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BRASIL, Sul, CURITIBA, Homem, de 46 a 55 anos, Livros, Viagens, Vinhos e Atlético Paranaense.



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    UM FURACÃO PELO BRASIL, blog passional de luiz carlos schroeder


    João Paulo dispara no Datafolha!

    Tenho medo de me transformar num torcedor chato, insatisfeito, reclamão, que vê defeito em tudo e passa a se associar com a "geração Arena". Eu sei que é uma associação criminosa. Uma espécie de formação de quadrilha contra os interesses do nosso time. Eu sou, como já disse outras vezes, do tempo das "meias furadas de Djalma Santos". Sou do tempo em que o nosso estádio era um verdadeiro estádio ecológico, com 13.000 lugares. Tinha até rio (Rio Ivo) que passava atrás das arquibancadas cobertas e muitas árvores (inclusive lindas araucárias) a enfeitar a curva do gol dos fundos. Sou do tempo em que qualquer vitória por 1x0 nos deixava muito feliz. Mas, confesso, que estou (quase) me entregando ao "bando dos chatos". O time não tem ajudado. Alterna, por exemplo, excelentes partidas (Avaí e Vitória) com péssimas atuações (Guarani e Guaratinguetá). Os jogadores parecem ora dormir, seja na chuva ou no sol quente, e ora estarem despertos - e espertos -, seja no sol de Curitiba ou na sombra de Salvador. Eu deveria estar feliz. Mas não estou!

    Nas arquibancadas superiores o visual é lindo, mas a visão do jogo deixa a desejar

    Não gostei da forma "dorminhoca" (lembram da boneca?) que o time entrou em campo. Alguns jogadores (como o pernalonga Botelho, de tantas alegrias) estranhavam a bola; outros atletas (como Marcão) se estranharam com o sol; alguns supercraques (como Manoel) decidiram mudar de posição; outros boleiros (como Luís Alberto) surpreenderam positivamente. Mas faltava vontade. Faltava raça. Faltava desejo. Faltava tesão. Jogamos contra um time fraco, sem nenhum brilho. Vi o Atlético jogar contra todos os times. Duas vezes contra o Guaratinguetá, pra mim a pior equipe do campeonato. Nosso meio-campo conseguiu passar 45 minutos sem uma única jogada de criação. Se Marcelo tiver um "lampejo", pode acontecer algo. E aconteceu. Ele entrou pela direita, driblou e cruzou. Elias (que estava péssimo) fez de cabeça. Nem vou falar dos gols perdidos, especialmente aquele que Marcão recebeu sozinho - de Maranhão -, pisou na bola e tentou colocar no canto esquerdo do goleiro. Mas o "guardião" (peguei essa época) mandou a escanteio. Também não vou falar do lance em que Marcão recebeu sozinho e, tendo Marcelo ainda mais só, ao invés de passar, resolveu mandar um balaço para o Marcelo - que nem teve tempo de ver a bola passar à sua frente. O 1x0, na primeira parte, foi lucro!

    O espaço dos visitantes (que não vieram) foi aberto para os mascotes e suas famílias

    No segundo tempo, tudo igual. Oportunidades perdidas com Elias, Marcão e Marcelo. E aí, com o Paulo Baier já em campo (que entrou a 15 minutos do fim) o time ganhou em criatividade. E, já depois dos quarenta minutos da segunda etapa, Marcelo teve mais um lampejo. Recebeu pela direita, entrou pelo meio, driblou, deu um belo passe a Felipe - que chutou. A bola bateu no poste esquerdo do goleiro e sobrou para Paulo Baier (impedido) fazer 2x0! Impedido porque "a trave é neutra", disse Manoel Caetano. Ora, a trave é neutra mas, jogando em casa, é nossa! Dois minutos, João Paulo, o melhor em campo, tomou a bola do adversário, correu com ela, deixou o Marcão numa posição privilegiada. O centroavante só teve o trabalho de correr para o gol e chutar. Depois, correr para o abraço e comemorar. 3x0!

    João Paulo, manteve o padrão

    A torcida saiu satisfeita. Apenas satisfeita. Não saiu alegre. Que daqui uma semana os atletas entrem mais antenados, com mais vontade, mais dedicação, mais determinação e consigam a vitoria contra o São Caetano. A vitória nos deixará confortados. O empate ajudará. A derrota será o fim. Nós, torcedores, faremos nossa parte. Estaremos lá em número superior à própria torcida do São Caetano. Se preciso for, compraremos ingressos destinados à torcida local e com ela sentaremos. Mas lá estaremos, gritando, berrando  e - com sol ou chuva - incentivando o nosso time.

    A torcida rubro-negra deixando o Ecoestádio

    À noite, em casa, já mais tranquilo e relaxado, o vinho.  A promessa continua sendo cumprida. Para cada vitória, um vinho. Hoje, um tinto chileno. O legítimo Marques de Casa Concha, Cabernet Sauvignon. safra 2008, 14,5% de álcool. Comemorei a vitória e a pesquisa. O Datafolha, na pesquisa sobre o desempenho das equipes da Série B, informa que João Paulo tem o melhor passe do campeonato. Em média, 43 passes certos por jogo.

    Paulo Baier marcou presença entre o vinho e a "taça"

    Faltam três, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 23h19
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    Parabéns, alemão da Linha Onze!

    Nesta quinta-feira, 25 de outubro de 2012, Paulo César Baier, completa 38 anos de idade. Nascido na Linha Onze, uma pequena colônia de agricultores descendentes de alemães, localizada a 24km da cidade de Ijuí, no Rio Grande do Sul, Baier ainda joga em alto nível e é ídolo de todos nós. Falar bem de Paulo Baier é "chover no molhado". Para a imensa nação rubro-negra paranaense, Paulo Baier é simplesmente o Maestro! E ponto!

    Parabéns, Paulo Baier!

    Feliz Aniversário, Maestro!

    Muito obrigado pelas alegrias que tem nos dado!


    (abaixo reproduzo um texto, publicado no início do ano passado, no site da fábrica de tratores Massey Ferguson)


    "Paulo Baier, homem do campo

     

    Tradição no campo começou com os avós, imigrantes alemães e agricultores, há mais de 60 anos

    Um dos maiores goleadores do futebol moderno, o meia-atacante Paulo Baier até hoje divide as atenções entre suas duas paixões de infância: a bola e a lavoura.

    Aos 36 anos, o jogador do Atlético Paranaense diz estar próximo de pendurar as chuteiras – mas já visualiza uma “aposentadoria agitada” em sua cidade natal, a pacata Ijuí, na região Noroeste do Rio Grande do Sul.

    O atleta acompanha de longe o dia a dia na fazenda, por telefone e via internet, mas qualquer folga ou período de férias é motivo para ir tratar pessoalmente dos negócios da família. O gosto pela agricultura é uma herança dos avós paternos, que chegaram ao Estado na década de 1950, vindos da Alemanha. Seu avô Alberto Baier, 88 anos, é um dos mais tradicionais agricultores da região. Mesmo com a saúde debilitada, ainda é comum vê-lo com uma enxada em mãos, ajudando os netos a arar a terra. “Hoje os tempos são outros, no início era uma dificuldade, porque a área era pequena e tínhamos pouca estrutura. Mas não perdi o gosto pela coisa”, diz seu Alberto.

    Colonizada por 18 etnias, Ijuí ostenta o título de Terra das Culturas Diversificadas. São dezenas de pequenas propriedades dividindo espaços ao longo da zona rural do município de 80 mil habitantes. A propriedade da família Baier, localizada entre a região das Missões e o Planalto Médio gaúcho, também é caracterizada pela diversificação.

    Beneficiadas pelo clima subtropical da região, as plantações de soja, milho, aveia, trigo e cevada enchem os olhos ao longo de 150 hectares. Com o jogador longe, quem supervisiona as atividades no campo é seu irmão Eder, 30 anos. Ao contrário de Paulo, ele abandonou a carreira no futebol ainda jovem. “Não iria me render bons frutos, ao contrário da lavoura”, compara.

    O árduo trabalho diário ganhou um reforço de peso no final do ano. A família decidiu ampliar sua frota de tratores, adquirindo um modelo MF 4297, da Massey Ferguson. “Era preciso mais força, mas com qualidade. Fizemos a melhor escolha”, comemora o jogador. A máquina está sendo usada especialmente na atividade de preparo do solo, plantio e colheita da silagem. Para comemorar a entrega do trator, a fábrica e a concessionária Redemaq promoveram uma entrega especial nas terras dos Baier.

