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BRASIL, Sul, CURITIBA, Homem, de 46 a 55 anos, Livros, Viagens, Vinhos e Atlético Paranaense.



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    UM FURACÃO PELO BRASIL, blog passional de luiz carlos schroeder


    Ipatinga, dez pras dez!

    No início da noite desta quinta-feira viajo a Belo Horizonte. Voo direto, hora e meia de viagem. Amanhã à tarde, vamos de carro a Ipatinga. São pouco mais de 200km, mas a viagem leva quase quatro horas. Movimentadíssima - trânsito lento, caminhões em demasia, curvas em excesso e montanhas mil -, a rodovia passa por cidades de muito ferro e aço, como João Monlevade, Coronel Fabriciano e Timóteo. De todas elas, Ipatinga é a mais moderna, talvez a única que realmente tenha sido planejada. Jovem, apenas 48 anos de emancipação política, ja é a mais populosa, tem pouco mais de 240.000 habitantes. É lá que amanhã, sexta-feira, o Furacão enfrentará o Ipatinga.

    Ipatinga, em tupi significa "lago branco", através da junção dos termos upaba (lago) e ting (branco). Mas como os indígenas que viveram na região não eram tupis - e, sim, botocudos -, há quem diga que o nome da cidade foi uma idéia do engenheiro Pedro Nolasco. Teria ele, no início da história da cidade, juntado partes dos nomes de dois municípios vizinhos e bem mais antigos: Ipa (de Ipanema) e tinga (de Caratinga). Discussões à parte, o certo é que a região é conhecida pelas belas mulheres. E uma delas certamente nos recepcionará na cidade. É Thalita Andrade, que mora na cidade vizinha (Coronel Fabriciano), mas é a musa "botocuda" do time local.

    Como o jogo é tarde, no horário (de boate) determinado pela Globo (dez pras dez da noite), antes dele vale a pena conhecer a cidade. Arquitetonicamente urbanizada - com avenidas amplas e extensas, muito bem sinalizadas -, Ipatinga é arborizada e possui vários parques, todos eles próximos do centro da cidade. Ou, se preferir fazer compras e encontrar gente bonita, a opção é o moderno Shopping Center.

    O estádio municipal - que muda de nome conforme a composição política na Câmara de Veredores - já foi Epaminondas Mendes Brito (Ipatingão) e atualmente se chama João Lamego Netto (Lamegão). É considerada uma praça de esportes de alto padrão e é sempre muito elogiada pelos excelentes vestiários (com vários equipamentos, inclusive hidromassagem) e pela qualidade das cabines de rádio e televisão. Sua capacidade é de 27.500 torcedores. Mas, em 1996, num Atlético Mineiro x Cruzeiro, já recebeu 35 mil pessoas. Entretanto, depois que o time local caiu para a Série B, a média de pública é baixíssima. Neste campeonato não mais que 320 torcedores comparecem em média aos jogos do Ipatinga. Como o campo de jogo tem boas dimensões, excelente gramado e moderno sistema de drenagem, não haverá desculpa.

    Estádio Ipatingão - Foto: Sérgio Roberto

    Vamos, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 15h36
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    Muita confusão e pouca matemática!

    Um final de tarde chuvoso. Uma serra escorregadia. Um jogo fechado. Uma arbitragem confusa. Esperamos todos que tenha sido mesmo a última partida em Paranaguá. Não pela cidade. Não pelo seu povo. Mas, definitivamemnte, o Atlético não deu certo no litoral. Lá, em cinco partidas, perdemos 12 pontos (dois para Goiás, Bragantino e Joinville; e três para Vitória e São Caetano). É muito ponto perdido "em casa" para quem quer ser estar no G-4 ao final de 38 rodadas.

    O pão com bife estava razoável. Reclamei que estava "frio", a senhora que me atendeu foi gentil e pôs na chapa pra esquentar. Com um refrigerante, custou R$ 6,50. Enquanto eu "jantava" no bar que fica embaixo das arquibancadas, vi uma cena daquelas que só o futebol proporciona. Fui a todos os jogos em Paranaguá e  - em vários deles vi a torcida xingando e vaiando o nosso time. Num dos jogos até pensei que agrediriam os diretores presentes. Muitas vezes gritaram "Fora, Petráglia!". Me lembro que, ao final do jogo contra o São Caetano, conversei rapidamente com um atleticano parnanguara e - os dois - concordamos que essa mesma torcida que naquele dia queria "bater" no presidente, no final do mandato dele iria querer fazer uma estátua. Me lembro bem da frase do meu interlocutor: "A boca que xinga é a mesma que beija!" E ontem, Petráglia circulava sorridente em frente ao bar como um  torcedor qualquer, sendo cumprimentado por todos que passavam, abraçado por alguns. Bastaram quatro vitórias seguidas. Isso é o futebol. E sua paixão!

    O Furacão começou bem, partiu pra cima do Joinville, assustou defesa e goleiro, mas levou um gol na metade do primeiro tempo. E que gol! Um golaço! Quando eu disse isso, que tinha sido um belo gol do Joinville, o rapaz que estava sentado à minha direita falou: "Nosso goleiro falhou, foi na bola com uma mão só". O senhor da esquerda, reclamou: "A defesa falhou, ninguém marcou o cara". E eu já fiquei em dúvida. Foi um golaço? O goleiro falhou? Ou a defesa errou? Mas nem tive tempo de pensar muito. É que poucos minutos depois, pênalti! Bola cruzada na área, por Henrique, Deivid foi tocado nas costas, caiu feito um soldadinho de chumbo, o grandalhão da FIFA apontou a marca da cal. Elias cobrou, 1x1! Depois do empate um jogador do Joinville fez duas faltas seguidas, levou dois amarelos, recebeu o vermelho, um jogador a menos pra eles. E nada mais aconteceu de relevante no primeiro tempo.

    No segundo tempo, quando todos esperávamos que o time viesse do vestiário com um volante a menos, nada disso! O Atlético foi confuso, não soube explorar o fato de ter um jogador a mais. E, da mesma forma como fez contra o ASA, mostrou que tem dificuldades de enfrentar um time que joga fechado, na retranca, usando ferrolho na porta do gol. Faltou criatividade, faltou objetividade, faltou competência aos nossos atacantes, em especial faltou qualidade ao nosso centroavante. Já disse aqui, exatamente quando Marcelo perdeu dois gols contra o Vitória, que no meu time ele jogaria sempre. E que eu daria total liberdaade para ele correr, driblar, endoidecer a defesa adversária.

    http://www.atleticoparanaense.com/UserFiles/Image/CAP1x1JEC/Gus18_PRO_CAP_x_JEC_28-08-2012.jpg

    (foto publicada no site oficial do Clube Atético Paranaense)

    Enfim, não deu! Ficamos no 1x1. E quase o árbitro complica o jogo. Marcou um pênalti inexistente (a falta foi fora da área). Felizmente, alertado pela bandeirinha - que deve ter sido alertada pelo quarto árbitro, que por sua vez deve ter sido alertado por alguém que assistia pela televisão -, voltou atrás. E quase que o Joinville marca um gol na cobrança da falta (a bola chocou-se contra a trave direita). Perdemos mais dois pontos. Mas ainda estamos em sexto lugar, agora a três pontos da zona de classificação. Depois de amanhã, temos pela frente o Ipatinga, lá no Vale do Aço. Amanhã à noite viajo pras Minas Gerais.

    Já retirei a minha FACIT do baú, tirei o pó com o espanador, engraxei com óleo de máquina de costura, esfreguei as mãos, massageei os dedos e comecei. Passei a manhã inteira fazendo cálculos. Vi e revi mais de vinte vezes a tabela das próximas dezoito rodadas. Examinei todas as possibilidades. Me senti um "Oswald de Souza"! E cheguei ao seguinte resultado: faltam dezoito jogos, separei os dois últimos (contra Criciúma fora e Paraná em casa). Restaram dezesseis. Dividi esses dezesseis em quatro grupos. Quatro grupos de quatro partidas. Em cada grupo disputam-se 12 pontos, três por partida. Se em cada grupo de quatro jogos, ganharmos 8 dos 12 pontos, ao final das dezesseis partidas teremos mais 32 pontos. E, a duas rodadas antes do final do campeonato, estaremos então com 65 pontos (já temos 33 pontos, em vinte partidas realizadas). E essas duas últimas partidas (6 pontos) ficam de "reserva".

    Cálculos feitos, liguei pro Tião Melo. Ele, envergonhado, me respondeu que era difícil explicar isso para os jogadores. E indaguei a razão. A resposta foi curta: "Quase não entendem de matemática..." Pensei, cá comigo: se o professor não da conta, que se contrate uma professora! Ela, certamente, vai ensinar o que é "armar e efetuar"!

    Falando em matemática, ontem fiz mais 186km (até agora foram 21.217km) e gastei R$ 112,30 - R$ 78,00 de gasolina, R$ 6,50 de pão com bife e coca zero e R$ 27,80 de pedágio -, perfazendo um total de R$ 5.200,85.

    Vamos, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 12h44
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    A pobre crônica esportiva e a comemoração do gol

    É um assunto que normalmente causa polêmica. Se o jogador deve ou não comemorar gol, que faz contra seu ex-clube. É provável que a minha opinião desagrade a maioria dos que leem este blog. A minha visão do futebol é bem diferente daquela reproduzida diariamente pela mídia bem comportada e politicamente correta. Sou dos tempos em que os cronistas esportivos eram mais firmes, tinham opinião, eram corajosos. Sou dos tempos em que a mídia esportiva não "entrava" na folha salarial dos clubes, não recebia "agrados" dos diretores de clubes, nem recebia "bicho" quando o clube ganhava. E sou dos tempos em que o pessoal da imprensa esportiva era assalariada dos órgãos para os quais trabalhava, não para agências ou empresas de colegas mais "abonados" - estes que compram "horários" na programação das emissoras de rádio e televisão.

    Minhas referências jornalísticas no futebol são João Saldanha, Nelson Rodrigues, Armando Nogueira. Hoje há dois ou três jornalistas esportivos independentes: Juca Kfouri, Mauro Betting e o folclórico (mais folclórico que jornalista) Jorge Kajuru. Ninguém denuncia nada, ninguém investiga nada, ninguém tem opinião. Aliás, no Brasil de hoje poucos jornalistas têm opinião. Ou são a favor do governo ou são contra o governo. E isso não é ter opinião. Isso é falta de independência! Jornalista independente tem postura própria e sua opinião é respeitada por todos. Jornalista que tem "lado", já nasce torto.

    Me lembro do Augusto Mafuz - este mesmo que a massa atleticana não gosta. Mafuz, atleticano (sim!) dos mais fanáticos, foi repórter esportivo de rádio nos anos 1970/1980, quando era estudante de Direito e, logo depois, advogado recém-formado. Trabalhou em mais de uma emissora, quase sempre fazendo a cobertura do Furacão. Era um repórter incisivo, inquiridor, chato. Desagradável para o entrevistado. Ótimo para o ouvinte! Era daqueles que, ao final da partida, entrevistava o treinador, discutia o esquema tático usado, queria saber a razão da substituição, ia a fundo em todos os aspectos do jogo. Às vezes - com suas perguntas pertinentes - irritava tanto o entrevistado que este abandonava a entrevista, perdia as estribeiras ou o agredia.

