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BRASIL, Sul, CURITIBA, Homem, de 46 a 55 anos, Livros, Viagens, Vinhos e Atlético Paranaense.



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    UM FURACÃO PELO BRASIL, blog passional de luiz carlos schroeder


    No inferno!

    Fazia dois anos que meu pai havia morrido. Não festejei meus onze nem meus doze anos. No final de julho, às vésperas dos meus treze, perguntaram-me que presente queria. Respondi que meu presente viria em setembro, ao final do campeonato. Disseram-me que eu era um bobo, um idiota, um louco. Que o Atlético era um clube falido, não tinha time, estava fadado à morte. Que mais uma vez o campeão seria o inimigo. Fiz promessa. Prometi a Deus (e a Jesus, também!) que não iria decepcionar minha mãe, que não iria matar nenhuma aula, que seria bom aluno, que iria ao culto (sou de família luterana) todos os domingos, que jamais falaria mal de amigos, que nunca trairia uma mulher, que jamais cairia de tanto beber, que...

    O dia se aproximava e meu comportamento era exemplar. O único problema é que eu não estaria presente à partida final. Toledo era muito longe, quase 600km de Curitiba, nem asfalto havia. E o último jogo estava marcado para ainda mais longe. Paranaguá ficava a mais de 700km.

    Toledo (PR), em 1970

    Na última semana rezei muito. Rezava ao acordar. Rezava no trabalho. Rezava na hora do almoço. Rezava durante o trabalho. Rezava no banho (rezar debaixo do chuveiro é mágico). Rezava durantes as aulas (estudava à noite). Do Colégio La Salle ia direto pra casa, não parava pra bater papo em nenhum bar ou esquina. Em casa, antes de dormir, rezava de novo. Até ao meu pai do céu (o meu pai mesmo!) fiz o pedido, prometendo honrar seu nome. Na véspera, durante todo o dia, nem saí de casa. Eu me concentrava. Notícias da capital eram difíceis. Para ouvir as duas emissoras de ondas curtas de Curitiba cujo som chegava na divisa com o Paraguai era necessário um processo de engenharia: um fio de luz ligado ao aparelho de rádio, que saía janela afora, subia até a aba do telhado e lá era enrolado num prego, onde havia um chumaço de palha-de-aço (era bem mais barato que bombril!).

    A Universo tinha o som mais limpo, mas eu não gostava muito dos repórteres. O narrador até que não era ruim. Dia desses, aliás, li o nome dele numa crônica da Gazeta. Se eu estou com 48, quantos anos terá hoje o Aloar Ribeiro?  Para mim, ele era coxa. Dava mais ênfase aos gols do inimigo. Nossos gols eram narrados, os do inimigo eram berrados. Que ficassem com os berros, pois eu mudava de estação (era assim que se chamavam as emissoras de rádio). A Bedois (então conhecida como Rádio Clube Paranaense, a PRB-2), era melhor. O som não era tão limpo e às vezes (principalmente quando estávamos no ataque, prestes a fazer gol) sumia. Mas tinha dois excelentes repórteres: Jota Pedro e Dias Lopes. Jota Pedro devia ser um polaco (nunca o vi, nem em foto) e, pelo que sei, foi trabalhar na Europa, como homem de rádio de uma fábrica de caminhões. Dias Lopes, magérrimo e careca, era nordestino, um cearense (de Sobral, se não me engano). Este eu conheci quando, anos depois, vim estudar em Curitiba e – a convite do Capitão Weber (será que está vivo?) – fui trabalhar na FPF. Com o Capitão Weber aprendi muito, inclusive que existe gente boa entre os coxas. Poucos, mas existem. Hugo Weber era um homem sério, íntegro, cordial, gentil, educadíssimo, nem parecia um militar em pleno regime de ditadura. Mas eu falava da Bedois, a minha preferida. Lá, além dos repórteres citados,  trabalhavam outros dois que mereciam respeito: Cordeiro e Carneiro. Eram, como diria Osmar Santos, animais! Dos dois, fui um grande fã.

    Mas, naquele sábado, véspera do grande jogo, em nem saí de casa. Me concentrei. Enquanto Sicupira & Cia estavam no Lima´s Hotel (esse mesmo que até hoje está alí na Desembargador Mota esquina com Dr. Pedrosa), em me concentrava em Toledo, na Estilac Leal, quase esquina com Barão do Rio Branco. À noite, sequer fui ao cinema. Meus pensamentos eram positivos, todos voltados ao dia seguinte.

    Sicupira, artilheito de 1970

    Domingo, acordei cedo. Fui ao culto e aproveitei para fazer o pedido final. Lembro de minhas palavras (silenciosas) dirigidas a Deus: “Senhor, me dê esse presente! Juro que serei teu até o último dos meus dias.” Saí da igreja luterana e, sem ir ao La Salle (colégio católico, de origem francesa) assistir a partida do Campeonato Mirim, fui direito pra casa. Nem almocei direito. Tinha maionese de batatas, frango assado (com recheio!) e crush. Mas eu não tinha fome alguma. Nem a sobremesa (arroz doce com sagu de vinho) eu quis. Minha fome era outra. Era a fome de um grito. Um grito enroscado, preso, contido. Um grito que estava atravessado em minha garganta fazia dois anos, desde aquela noite de quarta-feira de 1968, quando - no Dorival de Brito e Silva – aquele grandalhão do Paulo Vechio, aos 47 do segundo tempo,  acabou com nossa alegria.

    E chegou a hora do jogo. Era o jogo da minha vida. Chovia muito em Toledo, era um domingo chuvoso, nublado e frio (naquela época ainda não haviam destruído quase toda a natureza e fazia muito mais frio). Começou o jogo. Os raios que caíam atrapalhavam a recepção do som da Bedois. Às vezes, quase sempre nos nossos ataques, o som sumia. E em  todas as oportunidades em que o som sumia, eu me lembrava de Deus e fazia novos pedidos. E prometia! Minhas promessas, tenho certeza até hoje, foram fundamentais para a concretização daquele sonho.

    Djalma Santos, Zico, Vanderlei, Alfredo, Júlio e Reinaldo, em pé.

    Agachados: Dorval, Sicupira, Zezé, Toninho e Nilson Borges

    Ganhamos! Fomos campeões! Fizemos 4x1 no rubro-negro parnanguara (que palavra bonita!). Depois de doze anos, éramos novamente os melhores do Paraná. Éramos e somos! De todos os nossos títulos, mesmo o de campeão brasileiro, o mais importante – para mim – foi o estadual de 1970. Nunca esquecerei que não tínhamos dinheiro e que – mesmo praticamente falidos – prevaleceu a mística da nossa camisa, a que só se veste por amor. Nunca esquecerei das defesas do grande Vanderlei, da força do xerife  Zico, da elegância do capitão Alfredo, da garra do Júlio (o símbolo da nossa raça!), da categoria de Reinaldo, do espetáculos dos gols de Sicupira (nosso eterno ídolo!) e – é claro – da potência dos chutes de Nilson (o homem que encarna a força e o amor à camisa do time de 1970). 