    O novo modelo de 120 cv se uniu ao MF 85X e MF 290. O novo trator utiliza um motor de quatro cilindros AGCO Sisu Power turboalimentado. A força, a economia, o design moderno e o conforto são as principais características da Série MF 4200, lançada no mercado na faixa de potência entre 65 cv e 130 cv.

    Investimento na lavoura
    O jogador não esconde suas aspirações pelas coisas do campo. “Muitas vezes deixei de comprar imóveis em áreas nobres para ampliar nossas terras e a mecanização agrícola. Não me arrependo de nada, pelo contrário”, declara o experiente dono da camisa 10 e capitão do Atlético-PR.

    “Ele sempre gostou de dirigir o trator, desde pequeno, e sabe como é cada etapa da plantação e da colheita. É aí que a gente vê porque até hoje investe em agricultura”, comenta o pai do atleta, seu Elemar, de 64 anos.

    A pecuária, outra atividade iniciada pelos Baier há pouco mais de três anos e que ainda está em segundo plano, deve ganhar especial atenção nas próximas temporadas. Em uma área anexada à fazenda, são criadas ovelhas e 52 cabeças de gado holandês, destinados ao corte e à produção de leite. “A ideia é ampliar esse número para 100 bovinos”, adianta Baier. Diariamente, são produzidos 1,2 mil litros de leite, comercializados entre cooperativas de Ijuí e arredores.

    A vitoriosa carreira do jogador abriu portas para toda a família. A pequena casa de madeira deu lugar a uma residência robusta, com piscina e campo de futebol. Até os animais foram beneficiados com um gigantesco galpão de alimentação.

    A produção anual da colheita é de 45 toneladas de milho e 100 toneladas de soja, além de 2 mil sacos de cevada e outros 2 mil de trigo.

    Aposentadoria no Atlético
    Casado com Fernanda há 14 anos e pai de Paola, 8, e Júlia, 3, Baier mora em Curitiba desde o seu acerto com o clube paranaense. Um dos artilheiros da era do campeonato dos pontos corridos, também se destaca pelo poder de servir aos companheiros com passes precisos, principalmente nas bolas paradas.

    O experiente meio-campista está entusiasmado com sua passagem pelo Atlético. Ao final da temporada 2010, renovou seu contrato com o clube da Baixada por mais dois anos. Baier revela que pretende continuar e até, possivelmente, encerrar sua carreira no clube, não descartando a possibilidade de um dia ser dirigente. Um dos aspectos que mais o motivam é o reconhecimento do torcedor atleticano. “O carinho da torcida é muito grande e o clube possui uma estrutura invejável. Estou de bem com a vida”, diz.

    Futebol na lavoura
    A exemplo da maioria dos jogadores de renome do futebol brasileiro, Paulo Baier teve uma infância sofrida. Antes de se destacar nos estádios de grama bem aparada pelos quatro cantos do país, aprendeu a dominar a bola em descampados de barro e traves improvisadas à beira de laranjais, em Ijuí. Trabalhava pesado na enxada até o jogo começar e ainda tinha fôlego para correr.

    Em 1994, conseguiu uma chance no Esporte Clube São Luiz, clube pelo qual ganharia destaque na primeira divisão do Campeonato Gaúcho. “Eu morava a 28 quilômetros do clube, no interior. Às vezes não tinha dinheiro para o ônibus, então pegava carona”, recorda.

    Depois de algum tempo, Baier passou a residir nas dependências do clube. A rotina foi mantida por quatro anos até o meia assinar o seu primeiro grande contrato, com o Criciúma, em 2003. Foi o grande destaque do clube catarinense no Campeonato Brasileiro daquele ano, sendo então desejado por diversos clubes do Brasil. Na ocasião, acertou com o Goiás, onde foi o grande destaque no Brasileirão de 2004 e conquistou o prêmio Bola de Ouro da revista Placar. Baier iniciou sua carreira como lateral-direito e se adaptou à meia cancha com o passar dos anos. Jogou ainda pelo Palmeiras, Botafogo, Atlético Mineiro, Vasco da Gama, América-MG, Pelotas, Goiás e Sport."



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 16h33
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    Um fim de tarde sem o pôr-do-sol

    Lembro-me quando nas noites escuras da Toledo da minha infância, com suas ruas muito pouco iluminadas, eu sentava na soleira da porta da nossa casa e ficava a imaginar como era a  vida entre as estrelas. Eu sempre me metia na conversa delas. Falava com elas dos meus sonhos e desejos, dos meus planos e projetos, do futuro da minha vida. Nas noites nebulosas, eu não encontrava as estrelas, ficava sem minhas companheiras de fantasias, entristecia, ia deitar mais cedo. Há noites, como a de hoje, em que devemos deitar mais cedo.

    Lembro-me que na maioria daquelas noites sem estrelas, nas quais deitava mais cedo, na cama, quietinho, eu sentia o vento bater nas paredes, escutava o uivo da ventania querendo entrar pelas frestas da janela, ouvia o vendaval brigando para levar embora o telhado da nossa casa. Nessas noites, mesmo deitado e sem sequer abrir o olho, eu me enchia de forças para enfrentar a tempestade. Há noites, como a de hoje, em que devemos deitar mais cedo e enfrentar a tempestade.

    Lembro-me que após noites de céu tenso e carregado, depois da tempestade noturna, o dia amanhecia em festa e o sol nos despertava para mais uma jornada de alegria infantil. Era o mundo se colorindo de céu azul e sol brilhante, com cheiro de terra molhada e pão quente. Ninguém mais se lembrava da escura noite sem estrelas, cheia de raios e trovões. Há noites, como a de hoje, em que devemos dormir mais cedo, enfrentar a tempestade e, amanhã, acordar em festa.


    A capa de chuva da torcida é de plástico e custa R$ 5,00

    Eu nunca vi um furacão. O velho Mundo Novo, negro alto e magro que vivia em Toledo, descendente de escravos angolanos, dizia que em dias de furacão o céu ficava negro, se enraivecia e se vingava de todo o mal que os brancos faziam contra os negros. E ele afirmava que na África não havia furacão. Furacão era coisa que a natureza mandava pra “branco pagar”. Meu avô materno, o Vô Alfredo, descendente  de suíços, riu quando contei a ele as palavras do Mundo Novo. E foi logo me dizendo que em dias de furacão o céu ficava vermelho - de raiva dos capitalistas exploradores -  e se vingava de todo o mal que os ricos faziam contra os pobres. Até hoje não sei quem tinha razão. Eu nunca vi um furacão.


    A capa de chuva da polícia militar é impermeável e não tem preço

    Eu me lembro que gostava dos finais de tarde em que havia sol. Eu sentava na soleira da porta que dava para o Paraguai (eu aprendi desde cedo que o sol nascia pro lado da saída à Cascavel e morria pro lado da saída ao Paraguai) e ficava esperando a hora. No verão era melhor. Dava tempo de chegar da rua sem pressa, tomar banho, jantar e esperar a hora. Eu ficava ali, sentadinho, quietinho, sem contar para ninguém que estava esperando a hora. Era a hora do meu céu. Era a hora do pôr-do-sol. Era a hora em que o céu não tinha a cor do Mundo Novo nem a cor do Vô Alfredo. Nessa hora o céu era rubro-negro. Como era bonita a cor do céu quando o sol “morria” lá pras bandas do Paraguai...


    A capa só protege da chuva, não do assento molhado

    Hoje não teve Furacão. Nem pôr-do-sol. Hoje não teve jogo. Nem futebol! Hoje teve mais “aipódi”, “aipédi”, “emepetrêis”, “vídeoguêime”, essas coisas que a boleirada adora. Hoje à tarde, no Ecoestádio, tive certeza que os eletrônicos dominaram a concentração dos jogadores de futebol. Estavam concentrados desde ontem. Ontem à tarde começou a chover. Choveu a noite toda. A madrugada inteirinha. A manhã toda. Na hora do almoço. Até o jogo começar. Foi chuva que não acabava mais. E eles entraram em campo e jogaram como se estivéssemos num período de seca, sem chuva nem umidade. Jogaram como se estivessem no Barradão. Mas o Ecoestádio se chama Janguitão.