    Telê Santana era paciente com os repórteres esportivos inteligentes

    Hoje, infelizmente, a maioria dos jornalistas esportivos nem entende de futebol. Fazem perguntas em que ao entrevistado cabe dizer "sim" ou "não". É frequente ouvirmos nas tais "coletivas" perguntas como "Você tirou um jogador de ataque aos 40 minutos do segundo tempo, e pôs um defensor, porque estava ganhando e queria fechar a defesa para manter o placar?" Ou o entrevistado responde "Sim!" Ou responde "Não, idiota! Fiz isso porque queria perder!" Salvo raras exceções, ninguém discute sobre o esquema de jogo, até porque não entendem nada de tática.

    Sábado, no jogo contra o Paraná, João Paulo não comemorou seu belo gol de falta. Porque um dia jogou no time tricolor. E o assunto foi discutido pela mídia esportiva, que dentre outras coisas disse ser esse "um comportamento discutível, mas louvável". Ouvi que "não comemorar o gol contra ex-time é ético". Li que isso é demonstração de "respeito pelo adversário". Acho que quem não comemora seu gol é vítima da mídia. É o tipo de jornalismo esportivo predominante nos dias de hoje que mostra, fala, comenta, destaca, incentiva e faz escola. Virou moda, de um certo tempo para cá, essa coisa de não comemorar gol contra o ex-time. Nada contra o João Paulo. Ao contrário, tenho elogiado esse moço. Foi a melhor de todas as contratações. Desde a primeira partida dele, eu disse que seria o nosso "grande comandante" nesta campanha de retorno à elite do futebol brasileiro. 

    (Foto de Julia Abdul-Hak, publicada no "Furacao.com")

    Ora! Vejam o exemplo do Rafael Moura. Gostando dele ou não, trata-se de um goleador. Só pelo Furacão, em 65 partidas, fez 29 gols. Já jogou no Atlético Mineiro, Vitória, Paysandu, Corinthians, Fluminense (duas vezes), Atlético Paranaense, Goiás e agora Internacional. Se mudar de time, já terá oito clubes contra os quais não poderá comemorar gol. Daqui mais uns dois ou três anos esse rapaz - se quiser seguir essa tendência - só poderá comemorar gol contra time estrangeiro. Onde está o desrespeito em comemorar um gol? Qual é a falta de ética? O que tem de "não louvável" nisso?

    Rafael Moura comemorando gol na vitória de 3x2 sobre o Corinthians (seu ex-clube), em 30/04/2009, pela Copa do Brasil

    Mesmo que o atleta tenha sido formado aqui no Furacão, não vejo nenhum problema dele comemorar um gol contra o nosso time. Gol é gol! Gol tem que ser comemorado, sempre! Futebol é alegria. E o gol é  o maior momento de alegria de uma partida de futebol. Qual é a finalidade do futebol? Vencer! E para vencer é preciso fazer mais gols que o adversário. Por que, então, não comemorar o momento sublime do futebol? Já discuti na Arena porque o Washington (jogando pelo Fluminense) comemorou gol contra o Furacão. O meu vizinho de cadeira disse que ele não poderia fazer aquilo (comemorar). Eu disse: "Pode! Gol é gol! E ele joga para o Fluminense, não para o Atlético." Ah, mas ele jogou aqui. Jogou! E fez 34 gols em 38 jogos. Mas não joga mais. E depois da discussão, no mesmo dia, ele fez mais dois (perdemos de 3x1) e também comemorou. E nem por isso sairá das nossas mentes - e corações!

                     Washington comemora um dos três gols que marcou no                     último fim de semana contra o Furacão

    Washington comemora um dos três gols que marcou no último fim de semana contra o Furacão

    (Foto e legenda publicados do "GloboEsporte.com", em 14/10/2008)

    Enfim, na minha opinião, gol todos têm de comemorar! Os nossos, os deles, os ex-nossos, os ex-deles! E é assim que é o futebol. Não me sinto ofendido quando um ex-atleticano faz gol contra nós e comemora. A melhor resposta que podemos dar é fazer mais gols que o time dele. E ponto! A propósito, o Velho Telê Santana já dizia que "a maior demonstração de respeito que se pode ter diante do adversário é nunca parar de jogar e atacar, nem mesmo se o placar for de 4x0, a nosso favor. 'Olé' é desrespeito! Fazer gols, se possível golear, é a missão de um time de futebol." Palavras de um dos maiores treinadores do futebol brasileiro. Em homenagem a Telê - e ao bom futebol - vamos apoiar a comemorar todos os gols!  Não precisa ser falso e sair beijando escudo, mas comemore! Vibre! Contagie a torcida do seu time!

    Mestre Telê comemorava gol até em treino

    E nesta terça-feira que João Paulo e seus companheiros façam gols. E que façam mais gols que o Joinville. E comemorem!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 15h31
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    Guerra ou Paz?

    Leon Tolstói escreveu Guerra e Paz há quase 150 anos (1865). Clássico da literatura universal, é uma romance de natureza histórica que narra a vida na Rússia à época de Napoleão Bonaparte. Trata, de forma especial, sobre as guerras napoleônicas na Rússia. Não pretendo, nem posso, nem sei, nem tenho capacidade para escrever sobre um assunto com a riqueza e o realismo de detalhes de Tolstói. Mas hoje à tarde participei de um momento histórico do futebol paranaense. Estive na Vila Capanema, assistindo ao jogo do Atlético contra o Paraná. Era um jogo de alto risco. A Polícia Militar montou uma verdadeira operação de guerra. A duas quadras do estádio todas as ruas foram fechadas. Só passava pela barreira policial quem tinha comprado ingresso antecipadamente ou quem comprovasse ser morador do local. A cem metros do portão, nova barreira policial, esta para mais uma vez indagar do ingresso.

    O Batalhão de Choque estava lá

    Em frente ao estádio estava postada a cavalaria. Qualquer "alteração", os cavalos estavam ali para dispersar os torcedores. E eu, claro, lembrei do meu pai, Evaldo Schroeder. Ele, gaúcho e amante do turfe, certamente diria que "lugar de cavalo é na guerra ou na carreira!". E, naquele momento, estávamos vivendo uma grande guerra. Ao menos, foi assim que a Polícia Militar e a crônica esportiva trataram o clássico durante a semana. E, se vai haver guerra, é preciso haver soldados. E polícia não faltou! Além das duas barreiras - da tropa de choque e da cavalaria -, a postos também estavam os motociclistas. Mais de duas dezenas de motos da Polícia Militar estavam estacionadas à beira do Rio Belém. Confesso que fiquei um pouco assustado com todo o aparato policial. Ainda não estou acostumado com isso. Acho que tem a ver com aquele medo dos tempos da infância. Medo de polícia! Quem morava no interior e via a luta dos posseiros contra os grileiros de terra tinha medo da polícia. Naquele tempo (primeira metade dos anos 1960) a polícia estava sempre ao lado dos jagunços, estes a serviço dos grileiros. Ou pode ser que sejam lembranças não muito boas do movimento estudantil, no final dos anos 1970, ainda no regime militar. Época em que nas passeatas sempre havia mais policiais que manifestantes. E finalmente me deparei com a antiga "fachada" do Estádio Durival de Britto e Silva, hoje porta dos fundos - que serve de entrada apenas para a polícia, a imprensa e para a pequena torcida visitante. É o único estádio da cidade que ainda mantém uma característica antiga. Espero que não a derrubem, apenas a tombem. E que a tombem, sem derrubar. Acho que aquelas letras coloridas, feitas de trilhos ferroviários, fazem parte do patrimônio histórico de Curitiba.

    A antiga porta de entrada do estádio da Copa do Mundo de 1950

    E, finalmente, na porta de entrada a última barreira policial. Esta para fazer a mais rigorosa revista policial a que já fui submetido. Sem pressa, me revistaram de verdade, apalparam até onde mamãe passava talco. Mas eu me submeti às regras, não reclamei. Mas não posso negar uma coisa. O policial que me revistou foi extremamente educado. Ao encerrar a revista me agradeceu e desejou "Bom jogo!" E então entrei ao estádio. Mais de 10.400 presentes, 1.300 atleticanos. A torcida estava animadíssima, cantando sem parar. E isso transmitia energia positiva e uma boa dose de otimismo a todos nós. O time vinha de três vitórias seguidas, por isso mesmo o treinador não inventou. E escalou o mesmo time. Inegavelmente, a torcida adversária fez uma bela festa de cores, pois a ela foi autorizada a entrada com bandeiras e faixas. Para os visitantes, nada! Nem música, nem bandeiras, nem faixas.

    A festa de cores da torcida adversária

    A partida começou e a torcida deles foi diminuindo a festa, baixando o tom da gritaria, reduzindo a batucada. Em campo o Furacão jogava com facilidade, tocava a bola como se fosse o dono da casa, fustigava o adversário com jogadas em velocidade, mostrava personalidade e determinava como seria o jogo. E, aos 13', falta perigosa, cartão amarelo para o zagueiro deles. João Paulo - o bugre de Beltrão - bateu e fez 1x0! E o Atlético mandava no jogo, sobrava em campo. Ainda não sei se o time está bem mesmo ou se o adversário é tecnicamente muito ruim. Mas de uma coisa tenho certeza! Tenho certeza que mil atleticanos valem mais que nove mil paranistas. Sem bateria ou outros recursos, a torcida rubro-negra ergueu a voz, cantou alto, mostrou a mesma eficiência que os jogadores provavam dentro de campo.

    E sete minutos depois, aos 21', a jogada que "matou" o Paraná. Num contra ataque rápido, ainda no campo do Atlético, o "pernalonga" Pedro Botelho arrancou rapidamente, tocou para Elias na direita. Este avançou, esperou a hora certa e colocou na área para o mesmo Botelho (que corre muito). O grandalhão só teve o trabalho de dominar no peito e chutar no canto esquerdo do goleiro, 2x0! O Atlético poderia ter feito mais um, mas perdeu ao menos duas oportunidades. E numa bobeada da zaga, aos 47' levamos um gol: 2x1.No segundo tempo o Paraná mostrou vontade, mas sem qualidade técnica. Isso facilitou o trabalho do Atlético, que procurou tocar bolas no meio de campo. No final, o nervosismo normal de um clássico, Paulo Baier - que havia entrado no intervalo - tomou o segundo cartão amarelo e foi expulso. Para a alegria da garotada e da imensa torcida rubro-negra, ganhamos o clássico da Segundona. E já estamos em sexto lugar, a dois pontos do G-4!

    O garotinho, mãos na cintura, estava impaciente; só festejou com o apito final

    O jogo terminou. Abraços, confraternização, saída rápida. A ordem da Polícia Militar era que a torcida visitante deixasse o estádio por primeiro, devendo a paranista esperar dez minutos. E assim foi feito. Em minutos, todos os atleticanos já estávamos longe do estádio. Na saída encontrei Paulo Fernando e a esposa, que me deram uma carona. Quinze minutos depois do apito final eu já estava em casa. E vi, no trajeto, que havia alegria na cidade. Agora, quatro horas depois, ouço pelo rádio que não houve nenhum tipo de incidente. Nada de violência no estádio ou suas proximidades, nenhum ato de vandalismo nas ruas de Curitiba. O clima, que era de Guerra, foi de Paz! E a Faixa de Gaza? Ah, o rapaz da Faixa de Gaza, com o carro da polícia ao fundo e o ônibus da Guarda Municipal, era apenas um atleticano doente - igual a mim - que queria apenas divertir-se, ser feliz. E foi!