    Jogava-se com muita raça

    As promessas? Nunca as paguei. Não as cumpri. Por isso sei que estou condenado ao inferno. Por isso sei que – ao contrário dos “Fanáticos” – serei atleticano até depois da morte, mesmo no inferno!   

    (Artigo escrito para o site www.furacao.com, em  2005, na comemoração dos 35 anos do título de 1970) 



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h48
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    Salve, Jorge!

    Não deu certo. O acadêmico de sobrenome do leste europeu não conseguiu se transformar num artista popular. Sebastião Ricardo Drubscky de Campos - o intelectual que não conseguiu se popularizar -, não será um Tião de Campos. Ao menos no Furacão, não será! E nem teve tempo para ser. Vai deixar o campo (profissional) e voltar para o computador, onde continuará escrevendo suas teses sobre tática e estratégia. E, entre os jogadores das categorias inferiores, tentará aplicá-las...

    Para o seu lugar, vem Jorge - o Cantinflas. Desejo sucesso ao novo treinador, mas não acredito em milagres. Sem time, nem aquele careca - alto e magro - da Catalunha resolveria o nosso problema. De qualquer forma, Jorginho fala a linguagem dos "boleiros". E fala em português! Se conseguir transmitir o que sabe, se conseguir motivar um time - que "anda" no meio de campo, se defende como paquiderme e ataca como bicho-preguiça -, certamente nos levará à Primeira Divisão.

    Ainda estamos no começo do campeonato. Carrasco (nosso) agüentou quatro jogos, seis pontos. Tião durou dois jogos, um ponto. Que Cantinflas dure mais que um. Se possível, mais que um turno. Se der certo, mais que um campeonato. Para os que dizem que ele é bom porque levou a Portuguesa (paulista) ao título da segunda divisão, posso responder que neste ano ele caiu com a Portuguesa à segunda divisão (paulista). Mas o meu otimismo continua o de sempre. Ainda temos 17 partidas como mandante e 15 como visitante. Do campeonato, jogamos apenas 15%. Faltam cinco meses para acabar a competição, Jorginho terá tempo de sobra!

    Que os santos nos ajudem. Salve, Jorge!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 19h43
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    A categoria (e a raça) uruguaia!

    O Uruguai é um país que equivale - em termos populacionais e econômicos - a menos de um terço do Paraná. A República Oriental del Uruguay tem 3.400.000 habitantes; o Estado do Paraná tem 10.500.000. O PIB uruguaio é de 50 bilhões de dólares; o paranaense é de 170 bilhões de dólares. E, no futebol, eles estão muito à nossa frente. O futebol do Uruguai é tetra-campeão mundial, o paranaense foi duas vezes campeão brasileiro. Antes da primeira Copa do Mundo, a força mundial do futebol era medida nas Olimpíadas. Eles ganharam as duas primeiras em que esteve presente o futebol (1924, Paris; 1928, Amsterdam) e logo em seguida a primeira Copa do Mundo, a de 1930. Depois ganharam aqui, no Maracanazo de 1950. O futebol uruguaio tem a marca da técnica aliada ao vigor físico. Eles sabem juntar, como ninguém, raça e categoria.

    Dia desses, logo após o empate de 0x0 com o Goiás, ouvi o Renan Teixeira colocar a culpa, pelo péssimo futebol apresentado, no gramado do Carangueijão. Fiquei triste. Quem é mesmo Renan Teixeira? De onde veio? Por onde andou? Quantas vezes vestiu a camisa da seleção brasileira? Quem esse rapaz acha que é? Antes de reclamar - e ao invés de "andar" em campo, como em Paranaguá e em Fortaleza -, devia jogar com mais vontade, com mais raça, correr muito e honrar a camisa rubro-negra. Depois, sim, que reclamasse.

    Em 1970, na Copa do México, a seleção uruguaia (que ficou na quarta posição) tinha um excelente defensor (às vezes jogava como volante), chamado Roberto Matosas Postiglione. Vinte e cinco anos depois, o filho dele - Gustavo Cristian Matosas Paidón - foi o comandante da campanha que nos garantiu o título da Série B e nos levou de volta à Primeira Divisão do futebol brasileiro. Gustavo jogou em vários clubes, dentre eles Peñarol, Málaga, San Lorenzo de Almagro, Racing, São Paulo e Atlético.

    No Furacão, encarnava como ninguém o espírito da segunda divisão. Jogava com raça, mostrava técnica, sujava a camisa, transpirava mesmo em temperatura a zero grau. Depois da conquista do título da Série B, antes de deixar o Atlético, no início de 1996, Matosas ainda disputou o campeonato paranaense. E naquele tempo não havia o moderno Carangueijão. Os jogos, em Paranaguá, eram no estádio da Estradinha, pura areia "pelada", com alguns raros "montinhos" de grama. Quando chovia, um verdadeiro lamaçal que "prendia" os jogadores no areial.

    E é isso que quero mostrar aqui. Matosas, hoje treinador no México, disputando uma bola com vontade, garra, gana, raça. Chovia muito, o "campo" era uma areia movediça, mas Matosas soube "fechar" o lance com um toque de categoria e muita classe. Vejam, clicando, o gol de Matosas. A imagem me foi relembrada pelo atleticano Giuliano Veiga de Oliveira. Quer ajudar, Renan Teixeira? Quer ser campeão da segunda divisão? Quer levar o Atlético de volta à Primeira Divisão do Brasil? Pare de reclamar do gramado onde ainda vamos jogar dezessete vezes e se inspire em Don Gustavo Cristian Matosas Paidón!

    Que a raça, a técnica e a elegância de Matosas nos ajudem!

    Amém!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 17h41
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    A andança por Fortaleza

    Fui na sexta-feira. Vi o jogo ontem. Voltei neste domingo. O voo saiu as 03h00 da madrugada de Fortaleza, chegando as 06h00 em Campinas, onde esperei até 09h30 pela conexão. Em Curitiba, o ponto final da viagem se deu as 10h10 desta manhã. A passagem R$ 580,00 em seis vezes, comprada com quase três meses de antecedência, foi pela Azul e eu recomendo que utilizem seus serviços. O avião é confortável, o pessoal de terra e de bordo é simpático, e não se paga pelo lanche, como ocorreu com a Gol na viagem a Maceió.

