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BRASIL, Sul, CURITIBA, Homem, de 46 a 55 anos, Livros, Viagens, Vinhos e Atlético Paranaense.



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    UM FURACÃO PELO BRASIL, blog passional de luiz carlos schroeder


    As tragédias campineiras

    Ontem, entristeci. Muito. São 45 anos. Eu tinha acabado de fazer dez anos, em 1967, quando me transformei em torcedor do Atlético. E foi, como já disse no primeiro post deste blog, no dia 22 de maio, uma paixão enlouquecedora. Eu me apaixonei pelo Atlético na pior fase de toda a sua história. Ele estava fazendo uma péssima campanha no paranaense e, ao final do campeonato, foi rebaixado para a segunda divisão do estadual. Foi uma "virada de mesa" que nos garantiu na primeira divisão, então chamada de "Divisão Especial" (a segunda divisão era então chamada de primeira divisão; disputar a primeirona naquela época era participar da "primeira divisão de acesso"). Apesar de rebaixados, em 1968 continuamos na Divisão Especial e o falecido Jofre Cabral e Silva montou um timaço, trazendo dentre outros Bellini (o capitão da nossa primeira Copa do Mundo e que estava jogando no São Paulo), Dorval (ponta-direita do Santos de Pelé), Zé Roberto (atacante do São Paulo) e Nilson Borges(ponta-esquerda do Corinthians).

    Mas eu dizia que ontem me entristeci. E muito! Me entristeci pela volta a Campinas e pela derrota em si. Mas fiquei extremamente chateado, envergonhado, chocado ao ver um atleticano agredindo outro. Não quero saber as razões porque não há razões que justifiquem as agressões que presenciei ontem. Não vejo nenhuma necessidade de alguém agredir fisicamente a outra pessoa. Não entenderei nunca a linguagem da força física e da violência. Não compreenderei jamais porque um atleticano precisa em plena arquibancada agredir a outro. Não assimilarei jamais e em hipótese alguma que alguém agrida - e pelas costas - outra pessoa. Muito menos um atleticano agredindo outro atleticano - e ainda mais pelas costas. E eu vi isso. Eu presenciei isso ontem à tarde, em Campinas. A polícia, como sempre, agiu tardiamente: primeiro assistiu; depois andou a passos de tartaruga; somente num terceiro momento agiu para evitar o mal maior. Felizmente nenhum idoso, nenhuma criança, nenhuma mulher sofreu as conseqüências do "corre-corre". Eu não sou do tempo das cavernas nem aceito as leis do atraso e da ignorância. A sociedade civilizada tem regras que permitem solucionar os impasses, as desavenças, os conflitos. A força bruta nunca foi, não é e nem será a solução!

    E no estádio, entre a torcida atleticana havia mulheres, como a campineira Tatiana, noiva do Fernando Brito, que trabalha na Petrobrás e mora em Campinas (na foto abaixo, à esquerda); como a Bruna, de Sumaré (SP), namorada do Robson Silva, curitibano, que também levou seu primo Anderson, morador de Campinas; como as esposas do Anderson Moraes (paranaense de Paranavaí e atualmente residente em Uberlândia, onde trabalha com atletismo) e do Jorge Mussi (paranaense que trabalha na Gerdau, em Campinas);  como a Amanda, noiva do Juliano Pinto, eletricista da Penha, em São Paulo (abaixo, à direita).

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Aliás, o Juliano Pinto merece um comentário à parte. Nascido na zona leste em São Paulo, reduto de corintianos, mora na Penha, nunca morou no Paraná, nem tem parentes atleticanos. Um dia, ainda na infância, sem nem saber bem a razão, gostou da camisa rubro-negra, se transformou num atleticano e é torcedor apaixonado. Ontem, foi de São Paulo a Campinas, de carro, levou a noiva. E fez questão de me contar - e mostrou a foto - de uma visita que fez a Curitiba (também com a noiva) só pra conhecer a Arena da Baixada. O seu carro neste sábado campineiro foi de grande utilidade. Um carioca e um paranaense do Vale do Ivaí, ambos atleticanos e moradores de Campinas, foram de moto ao estádio, mas não puderam entrar com seus capacetes. Juliano, gentilmente, os guardou em seu automóvel. Um curitibano foi com seu sobrinho (de uns dez anos) e seu filho (de uns cinco anos) a Campinas. Foram de avião. Pela manhã em Curitiba fazia frio (12 graus). Em Campinas fez 29 graus as duas da tarde e 27 na hora do jogo, colocaram os agasalhos na mochila. A polícia paulista não permite a entrada de mochilas, o carro do Juliano serviu de guarda-volumes mais uma vez. Torcedores como Juliano, solidários e companheiros com quem sequer conhecem, são os verdadeiros atleticanos.

    Eduardo (de Campinas), Luiz Carlos Schroeder, Robson (de Curitiba) e sua namorada Bruna (de Sumaré)

    E havia muitas crianças, inclusive o pequeno filho do Anderson - que ainda não caminha nem  fala, mas estava lá vestido com o manto sagrado. O mesmo manto sagrado que ontem foi manchado de sangue, envergonhando a todos nós. Não acredito e jamais acreditarei que um atleticano - em sã consciência - possa se vangloriar de ter sujado de sangue a camisa rubro-negra vestida por outro atleticano.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Anderson Moraes, segurando o filho, e Jorge Mussi                                                                                               Jorge, Anderson e Luiz Carlos Schroeder

    Eu disse lá início que havia ficado triste pela violência, pelo jogo e pela volta a Campinas. Essa cidade, infelizmente, é marcada na minha vida por coisas ruins. Eu a conheço há mais de 50 anos. Quando criança, no início dos anos 1960, meu pai aproveitava as viagens em que ia a Piracicaba buscar cachaça com seu caminhão e levava a mim e às minhas irmãs a Campinas. Íamos fazer tratamento no Instituto Penido Burnier, então considerada a melhor clínica oftalmológica do país. Depois, em 1968, meu pai foi submetido à uma cirurgia, no hospital de Beneficência Portuguesa, para a extração de um tumor cerebral maligno. Nove dias depois, sem alta, morreu com pneumonia, certamente decorrente de infecção hospitalar (naquele tempo nem se falava disso). Foi a essa cidade, berço de Carlos Gomes (ironicamente o autor da ópera "O Guarany"), que voltei ontem. Cheguei cedinho. As 08h35 desembarcamos do voo da GOL, passagem (R$ 199,32) comprada em março e divididas em seis vezes no cartão de crédito. No aeroporto, peguei o ônibus executivo para o centro (R$ 9,00). Depois fiquei sabendo que a linha circular, cuja viagem, leva uns cinco minutinhos a mais, custava apenas R$ 3,00. Das dez ao meio-dia, por duas horas transpirei muito, usava camisa de manga longa e carregava minha jaqueta no ombro. Em contraste ao frio curitibano, no "inverno" campineiro fazia quase 30 graus. Andei pelo centro, por mais de duas horas, fui até a velha e bonita estação ferroviária de estilo inglês - onde um dia, há quase 50 anos, eu chegara à cidade de trem, vindo de Piracicaba.

    Depois, vi muita propaganda política, um comércio a pleno vapor, muita gente na rua, revisitei os vários largos da cidade (da Catedral Metropolitana, do Rosário, da Basílica do Carmo), passeei na quase abandonada e sempre linda Praça Carlos Gomes, achei que a cidade já foi mais limpa e que suas ruas não eram tão esburacadas. Andei mais uns 20 minutos a pé, do Centro até o Cambuí, fui almoçar no centenário (110 anos) Bar do Alemão de Itu. Fazia 18 anos que eu estivera lá pela última vez. Na época o restaurante ainda funcionava na Júlio de Mesquita. Fui muito bem atendido pelo Lucas e pelo Edmar, este garçom daquela época. Tomei dois chopp, comi mais um eisben, gastei R$ 81,40. Pra fazer a digestão, fui a pé ao Centro de Convivência, onde aos sábados e domingos acontece a feirinha de Campinas. Nela se presta uma homenagem a este grande brasileiro chamado Teotônio Vilela, o comandante da campanha pela Anistia (nos tempos da ditadura militar), de quem a maioria dos brasileiros lamentavelmente quase nada sabe.


