nesta terça-feira completamos o primeiro grupo (Ipatinga, Boa, Barueri e CRB). E ganhamos 10 pontos! Se nos próximos três grupos ganharmos 24 pontos, antes das duas últimas partidas teremos 67. E ainda nos restarão seis pontos a serem disputados. O próximo grupo de quatro jogos será contra Goiás (sábado, lá), Ceará (no outro sábado, 22, aqui), Bragantino (sábado, 29, lá) e América-MG (terça, 02/10, aqui).

    Uma vez em casa, resolvi comemorar em alto estilo e com excelente vinho o retorno ao G4. Um malbec argentino Angélica Zapata, da Bodega Catena Zapata, safra 2007, 14,5% de álcool. Comemorei também a camisa e o caneco de louça que - juntamente com um boné e o bonequinho do maestro - ganhei hoje do Furacão. Agradeço publicamente a gentileza da jornalista Thaís Faccio que teve a idéia de nos presentear - a mim e ao Paulo Fernando da Silva - por estarmos indo a todas as partidas do Atlético.

    Dá-lhe, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 22h34
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    Um pontinho!

    É quase um estado de graça. Depois de mais de três meses e vinte e três rodadas, estamos pertinho, bem pertinho. Apenas um ponto, um pontinho, nos separa do G-4. E, se estamos a um degrau do quarto lugar, do primeiro estamos a dez. Como é bom sentir o cheiro da vitória. Ontem, lá em Barueri, quando entrei no salão do café da manhã, estavam o massagista e o treinador. Entrei e disse aos dois "Bom dia! Como é bom ganhar! E como é bom ganhar de goleada!" O massagista Zequinha, que me parece uma pessoa bem-humorada, sorriu. O treinador Tião (Ricardo Drubscky) de Campos, que na véspera me parecera um homem muito educado, respondeu: "É muito bom!" Ambos se despediram gentilmente e deixaram o salão antes de mim. E eu tomei o último gole do café-com-leite repetindo pra mim mesmo uma frase que Maíra - a minha filha mais velha - nunca entendeu: "Esse time só me da alegria!"


    O povo, já dizia em 1976 o filósofo do "Bife Sujo", se contenta com pouco. E se for atleticano (o filósofo era), se contenta com três vitórias. Atleticano sofre tanto, mas tanto, que se contenta em vencer o coxa. Esse mesmo filósofo dizia que "um dia a gente vai ganhar do Independiente", que na época era o maior vencedor da América. Nunca jogamos contra o Independiente, mas eu queria muito que ele estivesse vivo naquela noite de 27 de setembro de 2006. Ele comemoraria como um louco! O filósofo argentino de bar brasileiro era torcedor do Boca Júniors e detestava o River Plate. Ele teria vibrado muito com aquele gol do Marcos Aurélio, 1x0 contra os millionários em pleno Monumental de Nuñez (Sulamericana de 2006).


    Charge de Claudio Seto (falecido em 2008), publicada na "Tribuna do Paraná"

    Mas a nossa realidade é outra. É a segunda divisão. Demoramos para assimiliar. Hoje, entretanto, time, diretoria e torcida já sabem que somos de segunda. E sabem também que, mesmo de segunda, somos time grande. E exatamente por isso temos que disputar cada batalha como se fosse a última. E a torcida atleticano sabe aplaudir. Sabe aplaudir até mesmo quando perde, desde que os jogadores demonstrem disposição de luta, demonstrem garra, demonstrem espírito de vencedor. Nós viemos pra vencer! Podemos até perder. Mas jamais viemos pra perder!

    Foto de Gustavo Oliveira / Site Oficial

    Na terça-feira estaremos lá no Barigui. Mesmo as três da tarde e em dia de expediente, seremos mais de seis mil. A massa rubro-negra está confiante, acredita na equipe e vai ajudar a levar o time ao grupo dos que se classificam. Se tudo der certo, iremos para Goiânia já no G-4. Antes, porém, temos que ganhar do CRB. E temos que respeitar o CRB, que no primeiro turno nos deu uma surra doída (aqueles 2x0 em Maceió). Respeitar, sem perder o controle da situação. Aliás, mais agora do que nunca, para um atleticano vale a máxima de Milton Nascimento.

    Mas é preciso ter força
    É preciso ter raça
    É preciso ter gana, sempre!

    Escrevo essa mensagem em Toledo, aqui pertinho do Paraguay e da Argentina, onde vim para festejar os 83 anos da minha mãe, Silla Schroeder. Aqui - no inverno de 32 graus -, festejamos a vida, reencontramos familiares, bebemos o espumante. Aliás, bebemos um dos espumantes que os parentes argentinos da Bodega Família Schroeder, produzem lá em Neuquém, na região da Patagônia.


    Por fim, aponto o site oficial para vocês assistirem a reportagem, na qual fui incluído, onde se fala da campanha Eu te sigo em toda a parte. Dá-lhe, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h15
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    Um Furacão em Barueri!

    Golear é muito bom! Pode ser contra o primeiro ou contra o último colocado. É de lavar a alma ver o ataque fazer seis gols numa só partida. Em 22 partidas tinhamos apenas 27 gols. Agora, em 23, são 33 gols. Depois da partida de Ipatinga, na sexta passada, e do primeiro tempo contra o Boa, na terça-feira, é muito bom ver o time entrar em campo com vontade, com firmeza, com disposição para a luta. Não me interessa se o adversário é o lanterninha da competição. Não me interessa se o adversário é sério candidato a ser rebaixado para a terceira divisão. O que me interessa é ver o time jogando com raça, comemorando cada gol com muita alegria, atuando com brilho nos olhos. Esse é o Atlético que queremos ver. É desse Atlético que o povo gosta! Um Atlético com vontade de vencer!

    Atlético-PR vence o Barueri fora (Foto: Gustavo Oliveira/Site oficial do Atlético-PR)

    O time que começou jogando, mais Rubinho Rocha (Foto de Gustavo Oliveira/Site oficial do Atlético-PR)

    A noite começou boa. Pela segunda vez - e pela segunda vez coincidentemente - fiquei no mesmo hotel em que hospedou-se a delegação rubro-negra. Desta vez no Bourbon Alphaville. Assim que cheguei no hotel a jornalista Thaís Faccio, funcionária do clube, que na véspera havia me telefonado, me procurou acompanhada do cinegrafista Lucas. Comigo fez uma matéria para o site oficial do clube. Durante a conversa conheci um garotinho de 9 anos, Rubinho Rocha, que mora em São Paulo e é fanático pelo Atlético. Foi ele que, logo depois, entrou em campo com o time.

    O "mascote" Rubinho Rocha e a jornalista Thaís Faccio

    Em seguida (eu e meu amigo Paulo Fernando da Silva, que estava hospedado em Guarulhos e me deu carona até Barueri) fomos gentilmente convidados para jantar no mesmo refeitório em que estavam atletas e diretoria. O agradável convite serviu para conhecermos um pouco mais da intimidade dos jogadores nos momentos que antecedem uma partida de futebol. E também, obviamente, para descobrirmos que a comida servida aos atletas quase não tem sal.

    Fomos para o estádio seguindo o ônibus do Atlético, forma mais fácil de chegar à Arena Barueri sem errar o caminho. Foi bom, também, para ver como dois batedores da polícia de trânsito conduzem com extrema facilidade e rapidez o ônibus de uma delegação de futebol, passando por avenidas movimentadas e também pela Rodovia Castelo Branco. O estádio é localizado num bairro popular, mas com uma ampla avenida à sua porta, muito bem iluminada e com muitas vagas para estacionar. O ingresso custava R$ 10,00 para a torcida visitante e R$ 5,00 para os locais. Banheiros limpíssimos, estádio moderno, torcida visitante em cadeiras (sujas) e cobertas. De todos os estádios em que o Atlético jogou neste campeonato, sem nenhuma dúvida o melhor!

    Paulo Fernando da Silva, que assistiu a todos os jogos do Furacão nesta Série B

    O público foi de 1.157 pagantes (a média é de 977), dentre eles quase 400 atleticanos. Dois ônibus da Fanáticos, muitas famílias de Curitiba, atleticanos de São Paulo e municípios vizinhos. E a torcida atleticana fez barulho desde antes de os times entrarem em campo. E, como o primeiro gol (Henrique) foi logo no minuto inicial, a torcida rubro-negra não parou nem cansou de incentivar o time até o final do jogo, quase meia-noite.

    Uma bonita família atleticana que mora em São Paulo

    O jogo teve vários destaques. Marcão fez dois gols, Marcelo fez mais um. Os dois agora têm cinco gols no campeonato, mesmo número do maestro Paulo Baier. Elias e Pedro Botelho marcaram de novo. E Henrique fez seu primeiro gol com a camisa do Furacão. Mas certamente esta foi a primeira grande atuação de Elias. Enquanto teve fôlego, foi brilhante. E todos os gols saíram enquanto ele esteve em campo. Além de marcar um, participou diretamente dos gols de Marcelo e Pedro Botelho.

    Elias, Barueri x Atlético-PR (Foto: Marcos Bezerra / Agência Estado)

    Elias, o destaque do jogo, em foto de Marcos Bezerra, da Agência Estado

    Jogo encerrado, alma lavada, o Paulo me deixou no hotel e seguiu para Guarulhos. Não era hora de tomar vinho, mas eu não poderia deixar de comemorar a vitória. Como sempre, um vinho. E pedi a menor garrafa que havia. Me trouxeram ao apartamento um quarto de garrafa (187ml) do tinto nacional Fausto, um cabernet sauvignon da Vinícola Pizzato, de Bento Gonçalves. O vinho tem esse nome porque as uvas são produzidas na localidade de Dr. Fausto de Castro, em Dois Lajeados, na Serra Gaúcha. A safra é 2009 e tem teor alcoolico de 13%.

    Para a maior goleada, o menor vinho

    Terça, as três da tarde, todos no Janguito Malucelli para o jogo contra o CRB - Clube de Regatas Brasil!

    Vamos subir, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 02h45
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    Na rica Barueri, a noite da independência!

    Barueri é um município da Grande São Paulo (distante a apenas 26km da Praça da Sé) e tem pouco mais de 270.000 habitantes. Há menos de quarenta anos era apenas uma pequena cidade da região metropolitana da capital paulista. Mas, em 1973, uma área rural de 500 hectares - a Fazenda Tamboré - foi loteada e se transformou no mais famoso condomínio residencial do pais, o Alphaville. Com uma concepção moderna e voltada para a manutenção da qualidade de vida, ainda que próximo da maior cidade brasileira, Alphaville é o bairro que tem uma das populações com maior renda per capita do país.

    Tamboré

    Alphaville, o bairro que mais gera imposto predial no país

    Com o bairro residencial várias indústrias se instalaram no município. Mas, mais do que as indústrias, para lá foram escritórios centrais de várias corporações industriais, comerciais e financeiras - o que fez de Barueri a 14ª cidade mais rica do Brasil. Seu produto interno bruto (PIB) é superior a R$ 27.000.000.000,00 (isso mesmo, mais de 27 bilhões), que a coloca num patamar mais elevado que 18 capitais estaduais e grandes cidades do interior do país. É nesta cidade que o Furacão jogará nesta sexta-feira.

    http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/2a/Panoramica_Alphaville.jpg/800px-Panoramica_Alphaville.jpg

    O aldeamento indígena do (rio) Barueri, fundado em 11/11/1560 pelo padre José de Anchieta, resultou nesta cidade

    E sexta-feira é feriado de 7 de setembro. Se é feriado - e o dia seguinte é sabado - por que marcar um jogo para as "dez pras dez" da noite? Por que não à tarde? Por que não no sábado à tarde? Por que não no domingo? O jogo acaba quase meia noite. Quando se joga nesse horário é muito comum os torcedores deixarem o estádio já no dia seguinte. Depois tem o tempo de espera para o transporte, o tempo de viagem até o local da residência. Quem vai a um jogo nesse horário, por mais que resida perto do estádio, nunca dorme antes de uma da manhã. Realmente, público é apenas um detalhe. Para os dirigentes (que vendem) e para a Rede Globo (que compra), o que interessa são os negócios, os "direitos de transmissão". E os clubes, cada vez mais "quebrados" ou falidos, são reféns da poderosa empresa de comunicação. E ela marca o jogo e o horário de acordo com seus interesses.

    A média de público do Barueri, nesta Série B, é de 977 torcedores.

    O time do Barueri está na lanterna do campeonato. Fez investimentos em jogadores caros, casos de Marcelinho Paraíba, Ronaldo Angelim e o irrecuperável Jobson. Destes, apenas o paraibano continua no time. Apesar do investimento, o Barueri não consegue sair da zona de rebaixamento. Tem o menor número de vitórias (3), menor número de pontos (13), o maior número de derrotas (15), o pior ataque (17), a segunda pior defesa (40). É contra esse time que o Atlético jogará nesta sexta-feira uma cartada decisiva.

    A musa do Barueri

    Que o Atlético não repita a atuação de Ipatinga nem a do primeiro tempo contra o Boa. Que não haja invenções nem escalação de volantes em demasia. Que os jogadores entrem em campo com vontade e determinação. Que seja a grande partida fora de casa e que ela traga de volta a nossa identidade. A identidade de um time vencedor, de um time respeitado, de um time grande. Que neste Sete de Setembro, nossos jogadores gritem a vitória!

    O maringaense Marcelo, quatro gols nessa Série B

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 07h43
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    É sempre bom voltar pra casa!

    Enfim, voltamos! Estamos em casa. Uma casa emprestada, é verdade. Mas é nossa! Casa alugada, também vale. E casa alugada, reformada, com cheiro de nova, é melhor ainda. Mesmo num dia feio e nublado, a casa estava bonita, colorida. Antes das três da tarde, em plena terça-feira de trabalho, com chuva e frio, mais de três mil pessoas já estavam a postos. Há vontade de Atlético, uma sede de Furacão, um desejo de ver o time crescer na competição. Os times se perfilaram para o hino. E não foi de frente para o público. Como gosta a Rede Globo, os times ficaram de frente para as suas câmeras. Afinal, pra eles e para os que vendem os direitos de transmissão, o público é apenas um detalhe. Mas, mesmo tendo os jogadores de costas para nós, cantamos o hino e nos preparamos para mais uma difícil partida da segunda divisão. Difícil em todos os seus aspectos. O estádio é simpático, mas acanhado; o jogo é  numa terça à tarde; a qualidade técnica da segundona é de entristecer.

    Mais uma vez o time começou apático, sem garra, às vezes desorganizado. Parecia que o comportamento de Ipatinga seria repetido. Parecia, mesmo, que os jogadores tinham comido a salada de cenoura com beterraba, de Itapinga. Lá, na sexta-feira, quando chegamos para jantar, havia no buffet uma salada rubro-negra, da qual os jogadores haviam comido instantes antes. Teria sido ela (a salada) a culpada pela vergonhosa partida no Vale do Aço?

    E não demorou para a zaga bobear. Numa falha infantil do zagueiro Naldo, a bola sobrou para o atacante do time de Varginha. Ele não bobeou. 1x0! E aí piorou. O time não se acertava em campo. Atabalhoado, tenso, nervoso. Assim estava o time, assim ficou a torcida. Jogadores não se entendiam dentro de campo. Torcedores não se acertavam com os jogadores. Entrou Marcelo, antes da primeira meia-hora. O time ficou um pouco menos lento, melhorou um pouco. Mas continuava desacertado, tocando mal a bola, não mostrando criatividade, errando passes. Em vez de a cidade olhar pro time, o time é que olhava pra ela. Veio o intervalo. Veio o sorveteiro. Veio o medo de perder mais pontos em casa. Enquanto os jogadores levavam uma "chuveirada" do professor Tião de Campos, nós nos deslumbrávamos com a bela visão que nos proporciona o Ecoestádio. Lado direito o Champagnat bem arborizado com os prédios do Bigorrilho ao fundo. De frente, o Barigui, seus bosques e seus lagos. À esquerda, o bosque do próprio estádio.

    E no segundo tempo, com a entrada do veterano e sempre comandante Paulo Baier, as coisas mudaram. O gaúcho entrou e foi logo dizendo a que veio. Em primeiro lugar, foi ao goleiro Weverton e pediu a faixa de capitão. É preciso ter moral pra fazer isso. E ele provou que tem. Em campo, organizou a equipe, comandou o meio campo, mais uma vez foi o maestro do time. Em duas jogadas saídas dos seus pés, dois gols de Marcelo (aquele que no meu time jogaria sempre, só pra endoidecer a defesa adversária). Na primeira, logo aos seis minutos, Baier descobriu o "pernalonga" Pedro Botelho, que foi à linha de fundo e cruzou rasteiro para trás. Marcão, inteligentemente, fez uma espécie de "corta-luz" (se agarrando com um zagueiro) e Marcelo entrou para empatar o jogo.  Doze minutos mais tarde, Baier cobrou uma falta com efeito, a bola caiu antes de chegar ao goleiro, este rebateu. Marcelo aproveitou e estufou as redes, 2x1! E foi o suficiente. Jogo sofrido, suado, batalhado. O que o time não produziu no primeiro tempo, correu e lutou de sobra no segundo. Nem vou falar da substituição do intervalo. Tinha que entrar, sim, Paulo Baier. Mas eu não entendi nem quero entender a razão da saída de João Paulo. Deveria ter saído Henrique ou até mesmo o Deivid. Afinal, João Paulo tem maior visão de jogo e um passe de qualidade. A substituição, na minha modesta opinião de torcedor, foi errada. Mas acabou dando certo e o time venceu. E isso ficou registrado no placar.

    De positivo, ainda, a faixa pedindo ao eleitor que jogue limpo e não venda o seu voto. Aliás, como era de se esperar, os candidatos - especialmente a vereador - aproveitaram o público para fazer panfletagem e propaganda. E não foram apenas os dois ex-jogadores, ambos ídolos da torcida rubro-negra (Paulo Rink e Ricardo Pinto). Muitos outros candidatos desfilaram pelas arquibancadas, pediram voto, distribuíram propaganda. Não tenho nada contra. Ao contrário! Viva a democracia! E, chegando em casa, abri o vinho. Vou tomar daqui a pouco. Para comemorar o retorno a Curitiba e mais três pontos, nada melhor que um bom tinto argentino. Hoje um D.V.Catena, malbec-malbec, safra 2005, 13,5% de álcool, produzido pela excelente Bodega Catena Zapata, de Mendoza. Que venham novos jogos, novas vitórias, novos três pontos. Que venha o G-4! Que venham muitos bons vinhos!

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 20h16
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    Os inventos, aos cientistas!

    O torcedor é uma eterna fênix. Se for atleticano, já nasce fênix! E fênix não morre, renasce!. Na madrugada de sábado, lá em Ipatinga, se eu encontrasse o "professor" ou algum dos "alunos" certamente teria dito umas "muitas e ruins". Por isso mesmo fomos logo para o hotel - não sem antes quase "arrancar" o para-choque (que foi estacionado sobre o meio-fio) e errar o caminho. E, uma vez no hotel, antes que chegasse a delegação, tratamos de subir logo para o quarto. É melhor escrever sob emoção do que "brigar" sob emoção. Como diz aquele senhor de Paranaguá, "a boca que beija é a mesma que xinga".

    Amanhã, terça-feira, dia de trabalho, as 15h00, estaremos todos lá. Ou quase todos. Os que podem. Diz a metereologia que pode chover. Não tem cobertura no "Ecoestádio". Levarei um impermeável e um chapéu. Mas estarei lá. Mais uma vez. Apoiando quem tanto tem me decepcionado. É que (como mais de um milhão) sou um apaixonado. E, sendo apaixonado, sempre acredito. Agora, para evitar uma nova morte, há uma passarela. É possível deixar o carro no estacionamento do Parque Barigui e atravessar a BR-277 sem medo de ser atropelado.

    Com a ida a Ipatinga, já completei 23.637km em busca da classificação. Nesses vinte e um jogos gastei R$ 5.808,89, dos quais R$ 608,04 na última viagem - hotel (116,00), jantar (45,00), gasolina (106,00), ingresso (10,00) e passagem (331,04 em 6 vezes). Mas, nada como voltar a Curitiba. E nada como voltar a jogar em casa. Será nossa segunda partida em Curitiba como mandante. A primeira foi contra o Barueri, quando jogamos no Durival de Brito e Silva, há mais de três meses, no dia 1º de junho. Naquela noite fria, ganhamos de 3x0. Dois de Paulo Baier, um de Fernandão.

    Paulo Baier, braços levantados, comemora seu primeiro gol contra o Barueri

    Amanhã, sentarei nas cadeiras do Barigui, com cheiro de terra e grama. De certa maneira isso me lembra a infância. Naquela época, lá em Toledo, todos os "campos" tinham cheiro de terra e grama. E a nossa turma, para ganhar, não tinha medo de se sujar na terra vermelha. Se preciso fosse, comíamos grama! Mas lutávamos até o último minuto. Não fazíamos "corpo mole" nem usávamos salto alto. Até pés descalços jogávamos! E eu espero que o estádio ajude o time a recuperar sua dignidade. Que haja raça! E que o Atlético corra do primeiro ao último segundo.

    O (Janguitão) Janguito Malucelli está de cara nova. Cheio de tubos e canos. Espero que, nesta terça-feira, esse emaranhado de ferro seja a conexão para a retomada das vitórias, rumo ao G-4!. E que sejam os nossos adversários os únicos a entrarem pelos canos. Espero, sinceramente, que Tião (Ricardo Drubscky) de Campos não invente! Futebol sempre foi coisa simples. Que o professor deixe os inventos para os grandes cientistas! Faça apenas o "feijão com arroz"! Não complique!

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h31
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    Uma vergonha!

    Sou um atleticano de quase cinco décadas. Vivi momentos difíceis. Vi momentos de extrema pobreza futebolística. Passei por épocas em que o clube não tinha dinheiro para sequer comprar meias novas para jogadores campeões do mundo, caso de Djalma Santos. Sou de um tempo em que, por falta de orçamento, os jogadores ficavam em hotéis que nem sempre tinha chuveiro em todos os quartos. Estamos aqui no San Diego Suítes Ipatinga, um hotel de excelente padrão, dos melhores de Minas Gerais.

     

    Além de mim e minha mulher, também estão hospedados aqui o André Ricardo Guenzen e o Paulo Fernando da Silva. Todos viemos de Curitiba, às nossas custas, sem nenhum patrocínio, fazendo sacrifícios de natureza pessoal, tudo por amor ao Clube Atlético Paranaense. Neste mesmo hotel está hospedada a delegação atleticana. Aqui, em ótimas instalações estão jogadores que recebem salário em dia. Salários, aliás, bem acima da média dos pagos aos melhores e mais importantes executivos do país.


    Neste momento são 01h10m da madrugada de sábado, 1º de setembro de 2012. Há menos de uma hora chegamos do estádio. O André está emocionalmente abalado, triste, chateado com a atuação do time. O Paulo está extremamente desapontado, frustrado com o desempenho do time e a escalação que foi a campo.  Eu, em mais de 45 anos como torcedor, nunca havia ficado tão decepcionado e irritado com os jogadores como fiquei na noite desta sexta-feira. Para não usar outro qualificativo, considero rídiculo o comportamento do Atlético no empate de 1x1 contra o Ipatinga.


    Não vou discutir a escalação do Tião de Campos. O time que o professor mandou a campo estava totalmente desfigurado, descaracterizado, acovardado - longe, muito longe, das tradições da nossa camisa e da história do nosso clube. Não era nem a sombra do Furacão das últimas partidas. Nem mesmo era uma ventania. Sequer parecia uma brisa. Uma vergonha! O time - que tem jogadores do nível técnico de Paulo Baier, Ligüera e Elias - entrou em campo com quatro zagueiros, três volantes (Deivid, João Paulo e Zezinho), dois meia-atacantes (Henrique e Felipe), um atacante (Marcão).

     

    Não venham me dizer que Zezinho era meia de ligação ou meia-armador. Jogou com a camisa 10, mas não passou de mais um volante. Mais um para superlotar o meio-de-campo e não criar nada. Aliás, Zezinho nem sabia qual era a sua função. Entramos em campo, pois, para nos defendermos. Nos defendermos de quem? Do Ipatinga, um dos piores times da Segunda Divisão.


    Triste! Muito triste ver a camisa do Atlético vestindo um time sem coração, sem alma, sem espírito de luta. Um grupo de jogadores - salvo raríssimas exceções - sem vontade de vencer, sem disposição para lutar, sem ânimo para enfrentar mais um desafio. Uma equipe que mostrou jogadores sem brio, sem vigor, sem raça. Com esse tipo de comportamento, não chegaremos ao G-4. Ao final do campeonato, a continuar assim, não estaremos no grupo de acesso. A persistir esse baixo nível de comprometimento, continuaremos "um time de segunda".


    Esses jogadores, tratados a pão-de-ló, precisam se reunir e decidir o que querem. Querem subir para a Primeira Divisão? Então joguem como homens, como seres humanos sérios e compromissados com o seu trabalho, com o seu ofício,  com a sua profissão. Se não gostam do que fazem, desistam! Se gostam, enfrentem cada partida como se fosse a última de suas vidas, cada jogada como se fosse a grande batalha, cada disputa de bola como se fosse o momento mais decisivo de uma guerra.


    Não precisam vestir a camisa rubro-negra com amor. Isso, nós torcedores, fazemos - com orgulho e sem receber nada em troca. Não precisam beijar escudo como se amassem o Furacão. Isso, nós torcedores, nem precisamos fazer para provar nossa paixão! Mas honrem a camisa do Clube Atlético Paranaense. Sejam dignos do que fazem e dos altos salários que recebem. Se falta qualidade técnica ou treinamento, que não faltem a garra e a determinação! Não precisam ser craques! Sejam, ao menos, profissionais!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 01h23
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    Ipatinga, dez pras dez!

    No início da noite desta quinta-feira viajo a Belo Horizonte. Voo direto, hora e meia de viagem. Amanhã à tarde, vamos de carro a Ipatinga. São pouco mais de 200km, mas a viagem leva quase quatro horas. Movimentadíssima - trânsito lento, caminhões em demasia, curvas em excesso e montanhas mil -, a rodovia passa por cidades de muito ferro e aço, como João Monlevade, Coronel Fabriciano e Timóteo. De todas elas, Ipatinga é a mais moderna, talvez a única que realmente tenha sido planejada. Jovem, apenas 48 anos de emancipação política, ja é a mais populosa, tem pouco mais de 240.000 habitantes. É lá que amanhã, sexta-feira, o Furacão enfrentará o Ipatinga.

    Ipatinga, em tupi significa "lago branco", através da junção dos termos upaba (lago) e ting (branco). Mas como os indígenas que viveram na região não eram tupis - e, sim, botocudos -, há quem diga que o nome da cidade foi uma idéia do engenheiro Pedro Nolasco. Teria ele, no início da história da cidade, juntado partes dos nomes de dois municípios vizinhos e bem mais antigos: Ipa (de Ipanema) e tinga (de Caratinga). Discussões à parte, o certo é que a região é conhecida pelas belas mulheres. E uma delas certamente nos recepcionará na cidade. É Thalita Andrade, que mora na cidade vizinha (Coronel Fabriciano), mas é a musa "botocuda" do time local.

    Como o jogo é tarde, no horário (de boate) determinado pela Globo (dez pras dez da noite), antes dele vale a pena conhecer a cidade. Arquitetonicamente urbanizada - com avenidas amplas e extensas, muito bem sinalizadas -, Ipatinga é arborizada e possui vários parques, todos eles próximos do centro da cidade. Ou, se preferir fazer compras e encontrar gente bonita, a opção é o moderno Shopping Center.

    O estádio municipal - que muda de nome conforme a composição política na Câmara de Veredores - já foi Epaminondas Mendes Brito (Ipatingão) e atualmente se chama João Lamego Netto (Lamegão). É considerada uma praça de esportes de alto padrão e é sempre muito elogiada pelos excelentes vestiários (com vários equipamentos, inclusive hidromassagem) e pela qualidade das cabines de rádio e televisão. Sua capacidade é de 27.500 torcedores. Mas, em 1996, num Atlético Mineiro x Cruzeiro, já recebeu 35 mil pessoas. Entretanto, depois que o time local caiu para a Série B, a média de pública é baixíssima. Neste campeonato não mais que 320 torcedores comparecem em média aos jogos do Ipatinga. Como o campo de jogo tem boas dimensões, excelente gramado e moderno sistema de drenagem, não haverá desculpa.

    Estádio Ipatingão - Foto: Sérgio Roberto

    Vamos, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 15h36
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    Muita confusão e pouca matemática!

    Um final de tarde chuvoso. Uma serra escorregadia. Um jogo fechado. Uma arbitragem confusa. Esperamos todos que tenha sido mesmo a última partida em Paranaguá. Não pela cidade. Não pelo seu povo. Mas, definitivamemnte, o Atlético não deu certo no litoral. Lá, em cinco partidas, perdemos 12 pontos (dois para Goiás, Bragantino e Joinville; e três para Vitória e São Caetano). É muito ponto perdido "em casa" para quem quer ser estar no G-4 ao final de 38 rodadas.

    O pão com bife estava razoável. Reclamei que estava "frio", a senhora que me atendeu foi gentil e pôs na chapa pra esquentar. Com um refrigerante, custou R$ 6,50. Enquanto eu "jantava" no bar que fica embaixo das arquibancadas, vi uma cena daquelas que só o futebol proporciona. Fui a todos os jogos em Paranaguá e  - em vários deles vi a torcida xingando e vaiando o nosso time. Num dos jogos até pensei que agrediriam os diretores presentes. Muitas vezes gritaram "Fora, Petráglia!". Me lembro que, ao final do jogo contra o São Caetano, conversei rapidamente com um atleticano parnanguara e - os dois - concordamos que essa mesma torcida que naquele dia queria "bater" no presidente, no final do mandato dele iria querer fazer uma estátua. Me lembro bem da frase do meu interlocutor: "A boca que xinga é a mesma que beija!" E ontem, Petráglia circulava sorridente em frente ao bar como um  torcedor qualquer, sendo cumprimentado por todos que passavam, abraçado por alguns. Bastaram quatro vitórias seguidas. Isso é o futebol. E sua paixão!

