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BRASIL, Sul, CURITIBA, Homem, de 46 a 55 anos, Livros, Viagens, Vinhos e Atlético Paranaense.



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    UM FURACÃO PELO BRASIL, blog passional de luiz carlos schroeder


    Muito frio, leite quente e pinhão cozido!

    A neblina que fechou o Afonso Pena e atrasou o voo para Guarulhos logo cedo era o prenúncio de que a terça-feira não seria das melhores. Com quase três horas de atraso deixei Curitiba, voando com a passagem comprada (ida e volta a Guarulhos) no dia seguinte ao que saiu a tabela oficial, no início de março, a R$ 186,94 em seis vezes de R$ 43,14. As 13h00 parti de Guarulhos num carro alugado (R$ 128,63 a diária), saí pela Dutra, entrei na Fernão Dias, almocei no Frango Assado em Atibaia (28,00 por um contra-filé com arroz à grega e batatas fritas, mais um suco de laranja), gastei mais R$ 5,60 em quatro pedágios (R$ 1,40 cada um) e por volta das 17h30 estava em Varginha, no Sul de Minas Gerais.

    Antes de ir pro hotel (Jaraguá, um três estrelas mal tratado e por isso caríssimo, R$ 120,00 a diária), fui direto ao estádio municipal. Portões abertos, entrei e vi – como em Joinville – um belo gramado, um estádio razoável, com cadeiras nas cobertas e em parte das descobertas locais. No setor da torcida visitante, tanto em Varginha com em Joinville, arquibancadas de cimento e descobertas. Uma enorme faixa anunciava o portão (nº 10) para os visitantes, onde havia uma bilheteria exclusiva, com ampla entrada.

    Voltei ao hotel e o porteiro foi logo me avisando que a cidade tinha adotado o time do Boa "pra valer" (até 2010 o time era de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro), que o jogo seria bom, pena que é tão tarde (começa 21h50 e acaba quase meia-noite), que eles manteriam a invencibilidade, que o uruguaio treinador do Atlético “estava fazendo pouco caso” do time deles ao poupar jogadores, que eu devia me preparar pro frio porque o estádio fica no alto de uma montanha e a temperatura cai bastante durante a noite.

    Depois de uma ducha, desci e fui comer alguma coisa ali pertinho, no Minas Empadas, “a melhor empada mineira”. Meu jantar foram três empadinhas e um guaraná zero, custaram R$ 11,20. Voltei ao hotel, subi ao quarto, apanhei a bandeira,  cachecol rubro-negro, um chapéu de feltro, a máquina fotográfica e a jaqueta de couro. E tomei o rumo do estádio. No caminho para o estádio, um susto! Vi – e fotografei - um objeto enorme, luminoso, estranhíssimo. Um disco-voador? Um OVNI?


    (A nave do E.T. de Varginha)


    A policial que no estádio “revistou” a minha bandeira e o meu cachecol foi logo me explicando que  objeto voador (por mim) não identificado era a “caixa d’água” da cidade, que a população cultua a lenda, que isso atrai curiosos e turistas, que o E.T. de Varginha tem até uma história oficial com farta documentação. Antes de ter meus objetos rubro-negros serem revistados pela policial (que acompanhada por um colega foram os únicos dois policiais a “tomar conta” da torcida visitante), fui recebido na bilheteria por outra mulher, uma bonita e simpática loura, que me disse ser eu o atleticano nº 12 a comprar ingresso. E o ingresso, aliás, foi baratíssimo! Custou R$ 10,00, um quarto do preço de Joinville. Brasil, um país cheio de contradições e desigualdades regionais!

    Já no interior do estádio me encontrei com oito fanáticos que foram de Curitiba numa van (dentre eles tive o prazer de conhecer o músico Juninho Madeira), mais três outros fervorosos atleticanos: um curitibano que  é administrador de empresa da Petrobrás em Belo Horizonte e estava em férias, o paranaense Gabriel (de Ribeirão do Pinhal) que é representante comercial e mora em Uberlândia, e um médico-veterinário de Ribeirão Preto, todos vestindo a “rubro-negra”. Em seguida chegou um comerciante da área de combustíveis de Curitiba, que me contou ter ido de avião até Confins, depois de táxi até a Pampulha, onde tomou outro voo para Varginha.