    No "Brinco de Ouro da Princesa" - a princesa que anda desnuda, sem nem mesmo uma bijuteriazinha a lhe enfeitar (me nego a falar da lamentável situação dos sanitários imundos e sem iluninação) - cheguei cedo. Não vou analisar o jogo. Aliás, não sou analista. Sou torcedor! Mas posso garantir que sem ousadia não iremos a lugar nenhum. Futebol sem ousadia rima com futebol de covardia. E de covardia, basta a da violência! Jorginho mentiu. Numa das suas primeiras entrevistas, como treinador do Atlético, disse que gostava de jogar no ataque. Mentiu! Se contra o sofrível Guarani jogou com uma linha de quatro defensores e três volantes, como será contra São Caetano, América-RN, Criciúma e Paraná (todos à nossa frente na tabela)? Ou esse time ataca ou perde! Meu pai me ensinou (lembram?) que pra ganhar - no futebol - tem que fazer mais gols que o adversário. E que, pra fazer gols, tem que atacar! E jogador que quer subir tem que jogar com vontade, não pode achar que já é estrela do Barcelona. É pra subir ou é pra fazer time pra segundona do ano que vem? Decida Jorginho!

    Ao final do jogo, peguei uma carona com o Paulo Fernando (que havia alugado um carro) até o aeroporto. La comi um filé ao molho madeira e tomei uma coca-cola (R$ 32,40). Depois de mais 960km e R$ 322,12 a menos, uma da manhã eu estava em casa.



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 15h26
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    Do Uruguay - os vinhos, a gastronomia e Morro García

    Na segunda quinzena de agosto do ano passado, Turquinha e eu estivemos em Rivera (Uruguay), bem na fronteira, onde os países se dividem por uma avenida que une a cidade uruguaia à gaúcha Santana do Livramento. Almoçamos no Cambalache, restaurante tipicamente charrua. Comemos um delicioso cordeiro, tomamos um Amat, excelente tannat produzido ali pertinho, em Cerro Chapéu, pela Bodegas Carrau. A vinícola tem vasta história e pertence à família espanhola, oriunda da Catalunha, que junta os sobrenomes Carrau-Castel-Pujol e trabalha com vinhos desde 1752.

    Amat, um tannat que honra os uruguaios

    Os garçons que nos serviram, um hincha do Nacional e outro do Peñarol, depois de saberem que eu era torcedor do Paranaense - forma como identificam o Atlético no Uruguay e também na Argentina e Paraguay -, logo perguntaram sobre o Morro García. Que havia acabado de fazer seus dois primeiros - e únicos - gols com a camisa rubro-negra, ambos contra o Botafogo. O que torcia para o Nacional, quis saber se Morro estava jogando bem no Brasil, pois no Uruguay era um jogador mediano, que há pouco tinha sido o artilheiro do campeonato. O torcedor do Peñarol foi logo dizendo que o pessoal do time adversário havia feito um grande negócio, vendido um tranvía a peso de ouro. Tranvía? Sim, um "bonde"! Ambos foram unânimes em dizer que Morro não passava de um patadura com muita sorte, às vezes oportunista. E os dois falaram que foi um verdadeiro negócio da China, mais de 6 milhões de dólares por um jogador que nem é da Celeste.

    Isso. E nada mais!

    Voltamos ao Brasil, passaram-se mais três meses e meio de campeonato brasileiro. Morro jogou mais umas dez partidas, nenhum outro gol fez. Virou motivo de gozação. De chacota. De piada. A mídia estadual e nacional falavam do caríssimo Morro García, de muito salário e pouco futebol. Se tivesse feito mais uma meia dúzia de gols, provavelmente não teríamos caído para a segunda divisão. Ao final do ano, virou tema eleitoral no Furacão. Petráglia foi muito claro desde o início, dizendo que iria procurar devolver o jogador, rescindir o contrato de compra, sustar o pagamento das parcelas, etc. Mas teve que suspender a medida, pois contratou como treinador exatamente o homem que revelou Morro García. Carrasco tentou em cinco oportunidades. Viu que o jogador não conseguia nem tocar na bola. Me lembro do jogo em que ganhamos de 4x0 do Roma, lá no Janguito Malucelli. Quando estava 3x0, no finalzinho, um pênalti. A torcida, que havia vaiado a entrada do uruguaio, fez coro pedindo "Morro, Morro, Morro", para que ele cobrasse o pênalti. Não teve a personalidade do Harrison. Que bateu e fez o quarto gol. Depois de Renato Gaúcho e do Delegado Antonio Lopes - ambos contratados pela mesma diretoria que havia trazido o atacante uruguaio -, agora era o seu conterrâneo Carrasco que desistia de Morro García. Ao seu lado, só restou o ex-presidente.

    Já sem crédito, restou a conversa à beira do campo

    No início de março último voltei ao Uruguay, desta vez a Montevidéu. O Atlético havia acabado de ganhar o primeiro turno do campeonato paranaense. O motorista do táxi que me levou do aeroporto de Carrasco ao centro me perguntou sobre o outro Carrasco, o treinador. Eu elogiei. Ele falou que o homem era mesmo um treinador corajoso, que colocava o time "pra frente", mesmo com o risco de ser derrotado. Torcedor do Nacional, me disse que Morro estava sendo negociado com um time do Emirados Árabes. Respondi que desconhecia o fato, que no Brasil ninguém havia dado a notícia. Sobre Morro conversei com ele (o motorista de táxi); com o recepcionista Pepe, do Íbis Hotel; com o Juan, dono da banca de jornal em frente ao caça-níqueis do Casino Marroñas, na 18 de Julho; e com a Andréa Fabry, renomada somellier do Francis, um dos melhores restaurantes de Montevidéu. Todos, sem exceção, acharam absolutamente normal que Morro García não desse certo no Brasil.

    Francis, um bom e requintado restaurante de Montevidéu

    O gerente da Preciados Licorería (onde se compram os vinhos uruguaios a bom preço e ótimo atendimento), chegou a me dizer que Morro García nunca havia sido convocado para a seleção principal do seu país. E fez questão de dizer que o Uruguay tem apenas 3 milhões de habitantes e que, somadas as três divisões do futebol profissional, havia no país pouco mais de 40 times de futebol (praticamente o mesmo número de equipes profissionais das três divisões paranaenses). E mesmo assim, disse ele, Morro nunca foi convocado para a seleção principal, parou mesmo nas categorias de base. E acrescentou, por conta própria, que Morro não tinha "bom comportamento". Já o meu velho amigo Alfredo Etlin - a quem carinhosamente eu chamo de "Alfred" -, filho de suiços e sexagenário garçom do La Chacra, no Mercado del Puerto, foi irônico. Enquanto me servia as costeletas de cordeiro, riu quando falei de Morro García. Ele, que já havia dado gargalhadas quando o Botafogo contratou Loco Abreu, me disse: "Atacante bom, daqui, vocês só levaram o Pedro Rocha. Os outros, os argentinos e europeus levaram antes"

    Costeletas de cordeiro do La Chacha del Puerto, servidas pelo velho "Alfred"

    Enfim, ao lembrar dos vinhos e da carne uruguaia, aproveitei para falar do Morro García. E por que falar dele? Porque a torcida atleticana é uma eterna apaixonada. Apaixonada até pelo que não deu certo. E, apaixonadamente, vive a discutir se Morro García deve ou não deve jogar. Na verdade, Morro García é coisa do passado. A diretoria já decidiu que não o quer, está discutindo o negócio na Justiça, quer devolvê-lo. O Nacional o aceita de volta, mas Morro quer continuar ganhando 50 mil dólares mensuales. Uruguaios? Já tivemos o comandante Gustavo Matosas, na campanha de 1995; agora temos o pequeno Martín Ligüera. Vamos com ele! Antes, porém, pra esquecer a derrota amarga contra o Vitória, que tal um massini? Massini é o legítimo postre uruguaio. É uma espécie de crema catalana, prima do vizinho francês crème brullé. Mas massini é um pouco diferente, é mais gostoso, mais leve, só se faz lá no Uruguay. E o melhor é o da Confitería Carrera (na Praça do Corpo de Bombeiros), que o distribui aos  melhores restaurantes da capital.