    O Furacão começou bem, partiu pra cima do Joinville, assustou defesa e goleiro, mas levou um gol na metade do primeiro tempo. E que gol! Um golaço! Quando eu disse isso, que tinha sido um belo gol do Joinville, o rapaz que estava sentado à minha direita falou: "Nosso goleiro falhou, foi na bola com uma mão só". O senhor da esquerda, reclamou: "A defesa falhou, ninguém marcou o cara". E eu já fiquei em dúvida. Foi um golaço? O goleiro falhou? Ou a defesa errou? Mas nem tive tempo de pensar muito. É que poucos minutos depois, pênalti! Bola cruzada na área, por Henrique, Deivid foi tocado nas costas, caiu feito um soldadinho de chumbo, o grandalhão da FIFA apontou a marca da cal. Elias cobrou, 1x1! Depois do empate um jogador do Joinville fez duas faltas seguidas, levou dois amarelos, recebeu o vermelho, um jogador a menos pra eles. E nada mais aconteceu de relevante no primeiro tempo.

    No segundo tempo, quando todos esperávamos que o time viesse do vestiário com um volante a menos, nada disso! O Atlético foi confuso, não soube explorar o fato de ter um jogador a mais. E, da mesma forma como fez contra o ASA, mostrou que tem dificuldades de enfrentar um time que joga fechado, na retranca, usando ferrolho na porta do gol. Faltou criatividade, faltou objetividade, faltou competência aos nossos atacantes, em especial faltou qualidade ao nosso centroavante. Já disse aqui, exatamente quando Marcelo perdeu dois gols contra o Vitória, que no meu time ele jogaria sempre. E que eu daria total liberdaade para ele correr, driblar, endoidecer a defesa adversária.

    http://www.atleticoparanaense.com/UserFiles/Image/CAP1x1JEC/Gus18_PRO_CAP_x_JEC_28-08-2012.jpg

    (foto publicada no site oficial do Clube Atético Paranaense)

    Enfim, não deu! Ficamos no 1x1. E quase o árbitro complica o jogo. Marcou um pênalti inexistente (a falta foi fora da área). Felizmente, alertado pela bandeirinha - que deve ter sido alertada pelo quarto árbitro, que por sua vez deve ter sido alertado por alguém que assistia pela televisão -, voltou atrás. E quase que o Joinville marca um gol na cobrança da falta (a bola chocou-se contra a trave direita). Perdemos mais dois pontos. Mas ainda estamos em sexto lugar, agora a três pontos da zona de classificação. Depois de amanhã, temos pela frente o Ipatinga, lá no Vale do Aço. Amanhã à noite viajo pras Minas Gerais.

    Já retirei a minha FACIT do baú, tirei o pó com o espanador, engraxei com óleo de máquina de costura, esfreguei as mãos, massageei os dedos e comecei. Passei a manhã inteira fazendo cálculos. Vi e revi mais de vinte vezes a tabela das próximas dezoito rodadas. Examinei todas as possibilidades. Me senti um "Oswald de Souza"! E cheguei ao seguinte resultado: faltam dezoito jogos, separei os dois últimos (contra Criciúma fora e Paraná em casa). Restaram dezesseis. Dividi esses dezesseis em quatro grupos. Quatro grupos de quatro partidas. Em cada grupo disputam-se 12 pontos, três por partida. Se em cada grupo de quatro jogos, ganharmos 8 dos 12 pontos, ao final das dezesseis partidas teremos mais 32 pontos. E, a duas rodadas antes do final do campeonato, estaremos então com 65 pontos (já temos 33 pontos, em vinte partidas realizadas). E essas duas últimas partidas (6 pontos) ficam de "reserva".

    Cálculos feitos, liguei pro Tião Melo. Ele, envergonhado, me respondeu que era difícil explicar isso para os jogadores. E indaguei a razão. A resposta foi curta: "Quase não entendem de matemática..." Pensei, cá comigo: se o professor não da conta, que se contrate uma professora! Ela, certamente, vai ensinar o que é "armar e efetuar"!

    Falando em matemática, ontem fiz mais 186km (até agora foram 21.217km) e gastei R$ 112,30 - R$ 78,00 de gasolina, R$ 6,50 de pão com bife e coca zero e R$ 27,80 de pedágio -, perfazendo um total de R$ 5.200,85.

    Vamos, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 12h44
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    A pobre crônica esportiva e a comemoração do gol

    É um assunto que normalmente causa polêmica. Se o jogador deve ou não comemorar gol, que faz contra seu ex-clube. É provável que a minha opinião desagrade a maioria dos que leem este blog. A minha visão do futebol é bem diferente daquela reproduzida diariamente pela mídia bem comportada e politicamente correta. Sou dos tempos em que os cronistas esportivos eram mais firmes, tinham opinião, eram corajosos. Sou dos tempos em que a mídia esportiva não "entrava" na folha salarial dos clubes, não recebia "agrados" dos diretores de clubes, nem recebia "bicho" quando o clube ganhava. E sou dos tempos em que o pessoal da imprensa esportiva era assalariada dos órgãos para os quais trabalhava, não para agências ou empresas de colegas mais "abonados" - estes que compram "horários" na programação das emissoras de rádio e televisão.

    Minhas referências jornalísticas no futebol são João Saldanha, Nelson Rodrigues, Armando Nogueira. Hoje há dois ou três jornalistas esportivos independentes: Juca Kfouri, Mauro Betting e o folclórico (mais folclórico que jornalista) Jorge Kajuru. Ninguém denuncia nada, ninguém investiga nada, ninguém tem opinião. Aliás, no Brasil de hoje poucos jornalistas têm opinião. Ou são a favor do governo ou são contra o governo. E isso não é ter opinião. Isso é falta de independência! Jornalista independente tem postura própria e sua opinião é respeitada por todos. Jornalista que tem "lado", já nasce torto.

    Me lembro do Augusto Mafuz - este mesmo que a massa atleticana não gosta. Mafuz, atleticano (sim!) dos mais fanáticos, foi repórter esportivo de rádio nos anos 1970/1980, quando era estudante de Direito e, logo depois, advogado recém-formado. Trabalhou em mais de uma emissora, quase sempre fazendo a cobertura do Furacão. Era um repórter incisivo, inquiridor, chato. Desagradável para o entrevistado. Ótimo para o ouvinte! Era daqueles que, ao final da partida, entrevistava o treinador, discutia o esquema tático usado, queria saber a razão da substituição, ia a fundo em todos os aspectos do jogo. Às vezes - com suas perguntas pertinentes - irritava tanto o entrevistado que este abandonava a entrevista, perdia as estribeiras ou o agredia.

    Telê Santana era paciente com os repórteres esportivos inteligentes

    Hoje, infelizmente, a maioria dos jornalistas esportivos nem entende de futebol. Fazem perguntas em que ao entrevistado cabe dizer "sim" ou "não". É frequente ouvirmos nas tais "coletivas" perguntas como "Você tirou um jogador de ataque aos 40 minutos do segundo tempo, e pôs um defensor, porque estava ganhando e queria fechar a defesa para manter o placar?" Ou o entrevistado responde "Sim!" Ou responde "Não, idiota! Fiz isso porque queria perder!" Salvo raras exceções, ninguém discute sobre o esquema de jogo, até porque não entendem nada de tática.

    Sábado, no jogo contra o Paraná, João Paulo não comemorou seu belo gol de falta. Porque um dia jogou no time tricolor. E o assunto foi discutido pela mídia esportiva, que dentre outras coisas disse ser esse "um comportamento discutível, mas louvável". Ouvi que "não comemorar o gol contra ex-time é ético". Li que isso é demonstração de "respeito pelo adversário". Acho que quem não comemora seu gol é vítima da mídia. É o tipo de jornalismo esportivo predominante nos dias de hoje que mostra, fala, comenta, destaca, incentiva e faz escola. Virou moda, de um certo tempo para cá, essa coisa de não comemorar gol contra o ex-time. Nada contra o João Paulo. Ao contrário, tenho elogiado esse moço. Foi a melhor de todas as contratações. Desde a primeira partida dele, eu disse que seria o nosso "grande comandante" nesta campanha de retorno à elite do futebol brasileiro. 

    (Foto de Julia Abdul-Hak, publicada no "Furacao.com")

    Ora! Vejam o exemplo do Rafael Moura. Gostando dele ou não, trata-se de um goleador. Só pelo Furacão, em 65 partidas, fez 29 gols. Já jogou no Atlético Mineiro, Vitória, Paysandu, Corinthians, Fluminense (duas vezes), Atlético Paranaense, Goiás e agora Internacional. Se mudar de time, já terá oito clubes contra os quais não poderá comemorar gol. Daqui mais uns dois ou três anos esse rapaz - se quiser seguir essa tendência - só poderá comemorar gol contra time estrangeiro. Onde está o desrespeito em comemorar um gol? Qual é a falta de ética? O que tem de "não louvável" nisso?

    Rafael Moura comemorando gol na vitória de 3x2 sobre o Corinthians (seu ex-clube), em 30/04/2009, pela Copa do Brasil

    Mesmo que o atleta tenha sido formado aqui no Furacão, não vejo nenhum problema dele comemorar um gol contra o nosso time. Gol é gol! Gol tem que ser comemorado, sempre! Futebol é alegria. E o gol é  o maior momento de alegria de uma partida de futebol. Qual é a finalidade do futebol? Vencer! E para vencer é preciso fazer mais gols que o adversário. Por que, então, não comemorar o momento sublime do futebol? Já discuti na Arena porque o Washington (jogando pelo Fluminense) comemorou gol contra o Furacão. O meu vizinho de cadeira disse que ele não poderia fazer aquilo (comemorar). Eu disse: "Pode! Gol é gol! E ele joga para o Fluminense, não para o Atlético." Ah, mas ele jogou aqui. Jogou! E fez 34 gols em 38 jogos. Mas não joga mais. E depois da discussão, no mesmo dia, ele fez mais dois (perdemos de 3x1) e também comemorou. E nem por isso sairá das nossas mentes - e corações!

                     Washington comemora um dos três gols que marcou no                     último fim de semana contra o Furacão

    Washington comemora um dos três gols que marcou no último fim de semana contra o Furacão

    (Foto e legenda publicados do "GloboEsporte.com", em 14/10/2008)

    Enfim, na minha opinião, gol todos têm de comemorar! Os nossos, os deles, os ex-nossos, os ex-deles! E é assim que é o futebol. Não me sinto ofendido quando um ex-atleticano faz gol contra nós e comemora. A melhor resposta que podemos dar é fazer mais gols que o time dele. E ponto! A propósito, o Velho Telê Santana já dizia que "a maior demonstração de respeito que se pode ter diante do adversário é nunca parar de jogar e atacar, nem mesmo se o placar for de 4x0, a nosso favor. 'Olé' é desrespeito! Fazer gols, se possível golear, é a missão de um time de futebol." Palavras de um dos maiores treinadores do futebol brasileiro. Em homenagem a Telê - e ao bom futebol - vamos apoiar a comemorar todos os gols!  Não precisa ser falso e sair beijando escudo, mas comemore! Vibre! Contagie a torcida do seu time!

    Mestre Telê comemorava gol até em treino

    E nesta terça-feira que João Paulo e seus companheiros façam gols. E que façam mais gols que o Joinville. E comemorem!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 15h31
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    Guerra ou Paz?

    Leon Tolstói escreveu Guerra e Paz há quase 150 anos (1865). Clássico da literatura universal, é uma romance de natureza histórica que narra a vida na Rússia à época de Napoleão Bonaparte. Trata, de forma especial, sobre as guerras napoleônicas na Rússia. Não pretendo, nem posso, nem sei, nem tenho capacidade para escrever sobre um assunto com a riqueza e o realismo de detalhes de Tolstói. Mas hoje à tarde participei de um momento histórico do futebol paranaense. Estive na Vila Capanema, assistindo ao jogo do Atlético contra o Paraná. Era um jogo de alto risco. A Polícia Militar montou uma verdadeira operação de guerra. A duas quadras do estádio todas as ruas foram fechadas. Só passava pela barreira policial quem tinha comprado ingresso antecipadamente ou quem comprovasse ser morador do local. A cem metros do portão, nova barreira policial, esta para mais uma vez indagar do ingresso.

    O Batalhão de Choque estava lá

    Em frente ao estádio estava postada a cavalaria. Qualquer "alteração", os cavalos estavam ali para dispersar os torcedores. E eu, claro, lembrei do meu pai, Evaldo Schroeder. Ele, gaúcho e amante do turfe, certamente diria que "lugar de cavalo é na guerra ou na carreira!". E, naquele momento, estávamos vivendo uma grande guerra. Ao menos, foi assim que a Polícia Militar e a crônica esportiva trataram o clássico durante a semana. E, se vai haver guerra, é preciso haver soldados. E polícia não faltou! Além das duas barreiras - da tropa de choque e da cavalaria -, a postos também estavam os motociclistas. Mais de duas dezenas de motos da Polícia Militar estavam estacionadas à beira do Rio Belém. Confesso que fiquei um pouco assustado com todo o aparato policial. Ainda não estou acostumado com isso. Acho que tem a ver com aquele medo dos tempos da infância. Medo de polícia! Quem morava no interior e via a luta dos posseiros contra os grileiros de terra tinha medo da polícia. Naquele tempo (primeira metade dos anos 1960) a polícia estava sempre ao lado dos jagunços, estes a serviço dos grileiros. Ou pode ser que sejam lembranças não muito boas do movimento estudantil, no final dos anos 1970, ainda no regime militar. Época em que nas passeatas sempre havia mais policiais que manifestantes. E finalmente me deparei com a antiga "fachada" do Estádio Durival de Britto e Silva, hoje porta dos fundos - que serve de entrada apenas para a polícia, a imprensa e para a pequena torcida visitante. É o único estádio da cidade que ainda mantém uma característica antiga. Espero que não a derrubem, apenas a tombem. E que a tombem, sem derrubar. Acho que aquelas letras coloridas, feitas de trilhos ferroviários, fazem parte do patrimônio histórico de Curitiba.

    A antiga porta de entrada do estádio da Copa do Mundo de 1950

    E, finalmente, na porta de entrada a última barreira policial. Esta para fazer a mais rigorosa revista policial a que já fui submetido. Sem pressa, me revistaram de verdade, apalparam até onde mamãe passava talco. Mas eu me submeti às regras, não reclamei. Mas não posso negar uma coisa. O policial que me revistou foi extremamente educado. Ao encerrar a revista me agradeceu e desejou "Bom jogo!" E então entrei ao estádio. Mais de 10.400 presentes, 1.300 atleticanos. A torcida estava animadíssima, cantando sem parar. E isso transmitia energia positiva e uma boa dose de otimismo a todos nós. O time vinha de três vitórias seguidas, por isso mesmo o treinador não inventou. E escalou o mesmo time. Inegavelmente, a torcida adversária fez uma bela festa de cores, pois a ela foi autorizada a entrada com bandeiras e faixas. Para os visitantes, nada! Nem música, nem bandeiras, nem faixas.

    A festa de cores da torcida adversária

    A partida começou e a torcida deles foi diminuindo a festa, baixando o tom da gritaria, reduzindo a batucada. Em campo o Furacão jogava com facilidade, tocava a bola como se fosse o dono da casa, fustigava o adversário com jogadas em velocidade, mostrava personalidade e determinava como seria o jogo. E, aos 13', falta perigosa, cartão amarelo para o zagueiro deles. João Paulo - o bugre de Beltrão - bateu e fez 1x0! E o Atlético mandava no jogo, sobrava em campo. Ainda não sei se o time está bem mesmo ou se o adversário é tecnicamente muito ruim. Mas de uma coisa tenho certeza! Tenho certeza que mil atleticanos valem mais que nove mil paranistas. Sem bateria ou outros recursos, a torcida rubro-negra ergueu a voz, cantou alto, mostrou a mesma eficiência que os jogadores provavam dentro de campo.

    E sete minutos depois, aos 21', a jogada que "matou" o Paraná. Num contra ataque rápido, ainda no campo do Atlético, o "pernalonga" Pedro Botelho arrancou rapidamente, tocou para Elias na direita. Este avançou, esperou a hora certa e colocou na área para o mesmo Botelho (que corre muito). O grandalhão só teve o trabalho de dominar no peito e chutar no canto esquerdo do goleiro, 2x0! O Atlético poderia ter feito mais um, mas perdeu ao menos duas oportunidades. E numa bobeada da zaga, aos 47' levamos um gol: 2x1.No segundo tempo o Paraná mostrou vontade, mas sem qualidade técnica. Isso facilitou o trabalho do Atlético, que procurou tocar bolas no meio de campo. No final, o nervosismo normal de um clássico, Paulo Baier - que havia entrado no intervalo - tomou o segundo cartão amarelo e foi expulso. Para a alegria da garotada e da imensa torcida rubro-negra, ganhamos o clássico da Segundona. E já estamos em sexto lugar, a dois pontos do G-4!

    O garotinho, mãos na cintura, estava impaciente; só festejou com o apito final

    O jogo terminou. Abraços, confraternização, saída rápida. A ordem da Polícia Militar era que a torcida visitante deixasse o estádio por primeiro, devendo a paranista esperar dez minutos. E assim foi feito. Em minutos, todos os atleticanos já estávamos longe do estádio. Na saída encontrei Paulo Fernando e a esposa, que me deram uma carona. Quinze minutos depois do apito final eu já estava em casa. E vi, no trajeto, que havia alegria na cidade. Agora, quatro horas depois, ouço pelo rádio que não houve nenhum tipo de incidente. Nada de violência no estádio ou suas proximidades, nenhum ato de vandalismo nas ruas de Curitiba. O clima, que era de Guerra, foi de Paz! E a Faixa de Gaza? Ah, o rapaz da Faixa de Gaza, com o carro da polícia ao fundo e o ônibus da Guarda Municipal, era apenas um atleticano doente - igual a mim - que queria apenas divertir-se, ser feliz. E foi!

    Torcida do Atlético - Caricatura

    Festa na cidade

    O vinho? Ah... Em clássico a gente capricha. Abri um vinho que trouxemos na viagem que fizemos a França, em abril, quando Turquinha e eu fomos visitar minha filha Gabriela. É um tinto da Borgonha. Um "Couvent des Jacobins", do produtor Louis Jadot, da região de Beaune, safra 2009, 13% de álcool. Um excelente vinho! Saúde!

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h36
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    Um sábado à tarde, na Vila Capanema!

    É hoje. Daqui a pouco. Na Vila Capanema. No velho Durival de Britto e Silva. Seu nome é uma homenagem ao então presidente da Rede Ferroviária (Rede Viação Paraná-Santa Catarina), que cedeu o terreno da empresa para a construção. Inaugurado em 1947, foi o terceiro maior estádio do país. Ficava atrás apenas do Pacaembu e São Januário. Era o estádio do clube mais popular da capital, o Clube Atlético Ferroviário. Foi palco de dois jogos da Copa do Mundo de 1950, Espanha x Estados Unidos (25/06) e Paraguay x Suécia (29/06).

    Copa do Mundo de 1950, estádio lotado para o jogo entre Espanha x Estados Unidos

    Lá assisti a grandes jogos. Muitas vezes o Furacão fez da Vila Capanema a sua casa, especialmente em torneios nacionais. Mas lá vi muitas partidas aos sábados à tarde, dia em que normalmente jogava o Ferroviário e, depois, o Colorado. Era um tempo em que todos iam ao estádio, independentemente do time para o qual torciam. Era comum, por exemplo, um atleticano ir à Vila Capanema assistir Ferroviário x Grêmio Maringá ou um coxa-branca ir à Vila Guaíra ver Água Verde x Londrina. Assisti clássicos na Vila Capanema em que as torcidas não eram "divididas". Comprávamos o ingresso e sentávamos onde queríamos. As "sociais" (arquibancadas cobertas) eram mais caras e não eram vendidas apenas aos torcedores do time mandante. Havia discussão, mas dificilmente ela ultrapassava a agressão verbal. E, quando isso acontecia, a causa era um cerveja ou um conhaque a mais. Sim, nos meses de inverno e nas noites do ano inteiro, se consumia muito conhaque nos estádios. Havia até um vendedor de "café com conhaque".

    Nos estádios se vendia muito café, inclusive nas arquibancadas

    Ir ao estádio de futebol era uma festa! Além do colorido das torcidas - com suas bandeiras e faixas -, havia a pipoca, o pão com bife, o suco ou a cerveja, o pé-de-moleque, o café, o picolé, o conhaque. E o "pudim de estádio", quem conheceu? Era um pudim consistente, mais duro - pura maizena! -, para não desmanchar na mão de quem comprava. Enfim, era uma verdadeira refeição. Com direito à entrada, prato principal, bebidas, sobremesas e digestivos. A criançada adorava! Os adultos, também.

    Na Colômbia ainda se vende porções de leitão assado com feijão e arepa (pãozinho de milho)

    Agora, tudo é diferente. As torcidas são separadas por policiais e cães. A torcida visitante teve seu espaço diminuído cada vez mais, restando a ela um "cantinho" - normalmente no pior setor do estádio. As comidinhas sumiram porque "podem fazer mal", os ambulantes foram desaparecendo porque "tiram a visão do torcedor", as bandeiras foram proibidas porque seus mastros de taquara "viram armas nas mãos de marginais". O bom futebol também anda sumido, desaparecido, quase (pelos nossos treinadores) proibido...

    Até no gramado tem cães policiais

    Está cada vez mais difícil ir ao estádio. Foram liberados 1.700 ingressos para os atleticanos. E, para não cair na mão dos cambistas, lá fui eu para a fila. Quinta pela manhã, cheguei no horário de abertura da venda dos ingressos, as dez horas. Em pleno inverno, um "sol de rachar". Duas horas de fila, esqueci do protetor solar, ao meio-dia fazia 30 graus.Vermelho e feliz, voltei pra casa.

    Em plena era da informática, fila para comprar ingresso

    Mas consegui meu ingresso, a "cinquenta paus". Sim, cinquenta reais para ficar confinado na curva dos fundos, cercado de policiais e cães, conduzido pela cavalaria. Antes de xingar o bandeirinha, antes do jogo começar, antes de ir para o estádio, já me sinto um delinquente. Espero que tudo ocorra normalmente, com muita tranquilidade, se possível sem violência. Confesso, tenho medo de apanhar. Da polícia!

    A cavalaria conduz torcedores visitantes país afora

    Enfim, será hoje, as quatro da tarde. Entraremos pela velha entrada principal do Durival de Britto e Silva, na Engenheiro Rebouças. Hoje essa entrada está decadente, debaixo do viaduto que liga o centro à Avenida das Torres (que leva ao aeroporto e às saídas para as rodovias 101, 116, 277 e 376). E o que já foi um imponente portão de entrada para jogos da Copa do Mundo, é hoje a "porta dos fundos" por onde chega a torcida visitante.

    Por aqui entraram espanhóis, norteamericanos, paraguaios e suiços

    O jogo de hoje é fundamental para as nossas pretensões de acesso. Se ganharmos, estaremos bem próximos da zona de classificação, a poucos pontos do G-4. Se empatarmos subiremos duas posições, iremos ao sexto lugar. Se perdermos, tudo fica mais difícil. Como sempre, confio no time e acredito na classificação. Que esta linda tarde de sábado - de sol de verão no inverno - fique marcada por uma partida de futebol alegre e sem violência!

    Sessenta anos depois, a paisagem mudou. E nós, atleticanos, estaremos lá no fundo, à direita

    Dá-lhe, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 11h02
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    O maior lateral direito de todos os tempos - e as meias furadas!

    Nasceu na Parada Inglesa, bairro paulistano, em 27 de fevereiro de 1929. Na adolescência foi sapateiro, mas queria ser piloto de avião. O pai, soldado da antiga Força Pública (hoje, Polícia Militar) de São Paulo o incentivava para que ingressasse na carreira militar, onde teria emprego pelo resto da vida. Mas ele acabou jogador de futebol, primeiro no Internacional da várzea da capital paulista, depois como profissional na Associação Portuguesa de Desportos. E não há palavras que consigam expressar suas qualidades profissionais e seu excepcional caráter. A crônica esportiva mundial o consagrou como o maior lateral direito de todos os tempos. Seu nome é Dejalma dos Santos, mas ficou mundialmente conhecido como Djalma Santos.

    Aos 24 anos, em 1953, na Portuguesa de Desportos

    Na Portuguesa começou aos 19 anos, no dia 09 de agosto de 1948, jogando como centro-médio (atual volante), em uma partida contra o Corinthians. Meses depois, quando o time do Canindé contratou Brandãozinho para a posição, ele foi deslocado para a lateral-direita. E de lá, nunca mais saiu. Na Lusa esteve por dez anos, até o final de 1958, jogando 453 partidas. Provavelmente foi o jogador que mais sofreu o ódio rascista. Da sua passagem pela Portuguesa há um episódio que foi muitas vezes lembrado pelos repórteres esportivos paulistas. Numa tarde de domingo, jogando no Parque Antártica contra o Palmeiras, foi xingado de "negro sujo" e "macaco" várias vezes. Em determinado momento da partida foi fazer um arremesso manual e um torcedor esmeraldino lhe jogou algo, junto foi um anel. Djalma Santos agachou-se, apanhou o anel, foi até o alambrado e o entregou ao racista, dizendo apenas um educado e elegante "tudo bem".

    Na Suiça, em 1954, em pé Djalma Santos (25 anos), Brandãozinho, Nilton Santos, Pinheiro, o massagista Mário Américo, Castilho e Bauer.

    Agachados: Julinho, Didi, Baltazar, Pinga e Rodrigues.

    três jogadores brasileiros disputaram quatro Copas do Mundo. Os outros dois foram Nilton Santos e Pelé. A sua primeira Copa do Mundo foi a da Suiça em 1954. Nela, foi titular nas três partidas: vitória de 5x0 contra o México; empate em 1x1 contra a Iugoslávia; e, derrota de 4x2 para a Hungria de Sándor Kocsis e Ferec Puskas - um timaço, considerado uma verdadeira máquina de jogar futebol. Nessa última partida, Djalma Santos fez um dos dois gols brasileiros. Quatro anos depois, em 1958, na Copa da Suécia, foi reserva de Nilton De Sordi. Mas De Sordi passou mal minutos antes da decisão contra os donos da casa e Djalma Santos foi escalado. O Brasil venceu a Suécia por 5x2 e conquistou sua primeira Copa do Mundo.

    Na Suécia, em 1958: Djalma Santos (29 anos), Zito, Bellini, NBilton Santos, Orlando e Gilmar;

    Agachados: Garrincha, Didi, pelé, Vavá, Zagalo e o massagista Mário Américo

    Campeão do mundo, já considerado como um dos melhores laterais direito do futebol mundial, no início de 1959 foi vendido para o Palmeiras, time do torcedor racista. Estreou com a camisa palmeirense no dia 31 de maio de 1959, numa vitória de 6x1 contra o Comercial. No Parque Antártica ficou por quase dez anos, até o final de 1968, jogou 498 partidas, fez dez gols. O Palmeiras era, à época, chamado de Academia do Futebol. E Djalma Santos era um dos seus professores.

    No Palmeiras, em 1961, aos 32 anos

    Na Copa do Mundo do Chile, em 1962, já com 33 anos, foi titular em todas as partidas: 2x0 contra o México; 0x0 contra a Tchecoslováquia; 2x1 contra a Espanha; 3x1 contra a Inglaterra;  4x2 contra o Chile; e, na decisão, 3x1 contra a Tchecoslováquia. Foi a Copa que o consagrou. O mundo ficou encantado com o vigor físico, a qualidade técnica e a habilidade de Djalma Santos. Foi no Chile que o mundo viu, pela primeira vez, o famoso "escanteio com as mãos". Djalma - nos laterais próximos à linha de fundo - arremessava a bola na na área, como se fosse um escanteio. E isso impressionava a todos. Na foto abaixo, tirada no dia 10 de junho de 1962, no Estádio Sausalito, em Viña del Mar, vê-se o time que, em partida válida pelas quartas-de-final, venceu a Inglaterra por 3x1.

    Viña del Mar, 1962: treinador Aymoré Moreira, Djalma Santos (33 anos), Zito, Gilmar, Zózimo, Nilton Santos, Mauro e o médico Hilton Gosling

    Agachados: o massagista Mário Américo, Garrincha, Didi, Vavá, Amarildo, Zagalo e o roupeiro.

    Foi, também a partir da Copa do Mundo do Chile, que ele passa a ser considerado o melhor lateral direito do mundo. E a partir de então é sempre chamado para os selecionados da FIFA, em que se convocavam os melhores do mundo em sua posição. Em 23 de outubro de 1963, Djalma Santos foi o primeiro jogador brasileiro a atuar pela Seleção da FIFA, na derrota por 2x1 frente a Inglaterra, em Wembley.

    1963, na Inglaterra, aos 34 anos o melhor lateral direito do mundo

    E em 1966, na Inglaterra, Djalma Santos disputou sua quarta e última Copa do Mundo. Participou dos dois primeiros jogos em Liverpool. Na estréia, vitória de 2x0 sobre a Bulgária. E a segunda partida, derrota de 3x1 para a Hungria, que foi seu último jogo em Copa do Mundo. Aos 37 anos, contundiu-se e não enfrentou Portugal (outra derrota por 3x1) na despedida brasileira de Liverpool e da Copa da Inglaterra, ocasião em que foi substituído por Fidélis. 

    Seleção brasileira na estreia contra a Bulgária. Em pé: Djalma Santos (37 anos), Denílson, Belini, Gilmar, Altair e Paulo Henrique.

    Agachados: Massagista Mário Américo, Garrincha, Lima, Alcindo, Pelé e Jairzinho.

    Com a camisa da Seleção Brasileira, disputou uma centena de jogos oficiais. Há controvérsia a respeito. Nunca se esclareceu o número exato, que varia entre 100 e 114 partidas. Mas foram quatro Copas do Mundo. E em duas delas, campeão. Djalma Santos é Bi-Campeão Mundial de Futebol. Levantou duas vezes a Copa do Mundo. Contribuiu, com brilhantismo, na conquistar da Jules Rimet para o Brasil. Além de Pelé, é o jogador brasileiro mais respeitado internacionalmente. E no final de 1968, Djalma foi contratado pelo Atlético. Chegou a tempo de participar do primeiro campeonato brasileiro que disputamos. Era o segundo campeonato a nível nacional, à época chamado "Robertão" - Torneio Roberto Gomes Pedrosa. No primeiro, em 1967, quem representou o Paraná foi o extinto Clube Atlético Ferroviário. Em 1968, depois de um disputa - no campo - com tricolores e coxas, o Furacão ganhou esse direito. 

    Uniforme do Atlético-PR - Com listras vermelhas e pretas horizontais

    1968, na Vila Capanema, vitória de 3x2 contra o Santos. Em pé: Djalma Santos (39 anos), Bellini, Charrão, Célio, Nair e Nilo

    Agachados: Gildo, Zé Roberto, Madureira, Paulista e Nilson Borges

    Aqui, Djalma Santos disputou em 1969 o seu primeiro campeonato paranaense. E foi a única vez em que jogou ao lado de Bellini num clube. Antes, tinham jogado juntos as Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1966. No Atlético, foram vice-campeões. E, ao final do ano,  Hideraldo Luís Bellini, grande capitão da Copa de 1958, o brasileiro que levantou pela primeira vez uma Copa do Mundo, despediu-se do futebol, encerrando a carreira no Furacão.