    A chegada a Fortaleza no final da tarde, já escurecendo (17h00), foi com muita chuva. No aeroporto tentei um ônibus, mas os motoristas do transporte coletivo estão em greve. De taxi, R$ 36,00. Do aeroporto ao centro, uma viagem de 25 minutos, levou quase hora e meia, pois muitas vias estavam interrompidas, totalmente alagadas, o esgoto invadindo as ruas, calçadas e praças. Aliás, está é a terceira vez que fui a Fortaleza (1975, 2004 e 2012) e sempre me decepciono pelos mesmos dois motivos: a inundação das ruas decorrente de uma chuva e o esgoto correndo a céu aberto. Me hospedei no Hotel Mercure (uma diária a R$ 183,75), localizado no Meireles, um bairro nobre da cidade. Pois exatamente em frente ao hotel, a uma quadra da praia, o esgoto corre sobre o asfalto diuturnamente. Quanto ao atendimento do hotel, não posso deixar de elogiar uma das funcionárias da recepção, a Suyanne, que resolveu o meu problema e conseguiu estender minha diária até 20h00.


    Mas nem só de coisas ruins vive Fortaleza. A cidade está - sim - mais bonita, mais limpa, mais cuidada. E na sexta à noite, depois de devidamente instalado no hotel, saí pra jantar. Queria comer carne. E encontrei um excelente restaurante de carnes, com cortes argentinos, o Cabaña del Primo, onde fui muito bem atendido pelo Almeida e tive o prazer de conversar demoradamente com o gerente Narcizio, torcedor do Ceará. Lá, uma água com gás, uma kafta de entrada, um purê de macaxeira, um ojo de bife e o café expresso custaram R$ 82,90. Retornei ao hotel (o táxi de ida e volta custou R$ 14,00) e, cansado, dormi muito bem. Na manhã de sábado, caminhei pela orla uns 5km e, antes das 10h00, o termômetro já marcava 30 graus.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Apesar do calor, caminhei até o Mercado Central, onde fiz algumas compras típicas de turista (tapetes, colchas, castanha de caju e cachaça artesanal serrana), vi uma família tocando um forró e tomei um suco de sapoti, uma espécie de pera que só dá em terras muito áridas.

      

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    E ainda no Mercado Central, fui surpreendido positivamente. O Furacão existe no Ceará e é mais conhecido e respeitado do que eu imaginava. Aliás, até então eu conversara com garçons, motoristas de táxi, recepcionistas do hotel e todos - sem exceção - sabiam do jogo e falavam bem do time do Atlético. Mas foi no Mercado Central que encontrei uma garrafa com areias coloridas, que representava o Furacão. Lá também comprei três miniaturas da cachaça artesanal com o rótulo do Atlético.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Voltei ao hotel, de táxi (R$ 10,00), tomei uma ducha e fui almoçar no Colher de Pau. É um restaurante regional, onde comi carne de sol com baião de dois, batata doce e rapadura. Antes, tomei uma caipira de (cachaça com) abacaxi e tomei um caldinho de peixe. Tudo, mais uma cerveja Original, me custou R$ 59,83, além dos R$ 15,00 de táxi (ida-e-volta).  E as 15h30 saí, de táxi para o estádio. No caminho, o motorista parou para abastecer o carro, eu achei curiosíssima a propaganda da Petrobrás, não pude deixar de fotografar. O estádio não é perto do hotel, paguei R$ 25,00. Na volta, mais R$ 20,00 de táxi.

    Cheguei ao Estádio Presidente Vargas, 20 minutos antes do início da partida, o acesso foi rápido, organizado, a polícia e o pessoal do trânsito me informaram imediatamente a bilheteria e o portão de entrada da torcida visitante. Paguei R$ 30,00 pelo ingresso e - no momento da compra - a moça da bilheteria me disse que já havia vendido mais de 200 ingressos para a torcida do Furacão. Entrei, todos sentam em cadeira sem encosto, a torcida visitante na sombra, num setor bem localizado, exatamente ao lado da arquibancada coberta. O estádio é agradável, aconchegante, vê-se o jogo de pertinho, faz lembrar o velho Estádio Joaquim Américo. E o gramado, de excelente qualidade, provavelmente melhor do que o de Joinville. Mais uma vez o Furacão entrou com aquela camisa branca sem alma. Ao menos desta vez o time veio até nós, e nos saudou de pertinho...

    Entre os mais de 200 torcedores, encontrei novamente o Cesar e seu filho, curitibanos que moram em Recife e já haviam estado em Maceió. Ambos desde já garantem presença nas duas partidas que faremos em Natal, contra América-RN e ABC. Também mais uma vez presente o Paulo Fernando, empresário curitibano que eu já encontrara em Varginha e Maceió. E tive o prazer de encontrar muitos paranaenses, torcedores do Furacão, que moram e trabalham em Fortaleza, dentre eles o pontagrossense Gilberto Abib (trabalha no Banco do Brasil) e seu filho Gilberto Abib Filho. Aliás, a paixão do "turco" Abib pelo Atlético vale ser registrada. Morando há mais de 20 anos no Ceará, Gilberto pai havia comentado o post anterior, dizendo "Hoje no PV, reencontrar o FURACÃO e muitos amigos!!!! Andamos com a moral meio baixa, mas a verdadeira paixão está no sangue, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, nem a morte nos separa!!!!"

    Nas fotos, é possível ver como o Abib, mesmo tão longe, convive com o Furacão, cujo símbolo está lá nas paredes internas do muro da sua cada de praia, em Morro Branco, litoral sul cearense.

    Vale mostrar também a presença dos familiares do lateral-esquerdo Héracles, que é cearense. Sua família, seus amigos, sua namorada estavam no Presidente Vargas e tinham até coreografia especial. Para a tristeza deles, Héracles foi substituído no intervalo, em razão de dores musculares.

    O jogo? Na minha opinião, o melhor que fizemos desde a partida contra o Joinville. O time mostrou organização, bom toque de bola, troca de passes rumo ao ataque. Quando estávamos envolvendo o adversário e a torcida do "Vozão" já começava a ensaiar algumas vaias, cochilamos e levamos o gol. Quem fez? O Romário. E depois deste, durante todo o jogo o Ceará não fez nenhum outro arremate de real perigo contra o nosso gol. No segundo tempo o time melhorou mais ainda - especialmenmte depois da saída do lento e pesado Fernandão -, continuou chegando ao ataque, teve algumas chances de gol, tivemos três vezes mais escanteios a nosso favor do que o Ceará, mas não convertemos. E o pior, desperdiçamos mais uma vez a chance de empatar, perdendo um pênalti, exatamente como ocorrera em Varginha, desta vez com Paulo Baier. Quem pegou? O Fernando Henrique. Ou seja, eles ganharam, com o PC no comando e papéis decisivos de Fernando Henrique e Romário.