    (Na foto, à esquerda, Gabriel Robles de Cesaro, de Uberlândia)   


    Logo entraram cinco pessoas (quatro rapazes e uma moça muito bonita, todos trajando as nossas cores), que pareciam ser da mesma família. Indaguei de onde eram e a moça prontamente me respondeu: “somos atleticanos de Varginha” . Eram um irmão e quatro sobrinhos do querido Bolinha, o massagista. Mais alguns minutos e chegou um senhor grisalho, acompanhado de uma turma de adolescentes (quatro rapazes e uma moça). Ele se apresentou, contou que é curitibano, mora há 25 anos no Sul de Minas, onde é representante comercial da área de tecidos, se chama Lavandóski, que os "meninos" são seus filhos, e que é atleticano “desde guri”. E depois vieram mais dois de Piraquara (viajaram o dia todo de carro), mais outro e outro mais. Quando o jogo começou, éramos meia centena de atleticanos, vendo o Furacão pela primeira vez em Varginha. O público total foi de 2.939 pagantes.


    (À direita, Wagner Correa, médico-veterinário, de Ribeirão Preto)


    A partida começou, o Atlético dominava, perdeu dois gols, desperdiçou as cobranças de três faltas na risca da área - Ah, que falta faz o Paulo Baier! Depois de meia hora de jogo, Bruno Mineiro fez 1x0 para a nossa alegria! E no intervalo fiquei sabendo que a cidade de Varginha é muito rica, com várias indústrias importantes, se trata de um pólo-regional no setor de serviços e ensino universitário, que sua economia é fortemente marcada pela presença do cultivo do café e da produção de leite. Que na região se cultiva também morangos, amoras, framboesas e pêssegos, dentre outras frutas. E que o Lavandóski não sente falta do pinhão porque o Sul de Minas é farto em araucárias.



    E a temperatura caiu, o jogo recomeçou, o gol deles saiu, o Atlético se encolheu, a esperança de vitória se esvaiu. O treinador mexeu no ataque, as coisas melhoraram, quando estávamos próximos da vitória, num contra-ataque... 2x1 pra eles! Ainda deu tempo para reagir, podíamos ter empatado, mas o Alan Bahia “avisou” ao Velho Max onde bateria e o veteraníssimo goleiro “pegou”.

    Podíamos ter empatado, mas perdemos! E certamente não será a única derrota, perderemos outras.  O campeonato é longo, difícil, muito disputado. E para o Atlético nada é fácil, tudo é sempre difícil! Mas no final tudo dará certo. Essa energia que reúne atleticanos que nunca se viram, mas que conversam de Sicupira e Nilson Borges como se falassem da própria família, certamente nos levará de volta à Primeira Divisão.

    Início da madrugada, nove graus, chego ao hotel e sou recebido pelo recepcionista da noite com leite quente e pinhão cozido. Me senti em casa! Mas pra estar em casa eu tinha que dormir, acordar cedo, viajar mais 320km de carro (148,00 de gasolina e outros R$ 5,60 de pedágio), almoçar de novo em Atibaia (R$ 25,00), devolver o carro e voar os 420km de Guarulhos a Curitiba.

    Trinta e seis horas depois, 1.480km viajados, R$ 668,97 mais pobre, retorno a Curitiba com os mesmos três pontos que tínhamos quando saí, mas volto pra casa muito mais atleticano do que antes de ir!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h25
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    O apoio

    Segunda partida, a segunda fora de casa, me faz nesta terça-feira colocar o pé na estrada logo cedo, rumo à Varginha - que fica ali entre as Três Pontas de Milton Nascimento e os Três Corações de Edson Arantes (também) do Nascimento.