    Em 1969, Djalma Santos (40 anos) e Bellini, dois bi-campeões mundiais no Furacão

    Depois dos timaços de 1968 e 1969, depois da morte do presidente Jofre Cabral e Silva (de infarto, em pleno Estádio Vitorino Gonçalves Dias, em Londrina,  numa partida em que perdíamos para o Paraná londrinense), depois da perda dos dois campeonatos paranaenses (1968 e 1969), instalou-se a crise. Pouco dinheiro no caixa, muita conta pra pagar. A maioria dos jogadores foi embora. Como já escrevi no dia 29/06, no post "No inferno", em 1970 o Atlético vivia uma tremenda crise financeira. E por isso a conquista desse título é considerada épica pelos atleticanos com mais de meio século de existência. Pois foi nessa época que Djalma Santos deu uma prova de amor ao Furacão. Ao invés de "pendurar" as chuteiras, aos 41 anos de idade, concedeu uma entrevista e afirmou que não podia parar sem antes dar uma alegria à nação atleticana.


    1970, no velho Joaquim Américo, Djalma Santos (41 anos), Amauri, Zico, Valdomiro, Alfredo Gottardi e Miltinho

    Agachados: Zé Leite, Darci, Sicupira, Ferrinho e Nilson Borges

    E foi em 1970 que Djalma Santos viveu seu momento mais pobre no futebol. Disse ele, alguns anos atrás, que durante aquele campeonato paranaense foram jogar em Cianorte. Era mês de maio, fazia frio no Paraná. Chegaram à cidade na véspera, tarde da noite, chovia muito. O hotel era modesto, gotejava no teto do quarto. Para poder dormir sem o barulho da goteira no piso de madeira, colocou no chão um dos cobertores. Pela manhã, depois de um café sem nenhum tipo de fruta, permaneceu no quarto jogando baralho. Sequer havia um outro local no hotel - que se resumia à uma pequena recepção, salinha de café e os quartos. E ele, ali. Quatro Copas do Mundo, duas vezes campeão mundial, mais de cem jogos pela seleção brasileira. E ele, ali. Firme e forte. Depois do almoço, chegou a hora do jogo, foram para o estádio. No vestiário, recebeu do roupeiro o material. Quando foi vestir as meias, elas estavam furadas. Mostrou ao roupeiro, mas não haviam outras. E ele, ali. Firme e forte. Com muita vontade de jogar. Foi para o jogo com meias furadas, no calcanhar. O campo - um verdadeiro areial - estava pesado e úmido por causa da chuva noturna, o que encharcava as chuteiras. No intervalo, na falta de outro material, colocou jornal no fundo da chuteira. O Atlético ganhou por quatro gols a um. Este é Djalma Santos!

    Gazeta Press

    1971, aos quase 42 anos, em um dos seus últimos jogos pelo Atlético

    No início de 1971, no dia 21 de janeiro, prestes a completar 42 anos de idade, num jogo contra o Grêmio, encerrou sua carreira. Naquela noite, em atuação soberba, o maior lateral direito de todos os tempos despediu-se dos gramados, pendurou a chuteira, deixou mais pobre o futebol brasileiro e mundial. Lembro-me dele dando a volta olímpica, sendo aplaudido de pé, entrando pela boca do túnel para nunca mais voltar - profissionalmente - aos gramados. Atualmente, aos 83 anos de idade, Djalma Santos continua morando em Uberaba, onde vive com sua esposa Esmeralda. Ele, ali. Firme e forte. Lúcido, com muita vontade de viver!

    Djalma Santos, essa lenda do futebol brasileiro e mundial, jogou no Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 09h32
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    Entre as duas serras, mais três pontos!

    Depois de passar três dias na Serra Gaúcha, preparando o futuro, voltamos na tardinha de sexta a Curitiba. Lá na serra fomos otimamente atendidos pela Daisy e pelo Luiz Arthur, proprietários da hospedaria e do bistrô, ambos funcionando na Linha Imperial, no município de Nova Petrópolis. Para os que gostam de fugir do estresse e para os que apreciam a boa gastronomia, indico os dois endereços: Hospedaria Villa Costaneira e do Bistrô Chalet Gourmand.

    Daisy e Luiz Arthur em frente ao bistrô

    Na região tivemos também a oportunidade de conhecer um paranista. Um paranista dos tempos do Clube Atlético Ferroviário, o Renato Boddy, marido da Clara. Ambos curitibanos, ela a chef de cozinha e ele o proprietário da excelente Cantina 28, em Canela, um restaurante simples e premiadíssimo pelo Guia Quatro Rodas - que o colocou entre os 12 melhores restaurantes italianos do Brasil (dentre eles os dois Fasano e os dois Gero, ambos com as casas de São Paulo e do Rio). O Renato, aliás, é filho do Jorge Stuart Boddy, ex-dirigente do Ferroviário e também da Federação Paranaense de Futebol, quando ambos (Ferroviário e Federação) orgulhavam o futebol do Paraná.

    As variadas polentas da Cantina 28, na Vila Suiça, em Canela

    Depois deste festival gastronômico, Turquinha e eu voltamos à realidade. E hoje, descemos a nossa serra, almoçamos em Morretes, fomos à Paranaguá. O carro, bem guardado na garagem daquela mesma senhora (vejam o post "O burro, a mula e o dono!", do dia 05/08), entramos no Carangueijão. Uma hora antes do início da partida conseguimos um bom lugar nas cadeiras cobertas, graças ao trio de simpáticos e agradáveis garotos: Henrique, Pablo e Gabriel - que passaram (os três) a dividir apenas duas cadeiras.

    De cima para baixo: Pablo, Henrique e Gabriel

    O jogo começou e o Atlético mostrou que não estava para brincadeiras. Ao contrário do time apático da terça-feira, contra a ASA, mostrou-se ousado e partiu pra cima do (até então) líder da Série B. E é assim que a torcida gosta! E torcida feliz embala o time, entusiasma os jogadores, leva o time pro ataque. E depois de várias tentativas e alguns gols desperdiçados, a bola entrou. Eram 21' do primeiro tempo, Marcão, 1x0! O Furacão continuou bem e suas boas jogadas foram premiadas com a expulsão de um jogador adversário (Giovanni), que cometeu duas faltas seguidas, ambas por chegar atrasado, amarelo na duas vezes, um vermelho pela soma. Isso facilitou nossa vida. Continuamos atacando, perdemos mais um gol, em tabela de Elias com Marcão - que chutou acima do gol.

    Marcão marca seu terceiro gol pelo Furacão

    Henrique, Marcão e Felipe vibram com o gol atleticano

    No segundo tempo o time foi mais cauteloso, atacou menos, mas - à exceção de um lance, logo no primeiro minuto, em que o Criciúma quase fez um gol de cabeça - teve o controle do jogo. Tocou bem a bola, triangulou na medida certa, manteve a posse da pelota. Depois da entrada de Paulo Baier e Marcelo, o Atlético teve mais objetividade, foi mais veloz, mas faltou tranquilidade para fazer o segundo gol. No final, o time criou mais duas oportunidades, com Paulo Baier chutando aos 40' (uma bela defesa do goleiro do time catarinense) e com Maranhão aos 46' (que recebeu um belo passe de Baier, ficou "cara a cara" com o goleiro e chutou para fora).

    O maestro Paulo Baier, gaúcho de Ijuí, quase 38 anos (fará dia 25/10), mais uma vez fez jogadas que encantaram o torcedor

    Partida encerrada, viu-se estampada no rosto do torcedor a alegria. Foi a terceira vitória seguida, a terceira partida seguida sem tomar gol. E o Furacão, faltando mais da metade do campeonato, já está a apenas quatro pontos do G-4, o grupo dos quatro que se classificam para a Série A do próximo ano. Não tem sido fácil para nós, atleticanos. Acostumados a grandes conquistas, belos jogos e bons campeonatos, estamos tendo que nos adaptar a essa fase de magras vitórias na Série B. É um verdadeiro aprendizado, inclusive de humildade.

    Torcedores fiéis, como André Ricardo Guenzen, têm todo o direito de exigir mais raça

    Nem preciso dizer que, na minha modesta opinião, o melhor em campo foi o "grande comandante" João Paulo. Acho que esse rapaz, que não joga para a torcida, tem sido o coração do nosso time. Tem tranquilidade, bom toque de bola, faz a redonda rolar na grama e sabe acalmar o time. Tudo que tenho contra a contratação de Derley (Deivid é muito melhor e mais equilibrado), tenho a favor da contratação de João Paulo.

    João Paulo - o bugre de Beltrão - esbanja tranquilidade e sabe organizar o time

    Eu, que nunca perdi a confiança nem o otimismo, depois de subir a serra, abri mais uma garrafa de vinho. E dessa vez, Turquinha e eu caprichamos. Tomamos um bom tinto português, do Alentejo. O Touriga Nacional, da Cortes de Cima, safra 2007, com 14,5% de álcool, estava uma maravilha!

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 23h18
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    Paulo Baier e o vinho da Serra Gaúcha!

    De carona com Joãozinho Mello, alagoano que foi meu aluno na UNIOESTE, em Cascavel, no início dos anos 1990, desci ontem no início da noite para Paranaguá. Chegamos por volta das 21h00 e fomos para a cabine da Rádio Jovem Pan Nordeste, onde o irmão de Joãozinho transmitiria a partida para os ouvintes das Alagoas. Pouco público no Carangueijão. Terça-feira, quase dez da noite, mais de 90km longe de casa, só os mais fanáticos compareceram. Eu tinha compromisso cedinho, obrigação de estar no aeroporto as 06h00 desta quarta para tomar um voo as 06h30, por isso fui de carona. E o que vi em Paranaguá foi uma lástima. Talvez tenha visto o pior primeiro tempo do Atlético neste ano. Um time sem nenhuma organização, mal posicionado, nenhuma combatividade, criatividade zero. Triste de assistir. O destaque foram os chutes sem rumo de Derlei (de quem não gosto e cada vez mais não vejo nenhum sentido na sua contratação) - aos 13' e 23' - e uma bela finalização de Marcão - aos 37' -, muito bem defendida pelo goleiro da ASA. Destaque negativo para a lentidão de Luiz Alberto, que proporcionou três ataques perigosos dos alagoanos, seja por falta de marcação no seu setor ou porque perdeu na velocidade. Na cabine de rádio, o narrador de Arapiraca já apostava na vitória deles.

    Não foi fácil enfrentar a retranca alagoana

    E no segundo tempo a história se repetia até que fomos salvos pela falta de iluminação. O apagão, numa das torres de refletores, interrompeu a partida aos 13' da segunda etapa. E eu, então, deixei o estádio porque tinha compromissos cedinho e não havia uma previsão de quanto tempo levaria para o restabelecimento da energia naqueles refletores. Triste, chateado, Joãozinho Mello e eu tomamos o caminho da Serra do Mar. Quando a iluminação voltou, pelo rádio do carro acompanhávamos a transmissão da partida e logo soubemos das entradas do maestro Paulo Baier e do uruguaio Martín Ligüera. Resolvemos parar no início da subida da serra, na Lanchonete Bela Vista, para acompanhar a parte final da partida pela TV. Mas ela não estava sendo transmitida na televisão aberta nem pelo canal fechado SPORTV. Somente pelo pay-per-wiew.  Enquanto bebemos uma água de coco, vimos os últimos momentos de Guarani x Avaí (na SPORTV). E "pintou a bolinha". Era gol. Em Curitiba, anunciou o narrador. Mas, logo ele corrigiu: "Em Paranaguá!" E felizmente era do Atlético, de Paulo Baier. Voltamos pra estrada, acompanhamos (ainda pelo rádio) os últimos minutos do jogo. Só em casa vi o gol de Paulo Baier, com a cabeça enfaixada. Um sufoco!

    O maestro fez o gol com categoria

    Não sei o que acontece com o Atlético. Faz uma boa partida, outra ruim. De qualquer forma, o importante foi ganhar os três pontos. Da mesma forma, foi importante ganhar três pontos do Ipatinga (jogando mal), do ABC (com gol de pênalti inusitado) e do Guaratinguetá (frango do goleiro). Eu não tenho nada contra as vitórias, sejam elas obtidas com boas ou más atuações. Mas é preciso treinar mais, ensaiar mais, combinar mais. O Furacão não pode entrar em campo como se fosse um grupo de onze homens desconhecidos, que nunca estiveram juntos. Espero que no sábado as coisas melhorem. Fui dormir a uma da madrugada, acordei as 05h00, as 06h30 embarquei num voo da Azul, fiz conexão em Campinas, chegando a Caxias do Sul as 10h00. Por volta das 11h00 passei por Nova Petrópolis e as 11h30 estava na Linha Gonçalves Dias, juntinho ao Morro Malakoff.

    Luiz Carlos Schroeder, no Morro Malakoff

    Dali, Turquinha - minha mulher - e eu voltamos a Nova Petrópolis e fomos almoçar no Colina Verde.  O restaurante, localizado num dos lugares de mais belo visual da região, serve uma refeição colonial típica da Serra Gaúcha, com componentes da gastronomia das zonas rurais de colonização alemã e italiana. O restaurante, que conheço e frequento há mais de 30 anos, é premiadíssimo pelo Guia Quatro Rodas, merecendo estrelas ininteruptamente há 31 anos.

    Rosângela Maluf, na bela vista do Colina Verde

    E, conforme o prometido (um vinho para cada vitória) tomamos um Reserva da Vinícola Boscato, de Nova Pádua. O merlot, 12,5% de graduação alcoolica, caiu muito bem com aquela miscelânea de pratos e sabores do Colina Verde.

    Dá-lhe, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 20h36
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    COMUNICADO

    (O autor do blog informa que os comentários sobre a ida a Paranaguá e o jogo ATLÉTICO x ASA somente serão postados na noite desta quarta-feira, diretamente da Serra Gaúcha)



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h45
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    Ahmadinejad, Fidel Castro, Neymar, Rede Globo e a ASA de Arapiraca

    As Olimpíadas chegaram ao fim. As de Londres, claro! Espetáculos à parte, nosso desempenho - segundo os comentaristas da Globo - foi um "honroso" 22º lugar. Três medalhas de ouro, cinco de prata, nove de bronze. Dezessete medalhas. Melhoramos uma posição. Em Pequim fomos 23º (três de ouro, quatro de prata e oito de bronze). Mas ainda estamos seis posições abaixo do nosso desempenho em Atenas, onde fomos o 16º (cinco, duas e três medalhas, respectivamente). Pelo número de medalhas, parece que melhoramos. Mas os nossos 331 milhões de reais (quantia declarada pelo Comitê Olímpico Brasileiro), valores gastos nesses quatro anos de preparação, fez cada medalha custar 19 milhões e quinhentos mil reais. A Alemanha, com um orçamento inferior (320 milhões de reais), levou pra casa 44 medalhas (onze de ouro, dezenove de prata e catorze de bronze).

    Estádio Olímpico de Londres, palco de belos espetáculos 

    Fazer comparações com a Alemanha, certamente é covardia. Precisamos ver como estamos em relação a outros países, especialmente os de Terceiro Mundo (ainda existe isso?). E é aí que "o bicho pega". Ficamos atrás do Cazaquistão (12º), Ucrânia (14º), Cuba (15º), Irã (17º), Jamaica (18º) e Coréia do Norte (20º). Triste, não? O país de Mahmoud Ahmadinejad, o Irã, teve classificação superior à nossa. Comparar com a minúscula Cuba também não devemos, afinal eles ganham da gente desde o início da era Fidel Castro. Mas perder pra Coréia do Norte é demais! Não é lá que o povo passa fome, não tem o que comer, vive com a metade da ração alimentar minimamente necessária? Ao menos é isso que leio, vejo e ouço na grande imprensa. Ainda que não seja verdade o que diz a imprensa mundial, perder para a Coréia do Norte é uma vergonha! E o Cazaquistão? Alguém - além de saber que o país pertencia à antiga União Soviética - pode me dizer exatamente onde fica o Cazaquistão? Assim não dá! É muito investimento para pouco resultado! Está na hora de fazermos mudanças também no Comitê Olímpico Brasileiro! Ou não? Até quando, Carlos Arthur Nuzman?

    Hahmadinejad, feliz da vida com o desempenho do seu país em Londres

    Além do fraco desempenho geral nas Olimpíadas, tem o outro. É o fraco desempenho individual de quem mais esperávamos. Ele mesmo! Neymar! O que acontece com esse moço? É um craque ou apenas um bom jogador incensado pela mídia? Por que ele "some" nos momentos decisivos? Mesmo quando o Santos foi campeão da Taça Libertadores da América no ano passado, decidindo contra o Peñarol de Montevidéu, ele não foi bem. Tanto lá na capital uruguaia como aqui em São Paulo, Neymar não teve atuação destacada. Antes disso, já tinha ido muito mal na Copa América, aquela disputada na Argentina e na qual fomos eliminados pelo Paraguay. Depois disso, no final do ano, teve atuação ridícula em Tóquio, na goleada sofrida pelo Santos contra o Barcelona - era a decisão do título mundial interclubes. Parece que para ele é mais fácil jogar bem contra Guarani, Mirassol, Comercial, Paulista, Oeste. E por isso foi campeão paulista deste ano. Agora - quando todos esperávamos algo além do tosco (a palavra do momento) visual -, ele em campo foi tão ridículo quanto a sua imagem de funkeiro. O Internacional vendeu Oscar por 80 milhões. O São Paulo vendeu Lucas por 108 milhões. Faz tempo que ninguém oferece nada pelo Neymar. Por que será?

    Em campo, ainda pior do que seu visual

    Mas nem só das dúvidas sobre os investimentos do Comitê Olímpico Brasileiro e as reais qualidades de Neymar vive o esporte brasileiro. Vive também da Segunda Divisão. A nossa (dos atleticanos) divisão! E hoje à noite, no horário de dormir - pós novela - estaremos lá em Paranaguá. O jogo será contra o ASA, de Arapiraca, e começa as 21h50, quase dez da noite. E, começando tão tarde, termina quase meia-noite. Quem mora em Curitiba e for ao estádio (como eu), não chegará em casa antes das duas da madrugada. É assim que o nosso futebol é tratado pelos que o administram. E, em termos de horário, quem decide é a Rede Globo. Os clubes, que vendem os direitos de transmissão, se submetem aos interesses da Globo e sua grade de programação. E a Globo não quer ninguém nos estádios, ela quer todo mundo vendo o futebol em casa, assinando seus canais ou comprando o jogo pelo pay-per-wiew. Em um dia não muito distante, ao que parece, chegaremos ao tempo dos jogos sem público algum...

    Uma imagem que tende a desaparecer dos estádios

    Antes que os jogos passem a começar depois da meia-noite, aproveitemos! Vamos à Paranagua! E que a ASA (a Agremiação Sportiva Arapiraquense) permita ao Furacão alçar melhores voos!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 11h14
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    E segue o baile!

    Na minha adolescência, adolescência mesmo, eu ia a muitos bailes no interior. E, quando falo em interior, estou - na verdade - falando em zona rural. Eu morava em Toledo, onde nasci em 1957. Toledo é uma cidade diferente. Embora esteja no Paraná, não é uma cidade paranaense. Colonizada por gaúchos (na sua ampla maioria) e catarinenses, que ali chegaram no final dos anos 1940, também não é gaúcha nem catarinense. O nome do município, obviamente é de natureza espanhola, podendo ser em homenagem a um paraguaio ou um argentino, quem sabe um espanhol mesmo.  Sabe-se, apenas, que o rio chama-se Toledo porque às suas margens teria morado alguém com esse apellido (ou sobrenome). E, por causa do rio, a cidade passou a se chamar Toledo.

    1949, a Igreja Cristo Rei

    Portanto, a população original era formada por descendentes de espanhóis ou índios guaranis, muito mais paraguaios que brasileiros. Esses índios estavam alí como os últimos resistentes daquela chacina que foi a Guerra do Paraguai. Eles "viraram brasileiros e foram ficando". O território era deles (os índios), que os espanhóis invadiram, os paraguaios transformaram em país, os brasileiros tomaram dos paraguaios. Alguém tem alguma dúvida? Por que será que, naquela região - que fica entre os rios Piquiri, Ivaí, Paraná e Iguaçu - temos tantas cidades com nomes guaranis, tais como Guarapuava, Guaraniaçu, Goioerê, Umuarama, Guaíra, Iporã, Tupãssi, dentre outras?

    1950, uma cidade no meio da mata

    Depois da chegada dos gaúchos e catarinenses - que não eram nem gaúchos nem catarinenses, eram muito mais italianos e alemães, porque destes descendiam -, vieram os "brasileiros". Os "brasileiros" eram os paulistas, mineiros e nordestinos. A maioria deles veio para derubar a mata e plantar café. Venho, pois, de uma cidade "que é, sem ser". Mas era lá que eu precocemente dançava. Desde os 12 anos, em 1970, estudei à noite. Meu pai havia falecido em 1968 e minha mãe achou que eu deveria trabalhar durante o dia e estudar à noite. Meus colegas do ginásio noturno? Todos, sem exceção, com idades entre 18 e 60 anos. Então, no meio daqueles "adultos" fui levado pra vida noturna. Aprendi a dançar. Dancei muito.

    Meu sonho era dançar assim...

    E nesses bailes, em localidades que lembro agora - Novo Sobradinho, Novo Sarandi, Nova Santa Rosa, Novo Dois Irmãos, Novo São Luiz, Vila Nova, Nova Concórdia, Dez de Maio, Quatro Pontes, Xaxim, Linha Giacomini, Sede Alvorada, Vila Ipiranga, dentre outras - aconteciam muitas brigas. Naquela época, quarenta anos atrás, um rápido olhar para a namorada do outro e a confusão estava armada. Naquela terra de gaúchos e nordestinos, qualquer palavra "mal dada" bastava. Você podia levar um empurrão, um tapa, uma garrafada. A dose da agressão dependia do tamanho - e da ignorância - do suposto namorado da moça. A propósito tem uma música gaúcha, do Teixeirinha, que diz (clique para ouvir) "trato todo mundo no maior respeito, mas se alguém me pisar no pala, o meu revólver fala, o buchicho está feito".  Mas, logo depois da confusão, serenados os ânimos, o cronner, ao microfone anunciava: "E segue o baile!"

    O típíco "conjunto musical" que tocava nos bailes da "colônia", nos anos 1970

    E, depois da confusão originada no atraso do voo, que não me permitiu chegar ao Rio Grande do Norte, segue o baile! A respeito, agradeço aos que comentaram, aos que me enviaram e-mail, aos que telefonaram. A vida segue! E, não sendo possível ir aos 38, iremos aos 37! E Toledo? Toledo deixou de ser aquela pequena cidade. Hoje, uma das maiores do Paraná, é forte economicamente. Destaca-se pela indústria e pelas produções agrícola e pecuária. No campo cultural, possui o maior teatro do interior do estado e tem cinco universidades.

    A Toledo de hoje - no primeiro plano, o Parque Ecológico Diva Paim Barth

    Sobre o jogo de Goianinha, contra o América potiguar, vale lembrar algumas coisas. Ganhamos de 2x0, contra um time que não havia perdido em casa neste ano, jogamos razoavelmente, o time estava bem posicionado em campo, o ataque - apesar de ter perdido três chances quando estava 0x0 - funcionou! Meus amigos estavam lá e vibraram por mim.

    Caio, Cesar, Paulo Fernando e suas duas (lindas) sobrinhas

    Mais uma vez João Paulo foi incansável. É um jogador que não aparece para a torcida, mas é efetivo, trabalhador, corre o campo todo, orienta, auxilia, organiza. E teve que fazer isso em dobro até os 20 minutos do segundo tempo. Aliás, aos 16' a TV flagrou a mula (Derley) apontando para o pulso e perguntando ao banco quanto tempo faltava. É mula ou jegue? Embora veio do Nordeste, cansou mais lá do que aqui. E pediu pra sair. Gostei, também, do Elias. Já havia dito que no jogo contra o São Caetano ele havia mostrado qualidade. Mostrou de novo, mas machucou-se e saiu muito cedo.

    Marcão fez os dois gols

    Mas a estrela da semana não foi João Paulo, Marcão, Elias e companheiros. E nem foi a GOL! A estrela da semana foi este extraordinário atleta, o atleticano Emanuel. Três medalhas olímpicas no volei de praia. Ouro em Atenas (2004), bronze em Pequim (2008) e prata em Londres (2012). Emanuel Fernando Schaffer Rego,  curitibano de 39 anos, atleticano apaixonado!

    Emanuel - cinco Olimpíadas, três medalhas - nunca esquece do seu Furacão



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h39
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    Um caso de polícia (federal)!

    Acordei as seis da manhã. Tinha pela frente uma maratona. Meu voo saía as 08h58 para Guarulhos, depois conexão para Natal, onde eu chegaria as 14h20. Meu retorno? Sairia de Natal as 01h50, chegando aqui no Afonso pena as 09h00. Em vinte e quatro horas e dois minutos, viajaria 6.600km, dormiria no voo de volta. Na ida, só os biscoitinhos da GOL. Em Natal, no aeroporto, esperaria a chegada do César e do Caio – esses dois amigões que fiz nesta caminhada. Curitibanos, pai e filho, que moram em Recife e não perdem jogo no Nordeste. Eles me dariam uma carona até Goianinha (50km de Natal), onde o Atlético jogaria contra o América. O Paulo Fernando da Silva, que vai também em todos os jogos, viajou pela TAM, pois não conseguiu passagem pela GOL.

    Apesar da neblina no Rio Iguaçu, havia sol no centro de Curitiba e também em São José dos Pinhais (no Aeroporto Afonso Pena). Quando deixei o carro no estacionamento a temperatura era de 9 graus. Viajante sem mala, carregando só a jaqueta que em Curitiba ainda usava, fiz o check-in na maquininha. Que maravilha! Viva a modernidade! Viva, nada! A máquina não informa se o voo está no horário, se o aeroporto está fechado, se tudo vai dar certo. Nem tive tempo de engraxar os sapatos, posso ter perdido um encontro importante (semana passada encontrei o atleticano Jorge Samek, chefão da Itaipu Binacional).

    Depois de ter que tirar os sapatos (eles alegam que meu sapato tem metal na borracha), passei pelo "raio-x", entrei na sala de embarque. Tudo no horário, voo chamado, ocupei meu desconfortável assento. E bota desconfortável nisso! Sempre que entro num voo da Gol tenho a impressão que eles foram feitos pra gente como o Adriano Gabiru, todos baixinhos, magrinhos, de não mais que 1.65 de altura. Como tenho 1,82 e peso pouco mais de 100kgs (especialmente depois que passei dos 50 anos e deixei de fumar), os assentos são altamente desconfortáveis para mim. E nele (no meu assento desconfortável) fiquei por 1h20 minutos sem que o avião saísse do solo. Por que? Porque os camaradas da Polícia Federal estão em "greve branca". Que bicho é esse? É a "greve" na qual eles resolvem trabalhar de verdade, fazendo aquilo que normalmente não fazem. Ao invés de fechar os olhos, eles abrem! E, abrindo, resolvem sacanear o povo!

    É engraçado isso! Mas a Receita Federal e a Polícia Federal, quando fazem greve, trabalham! E me passam a impressão que são corruptas! E que só não são corruptas quando estão em greve (clique e veja a notícia). Repito: essa é a impressão que me passam! Eles chamam isso de "operação padrão". Cacete! Quer dizer que quando não estão em greve eles fogem do padrão? Eles só fiscalizam de verdade quando estão em greve? Putaquepariu! (Mãe, querida! Eu sei que você, mesmo aos 83 anos, anda lendo meu blog. Não ligue para o que eu escrevo. Eu sei que "por escrito" é pior que "falado". Mas eu não agüento certas coisas. Tá! Prometo ser mais educado). E, dentro desse processo de "seriedade", a polícia federal (em letras minúsculas, cada vez mais minúsculas) resolveu passar todas as bagagens (eu não tinha nenhuma) de um voo doméstico no "raio-x". E ainda chamou três passageiros para explicar o "que era aquilo". A minha vizinha de "assento desconfortável" foi chamada, voltou quinze mintuos depois. Eles queriam saber o que era aquele "pacote com erva verde". Ela disse que era "erva verde". Na presença dela, abriram a mala e verificaram que ela transportava "erva verde". Não foi presa. Ela era apenas uma paranaense (filha de gaúchos, como eu) que estava levando uma erva-mate para seu irmão, que mora no Nordeste. E pensar que este Paraná foi a verdadeira terra da erva-mate!

    E, assim, atrasaram nosso voo. Quem devia decolar as 08h58, decolou depois das 10h06, conforme diz a carta que a GOL, ridiculamente, só me forneceu em Guarulhos (como se tivesse sido escrita em Curitiba), depois de muita insistência. Meu respeitos ao Marcelo, líder de check-in da GOL. Que me atendeu muito bem. Me atendeu muito bem depois que eu disse que era "juiz do trabalho aposentado". Que merda (Desculpe de novo, mãe!) de país é este? Uma simples frase faz com que você seja melhor atendido? E o cara que não é juiz "porranenhuma"? E o cara que não tem "gravatademarca"? E o cara que não é "parentedenenhumamaluf"? Cada vez mais, tenho "nojo" de tudo isso! Tenho nojo, mas não da Rosângela Maluf, a Turquinha, minha mulher - a quem amo!

    Enfim, cheguei a São Paulo, em Guarulhos. Mas cheguei exatamente na hora em que fechavam a porta do voo para Natal. Falei, conversei, mostrei meu voo de ida e meu voo de volta. Disse que não tinha bagagem. Mas eles têm pouca inteligência. Queriam me "reacomodar" no voo das 19h40 (o primeiro da GOL para Natal), chegando lá as 22h30. E eu mostrava que as 01h50 da madrugada desta quarta eu já estava embarcando de volta. Eles não entendiam. E eu dizia: "Moça, se eu volto no primeiro voo da madrugada, por que você quer que eu chegue em Natal um pouco antes da meia-noite?".  E mostrava, de novo, meus bilhetes de embarque e conexão. E o voo pra Natal já tinha ido...