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h24
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    Marcelo, um grande atacante!

    Quando os “analistas” das emissoras de rádio e televisão, também os dos jornais, falavam num tal de Patrick, nas discussões com o “Seu Luiz” - porteiro aqui do prédio e atleticano há mais de meio século - eu insistia e dizia a ele que atacante bom era o Marcelo. Falavam muito num lateral-direito chamado Raul, eu dizia que na defesa daquele time da Copinha só tínhamos um para ser aproveitado na equipe principal, o zagueiro chamado Manoel. Isso, obviamente, não significa que eu saiba mais do que os tais “sabetudos” da mídia. Muito menos significa que eu entenda alguma coisa de futebol. Muito provavelmente nem eu nem eles (salvo raríssimas exceções) entendemos de futebol.

    Matheus Schroeder em frente ao Caranqueijão, os times já em campo

    Joguei futebol até ser clinicamente proibido, fui treinador e diretor de equipe infanto-juvenil, trabalhei em liga amadora de futebol, fui repórter esportivo de rádio e jornal, trabalhei na federação paranaense de futebol, fui dirigente de um clube de futebol profissional. Depois, por razões ligadas à minha atividade profissional, tive que me afastar do futebol, permanecendo ligado a ele apenas como torcedor. Nestes quase (faltam alguns dias) 55 anos de vida aprendi algumas coisas sobre futebol. E aprendendo algumas coisas, aprendi principalmente reconhecer as qualidades de um jogador. Já discuti muito nas arquibancadas da Arena por defender Jorge Henrique, Morais, Fransérgio, Renan Foguinho e tantos outros. Agora mesmo, devo ser um dos poucos a ver futebol no Tiago Adan. Para mim, um excelente centroavante. Tem presença na área, bom porte físico, toque de qualidade, velocidade, inteligência. O gol que fez contra o ABC não é gol de Fernandão, Nieto ou Finazzi. É gol de quem sabe o que está fazendo ali na pequena área. E o passe que deu terça-feira, para o primeiro gol de Marcelo, é coisa de quem joga em equipe, de quem sabe fazer algo mais do que chutar ou cabecear a gol. Se deve ser escalado, se deve ser titular, se deve jogar já - isso não é problema meu, é do treinador. Só não quero que queimem mais um. A propósito, ontem Tiago Adan esteve muito bem marcado, sempre por dois zagueiros.

                                                                                                                                                                 

       Luiz Carlos Schroeder, no Carangueijão

    Mas eu comecei falando do Marcelo. É dele que quero falar mais. Acho esse rapaz um excelente atacante, um ponta-direita dos meus tempos de guri. É veloz, sabe erguer a cabeça, tem bom passe com a bola rasteira, chuta bem, é excelente driblador. Se eu fosse o treinador daria total autonomia para ele driblar, fintar, barbarizar, escandalizar, receber faltas, sofrer pênaltis, provocar cartões amarelos e expulsões dos péssimos zagueiros da segundona. Ontem perdeu dois gols “feitos”. No primeiro, ainda no início do segundo tempo, aproveitando rebote do goleiro em chute de Bruno Furlan, faltou um pouco de tranquilidade. O placar estava fechado. Faríamos 1x0. A história seria outra. No segundo, quando já perdíamos, restavam poucos minutos, o gol estava aberto e sem goleiro. Chutou com toda a força do mundo, a bola saiu lá do outro lado. Uma pena! Não se abata, rapaz! Só perde gols, quem faz! Só perde grandes gols, quem faz grandes e decisivos gols. Que a torcida tenha paciência e não “queime” esse excelente atacante. Que o Marcelo não se desespere e saiba superar o que aconteceu ontem à tardinha lá em Paranaguá. Certamente, Marcelo nos dará grandes alegrias ainda neste ano.

    Marcelo, um grande atacante

    Em relação ao jogo em si, o time não me decepcionou. Ao contrário. Acho que foi nossa melhor partida no campeonato. O time jogou com equilíbrio e tranquilidade até levar o gol. De certo modo, isso é normal na medida em que tentou buscar o empate e abriu mais possibilidades para o contra-ataque do adversário. Acho que o João Paulo sentiu a falta do Renan Foguinho e não se acertou bem com o Derley (treinaram juntos muito pouco). Baier e Ligüera foram muito bem marcados. Como bem marcados também foram nossos laterais. E não culpo o Maranhão pelo gol. Se ele ataca alguém tem que cobrir. E quem devia estar na cobertura era o Derley. E Derley não estava. 1x0 pra eles, placar final. O adversário, aliás, me surpreendeu. Dos times que vi jogar até agora, o Vitória é o melhor, o mais “acertado” dentro de campo. Não tem a mesma qualidade individual do América Mineiro, mas tem padrão de jogo, é taticamente bem organizado, um perfeito e incansável sistema de marcação, tem a cara do seu treinador (Carpegiani é disparadamente o melhor treinador desta Série B).  O Vitória não conseguiu voltar à Série A no ano passado, agora se preparou bem melhor. Neste ano deve ser um dos quatro a subir, lutará até o final pelo título.

    Paulo Cesar Carpegiani, foi um craque

    Eu e Matheus, meu filho, saímos ontem as 11h00 de Florianópolis, nosso voo de Buenos Aires atrasou e dormimos até mais tarde do que podíamos. Almoçamos novamente no Grün Wald (o alemão que desta vez não deu sorte), gastamos R$ 38,50 por pessoa. Na estrada pagamos R$ 4,10 em três pedágios em Santa Catarina (um de R$ 1,50 e dois de R$ 1,30), R$ 5,50 na travessia do Ferry-Boat, mais R$ 13,90 em um único pedágio paranaense. De Florianópolis até Paranaguá, e depois até Curitiba, foram 401km e R$ 142,38 de gasolina.


    O marreco do Grün Wald não deu sorte contra o Vitória

    Para os que se interessam pela matemática, nestas 12 partidas já fiz 17.513km e gastei R$ 3.981,27. Vale a pena?, me perguntam muito. Respondo que, uma vez na vida, vale! E, havendo tempo e disponibilidade financeira, vale sempre! E, se puder escolher o momento de acompanhar o time, faça-o na pior ocasião, quando sentir que o time esteja “por baixo”. Pois nos bons momentos, nas épocas das vacas gordas, nos momentos das grandes conquistas, sempre haverá muita gente para apoiar o time.Também me perguntam se vamos nos classificar. Tenho absoluta convicção disso. Mas em nenhum momento achei que fosse fácil. Sei (e tenho escrito isso por aqui) que será muito difícil, que lutaremos até o fim, que sofreremos até as últimas rodadas. Os três pontos que perdemos ontem, vamos buscar fora. Sábado que vem, num “bate-e-volta”, lá estarei.



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 03h01
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    Três vitórias, três vinhos, três dias em Buenos Aires...

    Meus amigos! Era assim que João Saldanha se dirigia a todos nós, seja pelo rádio ou pela TV. Foram três vitórias seguidas. Quase dois anos que isso não acontecia na vida dos atleticanos. Três vitórias magras, flacas, delgaditas. Vim, agora há pouco do almoço tardio no El Obrero, um dos melhores restaurantes de Buenos Aires. Como o nome diz, "O Operário", o restaurante - inaugurado em 1954 - é um dos mais simples e populares. 

    Fica em La Boca, numa rua de apenas duas quadras (Agustín Cafarena, 64) e pouco movimentada, quase debaixo do viaduto da rodovia que leva a La Plata. Feio por fora, parecendo uma casa abandonada, continua não aceitando cartão de crédito. Mas a comida - sejam as carnes, as pastas caseiras ou os peixes e frutos do mar (estes sempre à moda espanhola) - são de dar água en la boca, literalmente. Sua clientela é formada pelos trabalhadores dos escritórios do porto, Maradona, Bono Vox, Carlos Bianchi, Francis Ford Coppola e - sem nenhuma arrogância - por mim, que o freqüento há quase dez anos. Recomendo! Matheus, o meu filho, gostou muito.