    Viajo cheio de esperança e muito agradecido à massa rubro-negra, que em menos de uma semana já garantiu dois mil acessos ao blog. O sucesso se deve - principalmente - ao site Furacao.com, que divulgou este espaço em entrevista publicada na edição de domingo. Graças a esse apoio o blog se tornou conhecido e tenho recebido mensagens de atleticanos que vivem em todo o Paraná, em vários estados brasileiros e inclusive no exterior.

    E é essa energia positiva que certamente nos levará ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído.

    Força, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h11
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    Os pentecostais e a maconha, marreco recheado e joelho de porco, Manoel & Paulo Baier!

    No sábado de trânsito complicado, a passeata pela liberação da maconha e a caminhada dos pentecostais atrasaram a saída de Curitiba. De carro, descemos a serra rumo à cidade de Joinville, que os antigos locutores de rádio chamavam de "a Manchester catarinense".


     

     

     

     

     

     


    Nesta primeira partida do Atlético na Série "B" me acompanhou um amigo de infância, também atleticano, o arquiteto Renato Zeni da Rocha. Saímos ao meio dia, trânsito calmo na estrada, por volta das 13h30 já almoçávamos no Grün Wald (Floresta Verde), o restaurante alemão que fica na margem direita (sentido norte-sul) da 101, um pouco antes de Joinville, no distrito de Pirabeiraba. Bons de garfo, Renato e eu comemos marreco recheado e eisben (joelho de porco) assado. Com todos os acompanhamentos, evidentemente: chucrute, salsichão, repolho roxo, batata cozida e purê de maçã. Com duas cervejas Bohemia e o café a conta foi de R$ 53,35 para cada um.


    [MARRECO+FOTO.jpg]

    Eisben - Joelho suíno com batatas

     

     

     

     

     

     


    O garçom - que gosta de futebol, torce pelo Joinville e vai com frequência ao estádio -  nos deu todas as informações. Disse que em Joinville o futebol é tranqüilo, que não há violência - briga só quando jogam com o Avaí -, que podíamos estacionar o carro no próprio estádio, que o time da casa estava muito ruim, que o técnico havia ido embora uma semana antes do campeonato, que certamente o Atlético ganharia...

    Não foi difícil chegar ao estádio. Pelo menos três torcedores do Joinville educadamente nos indicaram o caminho. Um bom sistema de organização do trânsito facilitou a chegada pouco mais de meia hora antes do início do jogo, o estacionamento custou R$ 8,00 (sócios do Joinville pagam a metade), o Piauí nos indicou uma boa vaga, onde não correríamos o risco de - depois do jogo - encontrar o carro com pneus esvaziados ou vidros quebrados.

    Piauí, a própósito, é piauiense mesmo, bom de papo. Em minutos nos contou que está há dois anos em Joinville, é ajudante de produção numa fundição famosa, está feliz com seu progresso na empresa e na cidade, nos finais de semana faz bicos em estacionamentos de grandes eventos.

    Corremos pra bilheteria - especial para a torcida visitante e separada dos torcedores locais -, pagamos um ingresso caro, mais salgado que o eisben, R$ 40,00 pra sentar nas "descobertas".

    E, ao entrarmos, a primeira boa surpresa: havia quase 2.000 atleticanos (foram vendidos mais de 1.800 ingressos no setor reservado à torcida visitante), um belo público feminino, muitas famílias, crianças em quantidade. Não fomos os únicos a descer a serra na tarde de sábado...

      (Quase 2.000 atleticanos foram a Joinville - Foto by Renato Zeni da Rocha)

    A presença do público, aliás, foi surpreendente. Pagaram ingresso mais de 13 mil torcedores no estádio, o segundo melhor público da rodada. Só perdeu para Ceará x América-MG, na sexta-feira à noite, em Fortaleza e que teve 16.147 pagantes, com ingressos pela metade do preço de Joinville (R$ 20,00).