    Depois de muita discussão, conversa e troca de informações, quase chorei. É duro! Um homem de 55 anos chorar no aeroporto, ao meio-dia, sem nenhuma morte na família ou filho indo para além-mar, causa má impressão. Controlei meu choro. Não larguei (juro!) nenhuma lágrima, nenhuma gota de lágrima! E, saibam todos, que não tenho nenhum arroubo machista. Até sou um "alemão" de razoável sensibilidade, que escreve poesia, gosta de velas e incensos, aprecia o luar e beija na boca! Mas doeu na alma! Naquele momento senti que minha promessa de provar meu amor pelo Furacão tinha acabado. Tinha ido por terra o meu projeto. O meu sonho de um dia ir a todos os jogos do Atlético, num campeonato nacional, tinha sido sepultado. Acreditem vocês, mas na maior cidade do país, no principal aeroporto do país, as 11h30 não há mais voo que chegue a Natal antes das 19h00. Por nenhuma companhia aérea. Nem via Maceió, nem via Recife, nem via João Pessoa, nem via Fortaleza! E me restou voltar pra casa. A gol (boazinha, como ela só) me reembolsou os valores e me "presenteou" com as passagens de ida-e-volta de Curitiba a Guarulhos.


    E assim, voltei pra casa. A moça (pentecostal) do estacionamento, que sabia do meu projeto de ir a todos os jogos, ficou triste. O Fiori (paulistano, descendente de milaneses, palmeirense), que é o porteiro da tarde aqui no meu prédio, não entendeu meu retorno, tanto que tinha estacionado sua moto na minha vaga da garagem. O Velho Luiz (grande atleticano), zelador do prédio desde os meus tempos de estudante universitário, me abraçou e disse: "Não fique triste, xará! Nós vamos subir ainda este ano. Atleticano não se entrega. E não teme a própria morte!". Eu disfarcei e entrei no elevador. E, então, caíram as primeiras lágrimas. Nem sei se a câmera do prédio me flagrou. Mas me lembrei do  Gonzaguinha e seu "Guerreiro Menino" (para ouvir, clique) e chorei...

    E, depois, fiquei quietinho em casa. Das 14h30 às 21h00. Bem quietinho. E liguei a TV. E vi o jogo. E o Atlético vingou! Vingou e foi vingança! E ganhamos de 2x0 lá em Goianinha. Acabamos com a invencibilidade de 17 jogos deles em casa. E Marcão fez dois. E eu vi o César, o Caio e o Paulo Fernando (pela TV) comemorando o primeiro gol. E fiquei feliz! E é assim a vida de um torcedor. É volúvel, o torcedor. Volúvel ou bipolar? Ah, pra que explicar tudo? Só sei que em homenagem ao Alberto e o Drubscky, abri um vinho da casa. Tomei um Atmo, de Toledo. Da minha terra natal! Da Família Dezem. Um merlot, com 13% de álcool. Experimentem esse vinho paranaense, de Toledo. Vocês vão gostar!

    Tenham certeza! Eu nunca mais farei um "bate-e-volta" na minha vida. Irei, sempre, um dia antes!

    VAMOS SUBIR, FURACÃO!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h05
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    O figurino gaúcho, o guarda-chuva uruguaio, a cueca paulista, o palhaço mineiro - e o vinho da casa!

    O assunto do momento não é o jogo desta terça contra o América potiguar, em Goianinha, a 50km de Natal. O estádio principal de Natal também está em reforma para a Copa do Mundo. O assunto do momento, entre os atleticanos, é o novo treinador. Quem será? Vejo que a mídia fala muito no ex-craque Paulo Roberto Falcão. Ele é preferido de 11% da nossa torcida. Deus - e o diabo - nos livrem dele! Trata-se de um bom moço. Foi um grande jogador de futebol. Chegou a ser conhecido na Europa como o "Rei de Roma". Homem fino, veste-se muito bem. De bom gosto, aprecia bons vinhos. Educadíssimo, tem excelente vocabulário. De fino trato, é incapaz de pisar numa formiga. Não dá! A hora é de esmagar formigas, chutar o formigueiro, jogar fora o açucareiro, proibir a cana!

    In vino veritas

    Na pesquisa do "furacão.com", a maioria (42%) quer a volta do Juan Rámon Carrasco. Que os espíritos nos livrem dele! O uruguaio, embora ousado na forma de jogar, não tem a menor idéia do que é a realidade do futebol brasileiro. No Uruguay não se joga mais do que 45 partidas oficias num ano. Isso, levando em conta o campeonato local, a Libertadores e a Sulamericana. Lá não tem uma copa nacional (como a Copa do Brasil) nem campeonatos estaduais. Aliás, lá não tem estados nem províncias. O Uruguay não é uma federação, é uma república unitária. Aqui, o Atlético - que não disputou a Libertadores nem disputa a Sulamericana - jogará 70 partidas oficiais. Já vimos como foi a fraca pré-temporada da turma do Carrasco. Os jogadores cansavam no segundo tempo, houve muitas contusões. Não bastasse, ele não sabe diferenciar CRB de ASA ou Natal de Fortaleza. Até sei que ele aprecia um bom tinto, da uva tannat. Mas tem medo de se molhar Aceita passivamente ingerências na escalação. Aceita jogadores que não quer.  Não se impõe quando deve. Falar, depois de ser despedido, qualquer um fala...

    Quem entrar nesta tempestade não pode ter medo de se molhar

    A segunda opção dos torcedores (30%) é Émerson Leão. Que os bons despachos nos salvem dele! É trabalhador. Acorda de madrugada, marca treino para as sete da manhã. E mesmo maduro, já com cabelos brancos e sem nenhuma tintura, ainda é mal-educado. Briga com todo mundo! E custa caro! Afinal, só bebe brunelos de montalcino (a garrafa mais barata, nos restaurantes, está na faixa dos R$ 500,00). É disciplinador. E isso, neste momento, seria bom. Mas, sendo um homem brabo, quantos dias duraria como treinador? Enfrentaria o presidente? Ou daria apenas alguns latidos? Leão ruge ou late? As cuecas eram "dog"...

    Leão, um cabra macho!

    O grande Toninho (Antonio Carlos) Cerezzo é o quarto na preferência (9%). Cerezzo é filho do palhaço Moleza, celebridade na Belo Horizonte dos anos 1950/1960. Toninho, o Dureza, dividiu o palco com o pai até os 8 anos, na extinta TV Itacolomi. A dupla fazia tanto sucesso quanto o Atlético-MG, clube mais popular de Minas e onde Cerezo é um dos maiores ídolos.  A mãe, dona Helena Robattini Cerezo, era atriz de televisão, cinema e circo. Ele nasceu para ser um astro dos palcos. Mas o roteiro da vida indicava outro caminho. Aos 8 anos, em 1963, Toninho perdeu o pai, vítima de um câncer. E tudo mudou. Mudou porque Moleza era famoso. E só. Não tinha grana. A mãe, de origem húngara, que havia abandonado os circos da família Robattini (dentre eles o Circo Garcia, famoso na época) pra ficar com o Moleza, não quis voltar à vida circense. No barraco que o palhaço deixou, com uma pensão miserável, teve ajuda da maçonaria e criou o menino. Fez dele um astro. Do futebol! É um belo exemplo de vida. Que o grande arquiteto do universo nos distancie de Cerezzo! Mineiro, paciente, tranquilo, zen, fala mansa, é muito calmo. Apesar de ter jogado na Itália e conhecido bons vinhos, não serve! Neste momento, é preciso mais que "mineirice"...

      Dureza, Helena Robattini e o palhaço Moleza

    O menos votado (8%) da pesquisa é o Alberto Valentim. Quem é ele? Alberto, aquele que foi nosso ídolo. Um grande lateral-direito. Agora com sobrenome, 37 anos, mineiro de Oliveira, é assessor especial do Petráglia. Andou se preparando - aqui e no exterior - para ser treinador. Nesta terça, comandará o time no gramado. Será auxiliado, no alto do camarote, pelo Professor Drubscky. Do jeito que está, pior não fica! Eu daria meu apoio a esse moço. Apostaria nele! Alberto foi um bom jogador. Tem muito mais experiência que o Jorginho. Jogou dez anos na Europa, todos na Itália, terra de ótimos tintos. É articulado. Tem educação e recursos intelectuais, certamente não chamará seus jogadores de "fedidos". Taí! Eu daria uma chance a ele, que vestiu com dignidade a camisa rubro-negra.

    "Professor" Alberto Valentim do Carmo Neto

    Que venha o vinho da casa!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 23h56
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    O burro, a mula e o dono!

    De dar dó! De enrubescer até o mais velhaco dos malandros da noite! De envergonhar o mais pilantra da gang da meia-noite! De constranger a mais descarada das prostitutas da madrugada! De fazer padre atleticano suspender a tradicional missa da manhã de domingo! De cancelar o churrasco com os amigos ao meio-dia! De ficar uma semana sem sair de casa!  De fazer me lembrar do bloco dos presos no carnaval carioca (dos anos 1970/1980) que - liberados na quarta-feira de cinzas - saíam em desfile. O nome do bloco era "O que é que eu vou dizer em casa?". Ainda bem que neste momento estou morando sozinho em Curitiba. Se não estivesse, não saberia o que dizer ao chegar em casa. Na saída do estádio encontrei vários conhecidos e amigos atleticanos, todos irritados, desapontados, envergonhados. Perdemos mais uma e em casa. Há quantos anos o Atlético não perdia duas partidas seguidas como mandante? A chegada ao estádio foi normal mas havia um engarrafamento, mesmo uma hora antes. Cheguei a me auto-enganar, pois pensei que o estádio iria lotar, que a torcida estivesse entusiasmada depois da vitória de Guarantinguetá. Mas a agente de trânsito parnanguara logo me explicou que era por causa de um encontro de motoqueiros, que a cidade estava cheia de motos, ela mesma pilotando uma. Depois de muito procurar, com a inflacionada (pelos motoqueiros) taxa de R$ 20,00 pela vaga, consegui estacionar. Foi numa rua sem saída, na garagem da proprietária, "trancando" a saída do carro dela. Pagamento adiantado, claro, que ela dividiu com seu agenciador, um rapaz muito atencioso e feliz. Até hoje eu pagara apenas a metade pelo estacionamento. Mas, como desta vez o carro ficou na garagem alheia, respeitei a "propriedade privada" e nem reclamei.

    A novidade da partida foi o trio de arbitragem. Um árbitro e duas auxiliares. Duas mulheres como "bandeirinhas". Gostei! Não só pelo fato de ver duas mulheres auxiliando o árbitro neste esporte ainda machista e preconceituoso, mas porque ambas foram muito bem. Trabalharam muito bem. Não se intimidaram, foram muito firmes em suas marcações. Enfeitaram a tarde (não conheço nada que enfeite mais uma tarde, uma noite, um dia e noite, do que uma mulher; duas, melhor ainda) e trabalharam de forma a causar inveja a muito marmanjo com anos de experiência e distintivo da FIFA. O jogo começou, o Atlético jogou com equilíbrio o primeiro tempo (o que, aliás, vinha acontecendo com freqüência). Normalmente nosso treinador desequilibrava o time no intervalo ou logo depois dele. Contra o Vitória fizemos um bom primeiro tempo, aí no intervalo ele tirou o centroavante (Tiago Adan) que segurava dois zagueiros. O adversário veio pra cima e fez o gol. Então ele percebeu a burrada e, depois de estar perdendo, recolocou um centroavante - o Fernandão (também conhecido por "Parede"). Em Campinas, mesma coisa: no intervalo sacou o Tiago Adan e o Guarani liberou um dos zagueiros e tirou um dos volantes. Por acaso fizemos um gol de cabeça com o baixinho Harrison. Quando o time campineiro virou para 2x1, ele colocou um centroavante de novo (o Parede outra vez), mas tirou o Harrison e ficamos sem armador. Lá em Guaratinguetá, mais uma vez ele substituiu o Tiago Adan, o time local liberou um zagueiro e tomamos um sufoco, quase eles empataram. Hoje, quando o São Caetano fez duas substituições e resolveu atacar mais (o jogo estava 0x0), o nosso treinador cometeu a sua última e derradeira burrice e sacou os dois armadores: um (Henrique) virou ala; outro (Felipe) foi substituído por mais um centroavante. Naquele momento passamos a jogar sem armador,  mas com quatro atacantes, dois deles centroavantes (Marcão e Tiago Adan). O treinador adversário percebeu o "buraco" no meio de campo e foi para o ataque. Assistam o "teipe" do segundo tempo e verão que nosso time desequilibrou-se a partir dessas substituições, em seguida levamos o gol. E o que fez Jorginho? Bem. Aí ele "voltou atrás", tirou um centroavante (Marcão) e colocou um armador (Elias). Chega, Jorginho! Burrice tem limites! Paciência, também! Como diz o meu amigo Paulo Fernando da Silva, "Jorginho é treinador de time pequeno, é medroso!" Medroso e burro! O primeiro sinal de burrice foi, logo na estréia, chamar de "time de fedidos" aos seus próprios jogadores. A última, foi jogar com dois centroavantes e nenhum armador. Tchau, Jorginho!

    "Deu pra ti!", diriam Kleiton e Kledir

    A propósito, nunca vi um clube valorizar tanto um treinador. Ele chegou, chamou de "fedidos" aos seus jogadores, disse que jogador de 20 anos "não resolve" (Pelé tinha 17 anos na Copa de 1958; 21 na de 1962), pediu jogadores, sugeriu contratações. Em pleno campeonato o clube abriu o cofre, foi às compras, pagou caro, trouxe uma dezena de jogadores (Maranhão, Renato Chaves, Saci, João Paulo, Derley - a mula -, Henrique, Felipe, Elias e Marcão). E o resultado é esse: duas derrotas seguidas em casa e um jogo "entregue de bandeja" ao Guarani. Na sua contratação, escrevi aqui, no post "Salve, Jorge!", do dia 27/06, que ele fora campeão da B nacional pela Portuguesa, mas fora ele também rebaixado com a Portuguesa para a B do paulista. Vá, Jorginho! Siga seu destino! O de ser técnico de time pequeno! E as tais contratações? Sem um outro volante, João Paulo (o melhor deles até agora) quase morre dentro de campo. Tem que fazer tudo: desarmar, organizar, até dar passe dentro da área pro Marcão fazer (e ele não fez!). Mas o Derley não é volante? Não! Em quatro jogos Derley mostrou que não é nada. Tem muita vontade e pouco futebol. A mula do meu avô materno, o "Vô Alfredo" trabalhava muito, andava muito, carregava muito. Mas era apenas uma mula! Nada além de uma mula! Os laterais Maranhão e Saci já estão no departamento médico. Felipe é bom de bola, mas nas duas vezes em que atuou - contra Guaratinguetá e hoje - "botou a língua de fora" no segundo tempo. Henrique que era pra ser meio-atacante parece que joga mais como ala. Elias é bom de bola, mostrou isso nos poucos minutos em que jogou. Marcão? Mais um de salário alto pra perder gols. Se for pra fazer o que ele fez, a torcida agradece e prefere Marcelo e Tiago Adan. Alias, a nação rubro-negra merece mais dedicação, mais garra, mas raça, mais vontade, mais suor!

    Pelé, revelação na Copa de 1958, não jogaria no time de Jorginho

    E o dono? Depois da entrevista de Guaratinguetá, em que o Petráglia disse achar difícil subir este ano, é de se pensar. E pensar muito! Será que não querem subir este ano porque não teremos estádio pronto para o Brasileiro de 2013? É preciso esclarecer isso o mais rápido possível. Os atleticanos não podem ser enganados. É pra subir ou é apenas pra armar um time pro ano que vem? O novo técnico, seja quem for, vem pra colocar o time no G-4 ou para preparar um time para a Série B do ano que vem? Vem um "técnico-aposta" (como Carrasco), um "técnico-acadêmico" (como Drubsky), "um técnico-campeão" (como Jorginho)? O que vem por aí? Seja quem for, é preciso esclarecer para o quê vem. E é óbvio: se Jorginho era "campeão", o próximo tem de ser muito mais do que isso!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 23h02
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    Onze!

    Onze em campo. Para cada lado. Onze anos. Onze anos depois, nos reencontraremos neste sábado com o São Caetano. Foram 4x2 aqui (clique aqui e relembre os melhores momentos daquela histórica partida); 1x0 lá. Ganhamos as duas. E, assim, em 2001 fomos campeões brasileiros. Quem esquece? Ninguém! Mas amanhã não é aqui e nem lá, é em Paranaguá! Não tem Kleber nem Alex Mineiro; não tem Flávio nem Gustavo; não tem Kléberson nem Adriano. Tem Wéverson e Manoel; João Paulo e Felipe; Paulo Baier e.... E? E mais ninguém! Que triste ver essa camisa sendo usada por "jogadores" como Derley e Fernandão. É triste saber que "contratamos" essas duas coisas. Uma, com todo respeito, parece uma "mula"; a outra é uma parede. Sim, pela ordem: Derley é uma mula (as mulas que me perdoem); Fernandão é uma parede. Mula sem arreios e parede sem reboco. Dá vontade de prender quem contratou. Duas inutilidades! E eu sei que não estou escrevendo nenhuma besteira, assim como sabia que Nieto, Morro e Pedro Oldoni para nada serviriam...

    O time campeão brasileiro de 2001

    Mas a realidade é outra. Estamos na Série B. E amanhã estaremos lá em Paranaguá. Não para vaiar. Eu não vaio nunca! Posso até deixar de aplaudir. Mas gasto minha energia até o fim. E amanhã, em Paranaguá, vamos em busca de mais uma vitória. A Carta Régia de 29 de julho de 1648 transformou Paranaguá em município. É o município mais velho do Paraná, que domingo completou 364 anos de emancipação. Ultrapassado o inferno astral da cidade, que ela nos ajude a subir na tabela.

    O município mais antigo do Paraná

    As chances continuam existindo. Por isso não gostei da entrevista do presidente. Petráglia andou falando, lá em Guaratinguetá, que está muito difícil subir. Ora! Faltam dois terços do campeonato. Das trinta e oito partidas, disputamos somente treze. Jogar a toalha? Já? Atleticano - está no hino do clube  - não joga a toalha jamais!

    À tradição vigor sem jaça
    nos legou o sangue forte
    Rubro Negro é quem tem raça
    e não teme a própria morte
    .

    E que amanhã nossos onze jogadores respeitem a camisa rubro-negra, como fez o garoto Henrique Leonardi - esse descendente de italianos de Tonadico (Trento) e de espanhóis de Málaga (Andaluzia) e Salamanca (Leão), que na época tinha sete anos de idade. E que já encarava a realidade, de frente pra rua, sem medo de nada, sem jogar a toalha, sem vergonha da camisa que veste, honra e ama!

    Henrique Leonardi, com a "10", hoje tem 18 anos e cursa o segundo ano de Direito em Ponta Grossa

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 17h06
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    Do Jorge Samek à extrema-esquerda

    Ontem ao meio-dia, enquanto esperava o voo para Guarulhos, desci até a Engraxataria do Afonso Pena. Quatro engraxates, três atleticanos, um paranista. Começávamos a falar do jogo da noite, contra o Guaratinguetá, quando entrou o Jorge Samek. Fazia tempo que não nos víamos, pelo menos uns quatro anos. Tomado pelos compromissos das funções que exerce já pelo terceiro mandato consecutivo, Samek é aquele amigo de ontem que já foi mais próximo e que hoje admiramos à distância. Foi líder estudantil, dirigente da associação dos agrônomos, vereador de Curitiba, deputado federal. Há quase uma década é o diretor geral da Itaipu Binacional, cargo que ocupa desde os primeiros dias do governo Lula e para o qual foi reconduzido pela presidente Dilma. Sentou-se a meu lado, também para engraxar os sapatos, e conversamos superficialmente sobre a Itaipu, o Paraguay e a deposição de Lugo, o Paraná e as eleições municipais, a politização dos brasileiros do Sul, o Brizola e a rede da legalidade, o sistema de saúde e o preço da soja. Mas conversamos também e, principalmente, sobre o que nos une sem nenhuma divergência: a paixão pelo Clube Atlético Paranaense, que muitas vezes nos proporcionou encontros memoráveis nas arquibancadas do velho Joaquim Américo. Samek também acha que temos chance e vamos subir ainda este ano.

    Em seguida tomei o voo da GOL para Guarulhos (R$ 168,94, em seis vezes, passagem comprada em março, quando saiu a tabela do campeonato). No avião encontrei o Paulo Fernando da Silva, empresário curitibano que tem ido também a todos os jogos do Atlético nesta Série B. Em Guarulhos chegamos as 15h10, dividimos a locação de um automóvel (R$ 99,22 para cada um) e entramos na Ayrton Senna. E - com trânsito lento na parte final da viagem, na Dutra, em razão do movimento dos caminhoneiros - antes das 18h00 estávamos em Guaratinguetá.

    Na cidade do Vale do Paraíba nos hospedamos no Hotel O Paturi, que existe desde 1955 e ainda é dirigido pelos seus fundadores, os octogenários Georges Simon Ligot e Madeleine Louise Ligot, casal de franceses (ele de Le Mans, ela de Marselha). A diária é de R$ 110,00 em cada chalé. Depois do banho, não podíamos deixar de conhecer a gastronomia do local, cuja cozinha francesa também é ainda chefiada pelo mesmo casal. Patê maison, pato com laranja para um e pato com ameixa e maçã para outro, água mineral, coca-cola e café expresso, num total de R$ 85,80 para cada um, já incluída a gorjeta dos excelentes garçons Fernando e Nilton, ambos sãopaulinos. Eu acabei cometendo o sacrilégio de antecipar o vinho. Mesmo antes da vitória, tomei em homenagem à casa francesa o bordeaux  Barton & Guestier, da região de Medoc, safra 2008, 12.5% de álcool.

    E fomos ao futebol. Essa coisa da Rede Globo. Futebol de segunda, às terças-feiras, iniciando as 21h50, quando os trabalhadores já repousam para mais um dia de trabalho. O ingresso custou R$ 20,00 e não foi bem futebol o que vimos. Foi algo parecido. Eram mesmo onze para cada lado, com trio de arbitragem, bandeirinhas de escanteio e até gramado (de quinta categoria!). Os times, uma vergonha! Dá dó de ver o Furacão. Que tristeza! O time - ainda que desordenado, desorganizado, sem nenhum esquema de jogo - conseguiu criar (e perder) várias oportunidades de gol. O time adversário é fraco, paupérrimo, medíocre! Ganhamos porque o goleiro deles deixou passar a bola entre as pernas e não conseguiu segurá-la, só a alcançando depois que ela já havia entrado. Nem precisou de chip. Todos viram. Clique aqui  e veja você também o gol do Atlético. Gol! 1x0! E nada mais! Nada mais, além de outros gols perdidos. Do goleiro à extrema-esquerda, nosso time precisa melhorar muito! Esperemos que o time melhore, como hoje cedo melhorou o trânsito na Dutra e na Ayrton Senna, já sem o bloqueio dos caminhoneiros. Aliás, movimento comandado pelos autônomos, que obrigaram também os motoristas empregados (maiores beneficiados pela lei) a pararem. Depois do café da manhã, saímos as 08h00, paguei R$ 19,90 dos pedágios da volta (um na Dutra, de R$ 10,10 e quatro na Ayrton Senna, respectivamente de R$ 2,00, R$ 2,50, R$ 2,60 e R$ 2,70), as 10h00 já estávamos devolvendo o carro em Guarulhos, antes das 13h00 eu já estava em Curitiba. Pelo Furacão foram mais 1.200km e R$ 528,96 (o combustível custou R$ 45,00 para cada um)

    Felipe estreou bem, mostrou qualidade, mas cansou no segundo tempo

    Esperando que o treinador deixe de ser retranqueiro, e escale um time ainda mais ousado no sábado, que venha o São Caetano!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h00
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    As tragédias campineiras

    Ontem, entristeci. Muito. São 45 anos. Eu tinha acabado de fazer dez anos, em 1967, quando me transformei em torcedor do Atlético. E foi, como já disse no primeiro post deste blog, no dia 22 de maio, uma paixão enlouquecedora. Eu me apaixonei pelo Atlético na pior fase de toda a sua história. Ele estava fazendo uma péssima campanha no paranaense e, ao final do campeonato, foi rebaixado para a segunda divisão do estadual. Foi uma "virada de mesa" que nos garantiu na primeira divisão, então chamada de "Divisão Especial" (a segunda divisão era então chamada de primeira divisão; disputar a primeirona naquela época era participar da "primeira divisão de acesso"). Apesar de rebaixados, em 1968 continuamos na Divisão Especial e o falecido Jofre Cabral e Silva montou um timaço, trazendo dentre outros Bellini (o capitão da nossa primeira Copa do Mundo e que estava jogando no São Paulo), Dorval (ponta-direita do Santos de Pelé), Zé Roberto (atacante do São Paulo) e Nilson Borges(ponta-esquerda do Corinthians).

    Mas eu dizia que ontem me entristeci. E muito! Me entristeci pela volta a Campinas e pela derrota em si. Mas fiquei extremamente chateado, envergonhado, chocado ao ver um atleticano agredindo outro. Não quero saber as razões porque não há razões que justifiquem as agressões que presenciei ontem. Não vejo nenhuma necessidade de alguém agredir fisicamente a outra pessoa. Não entenderei nunca a linguagem da força física e da violência. Não compreenderei jamais porque um atleticano precisa em plena arquibancada agredir a outro. Não assimilarei jamais e em hipótese alguma que alguém agrida - e pelas costas - outra pessoa. Muito menos um atleticano agredindo outro atleticano - e ainda mais pelas costas. E eu vi isso. Eu presenciei isso ontem à tarde, em Campinas. A polícia, como sempre, agiu tardiamente: primeiro assistiu; depois andou a passos de tartaruga; somente num terceiro momento agiu para evitar o mal maior. Felizmente nenhum idoso, nenhuma criança, nenhuma mulher sofreu as conseqüências do "corre-corre". Eu não sou do tempo das cavernas nem aceito as leis do atraso e da ignorância. A sociedade civilizada tem regras que permitem solucionar os impasses, as desavenças, os conflitos. A força bruta nunca foi, não é e nem será a solução!

    E no estádio, entre a torcida atleticana havia mulheres, como a campineira Tatiana, noiva do Fernando Brito, que trabalha na Petrobrás e mora em Campinas (na foto abaixo, à esquerda); como a Bruna, de Sumaré (SP), namorada do Robson Silva, curitibano, que também levou seu primo Anderson, morador de Campinas; como as esposas do Anderson Moraes (paranaense de Paranavaí e atualmente residente em Uberlândia, onde trabalha com atletismo) e do Jorge Mussi (paranaense que trabalha na Gerdau, em Campinas);  como a Amanda, noiva do Juliano Pinto, eletricista da Penha, em São Paulo (abaixo, à direita).

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Aliás, o Juliano Pinto merece um comentário à parte. Nascido na zona leste em São Paulo, reduto de corintianos, mora na Penha, nunca morou no Paraná, nem tem parentes atleticanos. Um dia, ainda na infância, sem nem saber bem a razão, gostou da camisa rubro-negra, se transformou num atleticano e é torcedor apaixonado. Ontem, foi de São Paulo a Campinas, de carro, levou a noiva. E fez questão de me contar - e mostrou a foto - de uma visita que fez a Curitiba (também com a noiva) só pra conhecer a Arena da Baixada. O seu carro neste sábado campineiro foi de grande utilidade. Um carioca e um paranaense do Vale do Ivaí, ambos atleticanos e moradores de Campinas, foram de moto ao estádio, mas não puderam entrar com seus capacetes. Juliano, gentilmente, os guardou em seu automóvel. Um curitibano foi com seu sobrinho (de uns dez anos) e seu filho (de uns cinco anos) a Campinas. Foram de avião. Pela manhã em Curitiba fazia frio (12 graus). Em Campinas fez 29 graus as duas da tarde e 27 na hora do jogo, colocaram os agasalhos na mochila. A polícia paulista não permite a entrada de mochilas, o carro do Juliano serviu de guarda-volumes mais uma vez. Torcedores como Juliano, solidários e companheiros com quem sequer conhecem, são os verdadeiros atleticanos.

    Eduardo (de Campinas), Luiz Carlos Schroeder, Robson (de Curitiba) e sua namorada Bruna (de Sumaré)

    E havia muitas crianças, inclusive o pequeno filho do Anderson - que ainda não caminha nem  fala, mas estava lá vestido com o manto sagrado. O mesmo manto sagrado que ontem foi manchado de sangue, envergonhando a todos nós. Não acredito e jamais acreditarei que um atleticano - em sã consciência - possa se vangloriar de ter sujado de sangue a camisa rubro-negra vestida por outro atleticano.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Anderson Moraes, segurando o filho, e Jorge Mussi                                                                                               Jorge, Anderson e Luiz Carlos Schroeder

    Eu disse lá início que havia ficado triste pela violência, pelo jogo e pela volta a Campinas. Essa cidade, infelizmente, é marcada na minha vida por coisas ruins. Eu a conheço há mais de 50 anos. Quando criança, no início dos anos 1960, meu pai aproveitava as viagens em que ia a Piracicaba buscar cachaça com seu caminhão e levava a mim e às minhas irmãs a Campinas. Íamos fazer tratamento no Instituto Penido Burnier, então considerada a melhor clínica oftalmológica do país. Depois, em 1968, meu pai foi submetido à uma cirurgia, no hospital de Beneficência Portuguesa, para a extração de um tumor cerebral maligno. Nove dias depois, sem alta, morreu com pneumonia, certamente decorrente de infecção hospitalar (naquele tempo nem se falava disso). Foi a essa cidade, berço de Carlos Gomes (ironicamente o autor da ópera "O Guarany"), que voltei ontem. Cheguei cedinho. As 08h35 desembarcamos do voo da GOL, passagem (R$ 199,32) comprada em março e divididas em seis vezes no cartão de crédito. No aeroporto, peguei o ônibus executivo para o centro (R$ 9,00). Depois fiquei sabendo que a linha circular, cuja viagem, leva uns cinco minutinhos a mais, custava apenas R$ 3,00. Das dez ao meio-dia, por duas horas transpirei muito, usava camisa de manga longa e carregava minha jaqueta no ombro. Em contraste ao frio curitibano, no "inverno" campineiro fazia quase 30 graus. Andei pelo centro, por mais de duas horas, fui até a velha e bonita estação ferroviária de estilo inglês - onde um dia, há quase 50 anos, eu chegara à cidade de trem, vindo de Piracicaba.