    Continuo otimista! Depois do lanche da noite (R$ 25,00) e o táxi para o aeroporto (R$ 32,00), gastei nesta viagem o total de R$ 1.112,58. Foram mais 6.680km. E tenho certeza: vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 11h56
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    Com o PC no poder, de Fernando Henrique a Romário

    Na manhã desta sexta-feira viajo para Fortaleza. Mais de 3.300km nos separam da capital cearense. Saio as 10h18 e chego as 16h15, com uma conexão (1h30m de espera) em Campinas. Mais uma vez sairei de Curitiba com a temperatura na faixa dos 10 graus, chegando ao destino com uma temperatura de 30 graus. É o Brasil continental e suas diferenças.

    Quinta maior cidade do país (atrás apenas de São Paulo, Rio, Salvador e Brasília), Fortaleza tem dois milhões e meio de habitantes e uma arquitetura moderna. Mas 17% da população não é atendida pelo abastecimento de água e a maioria (54%) não é beneficiada pelo serviço de rede de esgotos. Mesmo assim é a melhor cidade grande do Nordeste em termos de saneamento. Entre as 80 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes, ela situa-se na 32ª posição, seguida de Salvador na 35ª e João Pessoa na 44ª. Os dados são de setembro de 2011 e foram divulgados pelo Instituto Trata Brasil. Apenas, por curiosidade, vale lembrar a revelação do mesmo estudo, segundo a qual, no conjunto dos indicadores avaliados, há três cidades paranaenses entre as dez mais bem posicionadas: Santos (SP); Uberlândia (MG); Franca (SP); Jundiaí (SP); Curitiba (PR); Ribeirão Preto (SP); Maringá (PR); Sorocaba (SP); Niterói (RJ) e Londrina (PR).

    Avenida beira-mar: um dos principais cartões-postais da cidade tem esgotos a céu aberto, causando problemas de saúde aos moradores da área e indignação aos turistas

    É na Fortaleza - capital do estado conhecido pelas suas peixadas e onde se faz uma das melhores “branquinhas” do país - que o Furacão jogará sábado à tarde, contra o Ceará Sporting Club, fundado em 1914. E, por isso mesmo, o Ceará é simpaticamente chamado de “Vovô”. A propósito, no Ceará futebol e cachaça andam juntos. Lá, até Pelé é nome de cachaça...

    Neste sábado a vida vai ser difícil. Temperatura alta, gramado ruinzinho, muita sede e pouco vento. Mas se espera que o time jogue melhor do que sábado passado, quando certamente teve a sua pior atuação dos últimos dez anos. Qualquer atuação será melhor do que aquela. Como o Castelão está sendo reformado para a Copa do Mundo, o jogo será as 16h20, no Estádio Presidente Vargas.

    O time do Ceará, que está na zona de rebaixamento, mas é visto como um  dos candidatos ao título, tem no comando o técnico PC Gusmão. E sua escalação começa pelo goleiro Fernando Henrique e termina pelo atacante Romário. Quem também anda por lá (mas na reserva) é o paranaense Lima, aquele mesmo que foi vice-campeão da Libertadores de América, pelo Furacão, em 2005. A moça da foto, fui informado agora, não jogará...



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 19h08
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    Vamos assumir!

    Eu insisto. Vamos assumir. Vestir a roupa feia da Segunda Divisão. Esquecer os tapetes do Engenhão, Beira-Rio, Olímpico, Morumbi, Pacaembu. Vamos pensar nos "campos" esburacados que vêm por aí: Presidente Vargas, Frasqueirão, Municipal de Arapiraca, Nazarenão, Nabi Abi Chedid e - claro! - Carangueijão!

    Coloquemos na cabeça, de uma vez por todas, que nosso time é de segunda. Que é quase certo que não traremos nenhum ponto de Fortaleza e Belo Horizonte. Nesses seis a serem disputados, um já será lucro. O que precisamos é ganhar na nossa casa, em Paranaguá. E, quando possível ganhar fora das equipes consideradas "menores". Perder fora para Ceará, América Mineiro, Vitória, Avaí e Goiás é absolutamente normal. Anormal é perder, mesmo fora, para Boa, CRB, Bragantino,  Ipatinga. Quem está na segunda, e quer ser de primeira, precisa encarar cada jogo como um esfomeado encara um prato de comida...

    Façamos como o Criciúma e o América-RN, times fracos que jogam com vontade, com determinação, com firmeza - e por isso lideram a competição. Jogam como time de segunda. Não são de primeira. E o Atlético já foi de primeira. É passado! Hoje, somos de segunda. Estamos na segunda. E queremos voltar pra primeira. Mas para chegar ao topo da escada, é preciso subir degrau por degrau. O campeonato está apenas começando (só jogamos duas partidas em casa, ainda restam 17), a escada é longa, subir faz transpirar muito...

    E quem estiver cansado, que vá respirar noutro lugar!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 12h46
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    Ganhamos (um ponto) !!!

    Eu morava nas alturas da bela Visconde de Mauá, final da Serra da Mantiqueira, exatamente na divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais. Precisamente, eu morava numa localidade chamada Maringá, que tinha dois lados: um em MG e outro no RJ. Eu morava na Maringá, lado mineiro. Morava em MG mas pagava luz pra CERJ (companhia elétrica do RJ). Comprava fósforos no RJ e cigarros em MG. Queijo em Minas Gerais e pão no Rio de Janeiro. A região é linda, com belas pousadas, excelentes restaurantes estrelados, uma centena de cachoeiras num raio de 20km.

    Naqueles dias eu recebia a visita das minhas três filhas mais velhas. Maíra, Gabriela e Camila estavam lá, foram passar o Natal comigo. Na tarde de sábado, estivemos no único "mercado" daquelas montanhas e compramos todas as caixas de foguete. Nos concentramos. Preparei um jantar à base de peixe, um vinho branco, dormimos cedo. Domingo acordamos cedinho, pus à mesa o café da manhã com a ajuda da Maria José (minha empregada, que não trabalhava aos domingos e que me fez um favor naquele dia, afinal eu estava com as três meninas, que tinham 17, 15 e 13 anos). Depois, saímos pra passear um pouco, fomos até a Cachoeira do Escorrega, voltamos por volta das 12h00.

    Ao retornar, preparei um churrasco nos jardins da minha casa. Alguns drinks à base de saquê (com  morango, kiwi e manga), salada de quatro cores, contra-filé na grelha (como se fosse um legítimo "bife de chorizo" argentino), batatas assadas no papel alumínio, um vinho tinto pra acompanhar. A sobremesa foi sorvete de creme da Kibon com frutas da época. Depois do licor - porque os céus anunciavam chuva - deixamos o jardim e subimos para a sala.