    Torcida do Atlético - Caricatura

    Festa na cidade

    O vinho? Ah... Em clássico a gente capricha. Abri um vinho que trouxemos na viagem que fizemos a França, em abril, quando Turquinha e eu fomos visitar minha filha Gabriela. É um tinto da Borgonha. Um "Couvent des Jacobins", do produtor Louis Jadot, da região de Beaune, safra 2009, 13% de álcool. Um excelente vinho! Saúde!

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h36
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    Um sábado à tarde, na Vila Capanema!

    É hoje. Daqui a pouco. Na Vila Capanema. No velho Durival de Britto e Silva. Seu nome é uma homenagem ao então presidente da Rede Ferroviária (Rede Viação Paraná-Santa Catarina), que cedeu o terreno da empresa para a construção. Inaugurado em 1947, foi o terceiro maior estádio do país. Ficava atrás apenas do Pacaembu e São Januário. Era o estádio do clube mais popular da capital, o Clube Atlético Ferroviário. Foi palco de dois jogos da Copa do Mundo de 1950, Espanha x Estados Unidos (25/06) e Paraguay x Suécia (29/06).

    Copa do Mundo de 1950, estádio lotado para o jogo entre Espanha x Estados Unidos

    Lá assisti a grandes jogos. Muitas vezes o Furacão fez da Vila Capanema a sua casa, especialmente em torneios nacionais. Mas lá vi muitas partidas aos sábados à tarde, dia em que normalmente jogava o Ferroviário e, depois, o Colorado. Era um tempo em que todos iam ao estádio, independentemente do time para o qual torciam. Era comum, por exemplo, um atleticano ir à Vila Capanema assistir Ferroviário x Grêmio Maringá ou um coxa-branca ir à Vila Guaíra ver Água Verde x Londrina. Assisti clássicos na Vila Capanema em que as torcidas não eram "divididas". Comprávamos o ingresso e sentávamos onde queríamos. As "sociais" (arquibancadas cobertas) eram mais caras e não eram vendidas apenas aos torcedores do time mandante. Havia discussão, mas dificilmente ela ultrapassava a agressão verbal. E, quando isso acontecia, a causa era um cerveja ou um conhaque a mais. Sim, nos meses de inverno e nas noites do ano inteiro, se consumia muito conhaque nos estádios. Havia até um vendedor de "café com conhaque".

    Nos estádios se vendia muito café, inclusive nas arquibancadas

    Ir ao estádio de futebol era uma festa! Além do colorido das torcidas - com suas bandeiras e faixas -, havia a pipoca, o pão com bife, o suco ou a cerveja, o pé-de-moleque, o café, o picolé, o conhaque. E o "pudim de estádio", quem conheceu? Era um pudim consistente, mais duro - pura maizena! -, para não desmanchar na mão de quem comprava. Enfim, era uma verdadeira refeição. Com direito à entrada, prato principal, bebidas, sobremesas e digestivos. A criançada adorava! Os adultos, também.

    Na Colômbia ainda se vende porções de leitão assado com feijão e arepa (pãozinho de milho)

    Agora, tudo é diferente. As torcidas são separadas por policiais e cães. A torcida visitante teve seu espaço diminuído cada vez mais, restando a ela um "cantinho" - normalmente no pior setor do estádio. As comidinhas sumiram porque "podem fazer mal", os ambulantes foram desaparecendo porque "tiram a visão do torcedor", as bandeiras foram proibidas porque seus mastros de taquara "viram armas nas mãos de marginais". O bom futebol também anda sumido, desaparecido, quase (pelos nossos treinadores) proibido...

    Até no gramado tem cães policiais

    Está cada vez mais difícil ir ao estádio. Foram liberados 1.700 ingressos para os atleticanos. E, para não cair na mão dos cambistas, lá fui eu para a fila. Quinta pela manhã, cheguei no horário de abertura da venda dos ingressos, as dez horas. Em pleno inverno, um "sol de rachar". Duas horas de fila, esqueci do protetor solar, ao meio-dia fazia 30 graus.Vermelho e feliz, voltei pra casa.

    Em plena era da informática, fila para comprar ingresso

    Mas consegui meu ingresso, a "cinquenta paus". Sim, cinquenta reais para ficar confinado na curva dos fundos, cercado de policiais e cães, conduzido pela cavalaria. Antes de xingar o bandeirinha, antes do jogo começar, antes de ir para o estádio, já me sinto um delinquente. Espero que tudo ocorra normalmente, com muita tranquilidade, se possível sem violência. Confesso, tenho medo de apanhar. Da polícia!

    A cavalaria conduz torcedores visitantes país afora

    Enfim, será hoje, as quatro da tarde. Entraremos pela velha entrada principal do Durival de Britto e Silva, na Engenheiro Rebouças. Hoje essa entrada está decadente, debaixo do viaduto que liga o centro à Avenida das Torres (que leva ao aeroporto e às saídas para as rodovias 101, 116, 277 e 376). E o que já foi um imponente portão de entrada para jogos da Copa do Mundo, é hoje a "porta dos fundos" por onde chega a torcida visitante.

    Por aqui entraram espanhóis, norteamericanos, paraguaios e suiços

    O jogo de hoje é fundamental para as nossas pretensões de acesso. Se ganharmos, estaremos bem próximos da zona de classificação, a poucos pontos do G-4. Se empatarmos subiremos duas posições, iremos ao sexto lugar. Se perdermos, tudo fica mais difícil. Como sempre, confio no time e acredito na classificação. Que esta linda tarde de sábado - de sol de verão no inverno - fique marcada por uma partida de futebol alegre e sem violência!

    Sessenta anos depois, a paisagem mudou. E nós, atleticanos, estaremos lá no fundo, à direita

    Dá-lhe, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 11h02
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    O maior lateral direito de todos os tempos - e as meias furadas!

    Nasceu na Parada Inglesa, bairro paulistano, em 27 de fevereiro de 1929. Na adolescência foi sapateiro, mas queria ser piloto de avião. O pai, soldado da antiga Força Pública (hoje, Polícia Militar) de São Paulo o incentivava para que ingressasse na carreira militar, onde teria emprego pelo resto da vida. Mas ele acabou jogador de futebol, primeiro no Internacional da várzea da capital paulista, depois como profissional na Associação Portuguesa de Desportos. E não há palavras que consigam expressar suas qualidades profissionais e seu excepcional caráter. A crônica esportiva mundial o consagrou como o maior lateral direito de todos os tempos. Seu nome é Dejalma dos Santos, mas ficou mundialmente conhecido como Djalma Santos.

    Aos 24 anos, em 1953, na Portuguesa de Desportos

    Na Portuguesa começou aos 19 anos, no dia 09 de agosto de 1948, jogando como centro-médio (atual volante), em uma partida contra o Corinthians. Meses depois, quando o time do Canindé contratou Brandãozinho para a posição, ele foi deslocado para a lateral-direita. E de lá, nunca mais saiu. Na Lusa esteve por dez anos, até o final de 1958, jogando 453 partidas. Provavelmente foi o jogador que mais sofreu o ódio rascista. Da sua passagem pela Portuguesa há um episódio que foi muitas vezes lembrado pelos repórteres esportivos paulistas. Numa tarde de domingo, jogando no Parque Antártica contra o Palmeiras, foi xingado de "negro sujo" e "macaco" várias vezes. Em determinado momento da partida foi fazer um arremesso manual e um torcedor esmeraldino lhe jogou algo, junto foi um anel. Djalma Santos agachou-se, apanhou o anel, foi até o alambrado e o entregou ao racista, dizendo apenas um educado e elegante "tudo bem".

    Na Suiça, em 1954, em pé Djalma Santos (25 anos), Brandãozinho, Nilton Santos, Pinheiro, o massagista Mário Américo, Castilho e Bauer.

    Agachados: Julinho, Didi, Baltazar, Pinga e Rodrigues.

    três jogadores brasileiros disputaram quatro Copas do Mundo. Os outros dois foram Nilton Santos e Pelé. A sua primeira Copa do Mundo foi a da Suiça em 1954. Nela, foi titular nas três partidas: vitória de 5x0 contra o México; empate em 1x1 contra a Iugoslávia; e, derrota de 4x2 para a Hungria de Sándor Kocsis e Ferec Puskas - um timaço, considerado uma verdadeira máquina de jogar futebol. Nessa última partida, Djalma Santos fez um dos dois gols brasileiros. Quatro anos depois, em 1958, na Copa da Suécia, foi reserva de Nilton De Sordi. Mas De Sordi passou mal minutos antes da decisão contra os donos da casa e Djalma Santos foi escalado. O Brasil venceu a Suécia por 5x2 e conquistou sua primeira Copa do Mundo.

    Na Suécia, em 1958: Djalma Santos (29 anos), Zito, Bellini, NBilton Santos, Orlando e Gilmar;

    Agachados: Garrincha, Didi, pelé, Vavá, Zagalo e o massagista Mário Américo

    Campeão do mundo, já considerado como um dos melhores laterais direito do futebol mundial, no início de 1959 foi vendido para o Palmeiras, time do torcedor racista. Estreou com a camisa palmeirense no dia 31 de maio de 1959, numa vitória de 6x1 contra o Comercial. No Parque Antártica ficou por quase dez anos, até o final de 1968, jogou 498 partidas, fez dez gols. O Palmeiras era, à época, chamado de Academia do Futebol. E Djalma Santos era um dos seus professores.

    No Palmeiras, em 1961, aos 32 anos

    Na Copa do Mundo do Chile, em 1962, já com 33 anos, foi titular em todas as partidas: 2x0 contra o México; 0x0 contra a Tchecoslováquia; 2x1 contra a Espanha; 3x1 contra a Inglaterra;  4x2 contra o Chile; e, na decisão, 3x1 contra a Tchecoslováquia. Foi a Copa que o consagrou. O mundo ficou encantado com o vigor físico, a qualidade técnica e a habilidade de Djalma Santos. Foi no Chile que o mundo viu, pela primeira vez, o famoso "escanteio com as mãos". Djalma - nos laterais próximos à linha de fundo - arremessava a bola na na área, como se fosse um escanteio. E isso impressionava a todos. Na foto abaixo, tirada no dia 10 de junho de 1962, no Estádio Sausalito, em Viña del Mar, vê-se o time que, em partida válida pelas quartas-de-final, venceu a Inglaterra por 3x1.

    Viña del Mar, 1962: treinador Aymoré Moreira, Djalma Santos (33 anos), Zito, Gilmar, Zózimo, Nilton Santos, Mauro e o médico Hilton Gosling

    Agachados: o massagista Mário Américo, Garrincha, Didi, Vavá, Amarildo, Zagalo e o roupeiro.

    Foi, também a partir da Copa do Mundo do Chile, que ele passa a ser considerado o melhor lateral direito do mundo. E a partir de então é sempre chamado para os selecionados da FIFA, em que se convocavam os melhores do mundo em sua posição. Em 23 de outubro de 1963, Djalma Santos foi o primeiro jogador brasileiro a atuar pela Seleção da FIFA, na derrota por 2x1 frente a Inglaterra, em Wembley.