    Depois, vi muita propaganda política, um comércio a pleno vapor, muita gente na rua, revisitei os vários largos da cidade (da Catedral Metropolitana, do Rosário, da Basílica do Carmo), passeei na quase abandonada e sempre linda Praça Carlos Gomes, achei que a cidade já foi mais limpa e que suas ruas não eram tão esburacadas. Andei mais uns 20 minutos a pé, do Centro até o Cambuí, fui almoçar no centenário (110 anos) Bar do Alemão de Itu. Fazia 18 anos que eu estivera lá pela última vez. Na época o restaurante ainda funcionava na Júlio de Mesquita. Fui muito bem atendido pelo Lucas e pelo Edmar, este garçom daquela época. Tomei dois chopp, comi mais um eisben, gastei R$ 81,40. Pra fazer a digestão, fui a pé ao Centro de Convivência, onde aos sábados e domingos acontece a feirinha de Campinas. Nela se presta uma homenagem a este grande brasileiro chamado Teotônio Vilela, o comandante da campanha pela Anistia (nos tempos da ditadura militar), de quem a maioria dos brasileiros lamentavelmente quase nada sabe.


    No "Brinco de Ouro da Princesa" - a princesa que anda desnuda, sem nem mesmo uma bijuteriazinha a lhe enfeitar (me nego a falar da lamentável situação dos sanitários imundos e sem iluninação) - cheguei cedo. Não vou analisar o jogo. Aliás, não sou analista. Sou torcedor! Mas posso garantir que sem ousadia não iremos a lugar nenhum. Futebol sem ousadia rima com futebol de covardia. E de covardia, basta a da violência! Jorginho mentiu. Numa das suas primeiras entrevistas, como treinador do Atlético, disse que gostava de jogar no ataque. Mentiu! Se contra o sofrível Guarani jogou com uma linha de quatro defensores e três volantes, como será contra São Caetano, América-RN, Criciúma e Paraná (todos à nossa frente na tabela)? Ou esse time ataca ou perde! Meu pai me ensinou (lembram?) que pra ganhar - no futebol - tem que fazer mais gols que o adversário. E que, pra fazer gols, tem que atacar! E jogador que quer subir tem que jogar com vontade, não pode achar que já é estrela do Barcelona. É pra subir ou é pra fazer time pra segundona do ano que vem? Decida Jorginho!

    Ao final do jogo, peguei uma carona com o Paulo Fernando (que havia alugado um carro) até o aeroporto. La comi um filé ao molho madeira e tomei uma coca-cola (R$ 32,40). Depois de mais 960km e R$ 322,12 a menos, uma da manhã eu estava em casa.



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 15h26
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    Do Uruguay - os vinhos, a gastronomia e Morro García

    Na segunda quinzena de agosto do ano passado, Turquinha e eu estivemos em Rivera (Uruguay), bem na fronteira, onde os países se dividem por uma avenida que une a cidade uruguaia à gaúcha Santana do Livramento. Almoçamos no Cambalache, restaurante tipicamente charrua. Comemos um delicioso cordeiro, tomamos um Amat, excelente tannat produzido ali pertinho, em Cerro Chapéu, pela Bodegas Carrau. A vinícola tem vasta história e pertence à família espanhola, oriunda da Catalunha, que junta os sobrenomes Carrau-Castel-Pujol e trabalha com vinhos desde 1752.

    Amat, um tannat que honra os uruguaios

    Os garçons que nos serviram, um hincha do Nacional e outro do Peñarol, depois de saberem que eu era torcedor do Paranaense - forma como identificam o Atlético no Uruguay e também na Argentina e Paraguay -, logo perguntaram sobre o Morro García. Que havia acabado de fazer seus dois primeiros - e únicos - gols com a camisa rubro-negra, ambos contra o Botafogo. O que torcia para o Nacional, quis saber se Morro estava jogando bem no Brasil, pois no Uruguay era um jogador mediano, que há pouco tinha sido o artilheiro do campeonato. O torcedor do Peñarol foi logo dizendo que o pessoal do time adversário havia feito um grande negócio, vendido um tranvía a peso de ouro. Tranvía? Sim, um "bonde"! Ambos foram unânimes em dizer que Morro não passava de um patadura com muita sorte, às vezes oportunista. E os dois falaram que foi um verdadeiro negócio da China, mais de 6 milhões de dólares por um jogador que nem é da Celeste.

    Isso. E nada mais!

    Voltamos ao Brasil, passaram-se mais três meses e meio de campeonato brasileiro. Morro jogou mais umas dez partidas, nenhum outro gol fez. Virou motivo de gozação. De chacota. De piada. A mídia estadual e nacional falavam do caríssimo Morro García, de muito salário e pouco futebol. Se tivesse feito mais uma meia dúzia de gols, provavelmente não teríamos caído para a segunda divisão. Ao final do ano, virou tema eleitoral no Furacão. Petráglia foi muito claro desde o início, dizendo que iria procurar devolver o jogador, rescindir o contrato de compra, sustar o pagamento das parcelas, etc. Mas teve que suspender a medida, pois contratou como treinador exatamente o homem que revelou Morro García. Carrasco tentou em cinco oportunidades. Viu que o jogador não conseguia nem tocar na bola. Me lembro do jogo em que ganhamos de 4x0 do Roma, lá no Janguito Malucelli. Quando estava 3x0, no finalzinho, um pênalti. A torcida, que havia vaiado a entrada do uruguaio, fez coro pedindo "Morro, Morro, Morro", para que ele cobrasse o pênalti. Não teve a personalidade do Harrison. Que bateu e fez o quarto gol. Depois de Renato Gaúcho e do Delegado Antonio Lopes - ambos contratados pela mesma diretoria que havia trazido o atacante uruguaio -, agora era o seu conterrâneo Carrasco que desistia de Morro García. Ao seu lado, só restou o ex-presidente.

    Já sem crédito, restou a conversa à beira do campo

    No início de março último voltei ao Uruguay, desta vez a Montevidéu. O Atlético havia acabado de ganhar o primeiro turno do campeonato paranaense. O motorista do táxi que me levou do aeroporto de Carrasco ao centro me perguntou sobre o outro Carrasco, o treinador. Eu elogiei. Ele falou que o homem era mesmo um treinador corajoso, que colocava o time "pra frente", mesmo com o risco de ser derrotado. Torcedor do Nacional, me disse que Morro estava sendo negociado com um time do Emirados Árabes. Respondi que desconhecia o fato, que no Brasil ninguém havia dado a notícia. Sobre Morro conversei com ele (o motorista de táxi); com o recepcionista Pepe, do Íbis Hotel; com o Juan, dono da banca de jornal em frente ao caça-níqueis do Casino Marroñas, na 18 de Julho; e com a Andréa Fabry, renomada somellier do Francis, um dos melhores restaurantes de Montevidéu. Todos, sem exceção, acharam absolutamente normal que Morro García não desse certo no Brasil.

    Francis, um bom e requintado restaurante de Montevidéu

    O gerente da Preciados Licorería (onde se compram os vinhos uruguaios a bom preço e ótimo atendimento), chegou a me dizer que Morro García nunca havia sido convocado para a seleção principal do seu país. E fez questão de dizer que o Uruguay tem apenas 3 milhões de habitantes e que, somadas as três divisões do futebol profissional, havia no país pouco mais de 40 times de futebol (praticamente o mesmo número de equipes profissionais das três divisões paranaenses). E mesmo assim, disse ele, Morro nunca foi convocado para a seleção principal, parou mesmo nas categorias de base. E acrescentou, por conta própria, que Morro não tinha "bom comportamento". Já o meu velho amigo Alfredo Etlin - a quem carinhosamente eu chamo de "Alfred" -, filho de suiços e sexagenário garçom do La Chacra, no Mercado del Puerto, foi irônico. Enquanto me servia as costeletas de cordeiro, riu quando falei de Morro García. Ele, que já havia dado gargalhadas quando o Botafogo contratou Loco Abreu, me disse: "Atacante bom, daqui, vocês só levaram o Pedro Rocha. Os outros, os argentinos e europeus levaram antes"

    Costeletas de cordeiro do La Chacha del Puerto, servidas pelo velho "Alfred"

    Enfim, ao lembrar dos vinhos e da carne uruguaia, aproveitei para falar do Morro García. E por que falar dele? Porque a torcida atleticana é uma eterna apaixonada. Apaixonada até pelo que não deu certo. E, apaixonadamente, vive a discutir se Morro García deve ou não deve jogar. Na verdade, Morro García é coisa do passado. A diretoria já decidiu que não o quer, está discutindo o negócio na Justiça, quer devolvê-lo. O Nacional o aceita de volta, mas Morro quer continuar ganhando 50 mil dólares mensuales. Uruguaios? Já tivemos o comandante Gustavo Matosas, na campanha de 1995; agora temos o pequeno Martín Ligüera. Vamos com ele! Antes, porém, pra esquecer a derrota amarga contra o Vitória, que tal um massini? Massini é o legítimo postre uruguaio. É uma espécie de crema catalana, prima do vizinho francês crème brullé. Mas massini é um pouco diferente, é mais gostoso, mais leve, só se faz lá no Uruguay. E o melhor é o da Confitería Carrera (na Praça do Corpo de Bombeiros), que o distribui aos  melhores restaurantes da capital.

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h24
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    Marcelo, um grande atacante!

    Quando os “analistas” das emissoras de rádio e televisão, também os dos jornais, falavam num tal de Patrick, nas discussões com o “Seu Luiz” - porteiro aqui do prédio e atleticano há mais de meio século - eu insistia e dizia a ele que atacante bom era o Marcelo. Falavam muito num lateral-direito chamado Raul, eu dizia que na defesa daquele time da Copinha só tínhamos um para ser aproveitado na equipe principal, o zagueiro chamado Manoel. Isso, obviamente, não significa que eu saiba mais do que os tais “sabetudos” da mídia. Muito menos significa que eu entenda alguma coisa de futebol. Muito provavelmente nem eu nem eles (salvo raríssimas exceções) entendemos de futebol.

    Matheus Schroeder em frente ao Caranqueijão, os times já em campo

    Joguei futebol até ser clinicamente proibido, fui treinador e diretor de equipe infanto-juvenil, trabalhei em liga amadora de futebol, fui repórter esportivo de rádio e jornal, trabalhei na federação paranaense de futebol, fui dirigente de um clube de futebol profissional. Depois, por razões ligadas à minha atividade profissional, tive que me afastar do futebol, permanecendo ligado a ele apenas como torcedor. Nestes quase (faltam alguns dias) 55 anos de vida aprendi algumas coisas sobre futebol. E aprendendo algumas coisas, aprendi principalmente reconhecer as qualidades de um jogador. Já discuti muito nas arquibancadas da Arena por defender Jorge Henrique, Morais, Fransérgio, Renan Foguinho e tantos outros. Agora mesmo, devo ser um dos poucos a ver futebol no Tiago Adan. Para mim, um excelente centroavante. Tem presença na área, bom porte físico, toque de qualidade, velocidade, inteligência. O gol que fez contra o ABC não é gol de Fernandão, Nieto ou Finazzi. É gol de quem sabe o que está fazendo ali na pequena área. E o passe que deu terça-feira, para o primeiro gol de Marcelo, é coisa de quem joga em equipe, de quem sabe fazer algo mais do que chutar ou cabecear a gol. Se deve ser escalado, se deve ser titular, se deve jogar já - isso não é problema meu, é do treinador. Só não quero que queimem mais um. A propósito, ontem Tiago Adan esteve muito bem marcado, sempre por dois zagueiros.

                                                                                                                                                                 

       Luiz Carlos Schroeder, no Carangueijão

    Mas eu comecei falando do Marcelo. É dele que quero falar mais. Acho esse rapaz um excelente atacante, um ponta-direita dos meus tempos de guri. É veloz, sabe erguer a cabeça, tem bom passe com a bola rasteira, chuta bem, é excelente driblador. Se eu fosse o treinador daria total autonomia para ele driblar, fintar, barbarizar, escandalizar, receber faltas, sofrer pênaltis, provocar cartões amarelos e expulsões dos péssimos zagueiros da segundona. Ontem perdeu dois gols “feitos”. No primeiro, ainda no início do segundo tempo, aproveitando rebote do goleiro em chute de Bruno Furlan, faltou um pouco de tranquilidade. O placar estava fechado. Faríamos 1x0. A história seria outra. No segundo, quando já perdíamos, restavam poucos minutos, o gol estava aberto e sem goleiro. Chutou com toda a força do mundo, a bola saiu lá do outro lado. Uma pena! Não se abata, rapaz! Só perde gols, quem faz! Só perde grandes gols, quem faz grandes e decisivos gols. Que a torcida tenha paciência e não “queime” esse excelente atacante. Que o Marcelo não se desespere e saiba superar o que aconteceu ontem à tardinha lá em Paranaguá. Certamente, Marcelo nos dará grandes alegrias ainda neste ano.

    Marcelo, um grande atacante

    Em relação ao jogo em si, o time não me decepcionou. Ao contrário. Acho que foi nossa melhor partida no campeonato. O time jogou com equilíbrio e tranquilidade até levar o gol. De certo modo, isso é normal na medida em que tentou buscar o empate e abriu mais possibilidades para o contra-ataque do adversário. Acho que o João Paulo sentiu a falta do Renan Foguinho e não se acertou bem com o Derley (treinaram juntos muito pouco). Baier e Ligüera foram muito bem marcados. Como bem marcados também foram nossos laterais. E não culpo o Maranhão pelo gol. Se ele ataca alguém tem que cobrir. E quem devia estar na cobertura era o Derley. E Derley não estava. 1x0 pra eles, placar final. O adversário, aliás, me surpreendeu. Dos times que vi jogar até agora, o Vitória é o melhor, o mais “acertado” dentro de campo. Não tem a mesma qualidade individual do América Mineiro, mas tem padrão de jogo, é taticamente bem organizado, um perfeito e incansável sistema de marcação, tem a cara do seu treinador (Carpegiani é disparadamente o melhor treinador desta Série B).  O Vitória não conseguiu voltar à Série A no ano passado, agora se preparou bem melhor. Neste ano deve ser um dos quatro a subir, lutará até o final pelo título.

    Paulo Cesar Carpegiani, foi um craque

    Eu e Matheus, meu filho, saímos ontem as 11h00 de Florianópolis, nosso voo de Buenos Aires atrasou e dormimos até mais tarde do que podíamos. Almoçamos novamente no Grün Wald (o alemão que desta vez não deu sorte), gastamos R$ 38,50 por pessoa. Na estrada pagamos R$ 4,10 em três pedágios em Santa Catarina (um de R$ 1,50 e dois de R$ 1,30), R$ 5,50 na travessia do Ferry-Boat, mais R$ 13,90 em um único pedágio paranaense. De Florianópolis até Paranaguá, e depois até Curitiba, foram 401km e R$ 142,38 de gasolina.


    O marreco do Grün Wald não deu sorte contra o Vitória

    Para os que se interessam pela matemática, nestas 12 partidas já fiz 17.513km e gastei R$ 3.981,27. Vale a pena?, me perguntam muito. Respondo que, uma vez na vida, vale! E, havendo tempo e disponibilidade financeira, vale sempre! E, se puder escolher o momento de acompanhar o time, faça-o na pior ocasião, quando sentir que o time esteja “por baixo”. Pois nos bons momentos, nas épocas das vacas gordas, nos momentos das grandes conquistas, sempre haverá muita gente para apoiar o time.Também me perguntam se vamos nos classificar. Tenho absoluta convicção disso. Mas em nenhum momento achei que fosse fácil. Sei (e tenho escrito isso por aqui) que será muito difícil, que lutaremos até o fim, que sofreremos até as últimas rodadas. Os três pontos que perdemos ontem, vamos buscar fora. Sábado que vem, num “bate-e-volta”, lá estarei.



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 03h01
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    Três vitórias, três vinhos, três dias em Buenos Aires...

    Meus amigos! Era assim que João Saldanha se dirigia a todos nós, seja pelo rádio ou pela TV. Foram três vitórias seguidas. Quase dois anos que isso não acontecia na vida dos atleticanos. Três vitórias magras, flacas, delgaditas. Vim, agora há pouco do almoço tardio no El Obrero, um dos melhores restaurantes de Buenos Aires. Como o nome diz, "O Operário", o restaurante - inaugurado em 1954 - é um dos mais simples e populares. 

    Fica em La Boca, numa rua de apenas duas quadras (Agustín Cafarena, 64) e pouco movimentada, quase debaixo do viaduto da rodovia que leva a La Plata. Feio por fora, parecendo uma casa abandonada, continua não aceitando cartão de crédito. Mas a comida - sejam as carnes, as pastas caseiras ou os peixes e frutos do mar (estes sempre à moda espanhola) - são de dar água en la boca, literalmente. Sua clientela é formada pelos trabalhadores dos escritórios do porto, Maradona, Bono Vox, Carlos Bianchi, Francis Ford Coppola e - sem nenhuma arrogância - por mim, que o freqüento há quase dez anos. Recomendo! Matheus, o meu filho, gostou muito.

    Matheus Schroeder

    E o que tem a ver El Obrero com o Furacão? Três vitórias em oito dias, mais de um ponto ganho por dia, três vinhos e muita alegria. E, para comemorar, três dias em Buenos Aires, cidade com a qual me identifico política, cultural e futebolisticamente. Aqui, na terra de los hermanos, vim buscar mais energia, mais força, mais firmeza e determinação. Que a raça argentina - e os vinhos, claro! - nos inspirem!

    Há poucos dias quase ninguém acreditava na possibilidade de recuperação. E eu pedia calma a quem encontrava, que tivesse um pouco mais de paciência, que as coisas iriam se acertar, que a diretoria não estava dormindo, que viriam momentos bons. Lembro-me que lá em Belo Horizonte, antes do início da partida, há menos de duas semanas, muitos não gostaram quando falei que provavelmente perderíamos naquela tarde para o América Mineiro. Mas que eu, mesmo assim, os convidava para irem a Goiânia, na sexta rodada do segundo turno, comemorar a nossa entrada no G-4. O curitibano Paulo Fernando (que foi a todos os jogos até aqui), o Gabriel de Uberlândia, o Wagner de Ribeirão Preto, o Giuliano de Curitiba, o André Ricardo (também de Curitiba e que estava lá com o Sérgio, seu pai) me olharam "meio assim". Mas eles me entenderam - são atleticanos de verdade. Estavam tristes, um pouco desanimados. Mas não perderam a confiança. Eu os espero em Goiânia no terceiro final de semana de setembro.

    Luiz Carlos Schroeder e o jornalista André Ricardo Guenzen, terça, em Floripa, no jogo contra o Avaí

    Vai ser fácil? Engano seu! Será muito difícil, Temos 17 pontos, precisamos de mais 50 para subir. Precisamos ganhar seis pontos a cada nove disputados. Nos restam mais 27 partidas. Se conseguirmos essa meta (seis pontos a cada nove), passaremos dos 70 pontos. Mas eu continuo confiante, aliás como sempre estive, desde o início. O meu bonequinho de chapéu, aí ao lado, continua dizendo "Estou otimista com o Furacão!" E cada vez mais!  Eu gostaria de ver você, atleticano, sábado no Carangueijão. Lá, nossa média de público tem sido de 3.000 pessoas. Uma média ridícula para a nossa história. Que tal o dobro neste sábado?



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h35
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    Aos netos!

    Manhã fria e chuvosa na capital do Paraná. Matheus, meu quarto filho (dos meus cinco é o único do sexo masculino), me acompanha nesta viagem. Antes de deixar Curitiba, vi meus netos. Francisco (2 anos e 3 meses) e Alice (8 meses). Filhos da Maíra, minha primogênita. Os dois netos são nascidos e moram em Santos, terra do time de Pelé e Neymar. Não será fácil, mas faremos o possível e o impossível para, cada vez mais, aumentar o número de atleticanos. É possível presentear crianças em Santos com lembrancinhas rubro-negras. Minha filha e meu genro Maurício fazem isso. Aí estão as provas!

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Saímos de Curitiba ao meio-dia, descemos a 376, com muita neblina e chuva, dois acidentes. Um caminhão que saiu da pista e dois automóveis que se chocaram entre sí. Os dois acidentes envolvendo veículos que desciam. Almoçamos no "alemão que da sorte", o Grün Wald. Já tínhamos almoçado ali (Renato Zeni da Rocha e eu) no dia do jogo contra o Joinville (4x1). Hoje o Guilherme Buttke, garçom, nos atendeu de novo. E, como sempre, foi muito atencioso. Dissse que ganharíamos do Avaí - já havia dito que ganharíamos do Joinville. Marreco recheado, joelho de porco e camisa rubro-negra dão sorte. Camisa branca não ajuda (jogamos quatro e perdemos todas, contra Boa, CRB, Ceará e América Mineiro). Me surprendeu a quantidade de torcedores atleticanos na Ressacada, mais de 200. Gostei do time. Paulo Baier fez um brilhante primeiro tempo. Marcelo (foto abaixo) aproveitou as duas chances e fez dois gols, coisa que não fizeram Ricardinho e Tiago Adan. Belo jogo do goleiro Weverson. Mas me agrada muito esse operário da bola. Não aparece para a torcida, mas sabe se posicionar como poucos. Tem nome de papa, mas é o Bugre de Beltrão, João Paulo! Com ele, nosso meio-de-campo é outro. Ganhamos mais uma. 2x1 no Avaí. Foi a terceira vitória consecutiva. Estamos a três pontos do grupo de acesso.

    Do estádio, andamos por 2,5km na madrugada fria de Florianópolis. Caminhando, chegamos ao aeroporto. As 04h10 Matheus e eu vamos a Buenos Aires. As 06h30 estaremos em Ezeiza. Voltamos na noite de sexta, chegando aqui em Floripa as 01h10 de sábado. Dormiremos, depois seguiremos viagem para Paranaguá, onde na tarde de sábado vamos ver o jogo contra o Vitória da Bahia. Aqui no aeroporto, no Conquilha Restaurante, atendido pelo blumenauense e gremista Leandro, com um chese-mignon (R$ 21,00), tomei meia-garrafa de um merlot chileno, um Terranoble 2010, 13,5% de álcool (R$ 32,00). No trajeto de 324km da vinda de Curitiba até o estádio, gastei mais R$ 5,60 em quatro pedágios (dois de R$ 1,30 e outros dois de R$ 1,50) e R$ 46,20 no almoço alemão. O ingresso custou R$ 20,00 e a gasolina R$ 121,40,

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 02h08
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    A vingança uruguaia!

    Desci a serra mais uma vez. Hoje fui acompanhado pelo Caio, um bom menino, leonino, que vai fazer 16 anos agora no dia 15 de agosto. O Caio é filho do Cesar. Que Cesar? O Cesar Aziul Nedopetalski. Paranaenses de Curitiba, moram há alguns anos no Nordeste, nos últimos três em Recife. Mas são torcedores do Furacão. E só do Furacão! Eu os conheci naquela derrota por 2x0 para o CRB, em Maceió, a última da era Carrasco. Depois nos vimos novamente em Fortaleza, naquela derrota por 1x0 para o Ceará, a última da era Drubscky. O pai está no Recife, mas o Caio veio passar férias em Curitiba, na casa de familiares. Não tinha com quem ir ao jogo, tive o prazer de levá-lo. São amigos que fazemos pelo caminho, em nome do que nos une, o Clube Atlético Paranaense.

    Cesar e o filho Caio, em Fortaleza

    Clima bonito, tarde ensolarada, muitos pais com seus filhos, cores rubro-negras mais bonitas, parecia mesmo um 14 de Julho, data de lembrar do lema da Revolução Francesa: liberdade, igualdade, fraternidade. Mal o jogo começou, Tiago Adan desencantou e, aproveitando jogada de Marcelo com o estreante Maranhão (no famoso overlaping, do Capitão Claudio Coutinho), fez seu primeiro gol, 1x0 Atlético! O time continuou atacando, mas na metade do primeiro tempo, não se sabe a razão, parou de jogar e ficou olhando o ABC passear pelo campo até fazer o gol de empate.

    Tiago Adan, comemorando seu primeiro gol com a camisa rubro-negra

    Veio o segundo tempo e o time se transformou. Jogou com mais vontade, criou várias oportunidades, desperdiçou todas, até que o zagueirão Flávio Boaventura do ABC (uma homenagem à Argentina, Brasil e Chile), quando seu goleiro já estava de posse da bola, resolveu dar um agarrão no uruguaio (quem mandou não homenagear o Uruguai?) Ligüera. A bola estava em jogo, o chato e aborrecido Paulo César Oliveira apontou a marca da cal e expulsou o atleta adversário. Ato contínuo o estreante Wellington Saci colocou a bola debaixo do braço e disse: “Eu bato!” Chegou essa semana, estreou neste sábado, mostrou personalidade, fez seu primeiro gol, 2x1!

    Numa tarde de Maranhão (nascido em Codó, MA) e Saci (nascido em Belém, PA), quem mandou no jogo foi um tal de João Paulo. Nascido em Francisco Beltrão, aqui no sudoeste paranaense, no dia 22 de maio de 1985, o moço mostrou que sabe de futebol. Que foi uma boa contratação. Que vai ser um dos nossos comandantes nessa caminhada de retorno à elite do futebol brasileiro. João Paulo, o "bugre" de Beltrão!

    O Bugre de Beltrão

    Na terça à noite estávamos em décimo-sétimo lugar, na zona de rebaixamento. Em menos de 4 dias subimos oito posições. Ganhamos do Ipatinga e do ABC e já estamos em nono lugar. Falta muito, mas é pérfeitamente possível! Na volta de Paranaguá (R$ 27,80 de pedágio e R$ 68,00 de gasolina, mais 186km), jantei no Dom Carneiro, dos “turcos” Adur, família de atleticanos. Tomei um tinto português das regiões da Bairrada e Beiras. Um “Ensaios”, da Filipa Pato. É um corte de touriga nacional (30%), jaen (35%) e baga (35%). Teor alcoólico de 13%.

    Quero sacar muitas outras rolhas. Valeu!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h54
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    O marketing do sanduíche

    Lá na região de Toledo e Cascavel, Pato Branco e Francisco Beltrão, a criança nasce e - ainda na maternidade - recebe como presente sapatinhos do Internacional, pijaminhas do Grêmio, camisetinhas dos dois. Em Maringá e Londrina, os presentes têm as cores do Corinthians, Santos, Palmeiras (às vezes do São Paulo, principalmente se for menina). Do Atlético, coxa ou Paraná, muito difícil. Difícil até de encontrar. As lojas não encomendam porque não vendem.

    O Paraná, como estado da federação, não tem identidade! Eu, que nasci há mais de meio século em Toledo (550km de Curitiba), senti bem esse problema. Tudo começava pelo básico: não havia sequer uma emissora de rádio (como ainda não há) que cobrisse com seu som todo o Paraná. Desde cedo, ouvíamos em casa as rádios Farroupilha, Guaíba e Gaúcha, todas de Porto Alegre. Depois aprendíamos na rua a ouvir as rádios Nacional, Tupi e Bandeirantes, estas de São Paulo. Às vezes ouvíamos Globo, Tupi e Nacional do Rio de Janeiro. Rádios de Curitiba? Tinha duas, a Bedois e a Universo. Mas com imensa dificuldade (até hoje) de recepção. Veio a televisão e piorou! Por necessidade de audiência, no horário do futebol dá-lhe Grêmio e Internacional, Corinthians e Palmeiras, Santos e São Paulo, às vezes Flamengo e Vasco. Atlético e coxa, só em decisão. Sabíamos quem era Fiori Gigliotti, Valdir Amaral,  Armindo Antonio Ranzolin, José Carlos Araújo, Ruy Carlos Ostermann, Mauro Pinheiro. Mas quase ninguém sabia quem eram os narradores e comentaristas de futebol no Paraná. E futebol sem rádio, não existe! Clique e veja o que a magia do rádio fazia e faz na cabeça de uma criança que gosta de futebol. O vídeo, aliás, fala também da morte do gaúcho Pedro Carneiro Pereira, um dos maiores narradores do futebol brasileiro.

    O Oeste e o Sudoeste foram colonizados, a partir do final dos anos 1940 por gaúchos; o Norte e o Noroeste, na mesma época, por paulistas. O Paraná, até 1950, acabava em Palmas, Guarapuava, Tibagi, Cambará. O Paraná, como estado com identidade, nunca foi além dessas terras. O fandango, a música do nosso folclore, nem saiu das ilhas de Paranaguá. O barreado, nosso prato típico, nunca subiu a Serra do Mar. O congado, a dança dos nossos negros, jamais passou dos limites das estâncias da Lapa. No interior do Paraná, até hoje é forte a influência da música gaúcha e da música caipira paulista.

    Curitiba, com suas universidades e seu desenvolvimento industrial, recebeu centenas de milhares de interioranos. Aqui chegaram, já torcendo para times de outros estados. E por isso Curitiba está cheia de gremistas, colorados, corintianos, santistas e palmeirenses. Nos últimos vinte anos, até o sotaque da capital mudou. Antes, conhecida pelo “leite quente com dor de dente”, hoje já se sente o “r” puxado. É “interiorrrr” pra cá, “calorrr” pra lá, “amorrr” no meio. Claro, até a maioria dos nossos locutores de rádio e apresentadores de televisão vieram do interior ou são filhos de quem veio de lá. Já fui em jogos na Arena, contra Grêmio ou Inter, e o setor da torcida visitante estava lotado. De paranaenses! De paranaenses da capital e do interior: gaúchos, filhos de gaúchos, netos de gaúchos.

    E o que os clubes da capital fazem para mudar esse quadro? Nada! O que faz o Atlético? Nada! Os clubes gaúchos até hoje fazem pré-temporada no interior. Aqui, escondemos nossos jogadores por um mês no CT do Caju. Não precisamos fazer a pré-temporada fora do nosso “mais moderno e completo CT do Sul do Mundo”. Mas poderíamos ter algumas ações para ganhar as crianças do interior. Já pensou o Atlético presentear cada criança que for a um jogo seu pelo campeonato paranaense - no interior - com uma camiseta básica ou uma bandeirola ou um pequena lembrança? Já pensou sortear uma camisa oficial por semestre em cada escola paranaense? Custa caro? Não! É investimento!

    Hoje tem jogo em Paranaguá. O ingresso custa caro. Não há nenhuma promoção especial para as crianças. Já pensou uma camisetinha bem básica do Atlético no primeiro jogo para todas as crianças acompanhadas do pai ou da mãe? No segundo jogo, desconto de 50% no ingresso da criança? A partir do terceiro, desde que acompanhada, entrada gratuita? Como controlar? Fácil! Todo mundo tem nome e documento. O cara do carrinho do sanduíche, aqui na esquina, controla a clientela com um cartãozinho, onde ele vai carimbando a cada sanduíche comprado. Ao completar dez, ganha-se um de prêmio, pela fidelidade. Quem sabe um dia o Atlético imite o marketing do sanduíche...