    Estávamos na antevéspera do Natal. Dia 23 de dezembro. E fiz questão de dizer às minhas filhas que elas estavam vivendo um momento que talvez nunca mais fosse repetido durante suas vidas. Elas riram, disseram que eu estava louco, que isso certamente iria se repetir muitas e muitas vezes nos próximos anos. Eu insisti que "não", que era a coisa mais difícil do mundo, que isso só acontecia uma vez a cada século. E no final daquela tarde chuvosa do verão de 2001, na Serra da Mantiqueira, ali na divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais, "soltamos" mais de 100 foguetes. Os moradores da região não sabiam a razão, pensavam no aniversário de algum turista milionário ou na chegada de uma nova remessa de drogas. Mas era apenas a forma que tínhamos - os únicos quatro atleticanos ali naquela serra - para expressar a alegria pelo nosso primeiro título nacional.

    Eu sabia que aquilo não era normal, que veio antes da hora planejada, que o prêmio havia chegado muito antes do merecimento, que não estávamos preparados para tudo aquilo. E naquela noite, as meninas já dormindo, fiquei a imaginar como seria difícil - a partir daquele dia - agradar a imensa torcida atleticana. Eu tinha dito às minhas filhas, que  - se cada um dos times ganhasse uma vez alternadamente o Campeonato Brasileiro - nós só seríamos campeões de novo em 2029 (na época 28 clubes disputavam o campeonato).

    Hoje, quase 12 anos depois, lá em Paranaguá, confirmei minha teoria. A torcida do Atlético ainda não entendeu a nossa realidade.  A soberba da nossa torcida está "anos-luz" à frente da megalomania da nossa dirigência. É preciso assumir quem somos neste momento. Somos um time de segunda. De segunda divisão. Quando jogadores, torcida e dirigência assumirem nossa condição de time que disputa apenas a Série B, tudo será mais fácil. Tião de Campos (Sebastião Ricardo Drubscky de Campos) não inventou. Escalou cada um na sua, tentou, mexeu, fez três substituições. Paulo Baier foi mais uma vez nosso melhor jogador em campo, autor das jogadas mais agudas e do chute que protagonizou - numa cobrança de falta - a melhor e mais bonita defesa do goleiro adversário. Não foi brilhante, mas foi o melhor do time.

    Mas falta muito. Vê-se, agora, que perdemos seis meses com a "Operação Uruguay". O time é fraco, não tem alma, não tem padrão de jogo, não tem estilo, não tem quase nada. Só um exemplo: Pablo, um atacacante por natureza entrou no intervalo e estava meio pedido nos primeiros quinze minutos em que jogou. Por que? Porque passou seis meses atuando na defesa, foi um centroavante que nos últimos tempos jogava na defesa, como lateral-direito, uma das legítimas "creações" by Carrasco! A coisa, hoje lá no litoral, estava feia, mas tão feia, que muitas vezes era melhor olhar pro nosso goleiro (e não pro nosso ataque). Olhando pro goleiro, ao menos tínhamos a visão do Rio Itiberê e da Ilha dos Valadares...

    A propósito, hoje fui a Paranaguá na companhia do amigo Renato Rocha (que já me havia acompanhado a Joinville), gastei R$ 88,60 - R$ 62,00 de gasolina e R$ 26,60 de pedágio - e fiz mais 186km. As minhas filhas? Ah... Maíra é advogada há alguns anos, casou, já me deu dois netos, mora em Santos. Gabriela se formou em Psicologia, há dois anos mora em Paris. Camila, publicitária, trabalha na área, aqui em Curitiba. O Atlético? Vai subir!!!

     



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 22h25
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    Ocupar ou invadir?

    O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - independentemente de o apoiarmos ou não - ainda é a maior organização social brasileira. Queiramos ou não, não há nenhuma outra entidade (inclusive sindical) no movimento social brasileiro com tanto nível de organização e tamanha capacidade de mobilização. E a todo tempo, em algum lugar do país, eles promovem uma ocupação. Os favoráveis dizem que o MST ocupa, os contrários dizem que o MST invade.

    Paranaguá, com seus mais de quatro séculos e meio de história nos recebe amanhã. E pelo que percebo, nos recebe de braços abertos. Vamos chegar cedo, devagarinho, sem pressa e aos poucos vamos ocupá-la. Na medida em que o time corresponder dentro de campo - e esperamos que o Furacão não nos decepcione -, nos próximos jogos levaremos os filhos, o cunhado, a sogra, os vizinhos... e vamos invadir Paranaguá!

    Finalmente faremos a nossa primeira partida em casa. Nossa casa provisória, agora, é o Carangueijão (podem escrever também sem a letra "i", sem problemas), o Gigante do Itiberê, o Estádio Fernando Charbub Farah. Neste ano, para lá iremos dezoito vezes. E eu espero que nossa torcida se entusiasme com Paranaguá. E que a cidade se entusiasme com o Atlético. E que o Furacão entusiasme a todos nós. E que, ao final de novembro, possamos vestir o litoral de vermelho e preto.

    Neste reinício de campeonato, com um mês de atraso, precisamos ser - mais uma vez! - pacientes. Comandante novo, estádio novo, muitos jogadores novos (na idade, especialmente). O novo treinador, o Sebastião Ricardo Drubscky de Campos, pediu um tempo. Em um mês já teremos jogado quatro partidas em Paranaguá: Goiás (amanhã), Bragantino (30/06), Ipatinga (10/07) e ABC (14/07). E então saberemos se o professor já terá caído nas graças do povo e se transformado em Sebastião de Campos...

    Força, Tião!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 12h04
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    Calculadora, por favor!

    Aos matemáticos do futebol, a minha contribuição. Antes deste, foram disputados seis campeonatos da Segunda Divisão por pontos corridos, todos com 20 equipes, de 2006 a 2011.  E em cada um deles, subiram quatro clubes para a Série “A”. Entre os que ficaram em quarto lugar (a última vaga de acesso), o que mais fez pontos (65) foi o Atlético-GO, em 2009.  Dois já subiram – em quarto lugar - com 61 pontos (América-RN em 2006  e Sport Recife em 2011) e um com apenas 59 pontos (Vitória, em 2007). Com 64 pontos, dois já subiram em segundo lugar (Sport Recife em 2006 e o Náutico em 2011). No campeonato mais disputado, em 2010 (quando a diferença entre o primeiro e o quarto foi de apenas 8 pontos), o América-MG foi o quarto a subir com 63 pontos.