    Matheus Schroeder

    E o que tem a ver El Obrero com o Furacão? Três vitórias em oito dias, mais de um ponto ganho por dia, três vinhos e muita alegria. E, para comemorar, três dias em Buenos Aires, cidade com a qual me identifico política, cultural e futebolisticamente. Aqui, na terra de los hermanos, vim buscar mais energia, mais força, mais firmeza e determinação. Que a raça argentina - e os vinhos, claro! - nos inspirem!

    Há poucos dias quase ninguém acreditava na possibilidade de recuperação. E eu pedia calma a quem encontrava, que tivesse um pouco mais de paciência, que as coisas iriam se acertar, que a diretoria não estava dormindo, que viriam momentos bons. Lembro-me que lá em Belo Horizonte, antes do início da partida, há menos de duas semanas, muitos não gostaram quando falei que provavelmente perderíamos naquela tarde para o América Mineiro. Mas que eu, mesmo assim, os convidava para irem a Goiânia, na sexta rodada do segundo turno, comemorar a nossa entrada no G-4. O curitibano Paulo Fernando (que foi a todos os jogos até aqui), o Gabriel de Uberlândia, o Wagner de Ribeirão Preto, o Giuliano de Curitiba, o André Ricardo (também de Curitiba e que estava lá com o Sérgio, seu pai) me olharam "meio assim". Mas eles me entenderam - são atleticanos de verdade. Estavam tristes, um pouco desanimados. Mas não perderam a confiança. Eu os espero em Goiânia no terceiro final de semana de setembro.

    Luiz Carlos Schroeder e o jornalista André Ricardo Guenzen, terça, em Floripa, no jogo contra o Avaí

    Vai ser fácil? Engano seu! Será muito difícil, Temos 17 pontos, precisamos de mais 50 para subir. Precisamos ganhar seis pontos a cada nove disputados. Nos restam mais 27 partidas. Se conseguirmos essa meta (seis pontos a cada nove), passaremos dos 70 pontos. Mas eu continuo confiante, aliás como sempre estive, desde o início. O meu bonequinho de chapéu, aí ao lado, continua dizendo "Estou otimista com o Furacão!" E cada vez mais!  Eu gostaria de ver você, atleticano, sábado no Carangueijão. Lá, nossa média de público tem sido de 3.000 pessoas. Uma média ridícula para a nossa história. Que tal o dobro neste sábado?



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h35
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    Aos netos!

    Manhã fria e chuvosa na capital do Paraná. Matheus, meu quarto filho (dos meus cinco é o único do sexo masculino), me acompanha nesta viagem. Antes de deixar Curitiba, vi meus netos. Francisco (2 anos e 3 meses) e Alice (8 meses). Filhos da Maíra, minha primogênita. Os dois netos são nascidos e moram em Santos, terra do time de Pelé e Neymar. Não será fácil, mas faremos o possível e o impossível para, cada vez mais, aumentar o número de atleticanos. É possível presentear crianças em Santos com lembrancinhas rubro-negras. Minha filha e meu genro Maurício fazem isso. Aí estão as provas!

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Saímos de Curitiba ao meio-dia, descemos a 376, com muita neblina e chuva, dois acidentes. Um caminhão que saiu da pista e dois automóveis que se chocaram entre sí. Os dois acidentes envolvendo veículos que desciam. Almoçamos no "alemão que da sorte", o Grün Wald. Já tínhamos almoçado ali (Renato Zeni da Rocha e eu) no dia do jogo contra o Joinville (4x1). Hoje o Guilherme Buttke, garçom, nos atendeu de novo. E, como sempre, foi muito atencioso. Dissse que ganharíamos do Avaí - já havia dito que ganharíamos do Joinville. Marreco recheado, joelho de porco e camisa rubro-negra dão sorte. Camisa branca não ajuda (jogamos quatro e perdemos todas, contra Boa, CRB, Ceará e América Mineiro). Me surprendeu a quantidade de torcedores atleticanos na Ressacada, mais de 200. Gostei do time. Paulo Baier fez um brilhante primeiro tempo. Marcelo (foto abaixo) aproveitou as duas chances e fez dois gols, coisa que não fizeram Ricardinho e Tiago Adan. Belo jogo do goleiro Weverson. Mas me agrada muito esse operário da bola. Não aparece para a torcida, mas sabe se posicionar como poucos. Tem nome de papa, mas é o Bugre de Beltrão, João Paulo! Com ele, nosso meio-de-campo é outro. Ganhamos mais uma. 2x1 no Avaí. Foi a terceira vitória consecutiva. Estamos a três pontos do grupo de acesso.

    Do estádio, andamos por 2,5km na madrugada fria de Florianópolis. Caminhando, chegamos ao aeroporto. As 04h10 Matheus e eu vamos a Buenos Aires. As 06h30 estaremos em Ezeiza. Voltamos na noite de sexta, chegando aqui em Floripa as 01h10 de sábado. Dormiremos, depois seguiremos viagem para Paranaguá, onde na tarde de sábado vamos ver o jogo contra o Vitória da Bahia. Aqui no aeroporto, no Conquilha Restaurante, atendido pelo blumenauense e gremista Leandro, com um chese-mignon (R$ 21,00), tomei meia-garrafa de um merlot chileno, um Terranoble 2010, 13,5% de álcool (R$ 32,00). No trajeto de 324km da vinda de Curitiba até o estádio, gastei mais R$ 5,60 em quatro pedágios (dois de R$ 1,30 e outros dois de R$ 1,50) e R$ 46,20 no almoço alemão. O ingresso custou R$ 20,00 e a gasolina R$ 121,40,

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 02h08
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    A vingança uruguaia!

    Desci a serra mais uma vez. Hoje fui acompanhado pelo Caio, um bom menino, leonino, que vai fazer 16 anos agora no dia 15 de agosto. O Caio é filho do Cesar. Que Cesar? O Cesar Aziul Nedopetalski. Paranaenses de Curitiba, moram há alguns anos no Nordeste, nos últimos três em Recife. Mas são torcedores do Furacão. E só do Furacão! Eu os conheci naquela derrota por 2x0 para o CRB, em Maceió, a última da era Carrasco. Depois nos vimos novamente em Fortaleza, naquela derrota por 1x0 para o Ceará, a última da era Drubscky. O pai está no Recife, mas o Caio veio passar férias em Curitiba, na casa de familiares. Não tinha com quem ir ao jogo, tive o prazer de levá-lo. São amigos que fazemos pelo caminho, em nome do que nos une, o Clube Atlético Paranaense.

    Cesar e o filho Caio, em Fortaleza

    Clima bonito, tarde ensolarada, muitos pais com seus filhos, cores rubro-negras mais bonitas, parecia mesmo um 14 de Julho, data de lembrar do lema da Revolução Francesa: liberdade, igualdade, fraternidade. Mal o jogo começou, Tiago Adan desencantou e, aproveitando jogada de Marcelo com o estreante Maranhão (no famoso overlaping, do Capitão Claudio Coutinho), fez seu primeiro gol, 1x0 Atlético! O time continuou atacando, mas na metade do primeiro tempo, não se sabe a razão, parou de jogar e ficou olhando o ABC passear pelo campo até fazer o gol de empate.

    Tiago Adan, comemorando seu primeiro gol com a camisa rubro-negra

    Veio o segundo tempo e o time se transformou. Jogou com mais vontade, criou várias oportunidades, desperdiçou todas, até que o zagueirão Flávio Boaventura do ABC (uma homenagem à Argentina, Brasil e Chile), quando seu goleiro já estava de posse da bola, resolveu dar um agarrão no uruguaio (quem mandou não homenagear o Uruguai?) Ligüera. A bola estava em jogo, o chato e aborrecido Paulo César Oliveira apontou a marca da cal e expulsou o atleta adversário. Ato contínuo o estreante Wellington Saci colocou a bola debaixo do braço e disse: “Eu bato!” Chegou essa semana, estreou neste sábado, mostrou personalidade, fez seu primeiro gol, 2x1!