    Bandeiras encharcadas também tremulam

    Essa moçada não conversa entre si. Se conversassem, teriam jogado de outra maneira. Mal o jogo começou e eu - na minha profunda ignorância de torcedor apaixonado – fui logo dizendo ao Manoel Caetano e ao Narciso que o Marcão iria se consagrar. Era só chutar de longe, o goleiro rebateria, o Marcão golearia. Sabe quantas bolas chutamos no gol (“no” gol, não “a” gol) no primeiro tempo? Uma! De longe o João Paulo chutou uma, o goleiro mandou pra escanteio. Pensei que conversariam no intervalo. Não conversaram. No segundo tempo chutamos três: umo, o golaço de Marcelo; outras duas, chutinhos de Deivid e Elias. E pensar que eu aprendi desde minha infância que, com campo molhado, se chuta de longe porque a bola ficava lisa e pesada. E que por isso o goleiro rebate. Se ele rebate, dá escanteio ou rebote. E se dá rebote, é só faturar. Não chutamos, não houve rebate, não deu rebote, ninguém faturou. O goleiro deles nos carimbou!


    Luiz Carlos Schroeder e Manoel Caetano Ferreira Filho, com o uniforme especial do dia

    E a culpa não é de Deus, nem de São Pedro, muito menos do São Caetano. A culpa não é da chuva, nem do gramado do Malucelli, muito menos da visão futurista do Petráglia. A culpa não é do Weverton (que não pegou porque ninguém pegava aquela bola) nem dos técnicos Elias e Paulo Baier, muito menos do Marcão. Jogadores de categoria técnica sofrem no campo encharcado e centroavante (que é cargo de fazer gol e não de mostrar categoria) sofre para se locomover ali na zona do agrião, onde o gramado molhado se transforma quase num lamaçal deslizante. Tião de Campos podia ter enxergado. Se enxergou, não falou. Se falou, não ouviram. É muito “aipódi”, “aipédi”, ouvido ocupado, fone de ouvido, ouvido fechado. Não ganhamos, apesar do belo gol do Marcelo. E ainda tem gente que acha que ele é perna-de-pau. Verdade! Antes do jogo, encostei no alambrado e ouvi um senhor falar que o Marcelo faz gol, mas é “patadura”. O filósofo do “Bife Sujo” diria que esse tipo de afirmação é uma “injusticia al fútbol!” Hoje não tivemos vitória, nem Furacão, muito menos pôr-do-sol. A culpa pelo empate talvez seja da nossa torcida. Só existem, em Curitiba, dois mil e duzentos atleticanos sem medo de se molhar? Não acredito. Não acredito que sejamos tão poucos!


    Octávio Naspolini Neto, 13 anos, catarinense, vive com sua família em Salvador

    Esse menino aí da foto, o Octávio, esteve sábado passado no Barradão, demonstrando seu amor ao futebol. Octávio é torcedor do Criciúma (cidade onde nasceu) e do Bahia (estado onde vive), mas gosta muito do Atlético. Na falta de uma camisa do nosso time, usou a do Milan. Um desenho em vermelho e preto foi sua bandeira. Na vida de Octávio há um detalhe que emociona. Octávio, como seu irmão gêmeo, é autista. Hoje faltou gente como Octávio. Faltou torcida. Faltou grito. Faltou ganhar no grito. Na goela. No berro!

    (E o Narciso acaba de me ligar pra dizer que acabou a partida entre São Caetano e Ipatinga. Eles, como nós, empataram. Continuamos no G4. A sorte está conosco. Não podemos jogá-la pela janela. Não podemos desperdiçar as oportunidades que a vida nos dá!)

    Vamos subir, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h42
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    Sob a luz natural

    Os jogos foram marcados para as 15h00 porque o Ecoestádio não tem sistema de iluminação. É preciso jogar enquanto houver luz natural. Agora, com o horário de verão, poderíamos iniciar as partidas as 16h00. Porém, nesta terça, mesmo com o relógio adiantado em uma hora, o jogo contra o Guarani começará as 15h00. Ou seja: sob a luz e o calor do que, até sábado passado, era 14h00. É por isso, e muito mais, que o futebol a cada dia que passa perde público. E é exatamente o que quer a Globo. Quanto menos público nos estádios, mais público em frente da televisão paga. Sábado, contra o Guaratinguetá, o jogo será as 14h00, sol a pino, sol das 13h00. Uma vergonha!

    Sob o sol de Curitiba

    A previsão para a tarde desta terça é de tempestade. É prudente estar preparado, levando o boné e a capa de chuva. A torcida crê em muito mais do que apenas uma tempestade. A torcida rubro-negra acredita que nesta terça-feira haverá um Furacão no Barigui. Chovendo ou não, lá estaremos. É preciso incentivar o time, apoiar os jogadores e buscar mais uma vitória. Mais do que nunca são fundamentais os pontos dos jogas em casa. São quatro partidas em Curitiba (Guarani, Guaratinguetá, América-RN e Paraná). Se vencermos essas quatro partidas chegaremos aos 70 pontos e estaremos de volta à Primeira Divisão.

    Os namorados Junior Benunues e Amanda Camilo, de Itaberaí, interior de Goiás, atleticanos que nunca moraram no Paraná

    Quem sabe para o próximo sábado o bom senso prevalece e o jogo comece mais tarde. Eu sei, a culpa é da grade de programação dos canais pagos da Globo, que em véspera de segundo turno eleitoral precisa conciliar horário de verão, jogos da Série B e todos da Série A. Mas será um absurdo jogar e torcer debaixo do sol das 13h00, agora 14h00. É desumano para os atletas e uma maldade com os torcedores. Enquanto a seriedade não se instala no futebol brasileiro e nossos dirigentes continuarem na mediocridade, é assim que segue o baile. Portanto, com sol forte ou tempestade, façamos uma terça-feira de Furacão.

    Pra cima deles, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 20h48
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    Furacão varreu Salvador!

    Estou no avião, voltando pra Curitiba, e escrevendo este texto que vou publicar assim que chegar em casa. E estou voltando feliz. Foi diferente de tudo que se imaginou. O André aceitava o empate, mas achava que seria possível uma vitória. O otimismo do Cesar era um 2x1 sofrido. Seu filho Caio se contentava com um empate. Eu havia escrito na véspera que não contava com nenhum ponto na minha matemática e, no estádio, disse a vários amigos que qualquer resultado seria normal. Confesso que dizia isso para assimilar, inclusive uma derrota por goleada. Depois de uma manhã no Centro Histórico e um moqueca de siri mole no Yemanjá, duas horas de trânsito lento, em ruas estreitas, André e eu deixamos o carro nos fundos de um “barracão” (R$ 10,00), caminhamos uns 1.000 metros a pé, compramos rapidamente o ingresso na bilheteria de visitantes. Orientado pela bilheteira paguei R$ 20,00 pelo meio ingresso (“pra que pagar inteira se ninguém fiscaliza”, disse ela).

    Em frente ao Palácio Rio Branco, na cidade alta

    Entramos no estádio, com portão exclusivo para visitantes, quando o jogo já estava em andamento há dois minutos. Logo nos primeiros momentos, falei aos que estavam ao meu lado, dizendo que me encontrava duplamente surpreso. Primeiro pela tranquilidade do nosso time, que não se mostrava pressionado com as mais de 30.000 pessoas (28.314 pagantes) presentes ao estádio e torcendo pelo time baiano. Segundo, pelos chutões da equipe adversária, fazendo as tais “ligações diretas” entre defesa e ataque. O Vitória não trabalhava a bola no meio de campo, coisa que o Atlético fazia com um belo toque. Criamos boas jogadas e tivemos várias chances, como o chute desperdiçado por Deivid, a cabeçada de Cléberson, o tiro livre de Elias no travessão. Tomamos um susto (o nosso goleiro mais ainda) no gol que eles fizeram e não valeu, pelo impedimento de quem pegou o rebote.


    Mais de 30.000 pessoas no Barradão

    Na minha opinião de torcedor – e não de um expert – no primeiro tempo faltaram duas coisas ao time: que Elias olhasse mais para os lados (e teríamos aproveitado melhor algumas jogadas de ataque) e que Manoel não insistisse tanto em ser o “novo Gamarra” (aquele zagueiro que não faz, mas sofre falta). O árbitro não caiu na conversa do nosso zagueirão e ele (Manoel) quase nos complicou por três vezes, sempre esperando que fosse marcada uma suposta falta que estaria sofrendo.