    1963, na Inglaterra, aos 34 anos o melhor lateral direito do mundo

    E em 1966, na Inglaterra, Djalma Santos disputou sua quarta e última Copa do Mundo. Participou dos dois primeiros jogos em Liverpool. Na estréia, vitória de 2x0 sobre a Bulgária. E a segunda partida, derrota de 3x1 para a Hungria, que foi seu último jogo em Copa do Mundo. Aos 37 anos, contundiu-se e não enfrentou Portugal (outra derrota por 3x1) na despedida brasileira de Liverpool e da Copa da Inglaterra, ocasião em que foi substituído por Fidélis. 

    Seleção brasileira na estreia contra a Bulgária. Em pé: Djalma Santos (37 anos), Denílson, Belini, Gilmar, Altair e Paulo Henrique.

    Agachados: Massagista Mário Américo, Garrincha, Lima, Alcindo, Pelé e Jairzinho.

    Com a camisa da Seleção Brasileira, disputou uma centena de jogos oficiais. Há controvérsia a respeito. Nunca se esclareceu o número exato, que varia entre 100 e 114 partidas. Mas foram quatro Copas do Mundo. E em duas delas, campeão. Djalma Santos é Bi-Campeão Mundial de Futebol. Levantou duas vezes a Copa do Mundo. Contribuiu, com brilhantismo, na conquistar da Jules Rimet para o Brasil. Além de Pelé, é o jogador brasileiro mais respeitado internacionalmente. E no final de 1968, Djalma foi contratado pelo Atlético. Chegou a tempo de participar do primeiro campeonato brasileiro que disputamos. Era o segundo campeonato a nível nacional, à época chamado "Robertão" - Torneio Roberto Gomes Pedrosa. No primeiro, em 1967, quem representou o Paraná foi o extinto Clube Atlético Ferroviário. Em 1968, depois de um disputa - no campo - com tricolores e coxas, o Furacão ganhou esse direito. 

    Uniforme do Atlético-PR - Com listras vermelhas e pretas horizontais

    1968, na Vila Capanema, vitória de 3x2 contra o Santos. Em pé: Djalma Santos (39 anos), Bellini, Charrão, Célio, Nair e Nilo

    Agachados: Gildo, Zé Roberto, Madureira, Paulista e Nilson Borges

    Aqui, Djalma Santos disputou em 1969 o seu primeiro campeonato paranaense. E foi a única vez em que jogou ao lado de Bellini num clube. Antes, tinham jogado juntos as Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1966. No Atlético, foram vice-campeões. E, ao final do ano,  Hideraldo Luís Bellini, grande capitão da Copa de 1958, o brasileiro que levantou pela primeira vez uma Copa do Mundo, despediu-se do futebol, encerrando a carreira no Furacão.

    Em 1969, Djalma Santos (40 anos) e Bellini, dois bi-campeões mundiais no Furacão

    Depois dos timaços de 1968 e 1969, depois da morte do presidente Jofre Cabral e Silva (de infarto, em pleno Estádio Vitorino Gonçalves Dias, em Londrina,  numa partida em que perdíamos para o Paraná londrinense), depois da perda dos dois campeonatos paranaenses (1968 e 1969), instalou-se a crise. Pouco dinheiro no caixa, muita conta pra pagar. A maioria dos jogadores foi embora. Como já escrevi no dia 29/06, no post "No inferno", em 1970 o Atlético vivia uma tremenda crise financeira. E por isso a conquista desse título é considerada épica pelos atleticanos com mais de meio século de existência. Pois foi nessa época que Djalma Santos deu uma prova de amor ao Furacão. Ao invés de "pendurar" as chuteiras, aos 41 anos de idade, concedeu uma entrevista e afirmou que não podia parar sem antes dar uma alegria à nação atleticana.


    1970, no velho Joaquim Américo, Djalma Santos (41 anos), Amauri, Zico, Valdomiro, Alfredo Gottardi e Miltinho

    Agachados: Zé Leite, Darci, Sicupira, Ferrinho e Nilson Borges

    E foi em 1970 que Djalma Santos viveu seu momento mais pobre no futebol. Disse ele, alguns anos atrás, que durante aquele campeonato paranaense foram jogar em Cianorte. Era mês de maio, fazia frio no Paraná. Chegaram à cidade na véspera, tarde da noite, chovia muito. O hotel era modesto, gotejava no teto do quarto. Para poder dormir sem o barulho da goteira no piso de madeira, colocou no chão um dos cobertores. Pela manhã, depois de um café sem nenhum tipo de fruta, permaneceu no quarto jogando baralho. Sequer havia um outro local no hotel - que se resumia à uma pequena recepção, salinha de café e os quartos. E ele, ali. Quatro Copas do Mundo, duas vezes campeão mundial, mais de cem jogos pela seleção brasileira. E ele, ali. Firme e forte. Depois do almoço, chegou a hora do jogo, foram para o estádio. No vestiário, recebeu do roupeiro o material. Quando foi vestir as meias, elas estavam furadas. Mostrou ao roupeiro, mas não haviam outras. E ele, ali. Firme e forte. Com muita vontade de jogar. Foi para o jogo com meias furadas, no calcanhar. O campo - um verdadeiro areial - estava pesado e úmido por causa da chuva noturna, o que encharcava as chuteiras. No intervalo, na falta de outro material, colocou jornal no fundo da chuteira. O Atlético ganhou por quatro gols a um. Este é Djalma Santos!

    Gazeta Press

    1971, aos quase 42 anos, em um dos seus últimos jogos pelo Atlético

    No início de 1971, no dia 21 de janeiro, prestes a completar 42 anos de idade, num jogo contra o Grêmio, encerrou sua carreira. Naquela noite, em atuação soberba, o maior lateral direito de todos os tempos despediu-se dos gramados, pendurou a chuteira, deixou mais pobre o futebol brasileiro e mundial. Lembro-me dele dando a volta olímpica, sendo aplaudido de pé, entrando pela boca do túnel para nunca mais voltar - profissionalmente - aos gramados. Atualmente, aos 83 anos de idade, Djalma Santos continua morando em Uberaba, onde vive com sua esposa Esmeralda. Ele, ali. Firme e forte. Lúcido, com muita vontade de viver!

    Djalma Santos, essa lenda do futebol brasileiro e mundial, jogou no Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 09h32
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    Entre as duas serras, mais três pontos!

    Depois de passar três dias na Serra Gaúcha, preparando o futuro, voltamos na tardinha de sexta a Curitiba. Lá na serra fomos otimamente atendidos pela Daisy e pelo Luiz Arthur, proprietários da hospedaria e do bistrô, ambos funcionando na Linha Imperial, no município de Nova Petrópolis. Para os que gostam de fugir do estresse e para os que apreciam a boa gastronomia, indico os dois endereços: Hospedaria Villa Costaneira e do Bistrô Chalet Gourmand.

    Daisy e Luiz Arthur em frente ao bistrô

    Na região tivemos também a oportunidade de conhecer um paranista. Um paranista dos tempos do Clube Atlético Ferroviário, o Renato Boddy, marido da Clara. Ambos curitibanos, ela a chef de cozinha e ele o proprietário da excelente Cantina 28, em Canela, um restaurante simples e premiadíssimo pelo Guia Quatro Rodas - que o colocou entre os 12 melhores restaurantes italianos do Brasil (dentre eles os dois Fasano e os dois Gero, ambos com as casas de São Paulo e do Rio). O Renato, aliás, é filho do Jorge Stuart Boddy, ex-dirigente do Ferroviário e também da Federação Paranaense de Futebol, quando ambos (Ferroviário e Federação) orgulhavam o futebol do Paraná.

    As variadas polentas da Cantina 28, na Vila Suiça, em Canela

    Depois deste festival gastronômico, Turquinha e eu voltamos à realidade. E hoje, descemos a nossa serra, almoçamos em Morretes, fomos à Paranaguá. O carro, bem guardado na garagem daquela mesma senhora (vejam o post "O burro, a mula e o dono!", do dia 05/08), entramos no Carangueijão. Uma hora antes do início da partida conseguimos um bom lugar nas cadeiras cobertas, graças ao trio de simpáticos e agradáveis garotos: Henrique, Pablo e Gabriel - que passaram (os três) a dividir apenas duas cadeiras.

    De cima para baixo: Pablo, Henrique e Gabriel

    O jogo começou e o Atlético mostrou que não estava para brincadeiras. Ao contrário do time apático da terça-feira, contra a ASA, mostrou-se ousado e partiu pra cima do (até então) líder da Série B. E é assim que a torcida gosta! E torcida feliz embala o time, entusiasma os jogadores, leva o time pro ataque. E depois de várias tentativas e alguns gols desperdiçados, a bola entrou. Eram 21' do primeiro tempo, Marcão, 1x0! O Furacão continuou bem e suas boas jogadas foram premiadas com a expulsão de um jogador adversário (Giovanni), que cometeu duas faltas seguidas, ambas por chegar atrasado, amarelo na duas vezes, um vermelho pela soma. Isso facilitou nossa vida. Continuamos atacando, perdemos mais um gol, em tabela de Elias com Marcão - que chutou acima do gol.

    Marcão marca seu terceiro gol pelo Furacão

    Henrique, Marcão e Felipe vibram com o gol atleticano

    No segundo tempo o time foi mais cauteloso, atacou menos, mas - à exceção de um lance, logo no primeiro minuto, em que o Criciúma quase fez um gol de cabeça - teve o controle do jogo. Tocou bem a bola, triangulou na medida certa, manteve a posse da pelota. Depois da entrada de Paulo Baier e Marcelo, o Atlético teve mais objetividade, foi mais veloz, mas faltou tranquilidade para fazer o segundo gol. No final, o time criou mais duas oportunidades, com Paulo Baier chutando aos 40' (uma bela defesa do goleiro do time catarinense) e com Maranhão aos 46' (que recebeu um belo passe de Baier, ficou "cara a cara" com o goleiro e chutou para fora).

    O maestro Paulo Baier, gaúcho de Ijuí, quase 38 anos (fará dia 25/10), mais uma vez fez jogadas que encantaram o torcedor

    Partida encerrada, viu-se estampada no rosto do torcedor a alegria. Foi a terceira vitória seguida, a terceira partida seguida sem tomar gol. E o Furacão, faltando mais da metade do campeonato, já está a apenas quatro pontos do G-4, o grupo dos quatro que se classificam para a Série A do próximo ano. Não tem sido fácil para nós, atleticanos. Acostumados a grandes conquistas, belos jogos e bons campeonatos, estamos tendo que nos adaptar a essa fase de magras vitórias na Série B. É um verdadeiro aprendizado, inclusive de humildade.

    Torcedores fiéis, como André Ricardo Guenzen, têm todo o direito de exigir mais raça

    Nem preciso dizer que, na minha modesta opinião, o melhor em campo foi o "grande comandante" João Paulo. Acho que esse rapaz, que não joga para a torcida, tem sido o coração do nosso time. Tem tranquilidade, bom toque de bola, faz a redonda rolar na grama e sabe acalmar o time. Tudo que tenho contra a contratação de Derley (Deivid é muito melhor e mais equilibrado), tenho a favor da contratação de João Paulo.

    João Paulo - o bugre de Beltrão - esbanja tranquilidade e sabe organizar o time

    Eu, que nunca perdi a confiança nem o otimismo, depois de subir a serra, abri mais uma garrafa de vinho. E dessa vez, Turquinha e eu caprichamos. Tomamos um bom tinto português, do Alentejo. O Touriga Nacional, da Cortes de Cima, safra 2007, com 14,5% de álcool, estava uma maravilha!

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 23h18
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    Paulo Baier e o vinho da Serra Gaúcha!