    Estádio? Nunca nos emprestarão! Nem nos alugarão! A autofagia paranaense é maior. Aqui, literalmente, um quer destruir o outro. Aqui, também a mídia nos destrói. No RS, em SP, MG ou no RJ, ela protege seus clubes, fala bem deles o dia inteiro, promove seus jogos. Em Porto Alegre, em semana de Grenal, só se fala do jogo, torcedores ilustres são entrevistados, o povo dá palpite, os hinos dos clubes são tocados à exaustão. Aqui? Aqui, em semana de Atletiba entrevista-se a polícia, fala-se do número de policiais que garantirão a segurança, estima-se o número de ônibus que terão janelas quebradas, quantas estações-tubo serão destruídas, etc. E ninguém é preso!

    Enfim, o problema do tamanho do futebol paranaense é o problema do Paraná: um estado sem identidade. Um Paraná rico, forte, pujante. Mas que só tem uma única universidade federal. Não tem sequer uma rodovia em pista dupla que nos ligue (são menos de 400km) a São Paulo, maior centro econômico do país. Para alguns, somos apenas uma extensão do Rio Grande do Sul; para outros, de São Paulo. Para muitos, ainda somos a Quinta Comarca...



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 10h25
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    Outro vinho do Paulo Baier

    Saí pela manhã de Belo Horizonte - onde fiquei por cinco dias - embarquei as 10h20 em Confins, fiz conexão na hora do almoço em Congonhas, desembarquei no Afonso Pena as 15h30. Apanhei o carro no estacionamento e tomei o rumo da BR-277.  Como estava sozinho e cansado, não pensei na hipótese de voltar do litoral após o jogo e subir a Serra do Mar no início da madrugada. As 17h30 eu já estava hospedado na Pousada das Palmeiras, que não recomendo a ninguém. O atendimento é cortês e simpático, o café da manhã é honesto, mas as instalações - antiquadas, sem manutenção e com falta de higiene - não valem o preço da diária (R$ 143,00).

     

    Na 277, a Serra do Mar

    Tomei um banho, descansei um pouco, saí para jantar no Danúbio Azul: casquinha de siri, camarões à milanesa, filé de linguado grelhado, arroz à grega, uma água com gás e um café expresso por R$ 76,00. No restaurante jantavam também mais uns vinte atleticanos que deixaram Curitiba no finalzinho da tarde. E eu, claro, aproveitei para fazer “propaganda” do blog. No estádio encontrei amigos, inclusive um que é meu vizinho no Madre Maria Superior, setor da Arena onde temos nossas cadeiras.

     

    Com nome de valsa, o restaurante funciona desde 1953

    O jogo começou, o Atlético atacou, Paulo Baier ficou sozinho com o goleiro e o bandeirinha (erradamente) marcou impedimento. Logo depois, Ricardinho fez bela jogada, chutou a gol, o goleiro deu rebote, o maestro Paulo Baier não perdoou e fez 1x0. Pensávamos em goleada. Ela não veio. O placar foi esse. Um magro, pobre, desdentado, maltrapilho 1x0. O time até criou outras chances. Mas perdeu qualidade com a saída de Tiago Adan, contundido (antes dos 25’ do primeiro tempo), e a entrada dessa parede que acha que joga futebol, o Fernandão. Aliás, assim que entrou, Fernandão quase fez o segundo, de cabeça, em cruzamento dele, o maestro.

     Paulo Baier, de cabeça, 1x0

    No segundo tempo, quando Baier saiu para a entrada de Pablo, ficamos ainda mais pobres. Perdemos em qualidade técnica, em toque de bola, em vontade, em raça, em disposição. Melhorou um pouco, ao final, com a entrada de Taiberson – que, apesar do nome, parece ser um bom jogador de futebol. Destaque para Renato, que saiu das categorias inferiores e estreou. O destaque para esse garoto não é pelo que fez. O destaque é pelo deixou de fazer de ruim. Tem sido normal, nos últimos tempos, que um garoto da base estreie e – por ter medo ou receio – erre muito e cometa uma série de infantilidades. Renato não foi um destaque positivo, mas não comprometeu em nada. E mostrou personalidade. Depois que o maestro saiu, Renato (com apenas 20 anos de idade) bateu todas as faltas e escanteios. Todas, não! Teve uma que o Pablo resolveu cobrar e – com todo o time no ataque - presenteou o adversário com um contra-ataque.

     

    O trio de ataque - Ricardinho, Tiago Adan e Marcelo - que só jogou junto 25 minutos

    Agora pela manhã, subindo a serra, ouvi um comentarista (coxa) falar que o Atlético havia vencido por 1x0, graças a um gol de Paulo Baier. E fez questão de enfatizar que “o gol não foi de falta”. Ora! Tem gente que comenta – ou apenas assiste - futebol e não nota nada. O nosso artilheiro na Série B é o Paulo Baier. Quatro gols! Nenhum de falta! Três de dentro da área pequena. Um de fora da área, num chutaço, o primeiro contra o Barueri. Repito: três gols feitos de dentro da pequena área. Ou seja, é preciso notar que o maestro está ficando velho (fará 38 anos em 25 de outubro). E, já veterano, descobriu que não tem mais forças para correr pelo meio de campo e armar jogadas. Mas conhece os atalhos, se posiciona bem, sabe ser um terceiro (ou quarto) atacante. E sabe fazer gols! E ontem garantiu o meu vinho. Aliás, quem acompanha o blog sabe que, no jogo com o Barueri, prometi um vinho para cada vitória. O vinho? Um bom argentino Luigi Bosca, De Sangre (um corte de cabernet sauvignon, merlot, syrah), 2006, 14,5% de álcool.

     

    Graças ao Paulo Baier, um segundo vinho

    Para os que se interessam pelas despesas e estatísticas, nessa ida a BH e Paranaguá, gastei R$ 591,44. Para Belo Horizonte, como fiquei em casa (da Turquinha), gastei apenas a passagem de avião (R$ 214,14, pela GOL, em seis vezes, comprada em 12/03, assim que saiu a tabela), as duas passagens de ônibus Confins-BH (R$ 38,50 pela ida-e-volta), o ingresso (R$ 20,00). Para Paranaguá: R$ 27,80 de pedágio; R$ 72,00 de gasolina; R$ 219,00 de hospedagem e alimentação.

    Como é bom ganhar três pontos!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 17h27
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    Esse negócio de futebol, meu pai explicou direitinho...

    O time que entrou em campo não parecia vir de uma semana de treinamento integral. Parecia um grupo de amigos que tinha chegado de um almoço no Xapuri - à base de farto lombo suíno assado na panela, couve desfiada, feijão tropeiro e torresmo - antecipado de uma cachacinha amarela e regado à muita cerveja gelada. E, claro, tendo complementado isso com uma colherada de cada doce do farto buffet de sobremesas - estas recomendadas especialmente pelo economista e engenheiro Francisco Hardy Filho, mineiro de Belo Horizonte, mas que desde os anos 1960 mora em Curitiba.

    A mesa de doces do Xapuri

    Sofrendo um gol (errou o bom árbitro Leandro Vuaden ao marcar o pênalti, pois Manoel não teve a menor intenção de tocar a mão na bola) logo aos 12 minutos, a defesa a la Delegado Antonio Lopes - recheada de zagueiros e volantes - continuou batendo cabeça e levou mais um gol aos 25'. Aí o treinador voltou à realidade, trocou o 5-3-2 pelo 4-4-2, adiantando Cléberson, e deu mais consistência ao meio-de-campo e à zaga. No intervalo, mudou novamente, passando a um 4-3-3, com Marcelo no lugar do cansado Alan Bahia. O time voltou com velocidade, vontade de jogar, facilidade para atacar. E foi logo aos 4' que Gabriel Marques, mineiro de Pedro Leopoldo, resolveu homenagear seus familiares e amigos, presentes em grande número ao Independência, com um golaço!

    O mineiro Gabriel Marques fez um golaço

    Com a velocidade de Marcelo e os constantes deslocamentos de Tiago Adan e Ricardinho, o time continuou atacando bastante, deixando a torcida do América Mineiro em silêncio e seus jogadores atônitos. E aos 21', depois de uma bela jogada entre Paulo Baier e Marcelo, este cruzou e Tiago Adan devolveu para Paulo Baier. O maestro estufou as redes, emudeceu a torcida do Coelho, encheu de alegria aquela centena de atleticanos que estavam no estádio: 2x2! E o time continuou a atacar, procurou o terceiro gol, mas num lance de muita infelicidade, a bola rebateu e sobrou para o atacante adversário que entrou na área e fez o terceiro deles. Nosso técnico fez mais uma mudança tática. Tirou Deivid e colocou o estabanado Fernandão, passando a um 4-2-4. Apesar da tentativa, a substituição - como era de se esperar - não deu nenhum resultado satisfatório.

    Marcelo entrou no intervalo e deu mais velocidade ao time

    Levamos um baile no primeiro tempo, tocamos a música pro América Mineiro dançar no segundo tempo. Mas, meu pai (que não gostava de futebol, preferia o hipódromo ou a "cancha reta") já tinha me explicado isso, de forma bem simples. Eu tinha uns sete anos de idade, ele me disse: "Luiz! São vinte e dois homens correndo atrás de uma bola, onze para cada lado e um treinador para complicar as coisas, um monte de leis que nem o juiz entende direito. Mas o que importa é que pra ganhar você precisa atacar o adversário. E ganha quem faz mais gols." Ontem, como só atacamos no segundo tempo, na soma total, perdemos por 3x2. Simples, assim...

    O esporte do meu pai

    O Estádio Independência ficou bonito, parecendo moderno,  aconchegante. Mas é moderno e aconchegante apenas para a maioria que senta nas cadeiras inferiores. Quem senta (?) nas cadeiras superiores, caso da torcida visitante, só assiste o jogo em pé. Sentado não vê a lateral do campo, não vê a cobrança de escanteio, não vê a substituição, não vê os treinadores, etc. E, o engraçado, é que recebe um ingresso onde está escrito com a maior cara de pau "assento com visibilidade prejudicada". É um desrespeito com o torcedor, uma descortesia com o visitante.

    Seis mil cadeiras que não servem para sentar

    Na primeira quinzena de setembro, o Atlético jogará em Goiânia, contra o Goiás, pela sexta rodada do segundo turno. Acredito que nessa data já estaremos entre os quatro primeiros classificados. Otimismo irreal? Não! Otimismo na dose certa! Pela evolução do time, pelas contratações em andamento, pela ousadia do treinador, creio que estaremos no G-4. Para comemorarmos em Goiânia essa nova posição na tabela, ontem convidei alguns amigos desta caminhada: Gabriel, de Uberlândia, e Wagner, de Ribeirão Preto (que já estiveram também em Varginha); Paulo Fernando (que eu já havia encontrado em Varginha, Maceió e Fortaleza) e Giuliano (que já esteve em Maceió), ambos de Curitiba. A propósito, Gabriel e Wagner levaram ontem um amigo que não era atleticano, mas que certamente o será.  Atleticano cresce na adversidade!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 08h54
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    Meus amores em Belo Horizonte

    Desde ontem, na capital das minas gerais. Em "beagá", onde pela manhã o sol surge como um rebento por detrás do morro e à tardinha morre num belo horizonte, eu vim mais cedo para beijar Turquinha, a minha mulher. Ela, que nasceu nessas montanhas para me aguardar, agora me faz esperar mais uns meses pela sua aposentadoria, a que nos permitirá viver por outras serras, ainda mais belas...

    Afonso Pena

    Nesta cidade, Juscelino foi prefeito e mandou Oscar fazer arte, desenhando a sua primeira grande obra. Que, intervindo na natureza, a fez ainda mais bela! Beleza que proporciona mais lazer - e prazer! - a quem observa, nela passeia, com ela convive. É linda a Lagoa da Pampulha! E é nas belezas de "belzonte" que vim provar meus amores. Não só pela mulher mineira, essa que escolhi para comigo trilhar esse último e longo trecho da caminhada. Mas para viver mais um pouco desta paixão infinita pelo Furacão...

    Igrejinha da Pampulha

    É aqui, também, que neste sábado à tarde o centenário (30/04/1912) e simpático América Mineiro - o único decacampeão do futebol brasileiro (campeão mineiro ininterruptamente, de 1916 a 1925) - nos receberá no tradicional e agora remodelado Estádio Independência. Estádio, aliás, que foi palco da única oportunidade em que os Estados Unidos ganharam da Inglaterra (1x0, em 29 de junho de 1950, partida válida pela Copa do Mundo).

    Estádio Independência

    A maior torcida do Paraná espera que amanhã o Atlético faça um grande jogo, digno da sua grandeza e da mística da camisa rubro-negra, retomando o caminho que nos levará de volta à Primeira Divisão. Dá-lhe, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 16h55
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    João Saldanha, um atleticano sem medo!

    Ontem, se estivesse vivo, faria 95 anos. João Alves Jobim Saldanha, o João Sem Medo, nasceu no Alegrete, em 03 de julho de 1917. Logo no inicio de sua vida os Saldanha, sempre atribulados pelas atividades políticas do chefe da família, Gaspar Saldanha - um importante quadro maragato na Revolução Federalista -, mudaram-se do Alegrete. Queriam fugir da vingança, da perseguição, do revanchismo "pós-guerra". Depois de percorrerem várias cidades do interior do Paraná, dentre elas Clevelândia, Palmas e União da Vitória, decidiram fixar residência em Curitiba.

    João Saldanha, em 1989, um ano antes de falecer

    Foi aqui que João Saldanha teve o primeiro contato com o futebol. E dele, pessoalmente, tive o prazer de ouvir histórias a respeito. Em 1983, em uma de suas muitas visitas a Toledo (onde eu à época era advogado trabalhista e vereador), ao ver uma bandeira do Atlético em minha casa, ele disse mais ou menos o seguinte: "Temos mais coisa em comum, alemão! Meu pai comprou uma casa em Curitiba, no Água Verde, na Rua Buenos Aires, umas duas quadras do campo do Atlético, o Joaquim Américo. Eu tinha uns dez anos de idade. E não perdia nem treino do Atlético. Vivia na Baixada. Só fui conhecer o Botafogo aos 14 anos, quando mudamos para o Rio. Antes de ser botafoguense, eu já era do Atlético!"

    Arquibancadas do Joaquim Américo nos anos 1920/1930

    Além disso, a casa da família Saldanha em Curitiba, pelo seu amplo terreno, permitia uma integração com toda a garotada da vizinhança, que organizava times, campeonatos, jogos, enfim, tudo dentro do estilo de vida da expansão urbana e das novas modas citadinas. Aqui, João completaria o primário na mesma escola e turma de um garoto que ainda seria importante personagem na história nacional como presidente da República, Jânio Quadros. Ambos estudaram perto do campo do coxa, no Grupo Escolar Conselheiro Zacarias, hoje Colégio Estadual Conselheiro Zacarias.

    A Rua XV de Novembro, em 1930

    Com a revolução de 1930, a convite de Getúlio Vargas (que queria a gauchada - chimangos ou maragatos - ocupando a capital federal), a família Saldanha mudou-se para o Rio de Janeiro, onde o velho Gaspar foi "presenteado" com um Cartório do Registro de Imóveis de um subúrbio, região pantanosa e de poucos moradores, onde ninguém vendia e comprava imóveis. Poucos anos depois, a família enriqueceu, pois aquela região virou Ipanema, Leblon, Gávea, Jardim Botânico, São Conrado, Barra da Tijuca, Recreio. E, de um, a família Saldanha passou a ter vários cartórios de registro de imóveis, todos em regiões que passaram a ser consideradas nobres na capital de república.

    Ipanema (primeiro plano) e Leblon, em 1945

    João Saldanha jogou futebol profissionalmente por uns poucos anos no Botafogo. Formou-se em Direito, pela tradicional Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual UFRJ. Depois, estudou Jornalismo e se tornou um dos mais destacados redatores de esportes, especialmente futebol. Fez sucesso como comentarista no rádio e na televisão. Era chamado de "O comentarista que o Brasil inteiro consagrou", pois não tinha papas na língua e era conhecido pelas críticas que fazia a jogadores, técnicos, clubes e principalmente a dirigentes.

    Comentando da Copa de 1970, para a Rádio Globo

    Desnecessário dizer que João Saldanha era um homem  destemido. Quando a seleção brasileira de futebol estava desmoralizada e em crise, foram buscá-lo no final de 1968, para ser treinador. O país vivia momentos complicados, o AI-5 acabara de ser editado. Ele assumiu no início de janeiro e, na primeira entrevista, escalou as "onze feras do Saldanha", time formado com base nos jogadores do Santos e Botafogo. Classificou a seleção para a Copa do Mundo, ganhando todas as seis partidas das Eliminatórias.

    As onze feras de Saldanha, no último jogo das Eliminatórias, em 31/08/69, 1x0 contra o Paraguai, 183.000 pessoas no Maracanã

    No início de 1970 teve seu primeiro grande problema com os militares, desde que assumira o cargo de treinador da seleção brasileira. No México, onde fora escolher as instalações para a concentração da seleção durante a Copa do Mundo, em entrevista com jornalistas e correspondentes internacionais, foi perguntado se era verdade que no Brasil havia torturas. E,  de pronto, respondeu: "Não só há torturas, como inimigos do governo são assassinados. Há muitos mortos e desaparecidos." E entregou aos jornalistas uma lista de mais de uma centena de militantes políticos mortos e desaparecidos.

    No México, lendo aos jornalistas a lista de mortos e desaparecidos políticos

    Ao retornar ao Brasil, não durou muito no cargo. A ditadura entendeu que no México ele estava mais em missão "subversiva" do que "esportiva". Mas João Saldanha era muito popular entre os torcedores e esperaram para demití-lo. Imprensa censurada, e grande parte dela a serviço do regime militar, começaram a dizer que ele achava o Pelé cego, que agredia jornalistas, que quis matar o Yustrich (treinador do Flamengo, na época), dentre outros expedientes para desgastá-lo junto à opinião pública. E a gota d'água veio em seguida. Disseram a Saldanha, numa entrevista, que o general Médici - ditador de plantão - gostaria de ver o Dario como centroavante titular, no lugar de Tostão. Perguntaram, o que ele achava disso. E veio a resposta: "O Médici é gaúcho como eu. Ele sabe onde não deve se meter. Ele não se mete na escalação da seleção. E eu não me meto na escalação do ministério!"

    Num dos últimos treinamentos à frente da seleção, com Gérson e Pelé

    Marxista desde a adolescência, foi do PCB (Partido Comunista Brasileiro) de 1932 até sua morte, em Roma. Faleceu, de enfisema pulmonar (sempre fumou muito), no dia 12 de julho de 1990, menos de três semanas após a final da Copa do Mundo da Itália, onde tinha ido a trabalho. Ao contrário do que muitos pensavam, João Saldanha não sofria de asma. Em abril de 1949, durante um protesto contra a fundação da OTAN e a favor da paz mundial, enfrentou a polícia de peito aberto e levou um tiro no pulmão. Em seguida tornou-se funcionário do PCB e nessa condição assumiu tarefas de grande responsabilidade no Estado do Paraná (onde participou da chamada "Guerrilha de Porecatu" - movimento dos agricultores do Norte do Paraná, que resistiram armados em defesa da posse das suas terras) e no Estado de São Paulo, tanto na luta contra a grilagem de terra, na organização de sindicatos no campo, quanto na aplicação da nova linha política para o trabalho sindical urbano. No Partidão, Saldanha começou como líder estudantil, ainda na Faculdade Nacional de Direito, e nos últimos 30 anos de vida pertenceu ao seu Comitê Central. 

    Na Tchecoslováquia, nos anos 1950

    Em 1985, na sequência de uma série de tarefas de agitação pela conquista da legalidade do Partido, nos estertores do regime militar, e apesar da saúde precária, Saldanha aceitou a missão de representar o PCB na chapa de esquerda nas eleições para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Concorrendo ao cargo de vice-prefeito, contribuiu para a conquista de expressiva votação. Coerente com a visão humanista do futebol, foi um extraordinário desportista, símbolo do mais puro amadorismo, mas que soube analisar o profissionalismo no esporte e ser o maior jornalista esportivo de nossa história.

    Em noite de autógrafos de outro militante comunista, Mário Lago, em plena campanha a vice-prefeito do Rio de Janeiro (1985)

    Em setembro de 1987, João Saldanha esteve em Curitiba, participando do ato de lançamento da "Vila Olímpica" (como se chamavam à época os centros de treinamento), na antiga sede campestre do Atlético, em São José dos Pinhais. Conhecendo o projeto, que somente dez anos mais tarde veio a se materializar no CT do Caju, no dia seguinte escreveu a respeito em sua coluna, no Jornal do Brasil. Nela, falou do seu orgulho de ser torcedor do Furacão. O título da coluna, era "Atlético, facilmente estará entre os 10 mais"...



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 12h48
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    Sou de outro planeta?

    Um sábado de inverno e muito sol. Descemos - eu e meu amigo, o engenheiro-agrônomo Luiz Carlos Balcewicz - pela Estrada da Graciosa. Poucos conhecem, mas fomos por ela desde o Atuba, ali na Copel, passando pelo Canguiri e por Quatro Barras, seguindo pelo traçado antigo. Agora, toda asfaltada, a estrada passa por várias pontes centenárias e pela Morada do Silêncio Chaminé da Serra (da Ordem Rosacruz), chegando até o traçado final e mais conhecido, que vem da BR-116, pouco antes de iniciar a descida da serra.

    Seguimos pelo trecho de Mata Atlântica mais preservado do Brasil - e que, por isso, em 1993 foi declarado pela UNESCO como Reserva de Biosfera da Mata Atlântica. A estrada imperial continua linda, cercada de mata virgem e flores por todos os lados. Continuo me encantando quando passo por ela, nela nunca me canso, sempre que posso viajo nas curvas dela. E sei que centenas de milhares de curitibanos e milhões de paranaenses não a conhecem, uma pena. O movimento era pequeno e foi tranqüilíssima a descida. Lembrei-me que pelo traçado dessa estrada meu pai, no final dos anos 1950,  transportava café - na boleia do seu caminhão fenemê, de truck rebaixado - de Londrina ao porto de Paranaguá.

    O movimento foi tão pequeno que tenho mesmo minhas dúvidas se o curitibano gosta de um final de semana com sol. Nas paradas quase ninguém, churrasqueiras desocupadas, mesas vazias. Em Morretes, até sobravam vagas para estacionar. Havia, por exemplo, várias vagas para estacionar na sombra as 13h13. O Balcewicz, que  é petista de carteirinha, acha que a chegada nesse horário foi um "bom presságio". Mas não me disse se era bom para o PT ou para o Atlético.

    No Restaurante Casarão, onde havia uns 40 meninos vestidos com a camisa do coxa, almoçamos o prato típico da cidade e de todo o litoral paranaense: mariscos ao vinagrete e bolinhos de camarão, barreado, peixe e camarões fritos, molho de camarão, arroz branco e farinha de mandioca. Como estávamos na estrada, bebemos guaraná. O Balcewicz pagou a conta (eu agradeci e por "descuido" germânico nem me ofereci pra pagar). Depois, continuamos a viagem para Paranaguá, onde chegamos uma hora antes do início da partida.

    E, antes do jogo iniciar, já me irritei. Na homenagem ao grande Geraldino - o Geraldo Damasceno -, a quem o Atlético deve muito mais do que horas e horas de silêncio, me irritei com o árbitro da partida. O cara é tão ladrão, mas tão ladrão, que já roubou no minuto de silêncio. Tivemos apenas 35 segundos de homenagem a esse extraordinário homem do futebol - que foi nosso jogador, treinador e diretor do Atlético -, falecido ontem. As novas gerações deveriam se informar um pouco e conhecer mais o quanto de bom Geraldino fez e dedicou ao Atlético, especialmente como treinador - quando muitas vezes ficou meses e meses sem receber seus salários em dia...

    Partida iniciada, partida terminada, senti-me um ser estranho ao mundo dos presentes ao Carangueijão. Eu vi outro jogo. Ao final, a maioria vaiou o time. Eu, não! O novo treinador chegou na quinta, treinou apenas uma vez, queriam o quê? Que o time já tivesse a cara dele? Que o Atlético já fosse um Furacão? No primeiro tempo, em 18 minutos tivemos três jogadas perigosas, todas iniciadas pelo Ricardinho: na primeira o goleiro do Bragantino interceptou, na segunda Bruno Mineiro cabeceou para o chão e o goleiro pegou, na terceira Paulo Baier chutou rente a trave. E ainda tivemos um belo chute do Pablo, que raspou o travessão. O time deles teve uma única jogada de ataque com perigo. No segundo tempo, tivemos sete oportunidades de gol (com Tiago Adan, Cleberson, Manoel, Pablo, Tiago Adan de novo, Harrison e Ricardinho) e o Bragantino apenas duas. E, pra encerrar, deixo claro que gostei do Ricardinho, que mesmo se atrapalhando às vezes, criou várias jogadas de ataque.

    O time havia jogado muito mal contra o Goiás, melhorou contra o Ceará, esteve muito melhor hoje. Eu sou atleticano, eu sou otimista, eu confio no time. E sei que esse é um campeonato de segunda, com times e jogadores de segunda, técnicos de segunda, campos de segunda, dirigentes de segunda. Quem quer ser de primeira, primeiro precisa assumir que é de segunda, depois subir. Hoje, fiz 202km e gastei R$ 72,00 de gasolina e R$ 13,50 do caro pedágio (só na volta).

    Atlético, conte com meu apoio - agora e sempre, na segunda e na primeira, na desgraça e na felicidade...



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 23h35
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    No inferno!

    Fazia dois anos que meu pai havia morrido. Não festejei meus onze nem meus doze anos. No final de julho, às vésperas dos meus treze, perguntaram-me que presente queria. Respondi que meu presente viria em setembro, ao final do campeonato. Disseram-me que eu era um bobo, um idiota, um louco. Que o Atlético era um clube falido, não tinha time, estava fadado à morte. Que mais uma vez o campeão seria o inimigo. Fiz promessa. Prometi a Deus (e a Jesus, também!) que não iria decepcionar minha mãe, que não iria matar nenhuma aula, que seria bom aluno, que iria ao culto (sou de família luterana) todos os domingos, que jamais falaria mal de amigos, que nunca trairia uma mulher, que jamais cairia de tanto beber, que...

    O dia se aproximava e meu comportamento era exemplar. O único problema é que eu não estaria presente à partida final. Toledo era muito longe, quase 600km de Curitiba, nem asfalto havia. E o último jogo estava marcado para ainda mais longe. Paranaguá ficava a mais de 700km.

    Toledo (PR), em 1970

    Na última semana rezei muito. Rezava ao acordar. Rezava no trabalho. Rezava na hora do almoço. Rezava durante o trabalho. Rezava no banho (rezar debaixo do chuveiro é mágico). Rezava durantes as aulas (estudava à noite). Do Colégio La Salle ia direto pra casa, não parava pra bater papo em nenhum bar ou esquina. Em casa, antes de dormir, rezava de novo. Até ao meu pai do céu (o meu pai mesmo!) fiz o pedido, prometendo honrar seu nome. Na véspera, durante todo o dia, nem saí de casa. Eu me concentrava. Notícias da capital eram difíceis. Para ouvir as duas emissoras de ondas curtas de Curitiba cujo som chegava na divisa com o Paraguai era necessário um processo de engenharia: um fio de luz ligado ao aparelho de rádio, que saía janela afora, subia até a aba do telhado e lá era enrolado num prego, onde havia um chumaço de palha-de-aço (era bem mais barato que bombril!).

    A Universo tinha o som mais limpo, mas eu não gostava muito dos repórteres. O narrador até que não era ruim. Dia desses, aliás, li o nome dele numa crônica da Gazeta. Se eu estou com 48, quantos anos terá hoje o Aloar Ribeiro?  Para mim, ele era coxa. Dava mais ênfase aos gols do inimigo. Nossos gols eram narrados, os do inimigo eram berrados. Que ficassem com os berros, pois eu mudava de estação (era assim que se chamavam as emissoras de rádio). A Bedois (então conhecida como Rádio Clube Paranaense, a PRB-2), era melhor. O som não era tão limpo e às vezes (principalmente quando estávamos no ataque, prestes a fazer gol) sumia. Mas tinha dois excelentes repórteres: Jota Pedro e Dias Lopes. Jota Pedro devia ser um polaco (nunca o vi, nem em foto) e, pelo que sei, foi trabalhar na Europa, como homem de rádio de uma fábrica de caminhões. Dias Lopes, magérrimo e careca, era nordestino, um cearense (de Sobral, se não me engano). Este eu conheci quando, anos depois, vim estudar em Curitiba e – a convite do Capitão Weber (será que está vivo?) – fui trabalhar na FPF. Com o Capitão Weber aprendi muito, inclusive que existe gente boa entre os coxas. Poucos, mas existem. Hugo Weber era um homem sério, íntegro, cordial, gentil, educadíssimo, nem parecia um militar em pleno regime de ditadura. Mas eu falava da Bedois, a minha preferida. Lá, além dos repórteres citados,  trabalhavam outros dois que mereciam respeito: Cordeiro e Carneiro. Eram, como diria Osmar Santos, animais! Dos dois, fui um grande fã.

    Mas, naquele sábado, véspera do grande jogo, em nem saí de casa. Me concentrei. Enquanto Sicupira & Cia estavam no Lima´s Hotel (esse mesmo que até hoje está alí na Desembargador Mota esquina com Dr. Pedrosa), em me concentrava em Toledo, na Estilac Leal, quase esquina com Barão do Rio Branco. À noite, sequer fui ao cinema. Meus pensamentos eram positivos, todos voltados ao dia seguinte.

    Sicupira, artilheito de 1970

    Domingo, acordei cedo. Fui ao culto e aproveitei para fazer o pedido final. Lembro de minhas palavras (silenciosas) dirigidas a Deus: “Senhor, me dê esse presente! Juro que serei teu até o último dos meus dias.” Saí da igreja luterana e, sem ir ao La Salle (colégio católico, de origem francesa) assistir a partida do Campeonato Mirim, fui direito pra casa. Nem almocei direito. Tinha maionese de batatas, frango assado (com recheio!) e crush. Mas eu não tinha fome alguma. Nem a sobremesa (arroz doce com sagu de vinho) eu quis. Minha fome era outra. Era a fome de um grito. Um grito enroscado, preso, contido. Um grito que estava atravessado em minha garganta fazia dois anos, desde aquela noite de quarta-feira de 1968, quando - no Dorival de Brito e Silva – aquele grandalhão do Paulo Vechio, aos 47 do segundo tempo,  acabou com nossa alegria.

    E chegou a hora do jogo. Era o jogo da minha vida. Chovia muito em Toledo, era um domingo chuvoso, nublado e frio (naquela época ainda não haviam destruído quase toda a natureza e fazia muito mais frio). Começou o jogo. Os raios que caíam atrapalhavam a recepção do som da Bedois. Às vezes, quase sempre nos nossos ataques, o som sumia. E em  todas as oportunidades em que o som sumia, eu me lembrava de Deus e fazia novos pedidos. E prometia! Minhas promessas, tenho certeza até hoje, foram fundamentais para a concretização daquele sonho.