    Manoel, o comandate da zaga

    Começou a segunda parte do jogo e, quando todos esperávamos um sufoco, logo aos dois minutos, Henrique lança Elias, que dribla o primeiro, entra na área e chuta com o “pé direito”, no cantinho. 1x0! E, então, todos pensamos: agora vem o sufoco. O sufoco não veio. O Atlético continuava mandando no jogo, até que o pernalonga Pedro Botelho esqueceu o que aprendeu na Europa e resolveu se lembrar daquele curso de ator. Ao invés de preferir fazer o segundo gol, optou pela cena do pênalti inexistente. O juiz também não caiu na conversa dele. Cartão amarelo. Como já tinha recebido um, veio o vermelho. E perdemos um jogador quando ainda tínhamos mais de meia hora de jogo. Agora vem mesmo o sufoco, concordamos todos. E mais uma vez o sufoco não aconteceu. Ao contrário, o nosso time continuou dominando o jogo e – mesmo com um a menos – fez o segundo gol. Numa bela jogada de Marcelo, pela direita, que foi à linha de fundo e num pequeno espaço de terreno. Entre dois zagueiros, esperou o momento certo de cruzar. Marcão não desperdiçou: 2x0! E quando era de se esperar uma reação do adversário, o que vimos foi um Vitória perdido em campo, sem criatividade, apenas cruzando bolas na área que – desta vez – serviram para consagrar o nosso goleiro.

    Elias comemora a abertura do placar, aos dois minutos do segundo tempo

    Os grandes destaques da partida foram Elias (especialmente no segundo tempo), a desenvoltura de Henrique, o fôlego de João Paulo, a tranquilidade de Cléberson e as rápidas descidas de Maranhão. Não se pode esquecer que Marcelo foi super marcado (segurando sempre dois zagueiros) e Marcão se deslocou com facilidade. Enfim, um jogo de time grande. Com a cara de Primeira Divisão. Com o jeito e a coragem do Furacão! Time com personalidade, sabendo o que queria, encarando o rival na casa deles, com um jogador a menos por mais de meia hora. Técnica, tática, raça e determinação. É disso que o povo gosta!  Na verdade, é necessário reconhecer que o professor Tião de Campos deu um nó no Carpegiani. Povoou o meio de campo com três cães de guarda (Deivid, João Paulo e Henrique) e isso impediu a progressão do adversário. Ao Vitória só restava a “bola comprida” e a “correria sem rumo”. Parabéns, professor Sebastião Ricardo Drubski de Campos!

    O professor Tião de Campos

    É preciso destacar, também, a extrema tranquilidade e segurança oferecida à nossa torcida (éramos pouco mais de uma centena de atleticanos). Um bom número de policiais e dezenas de estagiários da escola de polícia estavam ao nosso lado. Ressalte-se, também, que em nenhum momento a torcida do Vitória fez qualquer menção de nos agredir ou sequer ofender. Nem mesmo quando vibramos pelos gols marcados ou quando uma sequência de passes de mais de um minuto calou o Barradão e nossas vozes se fizeram ouvir, aos gritos de “olé, olé”. Aliás, o baiano continua muito simpático, alegre, receptivo e festeiro. Mas os baianos também continuam com os velhos e maus hábitos de jogar lixo na rua, beber muito e urinar em qualquer lugar. Faltam banheiros públicos e uma boa política de limpeza pública.

    A questão do lixo jogado nas ruas continua muito séria em Salvador

    Mais duas horas para voltar ao hotel, no Rio Vermelho. Duas horas para tomar um banho, relaxar, sorrir sozinho e dizer como o Caio, ao final do jogo: “Esse time só me da alegria!” As dez da noite, André, Paulo Fernando e eu estávamos na casa local da churrascaria Fogo de Chão, agora de propriedade de um grupo de investidores norte-americanos. Lá, comemoramos a vitória com os garçons paranaenses, catarinenses e gaúchos. Mal sabíamos que àquela hora o outro gaúcho, o Paulo César Carpegiani estava se demitindo do Vitória. A passagem do Furacão, sem nenhuma sombra de dúvida, causou estragos na capital baiana.

    André Ricardo Guenzen, Luiz Carlos Schroeder e Paulo Fernando da Silva

    Como os garçons não podiam beber e os meus amigos não bebem, tomei sozinho uma garrafa do “Cateninha”, malbec argentino, de Mendoza, safra 2010, 13,5% de teor alcoólico. E faltam mais quatro garrafas. Desculpem-me... Faltam mais quatro vitórias, em sete jogos!


    Vamos subir, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 16h58
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    O furacão já está na Bahia

    Acordei cedo. O voo saiu as 08h58. Na conexão em Belo Horizonte, uma hora de atraso. A chegada em Salvador, que devia ter acontecido as 12h20, foi as 13h30. A passagem, pela GOL, eu comprei em março, quando saiu a tabela do campeonato. Paguei R$ 643,14, em seis vezes. D aeroporto - mais 40 minutos para receber as malas, ver o táxi mais caro do mundo (R$ 97,50 por 25km), desistir dele e substitiuí-lo por um carro alugado -, saí as 14h10. Levei, pela orla, exatas duas horas para chegar ao Hotel Mercure, no Rio Vermelho. Eu havia reservado o Íbis (2 estrelas). Ontem, porém, entrei na internet e vi que a diária estava em R$ 168,00. Mas que o Mercure (três estrelas), que fica ao lado, sairia por 138,60 se eu pagasse adiantado. Troquei de hotel.

    Dilma ou Lula, de quem é a culpa?

    O manobrista me disse que o trânsito estava todo engarrafado "por conta" de um comício com a presença da presidente Dilma. O pessoal da recepção, ao contrário, me disse que o trânsito está assim todos os dias e que a culpa é do Lula. Que por causa dele o povo melhorou de vida e comprou carro. A senhora de São Paulo, que estava ao meu lado no balcão, com seu olhar típico de classe média paulistana, olhou pra mim e disse que "essa gente agora deu de atrapalhar o trânsito e transformar nossos aeroportos em rodoviárias". Não sei o porquê, mas a paulistana me fez lembrar daquele alemão de bigodinho, que certamente colocaria "essa gente" no forno. Como eu preciso guardar todas as minhas energias para o jogo de amanhã - quatro da tarde, no Barradão, contra o Vitória -, nem discuti. Olhei pra ela, disse "É!" E tomei o elevador.

    Nesse setor, em que estão os dois rapazes em pé, sentará a torcida do Furacão

    A partida de amanhã é das mais difíceis. Voltei ao Nordeste, uma semana depois, com seis pontos a mais na algibeira. Sexta ganhamos do ABC, lá em Natal (1x0); terça ganhamos, em Curitiba, do catarinense Avaí (3x1). Eu confesso que, na minha previsão, não tem nenhum ponto ganho contra o Vitória. Um empate será um excelente resultado. Uma vitória, um pé no G4! O jogo, como todos sabemos, será uma guerra. O Vitória quer  antecipar ao máximo sua classificação e buscará o melhor resultado. O gaúcho Paulo César Carpegiani não brinca em serviço e mandará seu time nos atacar desde o primeiro segundo de jogo. Vamos ter que aguentar muita pressão do rubro-negro baiano. A propósito de pressão, Vanessa me ligou agora e confirmou presença no jogo. É uma atração a mais.

    Vanessa Rangel, a musa do Vitória

    O calor nem é dos piores. À tarde, no horário de mais calor, fazia 28 graus. A sensação térmica, em razão da umidade, era de pouco mais de 30 graus. Esperamos que nossos jogadores mantenham o ritmo das três últimas partidas.

    Pra cima deles, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 17h35
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    A ansiedade

    A ansiedade é um sentimento de apreensão desagradável, vago, acompanhado de sensações físicas como vazio (ou frio) no estômago (ou na espinha), opressão no peito, palpitações, transpiração, dor de cabeça, ou falta de ar, dentre várias outras. A ansiedade, marcada por essas características biológicas do ser humano, sempre antecede momentos de perigo real ou imaginário. Há equipes de futebol que entram em campo ansiosas. Com  medo de perder, querem fazer o segundo gol antes de terem feito o primeiro. Parece que o Atlético, neste campeonato, já superou esta fase.