    De carona com Joãozinho Mello, alagoano que foi meu aluno na UNIOESTE, em Cascavel, no início dos anos 1990, desci ontem no início da noite para Paranaguá. Chegamos por volta das 21h00 e fomos para a cabine da Rádio Jovem Pan Nordeste, onde o irmão de Joãozinho transmitiria a partida para os ouvintes das Alagoas. Pouco público no Carangueijão. Terça-feira, quase dez da noite, mais de 90km longe de casa, só os mais fanáticos compareceram. Eu tinha compromisso cedinho, obrigação de estar no aeroporto as 06h00 desta quarta para tomar um voo as 06h30, por isso fui de carona. E o que vi em Paranaguá foi uma lástima. Talvez tenha visto o pior primeiro tempo do Atlético neste ano. Um time sem nenhuma organização, mal posicionado, nenhuma combatividade, criatividade zero. Triste de assistir. O destaque foram os chutes sem rumo de Derlei (de quem não gosto e cada vez mais não vejo nenhum sentido na sua contratação) - aos 13' e 23' - e uma bela finalização de Marcão - aos 37' -, muito bem defendida pelo goleiro da ASA. Destaque negativo para a lentidão de Luiz Alberto, que proporcionou três ataques perigosos dos alagoanos, seja por falta de marcação no seu setor ou porque perdeu na velocidade. Na cabine de rádio, o narrador de Arapiraca já apostava na vitória deles.

    Não foi fácil enfrentar a retranca alagoana

    E no segundo tempo a história se repetia até que fomos salvos pela falta de iluminação. O apagão, numa das torres de refletores, interrompeu a partida aos 13' da segunda etapa. E eu, então, deixei o estádio porque tinha compromissos cedinho e não havia uma previsão de quanto tempo levaria para o restabelecimento da energia naqueles refletores. Triste, chateado, Joãozinho Mello e eu tomamos o caminho da Serra do Mar. Quando a iluminação voltou, pelo rádio do carro acompanhávamos a transmissão da partida e logo soubemos das entradas do maestro Paulo Baier e do uruguaio Martín Ligüera. Resolvemos parar no início da subida da serra, na Lanchonete Bela Vista, para acompanhar a parte final da partida pela TV. Mas ela não estava sendo transmitida na televisão aberta nem pelo canal fechado SPORTV. Somente pelo pay-per-wiew.  Enquanto bebemos uma água de coco, vimos os últimos momentos de Guarani x Avaí (na SPORTV). E "pintou a bolinha". Era gol. Em Curitiba, anunciou o narrador. Mas, logo ele corrigiu: "Em Paranaguá!" E felizmente era do Atlético, de Paulo Baier. Voltamos pra estrada, acompanhamos (ainda pelo rádio) os últimos minutos do jogo. Só em casa vi o gol de Paulo Baier, com a cabeça enfaixada. Um sufoco!

    O maestro fez o gol com categoria

    Não sei o que acontece com o Atlético. Faz uma boa partida, outra ruim. De qualquer forma, o importante foi ganhar os três pontos. Da mesma forma, foi importante ganhar três pontos do Ipatinga (jogando mal), do ABC (com gol de pênalti inusitado) e do Guaratinguetá (frango do goleiro). Eu não tenho nada contra as vitórias, sejam elas obtidas com boas ou más atuações. Mas é preciso treinar mais, ensaiar mais, combinar mais. O Furacão não pode entrar em campo como se fosse um grupo de onze homens desconhecidos, que nunca estiveram juntos. Espero que no sábado as coisas melhorem. Fui dormir a uma da madrugada, acordei as 05h00, as 06h30 embarquei num voo da Azul, fiz conexão em Campinas, chegando a Caxias do Sul as 10h00. Por volta das 11h00 passei por Nova Petrópolis e as 11h30 estava na Linha Gonçalves Dias, juntinho ao Morro Malakoff.

    Luiz Carlos Schroeder, no Morro Malakoff

    Dali, Turquinha - minha mulher - e eu voltamos a Nova Petrópolis e fomos almoçar no Colina Verde.  O restaurante, localizado num dos lugares de mais belo visual da região, serve uma refeição colonial típica da Serra Gaúcha, com componentes da gastronomia das zonas rurais de colonização alemã e italiana. O restaurante, que conheço e frequento há mais de 30 anos, é premiadíssimo pelo Guia Quatro Rodas, merecendo estrelas ininteruptamente há 31 anos.

    Rosângela Maluf, na bela vista do Colina Verde

    E, conforme o prometido (um vinho para cada vitória) tomamos um Reserva da Vinícola Boscato, de Nova Pádua. O merlot, 12,5% de graduação alcoolica, caiu muito bem com aquela miscelânea de pratos e sabores do Colina Verde.

    Dá-lhe, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 20h36
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    COMUNICADO

    (O autor do blog informa que os comentários sobre a ida a Paranaguá e o jogo ATLÉTICO x ASA somente serão postados na noite desta quarta-feira, diretamente da Serra Gaúcha)



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h45
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    Ahmadinejad, Fidel Castro, Neymar, Rede Globo e a ASA de Arapiraca

    As Olimpíadas chegaram ao fim. As de Londres, claro! Espetáculos à parte, nosso desempenho - segundo os comentaristas da Globo - foi um "honroso" 22º lugar. Três medalhas de ouro, cinco de prata, nove de bronze. Dezessete medalhas. Melhoramos uma posição. Em Pequim fomos 23º (três de ouro, quatro de prata e oito de bronze). Mas ainda estamos seis posições abaixo do nosso desempenho em Atenas, onde fomos o 16º (cinco, duas e três medalhas, respectivamente). Pelo número de medalhas, parece que melhoramos. Mas os nossos 331 milhões de reais (quantia declarada pelo Comitê Olímpico Brasileiro), valores gastos nesses quatro anos de preparação, fez cada medalha custar 19 milhões e quinhentos mil reais. A Alemanha, com um orçamento inferior (320 milhões de reais), levou pra casa 44 medalhas (onze de ouro, dezenove de prata e catorze de bronze).

    Estádio Olímpico de Londres, palco de belos espetáculos 

    Fazer comparações com a Alemanha, certamente é covardia. Precisamos ver como estamos em relação a outros países, especialmente os de Terceiro Mundo (ainda existe isso?). E é aí que "o bicho pega". Ficamos atrás do Cazaquistão (12º), Ucrânia (14º), Cuba (15º), Irã (17º), Jamaica (18º) e Coréia do Norte (20º). Triste, não? O país de Mahmoud Ahmadinejad, o Irã, teve classificação superior à nossa. Comparar com a minúscula Cuba também não devemos, afinal eles ganham da gente desde o início da era Fidel Castro. Mas perder pra Coréia do Norte é demais! Não é lá que o povo passa fome, não tem o que comer, vive com a metade da ração alimentar minimamente necessária? Ao menos é isso que leio, vejo e ouço na grande imprensa. Ainda que não seja verdade o que diz a imprensa mundial, perder para a Coréia do Norte é uma vergonha! E o Cazaquistão? Alguém - além de saber que o país pertencia à antiga União Soviética - pode me dizer exatamente onde fica o Cazaquistão? Assim não dá! É muito investimento para pouco resultado! Está na hora de fazermos mudanças também no Comitê Olímpico Brasileiro! Ou não? Até quando, Carlos Arthur Nuzman?

    Hahmadinejad, feliz da vida com o desempenho do seu país em Londres

    Além do fraco desempenho geral nas Olimpíadas, tem o outro. É o fraco desempenho individual de quem mais esperávamos. Ele mesmo! Neymar! O que acontece com esse moço? É um craque ou apenas um bom jogador incensado pela mídia? Por que ele "some" nos momentos decisivos? Mesmo quando o Santos foi campeão da Taça Libertadores da América no ano passado, decidindo contra o Peñarol de Montevidéu, ele não foi bem. Tanto lá na capital uruguaia como aqui em São Paulo, Neymar não teve atuação destacada. Antes disso, já tinha ido muito mal na Copa América, aquela disputada na Argentina e na qual fomos eliminados pelo Paraguay. Depois disso, no final do ano, teve atuação ridícula em Tóquio, na goleada sofrida pelo Santos contra o Barcelona - era a decisão do título mundial interclubes. Parece que para ele é mais fácil jogar bem contra Guarani, Mirassol, Comercial, Paulista, Oeste. E por isso foi campeão paulista deste ano. Agora - quando todos esperávamos algo além do tosco (a palavra do momento) visual -, ele em campo foi tão ridículo quanto a sua imagem de funkeiro. O Internacional vendeu Oscar por 80 milhões. O São Paulo vendeu Lucas por 108 milhões. Faz tempo que ninguém oferece nada pelo Neymar. Por que será?

    Em campo, ainda pior do que seu visual

    Mas nem só das dúvidas sobre os investimentos do Comitê Olímpico Brasileiro e as reais qualidades de Neymar vive o esporte brasileiro. Vive também da Segunda Divisão. A nossa (dos atleticanos) divisão! E hoje à noite, no horário de dormir - pós novela - estaremos lá em Paranaguá. O jogo será contra o ASA, de Arapiraca, e começa as 21h50, quase dez da noite. E, começando tão tarde, termina quase meia-noite. Quem mora em Curitiba e for ao estádio (como eu), não chegará em casa antes das duas da madrugada. É assim que o nosso futebol é tratado pelos que o administram. E, em termos de horário, quem decide é a Rede Globo. Os clubes, que vendem os direitos de transmissão, se submetem aos interesses da Globo e sua grade de programação. E a Globo não quer ninguém nos estádios, ela quer todo mundo vendo o futebol em casa, assinando seus canais ou comprando o jogo pelo pay-per-wiew. Em um dia não muito distante, ao que parece, chegaremos ao tempo dos jogos sem público algum...

    Uma imagem que tende a desaparecer dos estádios

    Antes que os jogos passem a começar depois da meia-noite, aproveitemos! Vamos à Paranagua! E que a ASA (a Agremiação Sportiva Arapiraquense) permita ao Furacão alçar melhores voos!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 11h14
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    E segue o baile!

    Na minha adolescência, adolescência mesmo, eu ia a muitos bailes no interior. E, quando falo em interior, estou - na verdade - falando em zona rural. Eu morava em Toledo, onde nasci em 1957. Toledo é uma cidade diferente. Embora esteja no Paraná, não é uma cidade paranaense. Colonizada por gaúchos (na sua ampla maioria) e catarinenses, que ali chegaram no final dos anos 1940, também não é gaúcha nem catarinense. O nome do município, obviamente é de natureza espanhola, podendo ser em homenagem a um paraguaio ou um argentino, quem sabe um espanhol mesmo.  Sabe-se, apenas, que o rio chama-se Toledo porque às suas margens teria morado alguém com esse apellido (ou sobrenome). E, por causa do rio, a cidade passou a se chamar Toledo.

    1949, a Igreja Cristo Rei

    Portanto, a população original era formada por descendentes de espanhóis ou índios guaranis, muito mais paraguaios que brasileiros. Esses índios estavam alí como os últimos resistentes daquela chacina que foi a Guerra do Paraguai. Eles "viraram brasileiros e foram ficando". O território era deles (os índios), que os espanhóis invadiram, os paraguaios transformaram em país, os brasileiros tomaram dos paraguaios. Alguém tem alguma dúvida? Por que será que, naquela região - que fica entre os rios Piquiri, Ivaí, Paraná e Iguaçu - temos tantas cidades com nomes guaranis, tais como Guarapuava, Guaraniaçu, Goioerê, Umuarama, Guaíra, Iporã, Tupãssi, dentre outras?