    Numa tarde de Maranhão (nascido em Codó, MA) e Saci (nascido em Belém, PA), quem mandou no jogo foi um tal de João Paulo. Nascido em Francisco Beltrão, aqui no sudoeste paranaense, no dia 22 de maio de 1985, o moço mostrou que sabe de futebol. Que foi uma boa contratação. Que vai ser um dos nossos comandantes nessa caminhada de retorno à elite do futebol brasileiro. João Paulo, o "bugre" de Beltrão!

    O Bugre de Beltrão

    Na terça à noite estávamos em décimo-sétimo lugar, na zona de rebaixamento. Em menos de 4 dias subimos oito posições. Ganhamos do Ipatinga e do ABC e já estamos em nono lugar. Falta muito, mas é pérfeitamente possível! Na volta de Paranaguá (R$ 27,80 de pedágio e R$ 68,00 de gasolina, mais 186km), jantei no Dom Carneiro, dos “turcos” Adur, família de atleticanos. Tomei um tinto português das regiões da Bairrada e Beiras. Um “Ensaios”, da Filipa Pato. É um corte de touriga nacional (30%), jaen (35%) e baga (35%). Teor alcoólico de 13%.

    Quero sacar muitas outras rolhas. Valeu!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h54
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    O marketing do sanduíche

    Lá na região de Toledo e Cascavel, Pato Branco e Francisco Beltrão, a criança nasce e - ainda na maternidade - recebe como presente sapatinhos do Internacional, pijaminhas do Grêmio, camisetinhas dos dois. Em Maringá e Londrina, os presentes têm as cores do Corinthians, Santos, Palmeiras (às vezes do São Paulo, principalmente se for menina). Do Atlético, coxa ou Paraná, muito difícil. Difícil até de encontrar. As lojas não encomendam porque não vendem.

    O Paraná, como estado da federação, não tem identidade! Eu, que nasci há mais de meio século em Toledo (550km de Curitiba), senti bem esse problema. Tudo começava pelo básico: não havia sequer uma emissora de rádio (como ainda não há) que cobrisse com seu som todo o Paraná. Desde cedo, ouvíamos em casa as rádios Farroupilha, Guaíba e Gaúcha, todas de Porto Alegre. Depois aprendíamos na rua a ouvir as rádios Nacional, Tupi e Bandeirantes, estas de São Paulo. Às vezes ouvíamos Globo, Tupi e Nacional do Rio de Janeiro. Rádios de Curitiba? Tinha duas, a Bedois e a Universo. Mas com imensa dificuldade (até hoje) de recepção. Veio a televisão e piorou! Por necessidade de audiência, no horário do futebol dá-lhe Grêmio e Internacional, Corinthians e Palmeiras, Santos e São Paulo, às vezes Flamengo e Vasco. Atlético e coxa, só em decisão. Sabíamos quem era Fiori Gigliotti, Valdir Amaral,  Armindo Antonio Ranzolin, José Carlos Araújo, Ruy Carlos Ostermann, Mauro Pinheiro. Mas quase ninguém sabia quem eram os narradores e comentaristas de futebol no Paraná. E futebol sem rádio, não existe! Clique e veja o que a magia do rádio fazia e faz na cabeça de uma criança que gosta de futebol. O vídeo, aliás, fala também da morte do gaúcho Pedro Carneiro Pereira, um dos maiores narradores do futebol brasileiro.

    O Oeste e o Sudoeste foram colonizados, a partir do final dos anos 1940 por gaúchos; o Norte e o Noroeste, na mesma época, por paulistas. O Paraná, até 1950, acabava em Palmas, Guarapuava, Tibagi, Cambará. O Paraná, como estado com identidade, nunca foi além dessas terras. O fandango, a música do nosso folclore, nem saiu das ilhas de Paranaguá. O barreado, nosso prato típico, nunca subiu a Serra do Mar. O congado, a dança dos nossos negros, jamais passou dos limites das estâncias da Lapa. No interior do Paraná, até hoje é forte a influência da música gaúcha e da música caipira paulista.

    Curitiba, com suas universidades e seu desenvolvimento industrial, recebeu centenas de milhares de interioranos. Aqui chegaram, já torcendo para times de outros estados. E por isso Curitiba está cheia de gremistas, colorados, corintianos, santistas e palmeirenses. Nos últimos vinte anos, até o sotaque da capital mudou. Antes, conhecida pelo “leite quente com dor de dente”, hoje já se sente o “r” puxado. É “interiorrrr” pra cá, “calorrr” pra lá, “amorrr” no meio. Claro, até a maioria dos nossos locutores de rádio e apresentadores de televisão vieram do interior ou são filhos de quem veio de lá. Já fui em jogos na Arena, contra Grêmio ou Inter, e o setor da torcida visitante estava lotado. De paranaenses! De paranaenses da capital e do interior: gaúchos, filhos de gaúchos, netos de gaúchos.

    E o que os clubes da capital fazem para mudar esse quadro? Nada! O que faz o Atlético? Nada! Os clubes gaúchos até hoje fazem pré-temporada no interior. Aqui, escondemos nossos jogadores por um mês no CT do Caju. Não precisamos fazer a pré-temporada fora do nosso “mais moderno e completo CT do Sul do Mundo”. Mas poderíamos ter algumas ações para ganhar as crianças do interior. Já pensou o Atlético presentear cada criança que for a um jogo seu pelo campeonato paranaense - no interior - com uma camiseta básica ou uma bandeirola ou um pequena lembrança? Já pensou sortear uma camisa oficial por semestre em cada escola paranaense? Custa caro? Não! É investimento!

    Hoje tem jogo em Paranaguá. O ingresso custa caro. Não há nenhuma promoção especial para as crianças. Já pensou uma camisetinha bem básica do Atlético no primeiro jogo para todas as crianças acompanhadas do pai ou da mãe? No segundo jogo, desconto de 50% no ingresso da criança? A partir do terceiro, desde que acompanhada, entrada gratuita? Como controlar? Fácil! Todo mundo tem nome e documento. O cara do carrinho do sanduíche, aqui na esquina, controla a clientela com um cartãozinho, onde ele vai carimbando a cada sanduíche comprado. Ao completar dez, ganha-se um de prêmio, pela fidelidade. Quem sabe um dia o Atlético imite o marketing do sanduíche...

    Estádio? Nunca nos emprestarão! Nem nos alugarão! A autofagia paranaense é maior. Aqui, literalmente, um quer destruir o outro. Aqui, também a mídia nos destrói. No RS, em SP, MG ou no RJ, ela protege seus clubes, fala bem deles o dia inteiro, promove seus jogos. Em Porto Alegre, em semana de Grenal, só se fala do jogo, torcedores ilustres são entrevistados, o povo dá palpite, os hinos dos clubes são tocados à exaustão. Aqui? Aqui, em semana de Atletiba entrevista-se a polícia, fala-se do número de policiais que garantirão a segurança, estima-se o número de ônibus que terão janelas quebradas, quantas estações-tubo serão destruídas, etc. E ninguém é preso!

    Enfim, o problema do tamanho do futebol paranaense é o problema do Paraná: um estado sem identidade. Um Paraná rico, forte, pujante. Mas que só tem uma única universidade federal. Não tem sequer uma rodovia em pista dupla que nos ligue (são menos de 400km) a São Paulo, maior centro econômico do país. Para alguns, somos apenas uma extensão do Rio Grande do Sul; para outros, de São Paulo. Para muitos, ainda somos a Quinta Comarca...



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 10h25
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    Outro vinho do Paulo Baier

    Saí pela manhã de Belo Horizonte - onde fiquei por cinco dias - embarquei as 10h20 em Confins, fiz conexão na hora do almoço em Congonhas, desembarquei no Afonso Pena as 15h30. Apanhei o carro no estacionamento e tomei o rumo da BR-277.  Como estava sozinho e cansado, não pensei na hipótese de voltar do litoral após o jogo e subir a Serra do Mar no início da madrugada. As 17h30 eu já estava hospedado na Pousada das Palmeiras, que não recomendo a ninguém. O atendimento é cortês e simpático, o café da manhã é honesto, mas as instalações - antiquadas, sem manutenção e com falta de higiene - não valem o preço da diária (R$ 143,00).