    Quem anda com muita ansiedade, indo com muita sede ao pote, roendo unhas e dedos, é a torcida atleticana. Ontem foi fácil perceber isso. A torcida quer o gol em instantes, quer o segundo gol de imediato, quer uma goleada ainda no primeiro tempo. A torcida não admite o menor erro, não aceita um pequeno deslize, não está dando fôlego aos jogadores. Nesta fase do campeonato, um ponto atrás do G4, o torcedor do Furacão está muito mais nervoso que os jogadores. É preciso ter calma. Muita calma. Os jogadores precisam de tranquilidade, ao menos na primeira metade do primeiro tempo. A ansiedade não nos levará ao primeiro gol. A tranquilidade permitirá aos jogadores fazerem na prática o que treinaram na véspera.

    Ontem, na minha opinião (também comungada pelo meu companheiro de Janguitão, o professor de direito Manoel Caetano), o Atlético teve uma de suas melhores partidas. Iniciou o jogo com tranquilidade, muito apetite e excelente criatividade. Paulo Baier estava em campo e, quando ele está, tudo fica mais fácil. Um ou dois toques do maestro facilitam as coisas. A experiência e a inteligência desse veterano jogador permitem atalhos, o que não é muito comum para a maioria dos jogadores. Paulo Baier é o que os "comentaristas" costumam chamar de "jogador diferenciado". Pois bem. Mesmo o Atlético jogando bem e criando oportunidades, o torcedor estava nervoso e irritado, querendo o primeiro gol em segundos. E então Maranhão apanhou o rebote na saída da nossa área, tocou por elevação para Marcão, este para Henrique, que passou para Paulo Baier. O maestro, com um leve e sutil toque em profundidade deixou Marcão na cara do gol. Marcão viu Marcelo ainda mais livre e deu um presente ao goleador. 1x0! Uma jogada trabalhada - de forma coletiva como é e sempre deve ser o futebol - que resultou no que os antigos chamavam de "uma pintura de gol". Uma obra de arte!

    Albari Rosa/ Gazeta do Povo / Marcelo comemora com Paulo Baier o gol que abriu caminho para o triunfo rubro-negro: armador foi decisivo

    (foto de Albari Rosa - publicada na página da Gazeta do Povo)

    O gol, comemorado na foto por Marcelo e Baier, acalmou a torcida. Mas a tranquilidade não durou muito. Apesar de novas chances criadas, o Atlético não fez o segundo. E, numa bobeira da zaga, o Avaí empatou. Não gosto de "achar culpados", mas sempre sinto que o nosso goleiro se posiciona mal e sai muito mal do gol. Depois do empate, a irritação voltou às arquibancadas. Já estavam alguns a pedir a substituição de Henrique, outros a chamar Paulo Baier de "velho", quando Saci tocou rapidamente para João Paulo, este em um toque para Henrique, que também num só toque passou a Paulo Baier. O maestro, para dar continuidade à música, deu um toque apenas para João Paulo, que mandou a bola no ângulo superior esquerdo do goleiro Moretto. 2x1! E a torcida se acalmou.

    Albari Rosa / Gazeta do Povo / João Paulo comemora com Paulo Baier o segundo gol atleticano diante do Avaí

    (Em outra foto de Albari Rosa, Paulo Baier e João Paulo comemoram o segundo gol)

    No segundo tempo, quando a maioria ansiosa já começava a se manifestar, Ligüera (que havia entrado no lugar de Paulo Baier), tocou para Marcelo, que driblou o zagueiro, foi à linha de fundo e cruzou para Marcão (cercado por três zagueiros) tocar a bola entre as pernas de Moretto. 3x1!   E o Moretto? Futebol é assim mesmo. Há quase sete anos atrás, em janeiro de 2006, assisti em Portugal ao clássico entre Benfica e Sporting. Naquela noite gelada de sábado, pleno inverno europeu, o Sporting venceu por 3x1, com dois gols do "Levezinho" (Liédson) no final do jogo. O goleiro do Benfica? Era o sul-matogrossense (nascido em Eldorado, ali do outro lado do Rio Paraná, pertinho de Guaíra) Marcelo Moretto. Vi esse rapaz jogar duas vezes. Nas duas ele perdeu por 3x1. Levou seis gols. Antes, no Estádio da Luz, em Lisboa, pelo valorizado campeonato português; agora, no Janguitão, pela segundona brasileira.

    Moretto, nos tempos de Benfica, defendendo pênalti cobrado por Ronaldinho Gaúcho, do Barcelona

    Mais três pontos na algibeira, chegamos a 55. Faltam 15 pontos. Precisamos vencer mais cinco das oito partidas restantes. E para comemorar a vitória, não podia faltar o bom vinho. Ontem, em homenagem ao Marcelo Moretto e a todos benfiquistas, tomei um tinto do Alentejo. Um Reserva 2006, D.O.C. Reguengos. Um legítimo Esporão, com 14,5% de teor alcoólico. Uma maravilha. Esse vinho, eu garanto, cura ansiedade!

    Faltam cinco, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 10h20
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    Até debaixo d'água!

    O jogo de hoje é o de nº 30. Os que acompanham o blog sabem que fui a 28. Só não pude comparecer - por causa da greve, período em que trabalham, dos policiais federais - ao jogo de Goianinha, contra o América-RN. Sobre essa ausência eu contei no post Um caso de polícia (federal)!, no dia 08 de agosto. Mas no último sábado estive em Goianinha. Depois do jogo contra o ABC, no dia seguinte, fomos conhecer a Praia da Pipa. E passamos pelo estádio, às margens da BR-101, distante 60km de Natal. Eu não podia deixar de registrar o fato e lembrar que aquele foi o único jogo ao qual não estive presente.


    Eu estive em Goianinha

    A praia da Pipa é uma espécie de Trancoso (BA) ou Visconde de Mauá (RJ). Além de muito bonita e frequentada por gente também bonita (o público é majoritariamente jovem), Pipa tem aquela aura esotérica, algo misteriosa, um tanto exótica. É onde os meninos se encontram para fumar, as mães para fazer "reiki" e as avós para usar suas roupas estilo "bicho-grilo". Há uma boa rede hoteleria e a gastronomia não deixa a desejar. Quem quer conhecer uma praia bonita e tranquila, deve ir à da Pipa, a pouco mais de uma hora de Natal.

    Pipa, uma das praias mais bonitas do Rio Grande do Norte

    Com a viagem a Natal, na qual utilizei milhas do programa Smiles e paguei apenas as taxas de embarque, já fiz 34.484km e gastei R$ 8.251,91. O orçamento que era de R$ 10.000,00 está ficando apertado. Espero não precisar uma "suplementação" muito grande. De qualquer forma, considero essa uma rica e interessante experiência. Acredito que quem é atleticano de coração e - tendo tempo e condições financeiras - deve fazer isso ao menos uma vez na vida. Em Natal reencontrei vários amigos que têm ido aos jogos desta Série B. Dentre eles, o Paulo Fernando da Silva que até agora esteve presente em todos.

    Caio, Cesar, Luiz Carlos Schroeder, André e Paulo Fernando

    Hoje, três da tarde, mais um jogo. Faltam nove. Destes, precisamos ganhar seis. São necessários ao menos 70 pontos para garantir a classificação. Talvez seja possível subir com menos. Mas, para garantir, precisamos de mais 18 (já fizemos 52). No jogo de hoje, contra o Avaí, mais três pontos estarão em disputa. Todos sabemos que o jogo será difícil, que o Avaí tem o costume de "pregar peças" ao Furacão. O time catarinense vem pra ganhar, pois ainda tem chanches de classificação. Cabe ao nosso time manter o mesmo espírito das duas últimas partidas. Maranhão, João Paulo e Paulo Baier voltam. As bandeiras rubro-negras tremularão daqui a pouco no Janguitão. A tarde será decisiva e colorida. Dia de atleticanos matarem o trabalho.

    Michele Toardik, atleticana até debaixo d'água

    Pra cima deles, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 10h17
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    "Del Rey" um tremendo jegue!