    1950, uma cidade no meio da mata

    Depois da chegada dos gaúchos e catarinenses - que não eram nem gaúchos nem catarinenses, eram muito mais italianos e alemães, porque destes descendiam -, vieram os "brasileiros". Os "brasileiros" eram os paulistas, mineiros e nordestinos. A maioria deles veio para derubar a mata e plantar café. Venho, pois, de uma cidade "que é, sem ser". Mas era lá que eu precocemente dançava. Desde os 12 anos, em 1970, estudei à noite. Meu pai havia falecido em 1968 e minha mãe achou que eu deveria trabalhar durante o dia e estudar à noite. Meus colegas do ginásio noturno? Todos, sem exceção, com idades entre 18 e 60 anos. Então, no meio daqueles "adultos" fui levado pra vida noturna. Aprendi a dançar. Dancei muito.

    Meu sonho era dançar assim...

    E nesses bailes, em localidades que lembro agora - Novo Sobradinho, Novo Sarandi, Nova Santa Rosa, Novo Dois Irmãos, Novo São Luiz, Vila Nova, Nova Concórdia, Dez de Maio, Quatro Pontes, Xaxim, Linha Giacomini, Sede Alvorada, Vila Ipiranga, dentre outras - aconteciam muitas brigas. Naquela época, quarenta anos atrás, um rápido olhar para a namorada do outro e a confusão estava armada. Naquela terra de gaúchos e nordestinos, qualquer palavra "mal dada" bastava. Você podia levar um empurrão, um tapa, uma garrafada. A dose da agressão dependia do tamanho - e da ignorância - do suposto namorado da moça. A propósito tem uma música gaúcha, do Teixeirinha, que diz (clique para ouvir) "trato todo mundo no maior respeito, mas se alguém me pisar no pala, o meu revólver fala, o buchicho está feito".  Mas, logo depois da confusão, serenados os ânimos, o cronner, ao microfone anunciava: "E segue o baile!"

    O típíco "conjunto musical" que tocava nos bailes da "colônia", nos anos 1970

    E, depois da confusão originada no atraso do voo, que não me permitiu chegar ao Rio Grande do Norte, segue o baile! A respeito, agradeço aos que comentaram, aos que me enviaram e-mail, aos que telefonaram. A vida segue! E, não sendo possível ir aos 38, iremos aos 37! E Toledo? Toledo deixou de ser aquela pequena cidade. Hoje, uma das maiores do Paraná, é forte economicamente. Destaca-se pela indústria e pelas produções agrícola e pecuária. No campo cultural, possui o maior teatro do interior do estado e tem cinco universidades.

    A Toledo de hoje - no primeiro plano, o Parque Ecológico Diva Paim Barth

    Sobre o jogo de Goianinha, contra o América potiguar, vale lembrar algumas coisas. Ganhamos de 2x0, contra um time que não havia perdido em casa neste ano, jogamos razoavelmente, o time estava bem posicionado em campo, o ataque - apesar de ter perdido três chances quando estava 0x0 - funcionou! Meus amigos estavam lá e vibraram por mim.

    Caio, Cesar, Paulo Fernando e suas duas (lindas) sobrinhas

    Mais uma vez João Paulo foi incansável. É um jogador que não aparece para a torcida, mas é efetivo, trabalhador, corre o campo todo, orienta, auxilia, organiza. E teve que fazer isso em dobro até os 20 minutos do segundo tempo. Aliás, aos 16' a TV flagrou a mula (Derley) apontando para o pulso e perguntando ao banco quanto tempo faltava. É mula ou jegue? Embora veio do Nordeste, cansou mais lá do que aqui. E pediu pra sair. Gostei, também, do Elias. Já havia dito que no jogo contra o São Caetano ele havia mostrado qualidade. Mostrou de novo, mas machucou-se e saiu muito cedo.

    Marcão fez os dois gols

    Mas a estrela da semana não foi João Paulo, Marcão, Elias e companheiros. E nem foi a GOL! A estrela da semana foi este extraordinário atleta, o atleticano Emanuel. Três medalhas olímpicas no volei de praia. Ouro em Atenas (2004), bronze em Pequim (2008) e prata em Londres (2012). Emanuel Fernando Schaffer Rego,  curitibano de 39 anos, atleticano apaixonado!

    Emanuel - cinco Olimpíadas, três medalhas - nunca esquece do seu Furacão



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h39
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    Um caso de polícia (federal)!

    Acordei as seis da manhã. Tinha pela frente uma maratona. Meu voo saía as 08h58 para Guarulhos, depois conexão para Natal, onde eu chegaria as 14h20. Meu retorno? Sairia de Natal as 01h50, chegando aqui no Afonso pena as 09h00. Em vinte e quatro horas e dois minutos, viajaria 6.600km, dormiria no voo de volta. Na ida, só os biscoitinhos da GOL. Em Natal, no aeroporto, esperaria a chegada do César e do Caio – esses dois amigões que fiz nesta caminhada. Curitibanos, pai e filho, que moram em Recife e não perdem jogo no Nordeste. Eles me dariam uma carona até Goianinha (50km de Natal), onde o Atlético jogaria contra o América. O Paulo Fernando da Silva, que vai também em todos os jogos, viajou pela TAM, pois não conseguiu passagem pela GOL.

    Apesar da neblina no Rio Iguaçu, havia sol no centro de Curitiba e também em São José dos Pinhais (no Aeroporto Afonso Pena). Quando deixei o carro no estacionamento a temperatura era de 9 graus. Viajante sem mala, carregando só a jaqueta que em Curitiba ainda usava, fiz o check-in na maquininha. Que maravilha! Viva a modernidade! Viva, nada! A máquina não informa se o voo está no horário, se o aeroporto está fechado, se tudo vai dar certo. Nem tive tempo de engraxar os sapatos, posso ter perdido um encontro importante (semana passada encontrei o atleticano Jorge Samek, chefão da Itaipu Binacional).

    Depois de ter que tirar os sapatos (eles alegam que meu sapato tem metal na borracha), passei pelo "raio-x", entrei na sala de embarque. Tudo no horário, voo chamado, ocupei meu desconfortável assento. E bota desconfortável nisso! Sempre que entro num voo da Gol tenho a impressão que eles foram feitos pra gente como o Adriano Gabiru, todos baixinhos, magrinhos, de não mais que 1.65 de altura. Como tenho 1,82 e peso pouco mais de 100kgs (especialmente depois que passei dos 50 anos e deixei de fumar), os assentos são altamente desconfortáveis para mim. E nele (no meu assento desconfortável) fiquei por 1h20 minutos sem que o avião saísse do solo. Por que? Porque os camaradas da Polícia Federal estão em "greve branca". Que bicho é esse? É a "greve" na qual eles resolvem trabalhar de verdade, fazendo aquilo que normalmente não fazem. Ao invés de fechar os olhos, eles abrem! E, abrindo, resolvem sacanear o povo!

    É engraçado isso! Mas a Receita Federal e a Polícia Federal, quando fazem greve, trabalham! E me passam a impressão que são corruptas! E que só não são corruptas quando estão em greve (clique e veja a notícia). Repito: essa é a impressão que me passam! Eles chamam isso de "operação padrão". Cacete! Quer dizer que quando não estão em greve eles fogem do padrão? Eles só fiscalizam de verdade quando estão em greve? Putaquepariu! (Mãe, querida! Eu sei que você, mesmo aos 83 anos, anda lendo meu blog. Não ligue para o que eu escrevo. Eu sei que "por escrito" é pior que "falado". Mas eu não agüento certas coisas. Tá! Prometo ser mais educado). E, dentro desse processo de "seriedade", a polícia federal (em letras minúsculas, cada vez mais minúsculas) resolveu passar todas as bagagens (eu não tinha nenhuma) de um voo doméstico no "raio-x". E ainda chamou três passageiros para explicar o "que era aquilo". A minha vizinha de "assento desconfortável" foi chamada, voltou quinze mintuos depois. Eles queriam saber o que era aquele "pacote com erva verde". Ela disse que era "erva verde". Na presença dela, abriram a mala e verificaram que ela transportava "erva verde". Não foi presa. Ela era apenas uma paranaense (filha de gaúchos, como eu) que estava levando uma erva-mate para seu irmão, que mora no Nordeste. E pensar que este Paraná foi a verdadeira terra da erva-mate!

    E, assim, atrasaram nosso voo. Quem devia decolar as 08h58, decolou depois das 10h06, conforme diz a carta que a GOL, ridiculamente, só me forneceu em Guarulhos (como se tivesse sido escrita em Curitiba), depois de muita insistência. Meu respeitos ao Marcelo, líder de check-in da GOL. Que me atendeu muito bem. Me atendeu muito bem depois que eu disse que era "juiz do trabalho aposentado". Que merda (Desculpe de novo, mãe!) de país é este? Uma simples frase faz com que você seja melhor atendido? E o cara que não é juiz "porranenhuma"? E o cara que não tem "gravatademarca"? E o cara que não é "parentedenenhumamaluf"? Cada vez mais, tenho "nojo" de tudo isso! Tenho nojo, mas não da Rosângela Maluf, a Turquinha, minha mulher - a quem amo!

    Enfim, cheguei a São Paulo, em Guarulhos. Mas cheguei exatamente na hora em que fechavam a porta do voo para Natal. Falei, conversei, mostrei meu voo de ida e meu voo de volta. Disse que não tinha bagagem. Mas eles têm pouca inteligência. Queriam me "reacomodar" no voo das 19h40 (o primeiro da GOL para Natal), chegando lá as 22h30. E eu mostrava que as 01h50 da madrugada desta quarta eu já estava embarcando de volta. Eles não entendiam. E eu dizia: "Moça, se eu volto no primeiro voo da madrugada, por que você quer que eu chegue em Natal um pouco antes da meia-noite?".  E mostrava, de novo, meus bilhetes de embarque e conexão. E o voo pra Natal já tinha ido...

    Depois de muita discussão, conversa e troca de informações, quase chorei. É duro! Um homem de 55 anos chorar no aeroporto, ao meio-dia, sem nenhuma morte na família ou filho indo para além-mar, causa má impressão. Controlei meu choro. Não larguei (juro!) nenhuma lágrima, nenhuma gota de lágrima! E, saibam todos, que não tenho nenhum arroubo machista. Até sou um "alemão" de razoável sensibilidade, que escreve poesia, gosta de velas e incensos, aprecia o luar e beija na boca! Mas doeu na alma! Naquele momento senti que minha promessa de provar meu amor pelo Furacão tinha acabado. Tinha ido por terra o meu projeto. O meu sonho de um dia ir a todos os jogos do Atlético, num campeonato nacional, tinha sido sepultado. Acreditem vocês, mas na maior cidade do país, no principal aeroporto do país, as 11h30 não há mais voo que chegue a Natal antes das 19h00. Por nenhuma companhia aérea. Nem via Maceió, nem via Recife, nem via João Pessoa, nem via Fortaleza! E me restou voltar pra casa. A gol (boazinha, como ela só) me reembolsou os valores e me "presenteou" com as passagens de ida-e-volta de Curitiba a Guarulhos.