                                                             (13.350 pessoas na Arena Joinville)                                             

    E o jogo começou. Logo de cara foi possível perceber a fragilidade da defesa do Joinville. Em menos de meia hora de jogo o rubro-negro já havia perdido quatro gols (Pablo, Fernandão, Bruno Mineiro e Paulo Baier) e feito outros dois: Bruno Mineiro e Manoel, ambos de cabeça, aproveitando cruzamentos de Paulo Baier. Ainda no primeiro tempo o Furacão perdeu mais um ou dois gols, mas a torcida era só festa e  o zagueiro Manoel aproveitou para mostrar categoria e habilidade em diversos momentos. O Joinville corria, tocava, mas concluía mal.

    (Manoel mostrou categoria)

    Após o intervalo, o JEC veio com tudo, aprontou uma correria danada, o atacante tropeçou nas próprias pernas (só vimos isso em casa, pela TV; no estádio pareceu pênalti mesmo), o juiz marcou a penalidade, 2x1! E, de certa forma, todos nós ficamos preocupados, pois os milhares de torcedores locais se entusiasmaram, empurraram o time, que foi pra cima do Atlético. E aí apareceu mais uma vez o melhor jogador em campo, Paulo Baier. Numa jogada de menino, ele tabelou e - quando todos pensavam que iria encobrir o goleiro - deu um toque de lado e deixou Fernandão sozinho e de frente pro gol: 3x1!


    paulobaier2

    (Paulo Baier deu show)


    Quando nós já pensávamos em deixar o estádio, o Atlético fez mais um, com Renan Teixeira, 4x1! E aí foi só festejar e esperar o juiz apitar o término da partida. O placar foi justo? Sinceramente acho que 4x1 foi além do que o Atlético produziu. De qualquer forma, o adversário mostrou pouco futebol e o Furacão iniciou a missão "Plano A" com uma bela vitória.

    (Renato Rocha me fotografou na torcida)

    A alegria era tamanha que nem reclamamos do único ponto falho na Arena de Joinville: a saída da torcida visitante se faz de forma demorada, por um único portão de saída, com as velhas catracas a obstruir o caminho, o que certamente teria causado pânico e ferido centenas de torcedores se alguém gritasse "fogo"!

    Noite adentro, apesar da garoa, o retorno a Curitiba foi tranquilo. Na chegada, depois de 280km abasteci o carro e foram R$ 94,73 de gasolina. O custo da viagem, contando almoço, estacionamento, ingresso e combustível foi de R$ 196,08.

    Valeu a pena!

     



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h29
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    O amor incondicional

    Quase todos temos, em situações importantes ou momentos decisivos, um plano "b". Pois eu, neste ano de 2012, tenho um Plano "A". E a ele me dedicarei. Será uma forma de demonstrar e valorizar esse amor - incondicional - que já dura 45 anos.

    Aos dez anos de idade, de forma inexplicável, como se fora masoquista, me apaixonei pelo time no pior momento de toda a sua existência. Foi em 1967, ano em que fomos rebaixados para a segunda divisão do campeonato estadual. Sim, do campeonato estadual! Oito anos depois, ainda antes dos 18 anos de idade, passei a ser - e sou até hoje - sócio do Clube Atlético Paranaense.


    (sócio de carteirinha desde 02/05/1975)


    Se em 1967 estivemos juntos, muito mais razões eu tenho agora para não abandonar meu time. Com ele estarei em todas partidas do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, em busca da classificação à elite do futebol brasileiro.

    De 19 de maio a 24 de novembro serão mais de seis meses de jornada, nos quais assistirei a trinta e oito jogos de futebol e - de Criciúma a Fortaleza - farei mais de 50.000km, em dezoito viagens.

    Aqui compartilharei com amigos e atleticanos essa longa caminhada que certamente levará o Furacão de volta à Série "A". Pretendo neste espaço falar das viagens, meios de locomoção, hospedagem, alimentação, curiosidades e loucuras de um torcedor.

    É este o Plano "A", que se inicia agora!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h44
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