    Saí de Curitiba na quinta-feira as 20h30, com atraso de uma hora, porque chovia muito no Rio e uma pista do Galeão estava alagada. Minha conexão para Natal era as 22h10 e as 22h50 já sobrevoávamos o Rio de Janeiro por mais de 40 minutos, aguardando "na fila" a ordem para pousar. Uma vez em solo, uma surpresa: o avião que ia para a Natal estava aguardando a mim e mais uma passageira. De van, fomos levados à porta da aeronave. Quando entramos no avião a maioria dos passageiros - ali sentada por mais de uma hora, nos aguardando - olhou com aquela cara de "estamos atrasados por causa de vocês". Mas quando souberam quem era a moça, fizeram cara de "então, tudo bem". A moça que viajava comigo desde Caxias do Sul era personagem importante naquela viagem e conseguira fazer o voo nos esperar. A potiguar, que trabalha em uma empresa da serra gaúcha, estava viajando para, na sua terra, na sexta-feira (12), casar com um gaúcho que já viajara na véspera. E, assim, o voo - que era para chegar 01h10 - chegou ao Augusto Severo as 02h30 da madrugada de sexta-feira. No Hotel Majestic, em Ponta Negra, só cheguei as 03h30.


    Luiz Carlos Schroeder, com a lagoa e as dunas de Genipabu ao fundo

    Turquinha, ao contrário de mim, nem conseguiu sair de Belo Horizonte, só chegou a Natal as 10h30 da manhã da sexta-feira. Aproveitamos o resto do dia para enfrentarmos o congestionamento e irmos até a praia de Genipabu. Depois passear pela lagoa, praia e dunas de Genipabu (eu havia conhecido em 1975 e Turquinha não a conhecia), almoçamos lá mesmo, no Duda's Bar, uma deliciosa peixada ao molho de camarões. Com duas cervejas, R$ 33,00 por pessoa. Depois, enfrentamos o trânsito novamente, passamos pelo centro histórico e chegamos ao hotel no final da tarde. Deu para ter uma noção do crescimento de Natal nesses anos (eu havia estado lá pela ultima vez em 1988). A cidade está bem organizada, muitos edifícios (quase nenhum na orla, felizmente), várias grandes avenidas, não faltam hotéis e restaurantes. A lamentar, os buracos em quase todas as vias e o lixo acumulado em terrenos baldios, temas dos dois candidatos que disputam o segundo turno das eleições municipais.


    Turquinha, na praia de Genipabu

    À noite, em companhia dos paranaenses que moram no Recife, Cesar (pai) e Caio (filho), fomos ao "Frasqueirão". Ingresso de R$ 40,00, comprado após longa fila em uma das três bilheterias (não há bilheteria exclusiva para visitantes), entramos e encontramos quase uma centena de atleticanos, a grande maioria formada por paranaenses que vivem no nordeste. Reencontrei o empresário Paulo Fernando da Silva e o jornalista André Ricardo Guenzen, que me mostrou uma foto tirada à tarde, nas ruas de Natal. Foto de uma bandeira do Furacão em um carro, cujo proprietário é um curitibano que mora na capital do Rio Grande do Norte.

    O carro do atleticano que mora em Natal

    O Frasqueirão é um estádio pequeno e bonito, boas acomodações mesmo nas largas arquibancadas sem cadeiras, de excelente gramado e boa iluminação, se vê o jogo de pertinho. A partida começou tensa, o time da casa tentando pressionar o Atlético nos primeiros 20 minutos. Mas a pressão não deu resultado, a não ser um chute em cobrança de falta (que Weverton espalmou) e numa falta de comunicação entre zagueiro e goleiro (saiu muito mal e voltou correndo atrás da bola, como se ela uma galinha fosse), que poderia ter resultado num gol ridículo. O Atlético criou três reais oportunidades no primeiro tempo e fez 1x0 com mais um gol de Marcelo, desta vez de cabeça, aproveitando cruzamento de Henrique, após excelente passe de Derlei.

    Marcelo, que mesmo à noite enxerga muito bem, fez seu décimo-primeiro gol na Série B

    No segundo tempo o ABC foi ataque o tempo todo. Mas atacava mal, faltava habilidade a seus atacantes, que chutaram uma dezena de bolas e nenhuma a gol. Nosso goleiro não fez nenhuma defesa importante. O deles, ao contrário, fez uma bela defesa em chute de Elias, após jogada muito bem trabalhada pela esquerda, com Wellington Saci, Marcelo e Derlei. Tivemos duas outras boas oportunidades: um chute forte de Derlei e um chute com efeito de Ricardinho, ambos rentes ao ângulo superior esquerdo do goleiro.  O Atlético postou-se bem, foi firme na defesa, teve posse de bola e domínio da partida, soube fazer contra-ataques pelas dois lados do campo. Não comungo da idéia que o time jogou mal no segundo tempo. Era normal que o adversário viesse com tudo parta tentar o empate. E o Atlético tanto não caiu de produção que criou as três oportunidades com Derlei, Elias e Ricardinho. O que faltou foi efetividade. Mas isso tem faltado desde o início do campeonato. O Atlético cria, mas concretiza muito pouco.

    O simpático Frasqueirão

    De altamente positivo, a bela atuação de Derlei. Destruiu bem, deu passes de qualidade, tabelou, chutou a gol. Foi sua primeira boa atuação com a camisa do Atlético. Antes, ele tinha feito uma partida razoável contra o América-RN, naquele jogo que eu só assisti pela televisão, em Goianinha. Eu diria que a mula jogou com cabeça. E soube usá-la. O filósofo do "Bife Sujo", se estivesse vivo, certamente elaboraria uma tese, segundo a qual Derlei não é uma mula. Ele diria que Derlei, pela sua adaptação ao nordeste, é um jegue! Consigo "ver" o argentino dizendo "Del Rey, un tremendo jegue!".

    Reconhecendo que Derlei mereceu foto

    A vitória que a todos nos deixou feliz, foi comemorada em família. No sábado à noite, com a família do Cesar Aziul Nedopetalski (ele, a esposa Claudia e os filhos Caio e Clarinha), Turquinha e eu jantamos no imperdível Camarões Potiguar.  Além da excelente cozinha, o restaurante tem um agradável e bem-decorado ambiente. E comemoramos a vitória de dupla forma. Primeiro com um suave espumante nacional, um moscatel Nero.


    Em sentido horário, Clarinha, Caio, César, Luiz Carlos, Turquinha e Cláudia

    Em seguida, para acompanhar o jantar, o vinho. Tomamos um malbec argentino. Alamos, o vinho "pop" da Catena Zapata. Safra 2011, 13,5% de teor alcoólico. Caiu muito bem com o risoto de camarões e também com os camarões ao jerimum. E assim tem sido esta caminhada pela Série B. Aproveitando as viagens e os jogos para conhecer novos atleticanos, fazer amigos, construir relações.

    Faltam mais seis, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 09h31
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    Das dez últimas, a primeira!

    Ontem tomei um avião em Curitiba, as 14h00, voo da GOL. Mas ele não desceu em Caxias do Sul. Bem que o piloto tentou três vezes, mas era impossível visualizar a pista do aeroporto da segunda maior cidade do Rio Grande do Sul. Acabamos pousando em Porto Alegre. Quando ainda estávamos dentro do avião, um pequeno jato saiu da pista, "fechando" o Salgado Filho por algumas horas. De ônibus, subimos a serra. De Caxias do Sul a Nova Petrópolis, vim de carro. A minha chegada aqui, que era para acontecer as 16h00, aconteceu com quatro horas e meia de atraso. Meus compromissos foram adiados para a manhã de hoje e já resolvidos. Escrevo da bela, tranquila e acolhedora Pousada da Neve, onde me hospedei. Daqui a pouco saio de Nova Petrópolis e vou para Caxias do Sul, pouco mais de 30km de uma bela estrada, que mais parece um cenário europeu. As 15h20, se tiver voo, decolo para Curitiba. No início da noite, de Curitiba para o Galeão. Do Galeão para Natal, onde devo chegar 01h10 da madrugada.

    Nova Petrópolis RS Nova Petrópolis   Serra Gaúcha RS

    A primavera já enfeita as praças de Nova Petrópolis

    E, amanhã à noite, na capital potiguar, o primeiro dos últimos dez jogos. Ou a primeira das últimas dez batalhas finais. Ou, se preferirem, a primeira das últimas dez guerras que viveremos até 24 de novembro. Do frio do Rio Grande do Sul (aqui na serra gaúcha fez 9 graus nessa madrugada) para o calor do Rio Grande do Norte (para amanhã a previsão é de 30 graus, em Natal). Que o calor contagie o nosso time e repita a atuação com garra de determinação do sábado passado (de muito calor). Será mesmo necessário muita vontade e disposição para vencermos mais uma partida decisiva. Que seja a primeira das sete vitórias que ainda necessitamos.