    E assim, voltei pra casa. A moça (pentecostal) do estacionamento, que sabia do meu projeto de ir a todos os jogos, ficou triste. O Fiori (paulistano, descendente de milaneses, palmeirense), que é o porteiro da tarde aqui no meu prédio, não entendeu meu retorno, tanto que tinha estacionado sua moto na minha vaga da garagem. O Velho Luiz (grande atleticano), zelador do prédio desde os meus tempos de estudante universitário, me abraçou e disse: "Não fique triste, xará! Nós vamos subir ainda este ano. Atleticano não se entrega. E não teme a própria morte!". Eu disfarcei e entrei no elevador. E, então, caíram as primeiras lágrimas. Nem sei se a câmera do prédio me flagrou. Mas me lembrei do  Gonzaguinha e seu "Guerreiro Menino" (para ouvir, clique) e chorei...

    E, depois, fiquei quietinho em casa. Das 14h30 às 21h00. Bem quietinho. E liguei a TV. E vi o jogo. E o Atlético vingou! Vingou e foi vingança! E ganhamos de 2x0 lá em Goianinha. Acabamos com a invencibilidade de 17 jogos deles em casa. E Marcão fez dois. E eu vi o César, o Caio e o Paulo Fernando (pela TV) comemorando o primeiro gol. E fiquei feliz! E é assim a vida de um torcedor. É volúvel, o torcedor. Volúvel ou bipolar? Ah, pra que explicar tudo? Só sei que em homenagem ao Alberto e o Drubscky, abri um vinho da casa. Tomei um Atmo, de Toledo. Da minha terra natal! Da Família Dezem. Um merlot, com 13% de álcool. Experimentem esse vinho paranaense, de Toledo. Vocês vão gostar!

    Tenham certeza! Eu nunca mais farei um "bate-e-volta" na minha vida. Irei, sempre, um dia antes!

    VAMOS SUBIR, FURACÃO!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h05
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    O figurino gaúcho, o guarda-chuva uruguaio, a cueca paulista, o palhaço mineiro - e o vinho da casa!

    O assunto do momento não é o jogo desta terça contra o América potiguar, em Goianinha, a 50km de Natal. O estádio principal de Natal também está em reforma para a Copa do Mundo. O assunto do momento, entre os atleticanos, é o novo treinador. Quem será? Vejo que a mídia fala muito no ex-craque Paulo Roberto Falcão. Ele é preferido de 11% da nossa torcida. Deus - e o diabo - nos livrem dele! Trata-se de um bom moço. Foi um grande jogador de futebol. Chegou a ser conhecido na Europa como o "Rei de Roma". Homem fino, veste-se muito bem. De bom gosto, aprecia bons vinhos. Educadíssimo, tem excelente vocabulário. De fino trato, é incapaz de pisar numa formiga. Não dá! A hora é de esmagar formigas, chutar o formigueiro, jogar fora o açucareiro, proibir a cana!

    In vino veritas

    Na pesquisa do "furacão.com", a maioria (42%) quer a volta do Juan Rámon Carrasco. Que os espíritos nos livrem dele! O uruguaio, embora ousado na forma de jogar, não tem a menor idéia do que é a realidade do futebol brasileiro. No Uruguay não se joga mais do que 45 partidas oficias num ano. Isso, levando em conta o campeonato local, a Libertadores e a Sulamericana. Lá não tem uma copa nacional (como a Copa do Brasil) nem campeonatos estaduais. Aliás, lá não tem estados nem províncias. O Uruguay não é uma federação, é uma república unitária. Aqui, o Atlético - que não disputou a Libertadores nem disputa a Sulamericana - jogará 70 partidas oficiais. Já vimos como foi a fraca pré-temporada da turma do Carrasco. Os jogadores cansavam no segundo tempo, houve muitas contusões. Não bastasse, ele não sabe diferenciar CRB de ASA ou Natal de Fortaleza. Até sei que ele aprecia um bom tinto, da uva tannat. Mas tem medo de se molhar Aceita passivamente ingerências na escalação. Aceita jogadores que não quer.  Não se impõe quando deve. Falar, depois de ser despedido, qualquer um fala...

    Quem entrar nesta tempestade não pode ter medo de se molhar

    A segunda opção dos torcedores (30%) é Émerson Leão. Que os bons despachos nos salvem dele! É trabalhador. Acorda de madrugada, marca treino para as sete da manhã. E mesmo maduro, já com cabelos brancos e sem nenhuma tintura, ainda é mal-educado. Briga com todo mundo! E custa caro! Afinal, só bebe brunelos de montalcino (a garrafa mais barata, nos restaurantes, está na faixa dos R$ 500,00). É disciplinador. E isso, neste momento, seria bom. Mas, sendo um homem brabo, quantos dias duraria como treinador? Enfrentaria o presidente? Ou daria apenas alguns latidos? Leão ruge ou late? As cuecas eram "dog"...

    Leão, um cabra macho!

    O grande Toninho (Antonio Carlos) Cerezzo é o quarto na preferência (9%). Cerezzo é filho do palhaço Moleza, celebridade na Belo Horizonte dos anos 1950/1960. Toninho, o Dureza, dividiu o palco com o pai até os 8 anos, na extinta TV Itacolomi. A dupla fazia tanto sucesso quanto o Atlético-MG, clube mais popular de Minas e onde Cerezo é um dos maiores ídolos.  A mãe, dona Helena Robattini Cerezo, era atriz de televisão, cinema e circo. Ele nasceu para ser um astro dos palcos. Mas o roteiro da vida indicava outro caminho. Aos 8 anos, em 1963, Toninho perdeu o pai, vítima de um câncer. E tudo mudou. Mudou porque Moleza era famoso. E só. Não tinha grana. A mãe, de origem húngara, que havia abandonado os circos da família Robattini (dentre eles o Circo Garcia, famoso na época) pra ficar com o Moleza, não quis voltar à vida circense. No barraco que o palhaço deixou, com uma pensão miserável, teve ajuda da maçonaria e criou o menino. Fez dele um astro. Do futebol! É um belo exemplo de vida. Que o grande arquiteto do universo nos distancie de Cerezzo! Mineiro, paciente, tranquilo, zen, fala mansa, é muito calmo. Apesar de ter jogado na Itália e conhecido bons vinhos, não serve! Neste momento, é preciso mais que "mineirice"...

      Dureza, Helena Robattini e o palhaço Moleza

    O menos votado (8%) da pesquisa é o Alberto Valentim. Quem é ele? Alberto, aquele que foi nosso ídolo. Um grande lateral-direito. Agora com sobrenome, 37 anos, mineiro de Oliveira, é assessor especial do Petráglia. Andou se preparando - aqui e no exterior - para ser treinador. Nesta terça, comandará o time no gramado. Será auxiliado, no alto do camarote, pelo Professor Drubscky. Do jeito que está, pior não fica! Eu daria meu apoio a esse moço. Apostaria nele! Alberto foi um bom jogador. Tem muito mais experiência que o Jorginho. Jogou dez anos na Europa, todos na Itália, terra de ótimos tintos. É articulado. Tem educação e recursos intelectuais, certamente não chamará seus jogadores de "fedidos". Taí! Eu daria uma chance a ele, que vestiu com dignidade a camisa rubro-negra.

    "Professor" Alberto Valentim do Carmo Neto

    Que venha o vinho da casa!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 23h56
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    O burro, a mula e o dono!

    De dar dó! De enrubescer até o mais velhaco dos malandros da noite! De envergonhar o mais pilantra da gang da meia-noite! De constranger a mais descarada das prostitutas da madrugada! De fazer padre atleticano suspender a tradicional missa da manhã de domingo! De cancelar o churrasco com os amigos ao meio-dia! De ficar uma semana sem sair de casa!  De fazer me lembrar do bloco dos presos no carnaval carioca (dos anos 1970/1980) que - liberados na quarta-feira de cinzas - saíam em desfile. O nome do bloco era "O que é que eu vou dizer em casa?". Ainda bem que neste momento estou morando sozinho em Curitiba. Se não estivesse, não saberia o que dizer ao chegar em casa. Na saída do estádio encontrei vários conhecidos e amigos atleticanos, todos irritados, desapontados, envergonhados. Perdemos mais uma e em casa. Há quantos anos o Atlético não perdia duas partidas seguidas como mandante? A chegada ao estádio foi normal mas havia um engarrafamento, mesmo uma hora antes. Cheguei a me auto-enganar, pois pensei que o estádio iria lotar, que a torcida estivesse entusiasmada depois da vitória de Guarantinguetá. Mas a agente de trânsito parnanguara logo me explicou que era por causa de um encontro de motoqueiros, que a cidade estava cheia de motos, ela mesma pilotando uma. Depois de muito procurar, com a inflacionada (pelos motoqueiros) taxa de R$ 20,00 pela vaga, consegui estacionar. Foi numa rua sem saída, na garagem da proprietária, "trancando" a saída do carro dela. Pagamento adiantado, claro, que ela dividiu com seu agenciador, um rapaz muito atencioso e feliz. Até hoje eu pagara apenas a metade pelo estacionamento. Mas, como desta vez o carro ficou na garagem alheia, respeitei a "propriedade privada" e nem reclamei.

    A novidade da partida foi o trio de arbitragem. Um árbitro e duas auxiliares. Duas mulheres como "bandeirinhas". Gostei! Não só pelo fato de ver duas mulheres auxiliando o árbitro neste esporte ainda machista e preconceituoso, mas porque ambas foram muito bem. Trabalharam muito bem. Não se intimidaram, foram muito firmes em suas marcações. Enfeitaram a tarde (não conheço nada que enfeite mais uma tarde, uma noite, um dia e noite, do que uma mulher; duas, melhor ainda) e trabalharam de forma a causar inveja a muito marmanjo com anos de experiência e distintivo da FIFA. O jogo começou, o Atlético jogou com equilíbrio o primeiro tempo (o que, aliás, vinha acontecendo com freqüência). Normalmente nosso treinador desequilibrava o time no intervalo ou logo depois dele. Contra o Vitória fizemos um bom primeiro tempo, aí no intervalo ele tirou o centroavante (Tiago Adan) que segurava dois zagueiros. O adversário veio pra cima e fez o gol. Então ele percebeu a burrada e, depois de estar perdendo, recolocou um centroavante - o Fernandão (também conhecido por "Parede"). Em Campinas, mesma coisa: no intervalo sacou o Tiago Adan e o Guarani liberou um dos zagueiros e tirou um dos volantes. Por acaso fizemos um gol de cabeça com o baixinho Harrison. Quando o time campineiro virou para 2x1, ele colocou um centroavante de novo (o Parede outra vez), mas tirou o Harrison e ficamos sem armador. Lá em Guaratinguetá, mais uma vez ele substituiu o Tiago Adan, o time local liberou um zagueiro e tomamos um sufoco, quase eles empataram. Hoje, quando o São Caetano fez duas substituições e resolveu atacar mais (o jogo estava 0x0), o nosso treinador cometeu a sua última e derradeira burrice e sacou os dois armadores: um (Henrique) virou ala; outro (Felipe) foi substituído por mais um centroavante. Naquele momento passamos a jogar sem armador,  mas com quatro atacantes, dois deles centroavantes (Marcão e Tiago Adan). O treinador adversário percebeu o "buraco" no meio de campo e foi para o ataque. Assistam o "teipe" do segundo tempo e verão que nosso time desequilibrou-se a partir dessas substituições, em seguida levamos o gol. E o que fez Jorginho? Bem. Aí ele "voltou atrás", tirou um centroavante (Marcão) e colocou um armador (Elias). Chega, Jorginho! Burrice tem limites! Paciência, também! Como diz o meu amigo Paulo Fernando da Silva, "Jorginho é treinador de time pequeno, é medroso!" Medroso e burro! O primeiro sinal de burrice foi, logo na estréia, chamar de "time de fedidos" aos seus próprios jogadores. A última, foi jogar com dois centroavantes e nenhum armador. Tchau, Jorginho!