    Djalma Santos, Zico, Vanderlei, Alfredo, Júlio e Reinaldo, em pé.

    Agachados: Dorval, Sicupira, Zezé, Toninho e Nilson Borges

    Ganhamos! Fomos campeões! Fizemos 4x1 no rubro-negro parnanguara (que palavra bonita!). Depois de doze anos, éramos novamente os melhores do Paraná. Éramos e somos! De todos os nossos títulos, mesmo o de campeão brasileiro, o mais importante – para mim – foi o estadual de 1970. Nunca esquecerei que não tínhamos dinheiro e que – mesmo praticamente falidos – prevaleceu a mística da nossa camisa, a que só se veste por amor. Nunca esquecerei das defesas do grande Vanderlei, da força do xerife  Zico, da elegância do capitão Alfredo, da garra do Júlio (o símbolo da nossa raça!), da categoria de Reinaldo, do espetáculos dos gols de Sicupira (nosso eterno ídolo!) e – é claro – da potência dos chutes de Nilson (o homem que encarna a força e o amor à camisa do time de 1970). 

    Jogava-se com muita raça

    As promessas? Nunca as paguei. Não as cumpri. Por isso sei que estou condenado ao inferno. Por isso sei que – ao contrário dos “Fanáticos” – serei atleticano até depois da morte, mesmo no inferno!   

    (Artigo escrito para o site www.furacao.com, em  2005, na comemoração dos 35 anos do título de 1970) 



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h48
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    Salve, Jorge!

    Não deu certo. O acadêmico de sobrenome do leste europeu não conseguiu se transformar num artista popular. Sebastião Ricardo Drubscky de Campos - o intelectual que não conseguiu se popularizar -, não será um Tião de Campos. Ao menos no Furacão, não será! E nem teve tempo para ser. Vai deixar o campo (profissional) e voltar para o computador, onde continuará escrevendo suas teses sobre tática e estratégia. E, entre os jogadores das categorias inferiores, tentará aplicá-las...

    Para o seu lugar, vem Jorge - o Cantinflas. Desejo sucesso ao novo treinador, mas não acredito em milagres. Sem time, nem aquele careca - alto e magro - da Catalunha resolveria o nosso problema. De qualquer forma, Jorginho fala a linguagem dos "boleiros". E fala em português! Se conseguir transmitir o que sabe, se conseguir motivar um time - que "anda" no meio de campo, se defende como paquiderme e ataca como bicho-preguiça -, certamente nos levará à Primeira Divisão.

    Ainda estamos no começo do campeonato. Carrasco (nosso) agüentou quatro jogos, seis pontos. Tião durou dois jogos, um ponto. Que Cantinflas dure mais que um. Se possível, mais que um turno. Se der certo, mais que um campeonato. Para os que dizem que ele é bom porque levou a Portuguesa (paulista) ao título da segunda divisão, posso responder que neste ano ele caiu com a Portuguesa à segunda divisão (paulista). Mas o meu otimismo continua o de sempre. Ainda temos 17 partidas como mandante e 15 como visitante. Do campeonato, jogamos apenas 15%. Faltam cinco meses para acabar a competição, Jorginho terá tempo de sobra!

    Que os santos nos ajudem. Salve, Jorge!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 19h43
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    A categoria (e a raça) uruguaia!

    O Uruguai é um país que equivale - em termos populacionais e econômicos - a menos de um terço do Paraná. A República Oriental del Uruguay tem 3.400.000 habitantes; o Estado do Paraná tem 10.500.000. O PIB uruguaio é de 50 bilhões de dólares; o paranaense é de 170 bilhões de dólares. E, no futebol, eles estão muito à nossa frente. O futebol do Uruguai é tetra-campeão mundial, o paranaense foi duas vezes campeão brasileiro. Antes da primeira Copa do Mundo, a força mundial do futebol era medida nas Olimpíadas. Eles ganharam as duas primeiras em que esteve presente o futebol (1924, Paris; 1928, Amsterdam) e logo em seguida a primeira Copa do Mundo, a de 1930. Depois ganharam aqui, no Maracanazo de 1950. O futebol uruguaio tem a marca da técnica aliada ao vigor físico. Eles sabem juntar, como ninguém, raça e categoria.

    Dia desses, logo após o empate de 0x0 com o Goiás, ouvi o Renan Teixeira colocar a culpa, pelo péssimo futebol apresentado, no gramado do Carangueijão. Fiquei triste. Quem é mesmo Renan Teixeira? De onde veio? Por onde andou? Quantas vezes vestiu a camisa da seleção brasileira? Quem esse rapaz acha que é? Antes de reclamar - e ao invés de "andar" em campo, como em Paranaguá e em Fortaleza -, devia jogar com mais vontade, com mais raça, correr muito e honrar a camisa rubro-negra. Depois, sim, que reclamasse.

    Em 1970, na Copa do México, a seleção uruguaia (que ficou na quarta posição) tinha um excelente defensor (às vezes jogava como volante), chamado Roberto Matosas Postiglione. Vinte e cinco anos depois, o filho dele - Gustavo Cristian Matosas Paidón - foi o comandante da campanha que nos garantiu o título da Série B e nos levou de volta à Primeira Divisão do futebol brasileiro. Gustavo jogou em vários clubes, dentre eles Peñarol, Málaga, San Lorenzo de Almagro, Racing, São Paulo e Atlético.

    No Furacão, encarnava como ninguém o espírito da segunda divisão. Jogava com raça, mostrava técnica, sujava a camisa, transpirava mesmo em temperatura a zero grau. Depois da conquista do título da Série B, antes de deixar o Atlético, no início de 1996, Matosas ainda disputou o campeonato paranaense. E naquele tempo não havia o moderno Carangueijão. Os jogos, em Paranaguá, eram no estádio da Estradinha, pura areia "pelada", com alguns raros "montinhos" de grama. Quando chovia, um verdadeiro lamaçal que "prendia" os jogadores no areial.

    E é isso que quero mostrar aqui. Matosas, hoje treinador no México, disputando uma bola com vontade, garra, gana, raça. Chovia muito, o "campo" era uma areia movediça, mas Matosas soube "fechar" o lance com um toque de categoria e muita classe. Vejam, clicando, o gol de Matosas. A imagem me foi relembrada pelo atleticano Giuliano Veiga de Oliveira. Quer ajudar, Renan Teixeira? Quer ser campeão da segunda divisão? Quer levar o Atlético de volta à Primeira Divisão do Brasil? Pare de reclamar do gramado onde ainda vamos jogar dezessete vezes e se inspire em Don Gustavo Cristian Matosas Paidón!

    Que a raça, a técnica e a elegância de Matosas nos ajudem!

    Amém!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 17h41
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    A andança por Fortaleza

    Fui na sexta-feira. Vi o jogo ontem. Voltei neste domingo. O voo saiu as 03h00 da madrugada de Fortaleza, chegando as 06h00 em Campinas, onde esperei até 09h30 pela conexão. Em Curitiba, o ponto final da viagem se deu as 10h10 desta manhã. A passagem R$ 580,00 em seis vezes, comprada com quase três meses de antecedência, foi pela Azul e eu recomendo que utilizem seus serviços. O avião é confortável, o pessoal de terra e de bordo é simpático, e não se paga pelo lanche, como ocorreu com a Gol na viagem a Maceió.

    A chegada a Fortaleza no final da tarde, já escurecendo (17h00), foi com muita chuva. No aeroporto tentei um ônibus, mas os motoristas do transporte coletivo estão em greve. De taxi, R$ 36,00. Do aeroporto ao centro, uma viagem de 25 minutos, levou quase hora e meia, pois muitas vias estavam interrompidas, totalmente alagadas, o esgoto invadindo as ruas, calçadas e praças. Aliás, está é a terceira vez que fui a Fortaleza (1975, 2004 e 2012) e sempre me decepciono pelos mesmos dois motivos: a inundação das ruas decorrente de uma chuva e o esgoto correndo a céu aberto. Me hospedei no Hotel Mercure (uma diária a R$ 183,75), localizado no Meireles, um bairro nobre da cidade. Pois exatamente em frente ao hotel, a uma quadra da praia, o esgoto corre sobre o asfalto diuturnamente. Quanto ao atendimento do hotel, não posso deixar de elogiar uma das funcionárias da recepção, a Suyanne, que resolveu o meu problema e conseguiu estender minha diária até 20h00.


    Mas nem só de coisas ruins vive Fortaleza. A cidade está - sim - mais bonita, mais limpa, mais cuidada. E na sexta à noite, depois de devidamente instalado no hotel, saí pra jantar. Queria comer carne. E encontrei um excelente restaurante de carnes, com cortes argentinos, o Cabaña del Primo, onde fui muito bem atendido pelo Almeida e tive o prazer de conversar demoradamente com o gerente Narcizio, torcedor do Ceará. Lá, uma água com gás, uma kafta de entrada, um purê de macaxeira, um ojo de bife e o café expresso custaram R$ 82,90. Retornei ao hotel (o táxi de ida e volta custou R$ 14,00) e, cansado, dormi muito bem. Na manhã de sábado, caminhei pela orla uns 5km e, antes das 10h00, o termômetro já marcava 30 graus.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Apesar do calor, caminhei até o Mercado Central, onde fiz algumas compras típicas de turista (tapetes, colchas, castanha de caju e cachaça artesanal serrana), vi uma família tocando um forró e tomei um suco de sapoti, uma espécie de pera que só dá em terras muito áridas.

      

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    E ainda no Mercado Central, fui surpreendido positivamente. O Furacão existe no Ceará e é mais conhecido e respeitado do que eu imaginava. Aliás, até então eu conversara com garçons, motoristas de táxi, recepcionistas do hotel e todos - sem exceção - sabiam do jogo e falavam bem do time do Atlético. Mas foi no Mercado Central que encontrei uma garrafa com areias coloridas, que representava o Furacão. Lá também comprei três miniaturas da cachaça artesanal com o rótulo do Atlético.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Voltei ao hotel, de táxi (R$ 10,00), tomei uma ducha e fui almoçar no Colher de Pau. É um restaurante regional, onde comi carne de sol com baião de dois, batata doce e rapadura. Antes, tomei uma caipira de (cachaça com) abacaxi e tomei um caldinho de peixe. Tudo, mais uma cerveja Original, me custou R$ 59,83, além dos R$ 15,00 de táxi (ida-e-volta).  E as 15h30 saí, de táxi para o estádio. No caminho, o motorista parou para abastecer o carro, eu achei curiosíssima a propaganda da Petrobrás, não pude deixar de fotografar. O estádio não é perto do hotel, paguei R$ 25,00. Na volta, mais R$ 20,00 de táxi.

    Cheguei ao Estádio Presidente Vargas, 20 minutos antes do início da partida, o acesso foi rápido, organizado, a polícia e o pessoal do trânsito me informaram imediatamente a bilheteria e o portão de entrada da torcida visitante. Paguei R$ 30,00 pelo ingresso e - no momento da compra - a moça da bilheteria me disse que já havia vendido mais de 200 ingressos para a torcida do Furacão. Entrei, todos sentam em cadeira sem encosto, a torcida visitante na sombra, num setor bem localizado, exatamente ao lado da arquibancada coberta. O estádio é agradável, aconchegante, vê-se o jogo de pertinho, faz lembrar o velho Estádio Joaquim Américo. E o gramado, de excelente qualidade, provavelmente melhor do que o de Joinville. Mais uma vez o Furacão entrou com aquela camisa branca sem alma. Ao menos desta vez o time veio até nós, e nos saudou de pertinho...

    Entre os mais de 200 torcedores, encontrei novamente o Cesar e seu filho, curitibanos que moram em Recife e já haviam estado em Maceió. Ambos desde já garantem presença nas duas partidas que faremos em Natal, contra América-RN e ABC. Também mais uma vez presente o Paulo Fernando, empresário curitibano que eu já encontrara em Varginha e Maceió. E tive o prazer de encontrar muitos paranaenses, torcedores do Furacão, que moram e trabalham em Fortaleza, dentre eles o pontagrossense Gilberto Abib (trabalha no Banco do Brasil) e seu filho Gilberto Abib Filho. Aliás, a paixão do "turco" Abib pelo Atlético vale ser registrada. Morando há mais de 20 anos no Ceará, Gilberto pai havia comentado o post anterior, dizendo "Hoje no PV, reencontrar o FURACÃO e muitos amigos!!!! Andamos com a moral meio baixa, mas a verdadeira paixão está no sangue, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, nem a morte nos separa!!!!"

    Nas fotos, é possível ver como o Abib, mesmo tão longe, convive com o Furacão, cujo símbolo está lá nas paredes internas do muro da sua cada de praia, em Morro Branco, litoral sul cearense.

    Vale mostrar também a presença dos familiares do lateral-esquerdo Héracles, que é cearense. Sua família, seus amigos, sua namorada estavam no Presidente Vargas e tinham até coreografia especial. Para a tristeza deles, Héracles foi substituído no intervalo, em razão de dores musculares.

    O jogo? Na minha opinião, o melhor que fizemos desde a partida contra o Joinville. O time mostrou organização, bom toque de bola, troca de passes rumo ao ataque. Quando estávamos envolvendo o adversário e a torcida do "Vozão" já começava a ensaiar algumas vaias, cochilamos e levamos o gol. Quem fez? O Romário. E depois deste, durante todo o jogo o Ceará não fez nenhum outro arremate de real perigo contra o nosso gol. No segundo tempo o time melhorou mais ainda - especialmenmte depois da saída do lento e pesado Fernandão -, continuou chegando ao ataque, teve algumas chances de gol, tivemos três vezes mais escanteios a nosso favor do que o Ceará, mas não convertemos. E o pior, desperdiçamos mais uma vez a chance de empatar, perdendo um pênalti, exatamente como ocorrera em Varginha, desta vez com Paulo Baier. Quem pegou? O Fernando Henrique. Ou seja, eles ganharam, com o PC no comando e papéis decisivos de Fernando Henrique e Romário.

    Continuo otimista! Depois do lanche da noite (R$ 25,00) e o táxi para o aeroporto (R$ 32,00), gastei nesta viagem o total de R$ 1.112,58. Foram mais 6.680km. E tenho certeza: vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 11h56
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    Com o PC no poder, de Fernando Henrique a Romário

    Na manhã desta sexta-feira viajo para Fortaleza. Mais de 3.300km nos separam da capital cearense. Saio as 10h18 e chego as 16h15, com uma conexão (1h30m de espera) em Campinas. Mais uma vez sairei de Curitiba com a temperatura na faixa dos 10 graus, chegando ao destino com uma temperatura de 30 graus. É o Brasil continental e suas diferenças.

    Quinta maior cidade do país (atrás apenas de São Paulo, Rio, Salvador e Brasília), Fortaleza tem dois milhões e meio de habitantes e uma arquitetura moderna. Mas 17% da população não é atendida pelo abastecimento de água e a maioria (54%) não é beneficiada pelo serviço de rede de esgotos. Mesmo assim é a melhor cidade grande do Nordeste em termos de saneamento. Entre as 80 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes, ela situa-se na 32ª posição, seguida de Salvador na 35ª e João Pessoa na 44ª. Os dados são de setembro de 2011 e foram divulgados pelo Instituto Trata Brasil. Apenas, por curiosidade, vale lembrar a revelação do mesmo estudo, segundo a qual, no conjunto dos indicadores avaliados, há três cidades paranaenses entre as dez mais bem posicionadas: Santos (SP); Uberlândia (MG); Franca (SP); Jundiaí (SP); Curitiba (PR); Ribeirão Preto (SP); Maringá (PR); Sorocaba (SP); Niterói (RJ) e Londrina (PR).

    Avenida beira-mar: um dos principais cartões-postais da cidade tem esgotos a céu aberto, causando problemas de saúde aos moradores da área e indignação aos turistas

    É na Fortaleza - capital do estado conhecido pelas suas peixadas e onde se faz uma das melhores “branquinhas” do país - que o Furacão jogará sábado à tarde, contra o Ceará Sporting Club, fundado em 1914. E, por isso mesmo, o Ceará é simpaticamente chamado de “Vovô”. A propósito, no Ceará futebol e cachaça andam juntos. Lá, até Pelé é nome de cachaça...

    Neste sábado a vida vai ser difícil. Temperatura alta, gramado ruinzinho, muita sede e pouco vento. Mas se espera que o time jogue melhor do que sábado passado, quando certamente teve a sua pior atuação dos últimos dez anos. Qualquer atuação será melhor do que aquela. Como o Castelão está sendo reformado para a Copa do Mundo, o jogo será as 16h20, no Estádio Presidente Vargas.

    O time do Ceará, que está na zona de rebaixamento, mas é visto como um  dos candidatos ao título, tem no comando o técnico PC Gusmão. E sua escalação começa pelo goleiro Fernando Henrique e termina pelo atacante Romário. Quem também anda por lá (mas na reserva) é o paranaense Lima, aquele mesmo que foi vice-campeão da Libertadores de América, pelo Furacão, em 2005. A moça da foto, fui informado agora, não jogará...



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 19h08
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    Vamos assumir!

    Eu insisto. Vamos assumir. Vestir a roupa feia da Segunda Divisão. Esquecer os tapetes do Engenhão, Beira-Rio, Olímpico, Morumbi, Pacaembu. Vamos pensar nos "campos" esburacados que vêm por aí: Presidente Vargas, Frasqueirão, Municipal de Arapiraca, Nazarenão, Nabi Abi Chedid e - claro! - Carangueijão!

    Coloquemos na cabeça, de uma vez por todas, que nosso time é de segunda. Que é quase certo que não traremos nenhum ponto de Fortaleza e Belo Horizonte. Nesses seis a serem disputados, um já será lucro. O que precisamos é ganhar na nossa casa, em Paranaguá. E, quando possível ganhar fora das equipes consideradas "menores". Perder fora para Ceará, América Mineiro, Vitória, Avaí e Goiás é absolutamente normal. Anormal é perder, mesmo fora, para Boa, CRB, Bragantino,  Ipatinga. Quem está na segunda, e quer ser de primeira, precisa encarar cada jogo como um esfomeado encara um prato de comida...

    Façamos como o Criciúma e o América-RN, times fracos que jogam com vontade, com determinação, com firmeza - e por isso lideram a competição. Jogam como time de segunda. Não são de primeira. E o Atlético já foi de primeira. É passado! Hoje, somos de segunda. Estamos na segunda. E queremos voltar pra primeira. Mas para chegar ao topo da escada, é preciso subir degrau por degrau. O campeonato está apenas começando (só jogamos duas partidas em casa, ainda restam 17), a escada é longa, subir faz transpirar muito...

    E quem estiver cansado, que vá respirar noutro lugar!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 12h46
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    Ganhamos (um ponto) !!!

    Eu morava nas alturas da bela Visconde de Mauá, final da Serra da Mantiqueira, exatamente na divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais. Precisamente, eu morava numa localidade chamada Maringá, que tinha dois lados: um em MG e outro no RJ. Eu morava na Maringá, lado mineiro. Morava em MG mas pagava luz pra CERJ (companhia elétrica do RJ). Comprava fósforos no RJ e cigarros em MG. Queijo em Minas Gerais e pão no Rio de Janeiro. A região é linda, com belas pousadas, excelentes restaurantes estrelados, uma centena de cachoeiras num raio de 20km.

    Naqueles dias eu recebia a visita das minhas três filhas mais velhas. Maíra, Gabriela e Camila estavam lá, foram passar o Natal comigo. Na tarde de sábado, estivemos no único "mercado" daquelas montanhas e compramos todas as caixas de foguete. Nos concentramos. Preparei um jantar à base de peixe, um vinho branco, dormimos cedo. Domingo acordamos cedinho, pus à mesa o café da manhã com a ajuda da Maria José (minha empregada, que não trabalhava aos domingos e que me fez um favor naquele dia, afinal eu estava com as três meninas, que tinham 17, 15 e 13 anos). Depois, saímos pra passear um pouco, fomos até a Cachoeira do Escorrega, voltamos por volta das 12h00.

    Ao retornar, preparei um churrasco nos jardins da minha casa. Alguns drinks à base de saquê (com  morango, kiwi e manga), salada de quatro cores, contra-filé na grelha (como se fosse um legítimo "bife de chorizo" argentino), batatas assadas no papel alumínio, um vinho tinto pra acompanhar. A sobremesa foi sorvete de creme da Kibon com frutas da época. Depois do licor - porque os céus anunciavam chuva - deixamos o jardim e subimos para a sala.

    Estávamos na antevéspera do Natal. Dia 23 de dezembro. E fiz questão de dizer às minhas filhas que elas estavam vivendo um momento que talvez nunca mais fosse repetido durante suas vidas. Elas riram, disseram que eu estava louco, que isso certamente iria se repetir muitas e muitas vezes nos próximos anos. Eu insisti que "não", que era a coisa mais difícil do mundo, que isso só acontecia uma vez a cada século. E no final daquela tarde chuvosa do verão de 2001, na Serra da Mantiqueira, ali na divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais, "soltamos" mais de 100 foguetes. Os moradores da região não sabiam a razão, pensavam no aniversário de algum turista milionário ou na chegada de uma nova remessa de drogas. Mas era apenas a forma que tínhamos - os únicos quatro atleticanos ali naquela serra - para expressar a alegria pelo nosso primeiro título nacional.

    Eu sabia que aquilo não era normal, que veio antes da hora planejada, que o prêmio havia chegado muito antes do merecimento, que não estávamos preparados para tudo aquilo. E naquela noite, as meninas já dormindo, fiquei a imaginar como seria difícil - a partir daquele dia - agradar a imensa torcida atleticana. Eu tinha dito às minhas filhas, que  - se cada um dos times ganhasse uma vez alternadamente o Campeonato Brasileiro - nós só seríamos campeões de novo em 2029 (na época 28 clubes disputavam o campeonato).

    Hoje, quase 12 anos depois, lá em Paranaguá, confirmei minha teoria. A torcida do Atlético ainda não entendeu a nossa realidade.  A soberba da nossa torcida está "anos-luz" à frente da megalomania da nossa dirigência. É preciso assumir quem somos neste momento. Somos um time de segunda. De segunda divisão. Quando jogadores, torcida e dirigência assumirem nossa condição de time que disputa apenas a Série B, tudo será mais fácil. Tião de Campos (Sebastião Ricardo Drubscky de Campos) não inventou. Escalou cada um na sua, tentou, mexeu, fez três substituições. Paulo Baier foi mais uma vez nosso melhor jogador em campo, autor das jogadas mais agudas e do chute que protagonizou - numa cobrança de falta - a melhor e mais bonita defesa do goleiro adversário. Não foi brilhante, mas foi o melhor do time.

    Mas falta muito. Vê-se, agora, que perdemos seis meses com a "Operação Uruguay". O time é fraco, não tem alma, não tem padrão de jogo, não tem estilo, não tem quase nada. Só um exemplo: Pablo, um atacacante por natureza entrou no intervalo e estava meio pedido nos primeiros quinze minutos em que jogou. Por que? Porque passou seis meses atuando na defesa, foi um centroavante que nos últimos tempos jogava na defesa, como lateral-direito, uma das legítimas "creações" by Carrasco! A coisa, hoje lá no litoral, estava feia, mas tão feia, que muitas vezes era melhor olhar pro nosso goleiro (e não pro nosso ataque). Olhando pro goleiro, ao menos tínhamos a visão do Rio Itiberê e da Ilha dos Valadares...

    A propósito, hoje fui a Paranaguá na companhia do amigo Renato Rocha (que já me havia acompanhado a Joinville), gastei R$ 88,60 - R$ 62,00 de gasolina e R$ 26,60 de pedágio - e fiz mais 186km. As minhas filhas? Ah... Maíra é advogada há alguns anos, casou, já me deu dois netos, mora em Santos. Gabriela se formou em Psicologia, há dois anos mora em Paris. Camila, publicitária, trabalha na área, aqui em Curitiba. O Atlético? Vai subir!!!

     



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 22h25
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    Ocupar ou invadir?

    O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - independentemente de o apoiarmos ou não - ainda é a maior organização social brasileira. Queiramos ou não, não há nenhuma outra entidade (inclusive sindical) no movimento social brasileiro com tanto nível de organização e tamanha capacidade de mobilização. E a todo tempo, em algum lugar do país, eles promovem uma ocupação. Os favoráveis dizem que o MST ocupa, os contrários dizem que o MST invade.

    Paranaguá, com seus mais de quatro séculos e meio de história nos recebe amanhã. E pelo que percebo, nos recebe de braços abertos. Vamos chegar cedo, devagarinho, sem pressa e aos poucos vamos ocupá-la. Na medida em que o time corresponder dentro de campo - e esperamos que o Furacão não nos decepcione -, nos próximos jogos levaremos os filhos, o cunhado, a sogra, os vizinhos... e vamos invadir Paranaguá!

    Finalmente faremos a nossa primeira partida em casa. Nossa casa provisória, agora, é o Carangueijão (podem escrever também sem a letra "i", sem problemas), o Gigante do Itiberê, o Estádio Fernando Charbub Farah. Neste ano, para lá iremos dezoito vezes. E eu espero que nossa torcida se entusiasme com Paranaguá. E que a cidade se entusiasme com o Atlético. E que o Furacão entusiasme a todos nós. E que, ao final de novembro, possamos vestir o litoral de vermelho e preto.

    Neste reinício de campeonato, com um mês de atraso, precisamos ser - mais uma vez! - pacientes. Comandante novo, estádio novo, muitos jogadores novos (na idade, especialmente). O novo treinador, o Sebastião Ricardo Drubscky de Campos, pediu um tempo. Em um mês já teremos jogado quatro partidas em Paranaguá: Goiás (amanhã), Bragantino (30/06), Ipatinga (10/07) e ABC (14/07). E então saberemos se o professor já terá caído nas graças do povo e se transformado em Sebastião de Campos...

    Força, Tião!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 12h04
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    Calculadora, por favor!

    Aos matemáticos do futebol, a minha contribuição. Antes deste, foram disputados seis campeonatos da Segunda Divisão por pontos corridos, todos com 20 equipes, de 2006 a 2011.  E em cada um deles, subiram quatro clubes para a Série “A”. Entre os que ficaram em quarto lugar (a última vaga de acesso), o que mais fez pontos (65) foi o Atlético-GO, em 2009.  Dois já subiram – em quarto lugar - com 61 pontos (América-RN em 2006  e Sport Recife em 2011) e um com apenas 59 pontos (Vitória, em 2007). Com 64 pontos, dois já subiram em segundo lugar (Sport Recife em 2006 e o Náutico em 2011). No campeonato mais disputado, em 2010 (quando a diferença entre o primeiro e o quarto foi de apenas 8 pontos), o América-MG foi o quarto a subir com 63 pontos.

    Logo, poder-se-ia afirmar que o time que fizer 65 pontos estará classificado para a Primeira Divisão de 2013. O Furacão tem 6 pontos em quatro jogos. Faltam 34 partidas a jogar. Se delas ganhar 20, fará mais 60 pontos, chegando a 66 e ultrapassando a melhor pontuação de um quarto classificado. Os mais otimistas poderão dizer que ainda podemos perder 14 jogos. Os mais pessimistas dirão que é difícil ganhar 20 partidas. A matemática está colocada. Que cada um faça as suas contas. O importante é ultrapassar os 65 pontos!

    Aos cálculos!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 17h12
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    Ave, César!

    Quando ele foi contratado, estive entre os dois terços que aprovaram a ousadia da diretoria. Quando diziam que ele era louco ao escalar três atacantes, estive entre a maioria que apoiava o restabelecimento do futebol ofensivo. Quando ele poupou Paulo Baier em algumas partidas do Paranaense, fiz parte da metade que entendia o "resguardo" para a Copa do Brasil e a fase decisiva do Estadual. Quando ele colocou o zagueiro Manoel de centroavante, coloquei em xeque a sua competência técnica. Sábado, lá em Maceió, quando ele transformou o excelente lateral-esquerda Héracles num medíocre meia-de-ligação, passei a duvidar da minha sanidade...

    A diretoria do Atlético, comandada pelo Mário Celso Petráglia - em quem, apesar das madrugadoras e imensas críticas que recebe, nunca deixei de confiar -, reconheceu que a ousadia não deu certo e que o planejamento de seis meses se quebrou. E, antes que as coisas piorassem, fez a intervenção cirúrgica. E fez, de forma rápida e simples. Foi-se o nosso carrasco! 

    Agora, é preciso cuidar da ferida, cicatrizá-la da melhor forma, tomar as medidas cabíveis. E não basta apenas trocar o diretor do teatro. É preciso exigir mais dos nossos artistas, aproveitar os novos que formamos e que não estão sendo aproveitados, contratar alguns com experiência no ramo.

    O futebol é simples: jogam onze, cada um na sua posição, poucos sabem fazer mais do que a sua função, pra ganhar precisa atacar e fazer mais gols que o adversário, pra ser campeão tem que ter o melhor elenco e saber aproveitá-lo. O resto é invenção! Ou maluquice!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 16h11
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    Boliviana, peruano e paraguaios!

    A viagem no feriado de Corpus Christi durou cinco horas e meia de Curitiba a Maceió, das 09h00 as 14h30, voo com conexão em Guarulhos. A passagem, ida e volta, teve o custo de apenas R$ 43,14, pois viajei utilizando milhas do Programa Smiles. Caro foi o lanche que a GOL cobrou (R$ 17,00). Um pequeno misto frio custou R$ 12,00 e uma latinha de guaraná zero R$ 5,00. A continuar assim a empresa área vai lucrar mais vendendo lanches. Quem não paga, não come nem barrinha de cereais nas duas horas e meia de São Paulo a Maceió.

    Dos dez graus curitibanos para os trinta graus de Maceió, carro alugado (em dez vezes), aproveitando a promoção, tomamos o rumo da cidade. Passeio de carro pela orla, paramos na Praia da Ponta Verde para almoçar num quiosque, o Camarão Pimenta. O prato à base de camarão e quatro cervejinhas long neck custou R$ 39,00 por pessoa. Sim, quatro cervejas, pois viajei com a Turquinha, minha mulher. Comida boa, atendimento péssimo! Além de demora, se não pedir o garçom não traz nem guardanapo. Difícil entender como queremos ganhar dinheiro com o turismo se nem treinamos o pessoal. Que venha a Copa! Mas é preciso saber que, além das belezas naturais, o turista cada vez mais exige um bom serviço.