    Logo, poder-se-ia afirmar que o time que fizer 65 pontos estará classificado para a Primeira Divisão de 2013. O Furacão tem 6 pontos em quatro jogos. Faltam 34 partidas a jogar. Se delas ganhar 20, fará mais 60 pontos, chegando a 66 e ultrapassando a melhor pontuação de um quarto classificado. Os mais otimistas poderão dizer que ainda podemos perder 14 jogos. Os mais pessimistas dirão que é difícil ganhar 20 partidas. A matemática está colocada. Que cada um faça as suas contas. O importante é ultrapassar os 65 pontos!

    Aos cálculos!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 17h12
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    Ave, César!

    Quando ele foi contratado, estive entre os dois terços que aprovaram a ousadia da diretoria. Quando diziam que ele era louco ao escalar três atacantes, estive entre a maioria que apoiava o restabelecimento do futebol ofensivo. Quando ele poupou Paulo Baier em algumas partidas do Paranaense, fiz parte da metade que entendia o "resguardo" para a Copa do Brasil e a fase decisiva do Estadual. Quando ele colocou o zagueiro Manoel de centroavante, coloquei em xeque a sua competência técnica. Sábado, lá em Maceió, quando ele transformou o excelente lateral-esquerda Héracles num medíocre meia-de-ligação, passei a duvidar da minha sanidade...

    A diretoria do Atlético, comandada pelo Mário Celso Petráglia - em quem, apesar das madrugadoras e imensas críticas que recebe, nunca deixei de confiar -, reconheceu que a ousadia não deu certo e que o planejamento de seis meses se quebrou. E, antes que as coisas piorassem, fez a intervenção cirúrgica. E fez, de forma rápida e simples. Foi-se o nosso carrasco! 

    Agora, é preciso cuidar da ferida, cicatrizá-la da melhor forma, tomar as medidas cabíveis. E não basta apenas trocar o diretor do teatro. É preciso exigir mais dos nossos artistas, aproveitar os novos que formamos e que não estão sendo aproveitados, contratar alguns com experiência no ramo.

    O futebol é simples: jogam onze, cada um na sua posição, poucos sabem fazer mais do que a sua função, pra ganhar precisa atacar e fazer mais gols que o adversário, pra ser campeão tem que ter o melhor elenco e saber aproveitá-lo. O resto é invenção! Ou maluquice!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 16h11
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    Boliviana, peruano e paraguaios!

    A viagem no feriado de Corpus Christi durou cinco horas e meia de Curitiba a Maceió, das 09h00 as 14h30, voo com conexão em Guarulhos. A passagem, ida e volta, teve o custo de apenas R$ 43,14, pois viajei utilizando milhas do Programa Smiles. Caro foi o lanche que a GOL cobrou (R$ 17,00). Um pequeno misto frio custou R$ 12,00 e uma latinha de guaraná zero R$ 5,00. A continuar assim a empresa área vai lucrar mais vendendo lanches. Quem não paga, não come nem barrinha de cereais nas duas horas e meia de São Paulo a Maceió.

    Dos dez graus curitibanos para os trinta graus de Maceió, carro alugado (em dez vezes), aproveitando a promoção, tomamos o rumo da cidade. Passeio de carro pela orla, paramos na Praia da Ponta Verde para almoçar num quiosque, o Camarão Pimenta. O prato à base de camarão e quatro cervejinhas long neck custou R$ 39,00 por pessoa. Sim, quatro cervejas, pois viajei com a Turquinha, minha mulher. Comida boa, atendimento péssimo! Além de demora, se não pedir o garçom não traz nem guardanapo. Difícil entender como queremos ganhar dinheiro com o turismo se nem treinamos o pessoal. Que venha a Copa! Mas é preciso saber que, além das belezas naturais, o turista cada vez mais exige um bom serviço.

    Depois do almoço, nos hospedamos no Mercure, na Praia da Pajuçara. Um bom hotel, com boas instalações, mas com um serviço também demorado, lento, quase parando. Descansamos, saímos pra passear pela orla, mais tarde fomos jantar no Massarella - uma boa cantina italiana - espaguetti com frutos do mar. Aqui, o atendimento foi rápido, eficiente e simpático. Mas os vinhos são caríssimos! Em média 60% mais caros que os mesmos vinhos em Curitiba.

    Na sexta-feira, saímos cedo, passamos pelo Pontal da Barra, onde estão mais de uma centena de lojinhas das rendeiras. Muita coisa bonita e barata. Lá, aproveitamos para tomar sucos de frutas que aqui no Sul não temos: cajá, mangaba, graviola, cupuaçu, dentre outras. Dali fomos a Marechal Deodoro, uma cidadezinha de arquitetura colonial, que foi a primeira capital alagoana e onde nasceu o ex-presidente da república que a ela dá nome. Quando estava sentado debaixo de uma árvore na pracinha central (eram 11h30 e fazia 33 graus), tocou o celular. Era de Curitiba, Márcio Miranda, apresentador  do CBN Esportes. E por ele fui, durante dez minutos, entrevistado sobre o blog e as viagens para acompanhar o Furacão na Segunda Divisão.


    Em seguida fomos para a Praia do Gunga, um dos cenários mais lindos do nordeste brasileiro. Caminhamos pela praia, cercada de um imenso coqueiral, tomamos caldinho de sururu, bebemos algumas cervejas, comemos queijo de coalho, tiramos muitas fotos. Depois rumamos para a Praia do Francês, onde no Beleza Tropical almoçamos uma lagosta (R$ 63,80 por pessoa), que já valeu para o jantar. Durante o almoço, no final da tarde (16h30) já se fazia sentir o "vento frio" (de 22 graus!)  que avisa a proximidade do inverno. No inverno alagoano esfria muito, na madrugada a temperatura pode chegar a terríveis 18 graus...

    À noite um passeio pela orla e uma tapioca com queijo e goiabada (R$ 4,00) e uma água de coco (R$ 3,50), preparada pela Ana, uma boliviana. Ana saiu há dezessete anos de Santa Cruz de La Sierra com seus quatro filhos, apaixonou-se por Maceió, adotou a cidade e nela educou seus quatro filhos, todos com curso superior. E viaja muito! Ano passado fez uma viagem de carro de 61 dias, pelo Sul do Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia. E faz isso apenas com a renda da sua barraquinha de tapióca...