    Em Natal, o sol sempre embeleza as suas praias

    O ABC luta para não cair. Vendeu caro a derrota (1x0), para o líder Vitória, no último sábado. Vai jogar tudo o que tem. Será um adversário dificílimo. O que não entendi - e me pareceu risível - é a justificativa para a ausência de Paulo Baier na delegação. Ele estaria sendo "poupado" para o próximo jogo, em virtude do calor e do pouco tempo de recuperação para a partida da próxima terça-feira contra o Avaí. Ora! Na noite de amanhã, em Natal, haverá menos calor do que tivemos sábado passado em Curitiba, quando o jogo começou as 14h00. E, ao que eu saiba, só poupa quem tem. e o que tem sobrando. E, pelo que me consta, ao Atlético não sobra, falta! Faltam 21 pontos na nossa contabilidade!

    Val, a musa do ABC estará lá no "Frasqueirão"

    O jogo será no acanhado "Frasqueirão", estádio do ABC. Se o Boca Juniors tem "La Bombonera", o ABC tem o "Frasqueirão". Lá, o estádio se parece a uma caixa de bombons; aqui - dizem - com uma frasqueira. E o ABC, fundado em 1915, tem esse nome em homenagem ao pacto de amizade fraternal assinado em 1903 por Argentina, Brasil e Chile. Amanhã, é preciso que o Atlético entre em campo com muito respeito ao adversário. Que jogue com firmeza, se mantenha sólido na defesa e esteja preparado para um jogo difícil. O jogo exigirá muita calma e paciência.

    Pra cima deles, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 10h44
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    Schumacher, neles!

    Sábado passado, mais ou menos neste horário (quase dez da noite), no Aeroporto de Guarulhos, conversavávamos - eu, meu cunhado Eduardo Maluf (diretor de futebol do Atlético Mineiro), meu amigo Paulo Fernando da Silva, João Alfredo Costa Filho (nosso vice-presidente de futebol), além do Dr. Luiz Sallim Emed  e do Marcio Lara (respectivamente 1º e 2º vice-presidentes do Furacão). Lamentávamos todos a nossa derrota em Bragança Paulista, quando chegou o Cuca (ex-atacante do Grêmio e atual técnico do Galo, eterno torcedor do Furacão) reclamando do fato de termos sido prejudicados pela arbitragem no primeiro gol do Bragantino. Naquele exato momento passou um rapaz alto (1,91 de altura), loiro, de olhos azuis e o Cuca, sem pestanejar, disse: "esse cara aí já foi nosso, depois vendido pro Udinese". Logo o Maluf - que à época era diretor de futebol do Cruzeiro - recordou que "ele fez o quinto gol contra o Cruzeiro naquele 5x4".

    O nosso Schumacher reapareceu esta semana

    Thiago Maier dos Santos, curitibano de 26 anos, é o nosso Schumacher. O sobrenome "Schumacher", em alemão, significa sapateiro. Naquele 06 de agosto de 2005, contra o Cruzeiro, ele deu uma sapatada, quando o jogo estava 4x4. Foi aos 45 minutos do segunto tempo. E decretou 5x4 para o Furacão! Quer conferir os nove gols? Clique aqui e se divirta. Pois é. Quis o destino (e "quiseram las brujas", como diria o filósofo do "Bife Sujo") que uma semana antes Schumacher, o sapateiro, reaparecesse. Ele está jogando no Volyn, da cidade de Lutsk, na Ucrânia. Contundido, veio se recuperar por três semanas em Curitiba, sua cidade. Antes de embarcarmos, ele que estava chegando da Europa fez questão de me dizer: "sou atleticano e acompanho tudo pela internet".

    Torcida comemorando no Ecoestádio (se o blog fosse comercial, juro que pagava "royalties" ao grande atleticano Joka Madruga)

    E hoje a história se repetiu. Contra um time mineiro, seis anos depois, metemos 5x4. E hoje foi muito mais dramático. Hoje foi aos 49 minutos do segundo tempo. No último segundo do jogo. Na última jogada. No último lance. No último chute. Dessa vez não foi um Schumacher. Hoje foi o homem da batuta. Hoje foi o maestro. O "velho" de Ijuí. Naquela terra não da apenas Dunga e Perondi. Em Ijuí tem também Eliezer Pacheco e Paulo Baier. Maestro Paulo Baier! Dia 25 fará 38 anos. Jogou todo o segundo tempo. Quando entrou em campo eram 15h00 e os termômetros marcavam 31 graus. No primeiro minuto do segundo tempo, em seu primeiro toque na bola (um só toque; um só leve toque), deixou Marcão na cara do gol. E Marcão empatou: 3x3! No seu último toque na bola, 49 minutos depois, a temperatura em 30 graus, o "velho", o "quase aposentado" Paulo Baier fez 5x4 para o Furacão. Quer ver os nove gols? Confira, clicando aqui!

    Baier, de maestro a rei!

    No jogo em si, muitas deficiências (especialmente na defesa, onde nossos jovens zagueiros tomaram um banho dos "velhinhos" Anderson e Fábio Júnior), alguns erros do Tião de Campos (como substitui mal o nosso "professor"), algumas bobagens (o recuo após a virada para 4x3). De outro lado, houve luta, dedicação, garra, vontade, desejo. Que não seja um tesão transitório. Que ele se manifeste nas próximas dez rodadas. Mas continuarei não entendendo a escalação de Daniel. Muito menos entenderei a sua substituilção, ainda no primeiro tempo (sem ter ele cometido uma falha sequer). Também não compreenderei jamais a entrada da mula no lugar de um atacante. Basta o time estar vencendo para o Tião mostrar seu eterno medo. Tião, você não é mais técnico do Tupy! Isso aqui é o Atlético Paranaense! Que feio é recuar sempre que está vencendo. Derley, a velha mula sem cabeça, não tem função. Na hora de ir pra cima e fazer mais um, matar o jogo, sai Marcelo (contundido) e entra mais um volante. E naquele momento tínhamos em campo Deivid e João Paulo. De bom, tivemos Baier, Marcelo, Elias e João Paulo.

    Com os dois de hoje, dez gols de Marcelo!

    Valeu pela raça! Lembro, apenas, que nossa defesa não sobe nas bolas altas, que nosso goleiro não sai, e que nossos homens de meio-campo não olham pro Marcão. Quando estava 4x4, em três lances, Marcão estava livre. Mas nossos ansiosos Elias, Saci e Mula preferiram chutar a gol - e erraram! Depois do jogo, ainda sem almoço, vim pra casa. Tomei um banho, comi uma maçã e festejei. Depois fui "almojantar" no Dom Carneiro. Lá, comendo o cordeiro da vitória, o Ubiratan me serviu um vinho especial.

    Bira, com estilo "a la Paulo Baier", me servindo o bom vinho

    O vinho, claro, foi da melhor qualidade. A ocasião pedia algo especial. Levei de casa um chileno, cabernet sauvignon, 14,5% de álcool, safra 2006. Sim! Um "Dom Melchor". Parecia um suco de uva. Uma maravilha!!! O vinho, bem que eu poderia ter dividido com o meu amigo Sidnei Machado, advogado e professor universitário. Ainda nesta semana ele me disse que estava "sem tesão para a política", mas que este nunca faltava quando o assunto era o Furacão!

    A ocasião pedia um bom vinho

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 21h55
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    A toalha, o tesão e o brilho no olho!

    Eu concordo com todos que dizem que não é hora de desistir. Que não é hora de jogar a toalha. Que a hora é de união. Que cada jogo é uma batalha. Aliás, neste campeonato, em momentos bem mais difíceis não perdi meu otimismo. Sempre acreditei na classificação para a Primeira Divisão. E continuo acreditando. Mas ninguém tapa o sol com a peneira. Ninguém esconde elefante em casinha de cachorro. Ninguém pode negar a realidade. A derrota contra o Goiás, nas circunstâncias em que se deu, foi triste e decepcionante. Ficou a sensação de que com um pouco mais de esforço o empate poderia ter sido alcançado. E com ele, três pontos a menos em relação ao Goiás. Mas a desanimadora derrota de sábado passado, em Bragança Paulista, foi muito mais do que um banho de água fria. Foi a triste constatação de que falta muito a esse grupo de jogadores que está vestindo a camisa do Atlético. Falta determinação. Falta vontade. Falta garra. Falta desejo. Falta tesão!