    Depois do almoço, nos hospedamos no Mercure, na Praia da Pajuçara. Um bom hotel, com boas instalações, mas com um serviço também demorado, lento, quase parando. Descansamos, saímos pra passear pela orla, mais tarde fomos jantar no Massarella - uma boa cantina italiana - espaguetti com frutos do mar. Aqui, o atendimento foi rápido, eficiente e simpático. Mas os vinhos são caríssimos! Em média 60% mais caros que os mesmos vinhos em Curitiba.

    Na sexta-feira, saímos cedo, passamos pelo Pontal da Barra, onde estão mais de uma centena de lojinhas das rendeiras. Muita coisa bonita e barata. Lá, aproveitamos para tomar sucos de frutas que aqui no Sul não temos: cajá, mangaba, graviola, cupuaçu, dentre outras. Dali fomos a Marechal Deodoro, uma cidadezinha de arquitetura colonial, que foi a primeira capital alagoana e onde nasceu o ex-presidente da república que a ela dá nome. Quando estava sentado debaixo de uma árvore na pracinha central (eram 11h30 e fazia 33 graus), tocou o celular. Era de Curitiba, Márcio Miranda, apresentador  do CBN Esportes. E por ele fui, durante dez minutos, entrevistado sobre o blog e as viagens para acompanhar o Furacão na Segunda Divisão.


    Em seguida fomos para a Praia do Gunga, um dos cenários mais lindos do nordeste brasileiro. Caminhamos pela praia, cercada de um imenso coqueiral, tomamos caldinho de sururu, bebemos algumas cervejas, comemos queijo de coalho, tiramos muitas fotos. Depois rumamos para a Praia do Francês, onde no Beleza Tropical almoçamos uma lagosta (R$ 63,80 por pessoa), que já valeu para o jantar. Durante o almoço, no final da tarde (16h30) já se fazia sentir o "vento frio" (de 22 graus!)  que avisa a proximidade do inverno. No inverno alagoano esfria muito, na madrugada a temperatura pode chegar a terríveis 18 graus...

    À noite um passeio pela orla e uma tapioca com queijo e goiabada (R$ 4,00) e uma água de coco (R$ 3,50), preparada pela Ana, uma boliviana. Ana saiu há dezessete anos de Santa Cruz de La Sierra com seus quatro filhos, apaixonou-se por Maceió, adotou a cidade e nela educou seus quatro filhos, todos com curso superior. E viaja muito! Ano passado fez uma viagem de carro de 61 dias, pelo Sul do Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia. E faz isso apenas com a renda da sua barraquinha de tapióca...

    No sábado pela manhã, litoral norte: praias da Guaxuma, Garça Torta, Paripueira, Barra de Santo Antonio. A natureza é bela! Voltamos correndo, almoçamos no Barrica's - quiosque da Ponta Verde -, onde comemos charque com macaxeira e queijo coalho, antecipados de dois caldinhos de sururu. Nos atendeu o simpático William (a cara do Ronaldo Fenômeno). Com duas cervejas e um refrigerante a conta deu R$ 48,00 para cada um. No Barrica's conhecemos Gabriel e Karen, pais do Léo (vejam o post anterior, de sábado à noite), que já estavam com as camisas do Furacão.


    Em seguida, passamos pelo hotel e fomos para o Rei Pelé. Acesso ao estádio, rápido e tranquilo. Mas ninguém sabia informar onde era a bilheteria e o portão de entrada para a torcida visitante. Nem mesmo os policiais sabiam! Depois de muita procura e insistência, um membro da polícia montada nos indicou. O ingresso para arquibancada superior era R$ 40,00, mas com desconto de 50%. O estádio, excelente. A torcida visitante - como todo e qualquer torcedor que vai ao estádio - senta em cadeira coberta. Estádio limpo, banheiro limpo, cadeiras limpas, gramado perfeito. Dos quatro estádios em que estive até agora (Joinville, Varginha, Vila Capanema e Maceió), sem dúvida este é o que tem as melhores instalações e o melhor gramado. Assistimos ao jogo entre mais de quarenta atleticanos. Mesmo quase 3.000km de Curitiba, éramos mais de quarenta. O Atlético entrou em campo com aquela camisa branca sem nenhuma identidade, seus jogadores sequer chegaram próximo da nossa torcida para nos cumprimentar, fizeram isso lá da intermediária mesmo. Seria preguiça? Ou falta de vontade?


    Trinta segundos depois do apito inicial, já estávamos perdendo. E no primeiro tempo não jogamos nada, parecia um time de fazenda, dando chutões. No segundo tempo melhoramos um pouco depois que saiu Bruno Mineiro, trocamos passes com rapidez, mas - sem organização defensiva - levamos um gol no contra-ataque. Alguém sabe explicar qual a gravidade das "dores musculares" de Paulo Baier, que ficou em Curitiba? Alguém poderia explicar que tipo de "lesão" teve Zezinho, que estava em Maceió? Alguém sabe dizer porque Héracles na meia-esquerda e Harrison no banco? Por que o time jogou o segundo tempo sem um homem de ligação no meio campo? E por que se insiste tanto com Bruno Mineiro? Por que será que ele colocou o Bruno Furlan (que é canhoto) pela direita e o Edigar Júnio (que é destro) pela esquerda? Até quando, tanta invenção? E não há justificativa! Não fez calor, a temperatura no início do jogo era de 24 graus, ventava bastante, desde o início da partida já havia sombra em todo o campo, gramado impecável. Em campo o Atlético parecia um time falso, um time - com todo respeito aos vizinhos guaranis - de paraguaios! Foi de irritar e envergonhar qualquer torcedor!

    Depois da decepção, fomos esfriar a cabeça - e o corpo - no hotel. Mais tarde saímos para jantar no Wanchako, um excelente restaurante peruano - de comida, ambiente e serviço excelentes!

    Na manhã de domingo, mais passeios pela praia, as 15h20 o voo de volta, com conexões em Salvador e Brasília, chegando no Afonso Pena apenas as 23h20, oito horas depois. Foram 5.580km de viagem e - para que a despesa feita como turista não conte, computei apenas o gasto individual de três refeições (R$ 170,80), uma diária de hotel três estrelas (R$ 186,18), uma diária de um Fiat Idea (R$ 228,00, divididos em dez vezes), gasolina de um dia (R$ 35,00), passagens (43,14), lanche no avião (R$ 17,00), tapioca e água de coco (R$ 7,50) e ingresso (R$ 20,00) - um gasto total de R$ 707,62. Estes gastos possibilitam ao torcedor ficar mais de 24 horas na cidade de Maceió, fazer três refeições (inclusive com lagosta), alugar um carro médio, hospedar-se em um hotel três estrelas e ver a torcida do CRB festejar...

    Me perguntaram ao final da partida se eu continuaria indo a todos os jogos, mesmo em caso do time começar a perder e não ter chances de subir para a Primeira Divisão. Quero deixar claro que minha paixão pelo Atlético é superior e não depende da quantidade de vitórias. Eu sou atleticano desde os dez anos de idade, continuarei atleticano até depois da morte, nada me fará abandonar o meu clube do coração. Já disse e insisto: é fácil apoiar quando o time vai bem. Estamos por baixo, estamos na segundona, estamos - no momento - fora da zona de classificação, estamos com duas derrotas nas costas! Mas eu vou em frente, irei a todos os jogos, é minha forma de mostrar meu amor ao clube. Farei isso (ir a todos os jogos de uma competição) apenas uma vez na vida. Mas farei por completo! E estou fazendo isso quando muitos "fogem" da campanha e do time de qualidades duvidosas! Eu acredito no acesso e me inspira uma faixa que a torcida levava ao estádio em 1968 (nos tempos de Djalma Santos, Belini, Charrão, Sicupira e Nilson), que dizia "Soy loco por ti Atlético!"


     



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 14h19
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    Coitado do Léo!!!

    A camisa rubro-negra só se veste por amor. Como o futebol há muito tempo é profisssional, compreensível que um jogador não use a camisa do seu time por amor. Mas é inadmissível que a use sem amor! É preciso gostar do que se faz. É preciso ter amor à profissão. E um jogador profissional de futebol precisa vestir a camisa do seu time com ânimo, vontade e disposição. E quem não veste a camisa do Atlético com entusiasmo, não merece vestí-la!

    Leonardo, o Léo, mora na Serra Talhada, interior de Pernambuco. Léo, que ainda não sabe ler e escrever, é filho dos paranaenses Gabriel e Karen. Gabriel é engenheiro civil e trabalha para uma das grandes empreiteiras nacionais na construção de uma ferrovia no interior de Pernambuco. E Léo, como o pai e a mãe, veste e ama vestir a camisa rubro-negra. Léo estava no Estádio Rei Pelé hoje à tarde. E viu o Atlético perder. E perder feio. Jogar sem vontade. Sem ânimo. Sem respeitar o manto sagrado.

    Vergonhosa a apresentação do time. Um verdadeiro desrespeito à sua tradição, à sua história, à sua imensa torcida! Léo não merecia ver o apático comportamento do time,  as invenções do treinador, a falta de amor ao Clube Atlético Paranaense. Coitado do Léo!!!

    Sobre o jogo, a viagem e as lindas praias, escreverei na segunda-feira.



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 20h00
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    O futebol de letras

    Alagoas - da mais árida Santana do Ipanema (de Oscar Silva) às mais belas lagoas do litoral - é um Estado cheia de contrastes. Terra que nos deu políticos da grandeza de Teotônio Vilela (o pai) e Heloísa Helena e outros da qualidade de Collor de Mello e Renan Calheiros. Neste mesmo chão nasceram homens como Graciliano Ramos e Aurélio Buarque de Holanda; e outros, nem tão ilustres, como PC Farias e Cleto Falcão. De lá, vieram pedras brutas como Rose D'Paula e diamantes como Djavan. E se falta água no sertão, nos encantam as praias da capital.

    Para o futebol, em Maceió nasceu Zagallo. E lá surgiu como treinador (a primeira equipe que treinou foi o CSA), Felipão! E é nas Alagoas que o futebol é de letra. Não sei a razão, mas naquele Estado os clubes não são chamados pelo nome e, sim, pelas siglas. O Brasil é CRB, o Alagoano é CSA, o Esportivo é CSE, o Arapiraquense é ASA. E é na terra do mar mais azul do Brasil que o Furacão jogará sua quarta partida no Campeonato Brasileiro. Sábado à tarde, 16h20, no Estádio Rei Pelé, contra o CRB - Clube de Regatas Brasil.

    E, aproveitando o feriado de Corpus Christi, é para lá que vou amanhã cedinho, dois dias antes do jogo, trocando o frio de 10° em Curitiba pelos 30° de Maceió. Será mais um jogo muito difícil. Não há moleza na Série B. Estamos na quinta rodada e já não há mais nenhum time com 100% de aproveitamento, pois na noite de ontem os dois Américas perderam seus primeiros dois pontos; o mineiro empatou (1x1) com o São Caetano e o potiguar (2x2) com o Vitória. Mas viajo confiante, certo de que é possível voltar do Nordeste com um bom resultado. E, claro, esperando que o rapaz da República Oriental escale um time que faça jus ao seu apellido.

    Aproveito para agradecer a todos! Hoje faz duas semanas que o blog entrou no ar e já estamos chegando aos 3.500 acessos. Nesta segunda-feira, no site oficial do Atlético, o blog foi objeto de uma matéria da jornalista Thaís Faccio, o que em muito ajudou a divulgar este espaço.

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 13h02
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    Paulo Baier e o vinho

    Noite gelada na Vila Capanema, pouquíssimo público (3.305 torcedores, dos quais cinco eram da torcida visitante), muita lã e cachecol, pouco futebol no primeiro tempo. Um volante apenas no meio-campo, o Atlético levando desvantagem no setor, o Barueri até os 35 minutos chutando quatro vezes ao nosso gol, nós apenas uma com Tiago Adan (escrevam, esse rapaz nos dará muita alegria e fará sucesso no futebol brasileiro).

    Quando tudo parecia caminhar para um 0x0 na primeira etapa, surge o maestro. E dá aula de tranquilidade! Recebe de Ligüera, olha pro gol e - de fora da área - chuta com categoria no ângulo superior esquerdo do goleiro, 1x0! E aí foi só correr para o "abraço no gaiteiro", como se diz lá em Ijuí, terra de Paulo Baier e (pois é) de Dunga.

    Após o intervalo entraram Zezinho e Fernandão, no lugar de Ligüera e Bruno Mineiro. E a dupla "diminutivo e aumentativo" fez o time melhorar, praticamente anulando o "polaco de farmácia" - o Paraíba -, facilitando o trabalho do meio-campo e permitindo ao time chegar com mais rapidez ao gol adversário. E logo Fernandão chutou, o goleiro rebateu (o deles também rebate) e o professor Paulo Baier, como se fora um garoto, fez de "carrinho", 2x0! No finalzinho, recebendo um belo passe de Edigar Junio, Fernandão fez o dele e o placar ficou nos 3x0!

    O resumo da ópera é a lição de Paulo Baier, Um homem de quase 38 anos, que continua sendo atleta de alto nível, jogando com vontade e disposição, correndo como poucos meninos (aprendam com ele enquanto é tempo, Edigar Junio e Bruno Mineiro), sabendo o que fazer com a bola nos momentos mais difíceis da partida. E não me venham com esse papo de "poupar" o Baier na próxima partida. Uma semana é tempo suficiente para ele descansar e poder jogar noventa minutos em Maceió, no próximo sábado. Aliás, poupança anda em baixa, o negócio é investir na produção. E Paulo Baier produz! 

    Nem sempre o tempo melhora o vinho, alguns viram vinagres! Mas a safra 1974, da Família Baier, continua excelente! A propósito, tomei uma decisão muito importante (para mim)! Decidi que cada vitória atleticana nesta Séria B merece ser comemorada com um vinho. E a de ontem foi festejada com um malbec argentino, das alturas (1.200m) de Mendoza, safra 2007!

    Enfim, ontem - mesmo não jogando bem e bonito - o Furacão se reabilitou. E como aprendi a dizer ainda na infância "esse time só me dá alegria"!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 10h58
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    A matemática que interessa

    Atlético x Barueri, hoje à noite (21h00) na Vila Capanema, provavelmente será o único jogo que faremos em Curitiba, como mandante. No sábado, 25 de agosto, jogaremos também na Vila contra o dono da casa. As outras dezoito partidas que deveríamos jogar em Curitiba, ao que parece serão todas em Paranaguá.

    Como não jogaremos em Curitiba, já que os nossos "co-irmãos" insistem em não ceder seus estádio e a CBF é dirigida por "bananas", finalmente a diretoria do Furacão está tomando as providências finais e indicando um estádio para sediar suas partidas.  Confesso que prefiro o estádio de Joinville, pelas suas acomodações e especialmente pela excelente qualidade do seu gramado. Mas fico satisfeito se o indicado for o "Carangueijão", em Paranaguá, pois lá certamente teremos o apoio dos parnanguaras, sempre muito simpáticos e receptivos ao rubro-negro.

    (Uma bela vista do "Carangueijão",  o beira-rio de Paranaguá)

    Nos preparemos, pois, para 18 descidas e subidas da Serra do Mar. Como a maioria dos jogos serão à noite, em terças ou sextas-feiras, não teremos tempo para descer pela Graciosa, iremos mesmo pela 277 e seu absurdamente caro (Não te esqueceremos, Lerner!) pedágio. Para Joinville pagaríamos quatro pedágios (dois na ida e dois na volta) de R$ 1,50 cada, num total de R$ 6,00 por jogo. Para Paranaguá serão dois pedágios de R$ 13,30 ou R$ 26,60 a cada partida. Se não houver aumento até final de novembro, cada um de nós - que for de carro, obviamente - gastará a "bagatela" de R$ 478,80.

    O combustível? Ah, esse a gente soma ao camarão e conta depois...

    Dá-lhe, Atlético!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 14h21
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    Muito frio, leite quente e pinhão cozido!

    A neblina que fechou o Afonso Pena e atrasou o voo para Guarulhos logo cedo era o prenúncio de que a terça-feira não seria das melhores. Com quase três horas de atraso deixei Curitiba, voando com a passagem comprada (ida e volta a Guarulhos) no dia seguinte ao que saiu a tabela oficial, no início de março, a R$ 186,94 em seis vezes de R$ 43,14. As 13h00 parti de Guarulhos num carro alugado (R$ 128,63 a diária), saí pela Dutra, entrei na Fernão Dias, almocei no Frango Assado em Atibaia (28,00 por um contra-filé com arroz à grega e batatas fritas, mais um suco de laranja), gastei mais R$ 5,60 em quatro pedágios (R$ 1,40 cada um) e por volta das 17h30 estava em Varginha, no Sul de Minas Gerais.

    Antes de ir pro hotel (Jaraguá, um três estrelas mal tratado e por isso caríssimo, R$ 120,00 a diária), fui direto ao estádio municipal. Portões abertos, entrei e vi – como em Joinville – um belo gramado, um estádio razoável, com cadeiras nas cobertas e em parte das descobertas locais. No setor da torcida visitante, tanto em Varginha com em Joinville, arquibancadas de cimento e descobertas. Uma enorme faixa anunciava o portão (nº 10) para os visitantes, onde havia uma bilheteria exclusiva, com ampla entrada.

    Voltei ao hotel e o porteiro foi logo me avisando que a cidade tinha adotado o time do Boa "pra valer" (até 2010 o time era de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro), que o jogo seria bom, pena que é tão tarde (começa 21h50 e acaba quase meia-noite), que eles manteriam a invencibilidade, que o uruguaio treinador do Atlético “estava fazendo pouco caso” do time deles ao poupar jogadores, que eu devia me preparar pro frio porque o estádio fica no alto de uma montanha e a temperatura cai bastante durante a noite.

    Depois de uma ducha, desci e fui comer alguma coisa ali pertinho, no Minas Empadas, “a melhor empada mineira”. Meu jantar foram três empadinhas e um guaraná zero, custaram R$ 11,20. Voltei ao hotel, subi ao quarto, apanhei a bandeira,  cachecol rubro-negro, um chapéu de feltro, a máquina fotográfica e a jaqueta de couro. E tomei o rumo do estádio. No caminho para o estádio, um susto! Vi – e fotografei - um objeto enorme, luminoso, estranhíssimo. Um disco-voador? Um OVNI?


    (A nave do E.T. de Varginha)


    A policial que no estádio “revistou” a minha bandeira e o meu cachecol foi logo me explicando que  objeto voador (por mim) não identificado era a “caixa d’água” da cidade, que a população cultua a lenda, que isso atrai curiosos e turistas, que o E.T. de Varginha tem até uma história oficial com farta documentação. Antes de ter meus objetos rubro-negros serem revistados pela policial (que acompanhada por um colega foram os únicos dois policiais a “tomar conta” da torcida visitante), fui recebido na bilheteria por outra mulher, uma bonita e simpática loura, que me disse ser eu o atleticano nº 12 a comprar ingresso. E o ingresso, aliás, foi baratíssimo! Custou R$ 10,00, um quarto do preço de Joinville. Brasil, um país cheio de contradições e desigualdades regionais!

    Já no interior do estádio me encontrei com oito fanáticos que foram de Curitiba numa van (dentre eles tive o prazer de conhecer o músico Juninho Madeira), mais três outros fervorosos atleticanos: um curitibano que  é administrador de empresa da Petrobrás em Belo Horizonte e estava em férias, o paranaense Gabriel (de Ribeirão do Pinhal) que é representante comercial e mora em Uberlândia, e um médico-veterinário de Ribeirão Preto, todos vestindo a “rubro-negra”. Em seguida chegou um comerciante da área de combustíveis de Curitiba, que me contou ter ido de avião até Confins, depois de táxi até a Pampulha, onde tomou outro voo para Varginha.



    (Na foto, à esquerda, Gabriel Robles de Cesaro, de Uberlândia)   


    Logo entraram cinco pessoas (quatro rapazes e uma moça muito bonita, todos trajando as nossas cores), que pareciam ser da mesma família. Indaguei de onde eram e a moça prontamente me respondeu: “somos atleticanos de Varginha” . Eram um irmão e quatro sobrinhos do querido Bolinha, o massagista. Mais alguns minutos e chegou um senhor grisalho, acompanhado de uma turma de adolescentes (quatro rapazes e uma moça). Ele se apresentou, contou que é curitibano, mora há 25 anos no Sul de Minas, onde é representante comercial da área de tecidos, se chama Lavandóski, que os "meninos" são seus filhos, e que é atleticano “desde guri”. E depois vieram mais dois de Piraquara (viajaram o dia todo de carro), mais outro e outro mais. Quando o jogo começou, éramos meia centena de atleticanos, vendo o Furacão pela primeira vez em Varginha. O público total foi de 2.939 pagantes.


    (À direita, Wagner Correa, médico-veterinário, de Ribeirão Preto)


    A partida começou, o Atlético dominava, perdeu dois gols, desperdiçou as cobranças de três faltas na risca da área - Ah, que falta faz o Paulo Baier! Depois de meia hora de jogo, Bruno Mineiro fez 1x0 para a nossa alegria! E no intervalo fiquei sabendo que a cidade de Varginha é muito rica, com várias indústrias importantes, se trata de um pólo-regional no setor de serviços e ensino universitário, que sua economia é fortemente marcada pela presença do cultivo do café e da produção de leite. Que na região se cultiva também morangos, amoras, framboesas e pêssegos, dentre outras frutas. E que o Lavandóski não sente falta do pinhão porque o Sul de Minas é farto em araucárias.



    E a temperatura caiu, o jogo recomeçou, o gol deles saiu, o Atlético se encolheu, a esperança de vitória se esvaiu. O treinador mexeu no ataque, as coisas melhoraram, quando estávamos próximos da vitória, num contra-ataque... 2x1 pra eles! Ainda deu tempo para reagir, podíamos ter empatado, mas o Alan Bahia “avisou” ao Velho Max onde bateria e o veteraníssimo goleiro “pegou”.

    Podíamos ter empatado, mas perdemos! E certamente não será a única derrota, perderemos outras.  O campeonato é longo, difícil, muito disputado. E para o Atlético nada é fácil, tudo é sempre difícil! Mas no final tudo dará certo. Essa energia que reúne atleticanos que nunca se viram, mas que conversam de Sicupira e Nilson Borges como se falassem da própria família, certamente nos levará de volta à Primeira Divisão.

    Início da madrugada, nove graus, chego ao hotel e sou recebido pelo recepcionista da noite com leite quente e pinhão cozido. Me senti em casa! Mas pra estar em casa eu tinha que dormir, acordar cedo, viajar mais 320km de carro (148,00 de gasolina e outros R$ 5,60 de pedágio), almoçar de novo em Atibaia (R$ 25,00), devolver o carro e voar os 420km de Guarulhos a Curitiba.

    Trinta e seis horas depois, 1.480km viajados, R$ 668,97 mais pobre, retorno a Curitiba com os mesmos três pontos que tínhamos quando saí, mas volto pra casa muito mais atleticano do que antes de ir!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h25
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    O apoio

    Segunda partida, a segunda fora de casa, me faz nesta terça-feira colocar o pé na estrada logo cedo, rumo à Varginha - que fica ali entre as Três Pontas de Milton Nascimento e os Três Corações de Edson Arantes (também) do Nascimento.

    Viajo cheio de esperança e muito agradecido à massa rubro-negra, que em menos de uma semana já garantiu dois mil acessos ao blog. O sucesso se deve - principalmente - ao site Furacao.com, que divulgou este espaço em entrevista publicada na edição de domingo. Graças a esse apoio o blog se tornou conhecido e tenho recebido mensagens de atleticanos que vivem em todo o Paraná, em vários estados brasileiros e inclusive no exterior.

    E é essa energia positiva que certamente nos levará ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído.

    Força, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h11
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    Os pentecostais e a maconha, marreco recheado e joelho de porco, Manoel & Paulo Baier!

    No sábado de trânsito complicado, a passeata pela liberação da maconha e a caminhada dos pentecostais atrasaram a saída de Curitiba. De carro, descemos a serra rumo à cidade de Joinville, que os antigos locutores de rádio chamavam de "a Manchester catarinense".


     

     

     

     

     

     


    Nesta primeira partida do Atlético na Série "B" me acompanhou um amigo de infância, também atleticano, o arquiteto Renato Zeni da Rocha. Saímos ao meio dia, trânsito calmo na estrada, por volta das 13h30 já almoçávamos no Grün Wald (Floresta Verde), o restaurante alemão que fica na margem direita (sentido norte-sul) da 101, um pouco antes de Joinville, no distrito de Pirabeiraba. Bons de garfo, Renato e eu comemos marreco recheado e eisben (joelho de porco) assado. Com todos os acompanhamentos, evidentemente: chucrute, salsichão, repolho roxo, batata cozida e purê de maçã. Com duas cervejas Bohemia e o café a conta foi de R$ 53,35 para cada um.


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    Eisben - Joelho suíno com batatas

     

     

     

     

     

     


    O garçom - que gosta de futebol, torce pelo Joinville e vai com frequência ao estádio -  nos deu todas as informações. Disse que em Joinville o futebol é tranqüilo, que não há violência - briga só quando jogam com o Avaí -, que podíamos estacionar o carro no próprio estádio, que o time da casa estava muito ruim, que o técnico havia ido embora uma semana antes do campeonato, que certamente o Atlético ganharia...

    Não foi difícil chegar ao estádio. Pelo menos três torcedores do Joinville educadamente nos indicaram o caminho. Um bom sistema de organização do trânsito facilitou a chegada pouco mais de meia hora antes do início do jogo, o estacionamento custou R$ 8,00 (sócios do Joinville pagam a metade), o Piauí nos indicou uma boa vaga, onde não correríamos o risco de - depois do jogo - encontrar o carro com pneus esvaziados ou vidros quebrados.

    Piauí, a própósito, é piauiense mesmo, bom de papo. Em minutos nos contou que está há dois anos em Joinville, é ajudante de produção numa fundição famosa, está feliz com seu progresso na empresa e na cidade, nos finais de semana faz bicos em estacionamentos de grandes eventos.

    Corremos pra bilheteria - especial para a torcida visitante e separada dos torcedores locais -, pagamos um ingresso caro, mais salgado que o eisben, R$ 40,00 pra sentar nas "descobertas".

    E, ao entrarmos, a primeira boa surpresa: havia quase 2.000 atleticanos (foram vendidos mais de 1.800 ingressos no setor reservado à torcida visitante), um belo público feminino, muitas famílias, crianças em quantidade. Não fomos os únicos a descer a serra na tarde de sábado...

      (Quase 2.000 atleticanos foram a Joinville - Foto by Renato Zeni da Rocha)

    A presença do público, aliás, foi surpreendente. Pagaram ingresso mais de 13 mil torcedores no estádio, o segundo melhor público da rodada. Só perdeu para Ceará x América-MG, na sexta-feira à noite, em Fortaleza e que teve 16.147 pagantes, com ingressos pela metade do preço de Joinville (R$ 20,00).

                                                             (13.350 pessoas na Arena Joinville)                                             

    E o jogo começou. Logo de cara foi possível perceber a fragilidade da defesa do Joinville. Em menos de meia hora de jogo o rubro-negro já havia perdido quatro gols (Pablo, Fernandão, Bruno Mineiro e Paulo Baier) e feito outros dois: Bruno Mineiro e Manoel, ambos de cabeça, aproveitando cruzamentos de Paulo Baier. Ainda no primeiro tempo o Furacão perdeu mais um ou dois gols, mas a torcida era só festa e  o zagueiro Manoel aproveitou para mostrar categoria e habilidade em diversos momentos. O Joinville corria, tocava, mas concluía mal.

    (Manoel mostrou categoria)

    Após o intervalo, o JEC veio com tudo, aprontou uma correria danada, o atacante tropeçou nas próprias pernas (só vimos isso em casa, pela TV; no estádio pareceu pênalti mesmo), o juiz marcou a penalidade, 2x1! E, de certa forma, todos nós ficamos preocupados, pois os milhares de torcedores locais se entusiasmaram, empurraram o time, que foi pra cima do Atlético. E aí apareceu mais uma vez o melhor jogador em campo, Paulo Baier. Numa jogada de menino, ele tabelou e - quando todos pensavam que iria encobrir o goleiro - deu um toque de lado e deixou Fernandão sozinho e de frente pro gol: 3x1!


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    (Paulo Baier deu show)


    Quando nós já pensávamos em deixar o estádio, o Atlético fez mais um, com Renan Teixeira, 4x1! E aí foi só festejar e esperar o juiz apitar o término da partida. O placar foi justo? Sinceramente acho que 4x1 foi além do que o Atlético produziu. De qualquer forma, o adversário mostrou pouco futebol e o Furacão iniciou a missão "Plano A" com uma bela vitória.

    (Renato Rocha me fotografou na torcida)

    A alegria era tamanha que nem reclamamos do único ponto falho na Arena de Joinville: a saída da torcida visitante se faz de forma demorada, por um único portão de saída, com as velhas catracas a obstruir o caminho, o que certamente teria causado pânico e ferido centenas de torcedores se alguém gritasse "fogo"!

    Noite adentro, apesar da garoa, o retorno a Curitiba foi tranquilo. Na chegada, depois de 280km abasteci o carro e foram R$ 94,73 de gasolina. O custo da viagem, contando almoço, estacionamento, ingresso e combustível foi de R$ 196,08.

    Valeu a pena!

     



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h29
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    O amor incondicional

    Quase todos temos, em situações importantes ou momentos decisivos, um plano "b". Pois eu, neste ano de 2012, tenho um Plano "A". E a ele me dedicarei. Será uma forma de demonstrar e valorizar esse amor - incondicional - que já dura 45 anos.

    Aos dez anos de idade, de forma inexplicável, como se fora masoquista, me apaixonei pelo time no pior momento de toda a sua existência. Foi em 1967, ano em que fomos rebaixados para a segunda divisão do campeonato estadual. Sim, do campeonato estadual! Oito anos depois, ainda antes dos 18 anos de idade, passei a ser - e sou até hoje - sócio do Clube Atlético Paranaense.


    (sócio de carteirinha desde 02/05/1975)


    Se em 1967 estivemos juntos, muito mais razões eu tenho agora para não abandonar meu time. Com ele estarei em todas partidas do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, em busca da classificação à elite do futebol brasileiro.

    De 19 de maio a 24 de novembro serão mais de seis meses de jornada, nos quais assistirei a trinta e oito jogos de futebol e - de Criciúma a Fortaleza - farei mais de 50.000km, em dezoito viagens.

    Aqui compartilharei com amigos e atleticanos essa longa caminhada que certamente levará o Furacão de volta à Série "A". Pretendo neste espaço falar das viagens, meios de locomoção, hospedagem, alimentação, curiosidades e loucuras de um torcedor.

    É este o Plano "A", que se inicia agora!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h44
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