    No sábado pela manhã, litoral norte: praias da Guaxuma, Garça Torta, Paripueira, Barra de Santo Antonio. A natureza é bela! Voltamos correndo, almoçamos no Barrica's - quiosque da Ponta Verde -, onde comemos charque com macaxeira e queijo coalho, antecipados de dois caldinhos de sururu. Nos atendeu o simpático William (a cara do Ronaldo Fenômeno). Com duas cervejas e um refrigerante a conta deu R$ 48,00 para cada um. No Barrica's conhecemos Gabriel e Karen, pais do Léo (vejam o post anterior, de sábado à noite), que já estavam com as camisas do Furacão.


    Em seguida, passamos pelo hotel e fomos para o Rei Pelé. Acesso ao estádio, rápido e tranquilo. Mas ninguém sabia informar onde era a bilheteria e o portão de entrada para a torcida visitante. Nem mesmo os policiais sabiam! Depois de muita procura e insistência, um membro da polícia montada nos indicou. O ingresso para arquibancada superior era R$ 40,00, mas com desconto de 50%. O estádio, excelente. A torcida visitante - como todo e qualquer torcedor que vai ao estádio - senta em cadeira coberta. Estádio limpo, banheiro limpo, cadeiras limpas, gramado perfeito. Dos quatro estádios em que estive até agora (Joinville, Varginha, Vila Capanema e Maceió), sem dúvida este é o que tem as melhores instalações e o melhor gramado. Assistimos ao jogo entre mais de quarenta atleticanos. Mesmo quase 3.000km de Curitiba, éramos mais de quarenta. O Atlético entrou em campo com aquela camisa branca sem nenhuma identidade, seus jogadores sequer chegaram próximo da nossa torcida para nos cumprimentar, fizeram isso lá da intermediária mesmo. Seria preguiça? Ou falta de vontade?


    Trinta segundos depois do apito inicial, já estávamos perdendo. E no primeiro tempo não jogamos nada, parecia um time de fazenda, dando chutões. No segundo tempo melhoramos um pouco depois que saiu Bruno Mineiro, trocamos passes com rapidez, mas - sem organização defensiva - levamos um gol no contra-ataque. Alguém sabe explicar qual a gravidade das "dores musculares" de Paulo Baier, que ficou em Curitiba? Alguém poderia explicar que tipo de "lesão" teve Zezinho, que estava em Maceió? Alguém sabe dizer porque Héracles na meia-esquerda e Harrison no banco? Por que o time jogou o segundo tempo sem um homem de ligação no meio campo? E por que se insiste tanto com Bruno Mineiro? Por que será que ele colocou o Bruno Furlan (que é canhoto) pela direita e o Edigar Júnio (que é destro) pela esquerda? Até quando, tanta invenção? E não há justificativa! Não fez calor, a temperatura no início do jogo era de 24 graus, ventava bastante, desde o início da partida já havia sombra em todo o campo, gramado impecável. Em campo o Atlético parecia um time falso, um time - com todo respeito aos vizinhos guaranis - de paraguaios! Foi de irritar e envergonhar qualquer torcedor!

    Depois da decepção, fomos esfriar a cabeça - e o corpo - no hotel. Mais tarde saímos para jantar no Wanchako, um excelente restaurante peruano - de comida, ambiente e serviço excelentes!

    Na manhã de domingo, mais passeios pela praia, as 15h20 o voo de volta, com conexões em Salvador e Brasília, chegando no Afonso Pena apenas as 23h20, oito horas depois. Foram 5.580km de viagem e - para que a despesa feita como turista não conte, computei apenas o gasto individual de três refeições (R$ 170,80), uma diária de hotel três estrelas (R$ 186,18), uma diária de um Fiat Idea (R$ 228,00, divididos em dez vezes), gasolina de um dia (R$ 35,00), passagens (43,14), lanche no avião (R$ 17,00), tapioca e água de coco (R$ 7,50) e ingresso (R$ 20,00) - um gasto total de R$ 707,62. Estes gastos possibilitam ao torcedor ficar mais de 24 horas na cidade de Maceió, fazer três refeições (inclusive com lagosta), alugar um carro médio, hospedar-se em um hotel três estrelas e ver a torcida do CRB festejar...

    Me perguntaram ao final da partida se eu continuaria indo a todos os jogos, mesmo em caso do time começar a perder e não ter chances de subir para a Primeira Divisão. Quero deixar claro que minha paixão pelo Atlético é superior e não depende da quantidade de vitórias. Eu sou atleticano desde os dez anos de idade, continuarei atleticano até depois da morte, nada me fará abandonar o meu clube do coração. Já disse e insisto: é fácil apoiar quando o time vai bem. Estamos por baixo, estamos na segundona, estamos - no momento - fora da zona de classificação, estamos com duas derrotas nas costas! Mas eu vou em frente, irei a todos os jogos, é minha forma de mostrar meu amor ao clube. Farei isso (ir a todos os jogos de uma competição) apenas uma vez na vida. Mas farei por completo! E estou fazendo isso quando muitos "fogem" da campanha e do time de qualidades duvidosas! Eu acredito no acesso e me inspira uma faixa que a torcida levava ao estádio em 1968 (nos tempos de Djalma Santos, Belini, Charrão, Sicupira e Nilson), que dizia "Soy loco por ti Atlético!"


     



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 14h19
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    Coitado do Léo!!!

    A camisa rubro-negra só se veste por amor. Como o futebol há muito tempo é profisssional, compreensível que um jogador não use a camisa do seu time por amor. Mas é inadmissível que a use sem amor! É preciso gostar do que se faz. É preciso ter amor à profissão. E um jogador profissional de futebol precisa vestir a camisa do seu time com ânimo, vontade e disposição. E quem não veste a camisa do Atlético com entusiasmo, não merece vestí-la!

    Leonardo, o Léo, mora na Serra Talhada, interior de Pernambuco. Léo, que ainda não sabe ler e escrever, é filho dos paranaenses Gabriel e Karen. Gabriel é engenheiro civil e trabalha para uma das grandes empreiteiras nacionais na construção de uma ferrovia no interior de Pernambuco. E Léo, como o pai e a mãe, veste e ama vestir a camisa rubro-negra. Léo estava no Estádio Rei Pelé hoje à tarde. E viu o Atlético perder. E perder feio. Jogar sem vontade. Sem ânimo. Sem respeitar o manto sagrado.

    Vergonhosa a apresentação do time. Um verdadeiro desrespeito à sua tradição, à sua história, à sua imensa torcida! Léo não merecia ver o apático comportamento do time,  as invenções do treinador, a falta de amor ao Clube Atlético Paranaense. Coitado do Léo!!!

    Sobre o jogo, a viagem e as lindas praias, escreverei na segunda-feira.