     

    Na 277, a Serra do Mar

    Tomei um banho, descansei um pouco, saí para jantar no Danúbio Azul: casquinha de siri, camarões à milanesa, filé de linguado grelhado, arroz à grega, uma água com gás e um café expresso por R$ 76,00. No restaurante jantavam também mais uns vinte atleticanos que deixaram Curitiba no finalzinho da tarde. E eu, claro, aproveitei para fazer “propaganda” do blog. No estádio encontrei amigos, inclusive um que é meu vizinho no Madre Maria Superior, setor da Arena onde temos nossas cadeiras.

     

    Com nome de valsa, o restaurante funciona desde 1953

    O jogo começou, o Atlético atacou, Paulo Baier ficou sozinho com o goleiro e o bandeirinha (erradamente) marcou impedimento. Logo depois, Ricardinho fez bela jogada, chutou a gol, o goleiro deu rebote, o maestro Paulo Baier não perdoou e fez 1x0. Pensávamos em goleada. Ela não veio. O placar foi esse. Um magro, pobre, desdentado, maltrapilho 1x0. O time até criou outras chances. Mas perdeu qualidade com a saída de Tiago Adan, contundido (antes dos 25’ do primeiro tempo), e a entrada dessa parede que acha que joga futebol, o Fernandão. Aliás, assim que entrou, Fernandão quase fez o segundo, de cabeça, em cruzamento dele, o maestro.

     Paulo Baier, de cabeça, 1x0

    No segundo tempo, quando Baier saiu para a entrada de Pablo, ficamos ainda mais pobres. Perdemos em qualidade técnica, em toque de bola, em vontade, em raça, em disposição. Melhorou um pouco, ao final, com a entrada de Taiberson – que, apesar do nome, parece ser um bom jogador de futebol. Destaque para Renato, que saiu das categorias inferiores e estreou. O destaque para esse garoto não é pelo que fez. O destaque é pelo deixou de fazer de ruim. Tem sido normal, nos últimos tempos, que um garoto da base estreie e – por ter medo ou receio – erre muito e cometa uma série de infantilidades. Renato não foi um destaque positivo, mas não comprometeu em nada. E mostrou personalidade. Depois que o maestro saiu, Renato (com apenas 20 anos de idade) bateu todas as faltas e escanteios. Todas, não! Teve uma que o Pablo resolveu cobrar e – com todo o time no ataque - presenteou o adversário com um contra-ataque.

     

    O trio de ataque - Ricardinho, Tiago Adan e Marcelo - que só jogou junto 25 minutos

    Agora pela manhã, subindo a serra, ouvi um comentarista (coxa) falar que o Atlético havia vencido por 1x0, graças a um gol de Paulo Baier. E fez questão de enfatizar que “o gol não foi de falta”. Ora! Tem gente que comenta – ou apenas assiste - futebol e não nota nada. O nosso artilheiro na Série B é o Paulo Baier. Quatro gols! Nenhum de falta! Três de dentro da área pequena. Um de fora da área, num chutaço, o primeiro contra o Barueri. Repito: três gols feitos de dentro da pequena área. Ou seja, é preciso notar que o maestro está ficando velho (fará 38 anos em 25 de outubro). E, já veterano, descobriu que não tem mais forças para correr pelo meio de campo e armar jogadas. Mas conhece os atalhos, se posiciona bem, sabe ser um terceiro (ou quarto) atacante. E sabe fazer gols! E ontem garantiu o meu vinho. Aliás, quem acompanha o blog sabe que, no jogo com o Barueri, prometi um vinho para cada vitória. O vinho? Um bom argentino Luigi Bosca, De Sangre (um corte de cabernet sauvignon, merlot, syrah), 2006, 14,5% de álcool.

     

    Graças ao Paulo Baier, um segundo vinho

    Para os que se interessam pelas despesas e estatísticas, nessa ida a BH e Paranaguá, gastei R$ 591,44. Para Belo Horizonte, como fiquei em casa (da Turquinha), gastei apenas a passagem de avião (R$ 214,14, pela GOL, em seis vezes, comprada em 12/03, assim que saiu a tabela), as duas passagens de ônibus Confins-BH (R$ 38,50 pela ida-e-volta), o ingresso (R$ 20,00). Para Paranaguá: R$ 27,80 de pedágio; R$ 72,00 de gasolina; R$ 219,00 de hospedagem e alimentação.

    Como é bom ganhar três pontos!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 17h27
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    Esse negócio de futebol, meu pai explicou direitinho...

    O time que entrou em campo não parecia vir de uma semana de treinamento integral. Parecia um grupo de amigos que tinha chegado de um almoço no Xapuri - à base de farto lombo suíno assado na panela, couve desfiada, feijão tropeiro e torresmo - antecipado de uma cachacinha amarela e regado à muita cerveja gelada. E, claro, tendo complementado isso com uma colherada de cada doce do farto buffet de sobremesas - estas recomendadas especialmente pelo economista e engenheiro Francisco Hardy Filho, mineiro de Belo Horizonte, mas que desde os anos 1960 mora em Curitiba.

    A mesa de doces do Xapuri

    Sofrendo um gol (errou o bom árbitro Leandro Vuaden ao marcar o pênalti, pois Manoel não teve a menor intenção de tocar a mão na bola) logo aos 12 minutos, a defesa a la Delegado Antonio Lopes - recheada de zagueiros e volantes - continuou batendo cabeça e levou mais um gol aos 25'. Aí o treinador voltou à realidade, trocou o 5-3-2 pelo 4-4-2, adiantando Cléberson, e deu mais consistência ao meio-de-campo e à zaga. No intervalo, mudou novamente, passando a um 4-3-3, com Marcelo no lugar do cansado Alan Bahia. O time voltou com velocidade, vontade de jogar, facilidade para atacar. E foi logo aos 4' que Gabriel Marques, mineiro de Pedro Leopoldo, resolveu homenagear seus familiares e amigos, presentes em grande número ao Independência, com um golaço!

    O mineiro Gabriel Marques fez um golaço

    Com a velocidade de Marcelo e os constantes deslocamentos de Tiago Adan e Ricardinho, o time continuou atacando bastante, deixando a torcida do América Mineiro em silêncio e seus jogadores atônitos. E aos 21', depois de uma bela jogada entre Paulo Baier e Marcelo, este cruzou e Tiago Adan devolveu para Paulo Baier. O maestro estufou as redes, emudeceu a torcida do Coelho, encheu de alegria aquela centena de atleticanos que estavam no estádio: 2x2! E o time continuou a atacar, procurou o terceiro gol, mas num lance de muita infelicidade, a bola rebateu e sobrou para o atacante adversário que entrou na área e fez o terceiro deles. Nosso técnico fez mais uma mudança tática. Tirou Deivid e colocou o estabanado Fernandão, passando a um 4-2-4. Apesar da tentativa, a substituição - como era de se esperar - não deu nenhum resultado satisfatório.

    Marcelo entrou no intervalo e deu mais velocidade ao time

    Levamos um baile no primeiro tempo, tocamos a música pro América Mineiro dançar no segundo tempo. Mas, meu pai (que não gostava de futebol, preferia o hipódromo ou a "cancha reta") já tinha me explicado isso, de forma bem simples. Eu tinha uns sete anos de idade, ele me disse: "Luiz! São vinte e dois homens correndo atrás de uma bola, onze para cada lado e um treinador para complicar as coisas, um monte de leis que nem o juiz entende direito. Mas o que importa é que pra ganhar você precisa atacar o adversário. E ganha quem faz mais gols." Ontem, como só atacamos no segundo tempo, na soma total, perdemos por 3x2. Simples, assim...

    O esporte do meu pai

    O Estádio Independência ficou bonito, parecendo moderno,  aconchegante. Mas é moderno e aconchegante apenas para a maioria que senta nas cadeiras inferiores. Quem senta (?) nas cadeiras superiores, caso da torcida visitante, só assiste o jogo em pé. Sentado não vê a lateral do campo, não vê a cobrança de escanteio, não vê a substituição, não vê os treinadores, etc. E, o engraçado, é que recebe um ingresso onde está escrito com a maior cara de pau "assento com visibilidade prejudicada". É um desrespeito com o torcedor, uma descortesia com o visitante.