    "Deu pra ti!", diriam Kleiton e Kledir

    A propósito, nunca vi um clube valorizar tanto um treinador. Ele chegou, chamou de "fedidos" aos seus jogadores, disse que jogador de 20 anos "não resolve" (Pelé tinha 17 anos na Copa de 1958; 21 na de 1962), pediu jogadores, sugeriu contratações. Em pleno campeonato o clube abriu o cofre, foi às compras, pagou caro, trouxe uma dezena de jogadores (Maranhão, Renato Chaves, Saci, João Paulo, Derley - a mula -, Henrique, Felipe, Elias e Marcão). E o resultado é esse: duas derrotas seguidas em casa e um jogo "entregue de bandeja" ao Guarani. Na sua contratação, escrevi aqui, no post "Salve, Jorge!", do dia 27/06, que ele fora campeão da B nacional pela Portuguesa, mas fora ele também rebaixado com a Portuguesa para a B do paulista. Vá, Jorginho! Siga seu destino! O de ser técnico de time pequeno! E as tais contratações? Sem um outro volante, João Paulo (o melhor deles até agora) quase morre dentro de campo. Tem que fazer tudo: desarmar, organizar, até dar passe dentro da área pro Marcão fazer (e ele não fez!). Mas o Derley não é volante? Não! Em quatro jogos Derley mostrou que não é nada. Tem muita vontade e pouco futebol. A mula do meu avô materno, o "Vô Alfredo" trabalhava muito, andava muito, carregava muito. Mas era apenas uma mula! Nada além de uma mula! Os laterais Maranhão e Saci já estão no departamento médico. Felipe é bom de bola, mas nas duas vezes em que atuou - contra Guaratinguetá e hoje - "botou a língua de fora" no segundo tempo. Henrique que era pra ser meio-atacante parece que joga mais como ala. Elias é bom de bola, mostrou isso nos poucos minutos em que jogou. Marcão? Mais um de salário alto pra perder gols. Se for pra fazer o que ele fez, a torcida agradece e prefere Marcelo e Tiago Adan. Alias, a nação rubro-negra merece mais dedicação, mais garra, mas raça, mais vontade, mais suor!

    Pelé, revelação na Copa de 1958, não jogaria no time de Jorginho

    E o dono? Depois da entrevista de Guaratinguetá, em que o Petráglia disse achar difícil subir este ano, é de se pensar. E pensar muito! Será que não querem subir este ano porque não teremos estádio pronto para o Brasileiro de 2013? É preciso esclarecer isso o mais rápido possível. Os atleticanos não podem ser enganados. É pra subir ou é apenas pra armar um time pro ano que vem? O novo técnico, seja quem for, vem pra colocar o time no G-4 ou para preparar um time para a Série B do ano que vem? Vem um "técnico-aposta" (como Carrasco), um "técnico-acadêmico" (como Drubsky), "um técnico-campeão" (como Jorginho)? O que vem por aí? Seja quem for, é preciso esclarecer para o quê vem. E é óbvio: se Jorginho era "campeão", o próximo tem de ser muito mais do que isso!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 23h02
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    Onze!

    Onze em campo. Para cada lado. Onze anos. Onze anos depois, nos reencontraremos neste sábado com o São Caetano. Foram 4x2 aqui (clique aqui e relembre os melhores momentos daquela histórica partida); 1x0 lá. Ganhamos as duas. E, assim, em 2001 fomos campeões brasileiros. Quem esquece? Ninguém! Mas amanhã não é aqui e nem lá, é em Paranaguá! Não tem Kleber nem Alex Mineiro; não tem Flávio nem Gustavo; não tem Kléberson nem Adriano. Tem Wéverson e Manoel; João Paulo e Felipe; Paulo Baier e.... E? E mais ninguém! Que triste ver essa camisa sendo usada por "jogadores" como Derley e Fernandão. É triste saber que "contratamos" essas duas coisas. Uma, com todo respeito, parece uma "mula"; a outra é uma parede. Sim, pela ordem: Derley é uma mula (as mulas que me perdoem); Fernandão é uma parede. Mula sem arreios e parede sem reboco. Dá vontade de prender quem contratou. Duas inutilidades! E eu sei que não estou escrevendo nenhuma besteira, assim como sabia que Nieto, Morro e Pedro Oldoni para nada serviriam...

    O time campeão brasileiro de 2001

    Mas a realidade é outra. Estamos na Série B. E amanhã estaremos lá em Paranaguá. Não para vaiar. Eu não vaio nunca! Posso até deixar de aplaudir. Mas gasto minha energia até o fim. E amanhã, em Paranaguá, vamos em busca de mais uma vitória. A Carta Régia de 29 de julho de 1648 transformou Paranaguá em município. É o município mais velho do Paraná, que domingo completou 364 anos de emancipação. Ultrapassado o inferno astral da cidade, que ela nos ajude a subir na tabela.

    O município mais antigo do Paraná

    As chances continuam existindo. Por isso não gostei da entrevista do presidente. Petráglia andou falando, lá em Guaratinguetá, que está muito difícil subir. Ora! Faltam dois terços do campeonato. Das trinta e oito partidas, disputamos somente treze. Jogar a toalha? Já? Atleticano - está no hino do clube  - não joga a toalha jamais!

    À tradição vigor sem jaça
    nos legou o sangue forte
    Rubro Negro é quem tem raça
    e não teme a própria morte
    .

    E que amanhã nossos onze jogadores respeitem a camisa rubro-negra, como fez o garoto Henrique Leonardi - esse descendente de italianos de Tonadico (Trento) e de espanhóis de Málaga (Andaluzia) e Salamanca (Leão), que na época tinha sete anos de idade. E que já encarava a realidade, de frente pra rua, sem medo de nada, sem jogar a toalha, sem vergonha da camisa que veste, honra e ama!

    Henrique Leonardi, com a "10", hoje tem 18 anos e cursa o segundo ano de Direito em Ponta Grossa

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 17h06
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    Do Jorge Samek à extrema-esquerda

    Ontem ao meio-dia, enquanto esperava o voo para Guarulhos, desci até a Engraxataria do Afonso Pena. Quatro engraxates, três atleticanos, um paranista. Começávamos a falar do jogo da noite, contra o Guaratinguetá, quando entrou o Jorge Samek. Fazia tempo que não nos víamos, pelo menos uns quatro anos. Tomado pelos compromissos das funções que exerce já pelo terceiro mandato consecutivo, Samek é aquele amigo de ontem que já foi mais próximo e que hoje admiramos à distância. Foi líder estudantil, dirigente da associação dos agrônomos, vereador de Curitiba, deputado federal. Há quase uma década é o diretor geral da Itaipu Binacional, cargo que ocupa desde os primeiros dias do governo Lula e para o qual foi reconduzido pela presidente Dilma. Sentou-se a meu lado, também para engraxar os sapatos, e conversamos superficialmente sobre a Itaipu, o Paraguay e a deposição de Lugo, o Paraná e as eleições municipais, a politização dos brasileiros do Sul, o Brizola e a rede da legalidade, o sistema de saúde e o preço da soja. Mas conversamos também e, principalmente, sobre o que nos une sem nenhuma divergência: a paixão pelo Clube Atlético Paranaense, que muitas vezes nos proporcionou encontros memoráveis nas arquibancadas do velho Joaquim Américo. Samek também acha que temos chance e vamos subir ainda este ano.

    Em seguida tomei o voo da GOL para Guarulhos (R$ 168,94, em seis vezes, passagem comprada em março, quando saiu a tabela do campeonato). No avião encontrei o Paulo Fernando da Silva, empresário curitibano que tem ido também a todos os jogos do Atlético nesta Série B. Em Guarulhos chegamos as 15h10, dividimos a locação de um automóvel (R$ 99,22 para cada um) e entramos na Ayrton Senna. E - com trânsito lento na parte final da viagem, na Dutra, em razão do movimento dos caminhoneiros - antes das 18h00 estávamos em Guaratinguetá.

    Na cidade do Vale do Paraíba nos hospedamos no Hotel O Paturi, que existe desde 1955 e ainda é dirigido pelos seus fundadores, os octogenários Georges Simon Ligot e Madeleine Louise Ligot, casal de franceses (ele de Le Mans, ela de Marselha). A diária é de R$ 110,00 em cada chalé. Depois do banho, não podíamos deixar de conhecer a gastronomia do local, cuja cozinha francesa também é ainda chefiada pelo mesmo casal. Patê maison, pato com laranja para um e pato com ameixa e maçã para outro, água mineral, coca-cola e café expresso, num total de R$ 85,80 para cada um, já incluída a gorjeta dos excelentes garçons Fernando e Nilton, ambos sãopaulinos. Eu acabei cometendo o sacrilégio de antecipar o vinho. Mesmo antes da vitória, tomei em homenagem à casa francesa o bordeaux  Barton & Guestier, da região de Medoc, safra 2008, 12.5% de álcool.

    E fomos ao futebol. Essa coisa da Rede Globo. Futebol de segunda, às terças-feiras, iniciando as 21h50, quando os trabalhadores já repousam para mais um dia de trabalho. O ingresso custou R$ 20,00 e não foi bem futebol o que vimos. Foi algo parecido. Eram mesmo onze para cada lado, com trio de arbitragem, bandeirinhas de escanteio e até gramado (de quinta categoria!). Os times, uma vergonha! Dá dó de ver o Furacão. Que tristeza! O time - ainda que desordenado, desorganizado, sem nenhum esquema de jogo - conseguiu criar (e perder) várias oportunidades de gol. O time adversário é fraco, paupérrimo, medíocre! Ganhamos porque o goleiro deles deixou passar a bola entre as pernas e não conseguiu segurá-la, só a alcançando depois que ela já havia entrado. Nem precisou de chip. Todos viram. Clique aqui  e veja você também o gol do Atlético. Gol! 1x0! E nada mais! Nada mais, além de outros gols perdidos. Do goleiro à extrema-esquerda, nosso time precisa melhorar muito! Esperemos que o time melhore, como hoje cedo melhorou o trânsito na Dutra e na Ayrton Senna, já sem o bloqueio dos caminhoneiros. Aliás, movimento comandado pelos autônomos, que obrigaram também os motoristas empregados (maiores beneficiados pela lei) a pararem. Depois do café da manhã, saímos as 08h00, paguei R$ 19,90 dos pedágios da volta (um na Dutra, de R$ 10,10 e quatro na Ayrton Senna, respectivamente de R$ 2,00, R$ 2,50, R$ 2,60 e R$ 2,70), as 10h00 já estávamos devolvendo o carro em Guarulhos, antes das 13h00 eu já estava em Curitiba. Pelo Furacão foram mais 1.200km e R$ 528,96 (o combustível custou R$ 45,00 para cada um)

    Felipe estreou bem, mostrou qualidade, mas cansou no segundo tempo

    Esperando que o treinador deixe de ser retranqueiro, e escale um time ainda mais ousado no sábado, que venha o São Caetano!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h00
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