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 20h00
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    O futebol de letras

    Alagoas - da mais árida Santana do Ipanema (de Oscar Silva) às mais belas lagoas do litoral - é um Estado cheia de contrastes. Terra que nos deu políticos da grandeza de Teotônio Vilela (o pai) e Heloísa Helena e outros da qualidade de Collor de Mello e Renan Calheiros. Neste mesmo chão nasceram homens como Graciliano Ramos e Aurélio Buarque de Holanda; e outros, nem tão ilustres, como PC Farias e Cleto Falcão. De lá, vieram pedras brutas como Rose D'Paula e diamantes como Djavan. E se falta água no sertão, nos encantam as praias da capital.

    Para o futebol, em Maceió nasceu Zagallo. E lá surgiu como treinador (a primeira equipe que treinou foi o CSA), Felipão! E é nas Alagoas que o futebol é de letra. Não sei a razão, mas naquele Estado os clubes não são chamados pelo nome e, sim, pelas siglas. O Brasil é CRB, o Alagoano é CSA, o Esportivo é CSE, o Arapiraquense é ASA. E é na terra do mar mais azul do Brasil que o Furacão jogará sua quarta partida no Campeonato Brasileiro. Sábado à tarde, 16h20, no Estádio Rei Pelé, contra o CRB - Clube de Regatas Brasil.

    E, aproveitando o feriado de Corpus Christi, é para lá que vou amanhã cedinho, dois dias antes do jogo, trocando o frio de 10° em Curitiba pelos 30° de Maceió. Será mais um jogo muito difícil. Não há moleza na Série B. Estamos na quinta rodada e já não há mais nenhum time com 100% de aproveitamento, pois na noite de ontem os dois Américas perderam seus primeiros dois pontos; o mineiro empatou (1x1) com o São Caetano e o potiguar (2x2) com o Vitória. Mas viajo confiante, certo de que é possível voltar do Nordeste com um bom resultado. E, claro, esperando que o rapaz da República Oriental escale um time que faça jus ao seu apellido.

    Aproveito para agradecer a todos! Hoje faz duas semanas que o blog entrou no ar e já estamos chegando aos 3.500 acessos. Nesta segunda-feira, no site oficial do Atlético, o blog foi objeto de uma matéria da jornalista Thaís Faccio, o que em muito ajudou a divulgar este espaço.

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 13h02
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    Paulo Baier e o vinho

    Noite gelada na Vila Capanema, pouquíssimo público (3.305 torcedores, dos quais cinco eram da torcida visitante), muita lã e cachecol, pouco futebol no primeiro tempo. Um volante apenas no meio-campo, o Atlético levando desvantagem no setor, o Barueri até os 35 minutos chutando quatro vezes ao nosso gol, nós apenas uma com Tiago Adan (escrevam, esse rapaz nos dará muita alegria e fará sucesso no futebol brasileiro).

    Quando tudo parecia caminhar para um 0x0 na primeira etapa, surge o maestro. E dá aula de tranquilidade! Recebe de Ligüera, olha pro gol e - de fora da área - chuta com categoria no ângulo superior esquerdo do goleiro, 1x0! E aí foi só correr para o "abraço no gaiteiro", como se diz lá em Ijuí, terra de Paulo Baier e (pois é) de Dunga.

    Após o intervalo entraram Zezinho e Fernandão, no lugar de Ligüera e Bruno Mineiro. E a dupla "diminutivo e aumentativo" fez o time melhorar, praticamente anulando o "polaco de farmácia" - o Paraíba -, facilitando o trabalho do meio-campo e permitindo ao time chegar com mais rapidez ao gol adversário. E logo Fernandão chutou, o goleiro rebateu (o deles também rebate) e o professor Paulo Baier, como se fora um garoto, fez de "carrinho", 2x0! No finalzinho, recebendo um belo passe de Edigar Junio, Fernandão fez o dele e o placar ficou nos 3x0!

    O resumo da ópera é a lição de Paulo Baier, Um homem de quase 38 anos, que continua sendo atleta de alto nível, jogando com vontade e disposição, correndo como poucos meninos (aprendam com ele enquanto é tempo, Edigar Junio e Bruno Mineiro), sabendo o que fazer com a bola nos momentos mais difíceis da partida. E não me venham com esse papo de "poupar" o Baier na próxima partida. Uma semana é tempo suficiente para ele descansar e poder jogar noventa minutos em Maceió, no próximo sábado. Aliás, poupança anda em baixa, o negócio é investir na produção. E Paulo Baier produz! 

    Nem sempre o tempo melhora o vinho, alguns viram vinagres! Mas a safra 1974, da Família Baier, continua excelente! A propósito, tomei uma decisão muito importante (para mim)! Decidi que cada vitória atleticana nesta Séria B merece ser comemorada com um vinho. E a de ontem foi festejada com um malbec argentino, das alturas (1.200m) de Mendoza, safra 2007!

    Enfim, ontem - mesmo não jogando bem e bonito - o Furacão se reabilitou. E como aprendi a dizer ainda na infância "esse time só me dá alegria"!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 10h58
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    A matemática que interessa

    Atlético x Barueri, hoje à noite (21h00) na Vila Capanema, provavelmente será o único jogo que faremos em Curitiba, como mandante. No sábado, 25 de agosto, jogaremos também na Vila contra o dono da casa. As outras dezoito partidas que deveríamos jogar em Curitiba, ao que parece serão todas em Paranaguá.

    Como não jogaremos em Curitiba, já que os nossos "co-irmãos" insistem em não ceder seus estádio e a CBF é dirigida por "bananas", finalmente a diretoria do Furacão está tomando as providências finais e indicando um estádio para sediar suas partidas.  Confesso que prefiro o estádio de Joinville, pelas suas acomodações e especialmente pela excelente qualidade do seu gramado. Mas fico satisfeito se o indicado for o "Carangueijão", em Paranaguá, pois lá certamente teremos o apoio dos parnanguaras, sempre muito simpáticos e receptivos ao rubro-negro.

    (Uma bela vista do "Carangueijão",  o beira-rio de Paranaguá)

    Nos preparemos, pois, para 18 descidas e subidas da Serra do Mar. Como a maioria dos jogos serão à noite, em terças ou sextas-feiras, não teremos tempo para descer pela Graciosa, iremos mesmo pela 277 e seu absurdamente caro (Não te esqueceremos, Lerner!) pedágio. Para Joinville pagaríamos quatro pedágios (dois na ida e dois na volta) de R$ 1,50 cada, num total de R$ 6,00 por jogo. Para Paranaguá serão dois pedágios de R$ 13,30 ou R$ 26,60 a cada partida. Se não houver aumento até final de novembro, cada um de nós - que for de carro, obviamente - gastará a "bagatela" de R$ 478,80.

    O combustível? Ah, esse a gente soma ao camarão e conta depois...

    Dá-lhe, Atlético!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 14h21
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