    Seis mil cadeiras que não servem para sentar

    Na primeira quinzena de setembro, o Atlético jogará em Goiânia, contra o Goiás, pela sexta rodada do segundo turno. Acredito que nessa data já estaremos entre os quatro primeiros classificados. Otimismo irreal? Não! Otimismo na dose certa! Pela evolução do time, pelas contratações em andamento, pela ousadia do treinador, creio que estaremos no G-4. Para comemorarmos em Goiânia essa nova posição na tabela, ontem convidei alguns amigos desta caminhada: Gabriel, de Uberlândia, e Wagner, de Ribeirão Preto (que já estiveram também em Varginha); Paulo Fernando (que eu já havia encontrado em Varginha, Maceió e Fortaleza) e Giuliano (que já esteve em Maceió), ambos de Curitiba. A propósito, Gabriel e Wagner levaram ontem um amigo que não era atleticano, mas que certamente o será.  Atleticano cresce na adversidade!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 08h54
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    Meus amores em Belo Horizonte

    Desde ontem, na capital das minas gerais. Em "beagá", onde pela manhã o sol surge como um rebento por detrás do morro e à tardinha morre num belo horizonte, eu vim mais cedo para beijar Turquinha, a minha mulher. Ela, que nasceu nessas montanhas para me aguardar, agora me faz esperar mais uns meses pela sua aposentadoria, a que nos permitirá viver por outras serras, ainda mais belas...

    Afonso Pena

    Nesta cidade, Juscelino foi prefeito e mandou Oscar fazer arte, desenhando a sua primeira grande obra. Que, intervindo na natureza, a fez ainda mais bela! Beleza que proporciona mais lazer - e prazer! - a quem observa, nela passeia, com ela convive. É linda a Lagoa da Pampulha! E é nas belezas de "belzonte" que vim provar meus amores. Não só pela mulher mineira, essa que escolhi para comigo trilhar esse último e longo trecho da caminhada. Mas para viver mais um pouco desta paixão infinita pelo Furacão...

    Igrejinha da Pampulha

    É aqui, também, que neste sábado à tarde o centenário (30/04/1912) e simpático América Mineiro - o único decacampeão do futebol brasileiro (campeão mineiro ininterruptamente, de 1916 a 1925) - nos receberá no tradicional e agora remodelado Estádio Independência. Estádio, aliás, que foi palco da única oportunidade em que os Estados Unidos ganharam da Inglaterra (1x0, em 29 de junho de 1950, partida válida pela Copa do Mundo).

    Estádio Independência

    A maior torcida do Paraná espera que amanhã o Atlético faça um grande jogo, digno da sua grandeza e da mística da camisa rubro-negra, retomando o caminho que nos levará de volta à Primeira Divisão. Dá-lhe, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 16h55
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    João Saldanha, um atleticano sem medo!

    Ontem, se estivesse vivo, faria 95 anos. João Alves Jobim Saldanha, o João Sem Medo, nasceu no Alegrete, em 03 de julho de 1917. Logo no inicio de sua vida os Saldanha, sempre atribulados pelas atividades políticas do chefe da família, Gaspar Saldanha - um importante quadro maragato na Revolução Federalista -, mudaram-se do Alegrete. Queriam fugir da vingança, da perseguição, do revanchismo "pós-guerra". Depois de percorrerem várias cidades do interior do Paraná, dentre elas Clevelândia, Palmas e União da Vitória, decidiram fixar residência em Curitiba.

    João Saldanha, em 1989, um ano antes de falecer

    Foi aqui que João Saldanha teve o primeiro contato com o futebol. E dele, pessoalmente, tive o prazer de ouvir histórias a respeito. Em 1983, em uma de suas muitas visitas a Toledo (onde eu à época era advogado trabalhista e vereador), ao ver uma bandeira do Atlético em minha casa, ele disse mais ou menos o seguinte: "Temos mais coisa em comum, alemão! Meu pai comprou uma casa em Curitiba, no Água Verde, na Rua Buenos Aires, umas duas quadras do campo do Atlético, o Joaquim Américo. Eu tinha uns dez anos de idade. E não perdia nem treino do Atlético. Vivia na Baixada. Só fui conhecer o Botafogo aos 14 anos, quando mudamos para o Rio. Antes de ser botafoguense, eu já era do Atlético!"

    Arquibancadas do Joaquim Américo nos anos 1920/1930

    Além disso, a casa da família Saldanha em Curitiba, pelo seu amplo terreno, permitia uma integração com toda a garotada da vizinhança, que organizava times, campeonatos, jogos, enfim, tudo dentro do estilo de vida da expansão urbana e das novas modas citadinas. Aqui, João completaria o primário na mesma escola e turma de um garoto que ainda seria importante personagem na história nacional como presidente da República, Jânio Quadros. Ambos estudaram perto do campo do coxa, no Grupo Escolar Conselheiro Zacarias, hoje Colégio Estadual Conselheiro Zacarias.

    A Rua XV de Novembro, em 1930

    Com a revolução de 1930, a convite de Getúlio Vargas (que queria a gauchada - chimangos ou maragatos - ocupando a capital federal), a família Saldanha mudou-se para o Rio de Janeiro, onde o velho Gaspar foi "presenteado" com um Cartório do Registro de Imóveis de um subúrbio, região pantanosa e de poucos moradores, onde ninguém vendia e comprava imóveis. Poucos anos depois, a família enriqueceu, pois aquela região virou Ipanema, Leblon, Gávea, Jardim Botânico, São Conrado, Barra da Tijuca, Recreio. E, de um, a família Saldanha passou a ter vários cartórios de registro de imóveis, todos em regiões que passaram a ser consideradas nobres na capital de república.

    Ipanema (primeiro plano) e Leblon, em 1945

    João Saldanha jogou futebol profissionalmente por uns poucos anos no Botafogo. Formou-se em Direito, pela tradicional Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual UFRJ. Depois, estudou Jornalismo e se tornou um dos mais destacados redatores de esportes, especialmente futebol. Fez sucesso como comentarista no rádio e na televisão. Era chamado de "O comentarista que o Brasil inteiro consagrou", pois não tinha papas na língua e era conhecido pelas críticas que fazia a jogadores, técnicos, clubes e principalmente a dirigentes.

    Comentando da Copa de 1970, para a Rádio Globo

    Desnecessário dizer que João Saldanha era um homem  destemido. Quando a seleção brasileira de futebol estava desmoralizada e em crise, foram buscá-lo no final de 1968, para ser treinador. O país vivia momentos complicados, o AI-5 acabara de ser editado. Ele assumiu no início de janeiro e, na primeira entrevista, escalou as "onze feras do Saldanha", time formado com base nos jogadores do Santos e Botafogo. Classificou a seleção para a Copa do Mundo, ganhando todas as seis partidas das Eliminatórias.

    As onze feras de Saldanha, no último jogo das Eliminatórias, em 31/08/69, 1x0 contra o Paraguai, 183.000 pessoas no Maracanã

    No início de 1970 teve seu primeiro grande problema com os militares, desde que assumira o cargo de treinador da seleção brasileira. No México, onde fora escolher as instalações para a concentração da seleção durante a Copa do Mundo, em entrevista com jornalistas e correspondentes internacionais, foi perguntado se era verdade que no Brasil havia torturas. E,  de pronto, respondeu: "Não só há torturas, como inimigos do governo são assassinados. Há muitos mortos e desaparecidos." E entregou aos jornalistas uma lista de mais de uma centena de militantes políticos mortos e desaparecidos.