    Eu não joguei a toalha. A torcida rubro-negra não jogou a toalha. A imensa nação atleticana não jogou a toalha. Mas os jogadores deixaram a toalha cair. E fizeram isso mais de uma vez. E quem deixa a toalha cair corre sérios riscos. Não só o de ficar nu. Mas o de ficar sem a própria toalha. De encharcá-la. De sujá-la. Só há uma toalha. E ela deverá servir até o final do campeonato. Cada jogo não é mais uma batalha. Batalhas, se perdem e se ganham. Agora, cada jogo é uma guerra. E guerra não se perde. Quem perde a guerra é um eterno derrotado. Esperamos, todos, que esta semana de conversa, ensaio e treinamento tenha servido para ajudar a fazer um grupo com espírito vencedor. Neste sábado, no sol da Rede Globo (duas da tarde), saberemos. Vamos ver quantas camisas os jogadores terão de trocar. Vamos ver quem transpirará mais em nome da história e da tradição rubro-negra. Vamos ver quem correrá atrás da vitória como se estivesse correndo para salvar seu ser mais querido.

    Não há mais tempo para experiência. Não há mais tempo para análise. Não há mais tempo para contemporização. Muito menos há tempo para improvisação. É este o time. São estes os jogadores. O grupo é este. É com estes que vamos. E, mostrando raça e vontade, terão sempre o apoio da torcida. Sabemos da limitação técnica do time. Sabemos que é um time de segunda. Sabemos que esse não é um time de "encher os olhos". O que queremos não é classe, categoria e jogo bonito. O que queremos é disposição, garra e muita luta. Queremos que os jogadores honrem até o último segundo a camisa e a história do Clube Atlético Paranaense. Queremos brilho no olho!

    Pra cima deles, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 12h50
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    Churrasco do "Tchê", Cuca e pouca fome de vencer!

    O sábado estava lindo desde muito cedo. Saí de casa as 07h30, com um sol maravilhoso. Viajei para Guarulhos, voo das 09h00. Lá, o Paulo Fernando da Silva me aguardava (havia ido mais cedo) e dividimos o mesmo carro. Ao meio-dia estávamos na simpática Bragança Paulista. O dia continuava lindo. Almoçamos na Churrascaria Lago do Sul "Tchê", em frente ao belo lago da cidade. O proprietário - catarinense de Descanso, lá próximo da divisa com o Rio Grande do Sul e com a Argentina - é mais um daqueles rapazes que foi trabalhar em São Paulo, como garçom de churrascaria, e fez a vida. De garçom na capital, virou dono de churrascaria no interior.

    Lago do Taboão, cartão-postal de Bragança Paulista

    Depois do almoço, sem pressa nenhuma, nos dirigimos ao estádio, que as 15h00 ainda não havia aberto os portões. Conversei com alguns torcedores atleticanos que vivem no interior paulista (Bragança Paulista, São José dos Campos, Taubaté, Amparo, Campinas, Guarulhos e Piracicaba) e com o Luiz (do Rio de Janeiro, que veio com a esposa). Todos, sem exceção, achavam o jogo decisivo para as nossas pretensões de clasificação e confiavam na vitória. Eu, como já havia escrito durante a semana, achava o jogo difícil, mas estava certo de que venceríamos. E meu palpite, muito embora eu não tenha contado a ninguém, era 2x1 pra nós.

    A feia entrada dos visitantes no Nabi Abi Chedid

    Público pequeno (pouco mais de 1.200 pagantes, dos quais quase duas centenas eram atleticanos), o jogo começou e vimos um Atlético tranquilo em campo, tocando bem a pelota, dominando o jogo, tendo a posse de bola e criando oportunidades. O Fernando Brito, de Campinas, logo disse que precisávamos fazer um gol o quanto antes para perturbar o adversário. Chutamos pouco e, quando chutamos, o fizemos muito mal. Logo no início tivemos um jogador, fundamental para as nossas jogadas de ataque, machucado. Saiu Maranhão e - inexplicavelmente - entrou Derley. A "mula", como sempre, não sabia se entrou como lateral, como zagueiro ou como volante. E o time adversário deitou e rolou pelo setor esquerdo do seu ataque, só não marcando gol porque seus atacantes "viviam" impedidos.

    Atleticanos em Bragança

    No finalzinho do primeiro tempo aquela reiterada, costumeira e previsível falha. Goleiro que não sai nem grita, defesa que olha, centroavante adversário que faz o gol. Se a bola entrou? Não sei, ninguém sabe, ninguém saberá. O bandeirinha correu pro meio de campo, o juiz marcou. Já vi as imagens da televisão umas dez vezes. E não vi a bola dentro do gol. Como também não posso afirmar que a bola não entrou. As imagens não conseguem mostrar a linha do gol nem a bola dentro. Mas, os atleticanos temos sempre uma desculpa. O Cuca, técnico do Atlético Mineiro, veio ver a família em Curitiba, na noite de sábado, vijando no mesmo voo de Guarulhos para cá. E, ainda na sala de embarque, assim que se aproximou de nós, foi dizendo "Já sei que fomos roubados". Alguém já tinha dito ao Cuca, torcedor do Furacão, que o juiz prejudicara o Atlético em Bragança Paulista.

    Tem que "abrir os olhos", diz Cuca

    No segundo tempo a história se repetiu. Dominamos o jogo, tocamos exaustivamente a bola, tivemos maior controle do balão, fizemos o gol de empate, mas perdemos várias oportunidades de liquidar a partida. Confesso que não entendi a entrada do Taiberson no lugar de Felipe. Mas quem manda é o Tião de Campos. No final, depois de muitas oportunidades criadas e perdidas, Manoel - o excelente zagueiro do Furacão - "furou" como beque varzeano. Cabeceou para o goleiro sem a força suficiente, deixou o adversário na "cara do gol". Este agradeceu e tocou na saída do goleiro. E assim perdemos mais uma. Para o Bragantino, time que está na zona do rebaixamento, perdemos cinco dos seis pontos disputados. Cinco!!!!!

    Manoel lembrou dos tempos da várzea maranhense

    A tristeza não é apenas perder. A tristeza maior é sentir que o time não vibra. A tristeza é, principalmente, perceber que os jogadores nem sentem a derrota. No aeroporto de Guarulhos, duas horas após o jogo, o clima era de total naturalidade. Jantavam e sorriam como se o time tivesse ganho a partida. Desculpem, mas não sinto esse time com vontade de ganhar a classificação e subir para a Primeira Divisão. Ao menos é essa a impressão que me passam os jogadores. E essa impressão me passam tanto dentro como fora do campo. Para os nossos profissionais, parece que não faz diferença ganhar ou perder.

    Delegação jantando após o jogo no restaurante do Aeroporto Internacional de Guarulhos

    No caminho de volta, de Bragança Paulista a Guarulhos, no rádio, ouvimos o treinador Wagner Benazzi do Bragantino falar sobre a vitória do seu time. Pois bem. O treinador do time que nos venceu, disse na rádio local que "o placar justo era no máximo o empate". Ou seja, perdemos para um timinho, cujo treinador achou que no máximo, por justiça, eles mereciam empatar. Algo mais a dizer? Nem o filósofo do "Bife Sujo" explica o que anda acontecendo com nossos jogadores. A verdade é que há um desânimo generalizado entre os torcedores. A falta de vontade de vencer, estampada no rosto de nossos jogadores, ainda vai acabar contagiando a grande torcida rubro-negra. Esperamos que, durante esta semana, ao menos mude o clima no CT do Caju. Que alguém se encarregue de reunir o elenco, de tentar uní-lo, de procurar fazer desse um grupo com vontade de vencer. Se continuarmos entrando em campo de "barriga cheia", não iremos a lugar nenhum. Muito menos voltaremos à Primeira Divisão.

    É preciso ter fome de vitória!

    (A minha indignação já escrevi ontem, no post intitulado "Eu sou atleticano!")



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 20h45
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