    No México, lendo aos jornalistas a lista de mortos e desaparecidos políticos

    Ao retornar ao Brasil, não durou muito no cargo. A ditadura entendeu que no México ele estava mais em missão "subversiva" do que "esportiva". Mas João Saldanha era muito popular entre os torcedores e esperaram para demití-lo. Imprensa censurada, e grande parte dela a serviço do regime militar, começaram a dizer que ele achava o Pelé cego, que agredia jornalistas, que quis matar o Yustrich (treinador do Flamengo, na época), dentre outros expedientes para desgastá-lo junto à opinião pública. E a gota d'água veio em seguida. Disseram a Saldanha, numa entrevista, que o general Médici - ditador de plantão - gostaria de ver o Dario como centroavante titular, no lugar de Tostão. Perguntaram, o que ele achava disso. E veio a resposta: "O Médici é gaúcho como eu. Ele sabe onde não deve se meter. Ele não se mete na escalação da seleção. E eu não me meto na escalação do ministério!"

    Num dos últimos treinamentos à frente da seleção, com Gérson e Pelé

    Marxista desde a adolescência, foi do PCB (Partido Comunista Brasileiro) de 1932 até sua morte, em Roma. Faleceu, de enfisema pulmonar (sempre fumou muito), no dia 12 de julho de 1990, menos de três semanas após a final da Copa do Mundo da Itália, onde tinha ido a trabalho. Ao contrário do que muitos pensavam, João Saldanha não sofria de asma. Em abril de 1949, durante um protesto contra a fundação da OTAN e a favor da paz mundial, enfrentou a polícia de peito aberto e levou um tiro no pulmão. Em seguida tornou-se funcionário do PCB e nessa condição assumiu tarefas de grande responsabilidade no Estado do Paraná (onde participou da chamada "Guerrilha de Porecatu" - movimento dos agricultores do Norte do Paraná, que resistiram armados em defesa da posse das suas terras) e no Estado de São Paulo, tanto na luta contra a grilagem de terra, na organização de sindicatos no campo, quanto na aplicação da nova linha política para o trabalho sindical urbano. No Partidão, Saldanha começou como líder estudantil, ainda na Faculdade Nacional de Direito, e nos últimos 30 anos de vida pertenceu ao seu Comitê Central. 

    Na Tchecoslováquia, nos anos 1950

    Em 1985, na sequência de uma série de tarefas de agitação pela conquista da legalidade do Partido, nos estertores do regime militar, e apesar da saúde precária, Saldanha aceitou a missão de representar o PCB na chapa de esquerda nas eleições para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Concorrendo ao cargo de vice-prefeito, contribuiu para a conquista de expressiva votação. Coerente com a visão humanista do futebol, foi um extraordinário desportista, símbolo do mais puro amadorismo, mas que soube analisar o profissionalismo no esporte e ser o maior jornalista esportivo de nossa história.

    Em noite de autógrafos de outro militante comunista, Mário Lago, em plena campanha a vice-prefeito do Rio de Janeiro (1985)

    Em setembro de 1987, João Saldanha esteve em Curitiba, participando do ato de lançamento da "Vila Olímpica" (como se chamavam à época os centros de treinamento), na antiga sede campestre do Atlético, em São José dos Pinhais. Conhecendo o projeto, que somente dez anos mais tarde veio a se materializar no CT do Caju, no dia seguinte escreveu a respeito em sua coluna, no Jornal do Brasil. Nela, falou do seu orgulho de ser torcedor do Furacão. O título da coluna, era "Atlético, facilmente estará entre os 10 mais"...



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 12h48
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    Sou de outro planeta?

    Um sábado de inverno e muito sol. Descemos - eu e meu amigo, o engenheiro-agrônomo Luiz Carlos Balcewicz - pela Estrada da Graciosa. Poucos conhecem, mas fomos por ela desde o Atuba, ali na Copel, passando pelo Canguiri e por Quatro Barras, seguindo pelo traçado antigo. Agora, toda asfaltada, a estrada passa por várias pontes centenárias e pela Morada do Silêncio Chaminé da Serra (da Ordem Rosacruz), chegando até o traçado final e mais conhecido, que vem da BR-116, pouco antes de iniciar a descida da serra.

    Seguimos pelo trecho de Mata Atlântica mais preservado do Brasil - e que, por isso, em 1993 foi declarado pela UNESCO como Reserva de Biosfera da Mata Atlântica. A estrada imperial continua linda, cercada de mata virgem e flores por todos os lados. Continuo me encantando quando passo por ela, nela nunca me canso, sempre que posso viajo nas curvas dela. E sei que centenas de milhares de curitibanos e milhões de paranaenses não a conhecem, uma pena. O movimento era pequeno e foi tranqüilíssima a descida. Lembrei-me que pelo traçado dessa estrada meu pai, no final dos anos 1950,  transportava café - na boleia do seu caminhão fenemê, de truck rebaixado - de Londrina ao porto de Paranaguá.

    O movimento foi tão pequeno que tenho mesmo minhas dúvidas se o curitibano gosta de um final de semana com sol. Nas paradas quase ninguém, churrasqueiras desocupadas, mesas vazias. Em Morretes, até sobravam vagas para estacionar. Havia, por exemplo, várias vagas para estacionar na sombra as 13h13. O Balcewicz, que  é petista de carteirinha, acha que a chegada nesse horário foi um "bom presságio". Mas não me disse se era bom para o PT ou para o Atlético.

    No Restaurante Casarão, onde havia uns 40 meninos vestidos com a camisa do coxa, almoçamos o prato típico da cidade e de todo o litoral paranaense: mariscos ao vinagrete e bolinhos de camarão, barreado, peixe e camarões fritos, molho de camarão, arroz branco e farinha de mandioca. Como estávamos na estrada, bebemos guaraná. O Balcewicz pagou a conta (eu agradeci e por "descuido" germânico nem me ofereci pra pagar). Depois, continuamos a viagem para Paranaguá, onde chegamos uma hora antes do início da partida.

    E, antes do jogo iniciar, já me irritei. Na homenagem ao grande Geraldino - o Geraldo Damasceno -, a quem o Atlético deve muito mais do que horas e horas de silêncio, me irritei com o árbitro da partida. O cara é tão ladrão, mas tão ladrão, que já roubou no minuto de silêncio. Tivemos apenas 35 segundos de homenagem a esse extraordinário homem do futebol - que foi nosso jogador, treinador e diretor do Atlético -, falecido ontem. As novas gerações deveriam se informar um pouco e conhecer mais o quanto de bom Geraldino fez e dedicou ao Atlético, especialmente como treinador - quando muitas vezes ficou meses e meses sem receber seus salários em dia...

    Partida iniciada, partida terminada, senti-me um ser estranho ao mundo dos presentes ao Carangueijão. Eu vi outro jogo. Ao final, a maioria vaiou o time. Eu, não! O novo treinador chegou na quinta, treinou apenas uma vez, queriam o quê? Que o time já tivesse a cara dele? Que o Atlético já fosse um Furacão? No primeiro tempo, em 18 minutos tivemos três jogadas perigosas, todas iniciadas pelo Ricardinho: na primeira o goleiro do Bragantino interceptou, na segunda Bruno Mineiro cabeceou para o chão e o goleiro pegou, na terceira Paulo Baier chutou rente a trave. E ainda tivemos um belo chute do Pablo, que raspou o travessão. O time deles teve uma única jogada de ataque com perigo. No segundo tempo, tivemos sete oportunidades de gol (com Tiago Adan, Cleberson, Manoel, Pablo, Tiago Adan de novo, Harrison e Ricardinho) e o Bragantino apenas duas. E, pra encerrar, deixo claro que gostei do Ricardinho, que mesmo se atrapalhando às vezes, criou várias jogadas de ataque.

    O time havia jogado muito mal contra o Goiás, melhorou contra o Ceará, esteve muito melhor hoje. Eu sou atleticano, eu sou otimista, eu confio no time. E sei que esse é um campeonato de segunda, com times e jogadores de segunda, técnicos de segunda, campos de segunda, dirigentes de segunda. Quem quer ser de primeira, primeiro precisa assumir que é de segunda, depois subir. Hoje, fiz 202km e gastei R$ 72,00 de gasolina e R$ 13,50 do caro pedágio (só na volta).

    Atlético, conte com meu apoio - agora e sempre, na segunda e na primeira, na desgraça e na felicidade...



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 23h35
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