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BRASIL, Sul, CURITIBA, Homem, de 46 a 55 anos, Livros, Viagens, Vinhos e Atlético Paranaense.



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    UM FURACÃO PELO BRASIL, blog passional de luiz carlos schroeder


    A sentença

    Dia 27 de novembro de 1998. Ontem fez catorze anos. Nesse dia, então juiz do trabalho, proferi decisão numa ação trabalhista que envolvia o Furacão. A decisão foi nos autos 10.996/98, da 7ª Junta de Conciliação e Julgamento (hoje, 7ª Vara do Trabalho). A ação era movida pelo operário da construção civil Milton Batista dos Santos contra o Clube Atlético Paranaense. Naquele processo discutiam-se verbas decorrentes do trabalho prestado na construção da Arena da Baixada. Com o Atlético no coração, não podendo prejudicar os interesses do trabalhador, escrevi:


     

                                                       "TERMO DE AUDIÊNCIA

                                                       Aos vinte dias do mês de novembro do ano de mil e novecentos e noventa e oito, às 13:03 horas, na sala de audiências da 7a Junta de Conciliação e Julgamento de Curitiba, sob a presidência do Juiz do Trabalho, LUIZ CARLOS SCHROEDER, presentes os Srs. Rubens Boaventura Mendonça, Juiz Classista Temporário representante dos empregados, e  José Toaldo Filho, Juiz Classista Temporário representante dos empregadores, foram apregoadas as partes. Ausentes os litigantes, MILTON BATISTA DOS SANTOS e CLUBE ATLÉTICO PARANAENSE, impossibilitada ficou a derradeira proposta conciliatória, pois que o Juiz Presidente ponderou ao Colegiado o seguinte:

    a)    O cartão de visitas do Juiz Presidente o identifica como atleticano e nele inclusive traz impresso o mascote do clube - o cartola;

    b)    O veículo do Juiz Presidente, com o qual locomove-se diariamente de sua residência ao prédio do Fórum Trabalhista de Primeiro Grau, possui dois adesivos externos (um no vidro traseiro e outro no porta-malas) e um adesivo interno (no porta-luvas), todos demonstrando sua paixão pelo Clube Atlético Paranaense, acrescentando-se que o mencionado automóvel é acionado por chave de ignição, na qual está anexado um chaveiro do Furacão;

    c)    O microcomputador do Juiz Presidente, utilizado para a elaboração das sentenças, tem em sua tela de espera - automaticamente acionada a cada minuto sem movimentação do mouse - uma mensagem de elogio, amor e loucura pelo Atlético, além de ter impresso o escudo do clube no suporte do mesmo mouse;

    d)    Não bastasse, o Juiz Presidente comparece a quase todos os jogos do Rubro-Negro, demonstrando ser um atleticano dos mais apaixonados;

    e)    Ademais, o Juiz Presidente -, que é sócio do clube desde 1975 – atualmente é Sócio Ouro Construtor do melhor e mais moderno estádio de futebol em construção no país, a nova Baixada; e, por último,

    f)     Ao retornar ao seu apartamento, onde mora com sua filha  – uma adolescente simpatizante da Torcida Organizada “Os Fanáticos” -, diariamente o Juiz Presidente convive com objetos pertencentes à primogênita, dentre os quais espelhos, toalhas, camisetas, xícaras, copos, cálices, livros, canetas, fitas-cassete, fitas de vídeo, cd-rom, bandeiras, fotos e posters do Clube Atlético Paranaense.

                                            Assim, entende o Juiz Presidente não ter a menor isenção de ânimo para julgar ação que envolva o Clube Atlético Paranaense, dando-se por suspeito, por motivo íntimo (Parágrafo único, Art. 135, do CPC), razão pelas qual o Colegiado – abstendo-se a presidência - decide adiar a presente audiência de julgamento, aguardando-se o retorno da Juíza Titular, que se encontra em férias.

                                                   Para a sessão de  julgamento  e  publicação  desta  sentença,  designa-se  o  dia 25/01/99, às 17:58 horas.

                                                   Informe-se a Corregedoria do E. TRT da 9a Região, com cópia desta.

                 CIENTES as partes. Nada mais.

     

                                                   Luiz Carlos Schroeder

                                                        Juiz do Trabalho

     

    Juiz Classista dos Empregados                                                     Juiz Classista dos Empregadores"

     

    Esse amor sempre existiu, nunca acabará!

    Dá-lhe, Furacão!

     



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 08h03
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    A última batalha

    Passadas duas noites e um domingo inteiro, hora de falar um pouco sobre a última batalha. Eu já estava ansioso desde a sexta-feira pela manhã. Dormi mal, acordei cedo no sábado, estava com pressa, não tive fome nem sede. Assim fiquei até a hora de ir pro estádio. A torcida estava otimista, mas havia um certo temor. Temor reverencial, talvez, diante de um adversário para o qual não perdemos há vários anos. Tudo o que não podia acontecer era o Paraná Clube complicar nosso acesso à Primeira Divisão, quebrando o tabu logo agora. Estávamos todos certos da classificação, mas ninguém queria comemorar antes da hora. Afinal, como dizia  o Vô Alfredo, "ovo só existe depois que a galinha botar".

    Antes do jogo, o torcedor já roía as unhas

    A tempestade de 15 minutos, antes do jogo, não prejudicou o gramado. O time entrou em campo e logo mostrou que estava exatamente como a torcida: nervoso, ansioso, com muita pressa. Mas jogava bem, com vontade de ganhar. Perdeu várias oportunidades de gol. Marcelo participou de uma bela jogada, em triangulação pela direita, chutou forte. A bola desviou num adversário e ainda se chocou contra a trave. Mas logo depois, para a festa de todos, o zagueiro Cléberson fez o gol. Nossa preocupação era tanta que só vibramos depois que o bandeirinha iniciou sua corrida pro meio do campo. Foi o primeiro gol de Cléberson como profissional. E foi o gol da classificação. O gol mais importante do ano. O derradeiro gol atleticano no campeonato, o que nos garantiu na Série A.

    No intervalo, placar de 1x0, o torcedor estava mais descontraído

    No intervalo, estávamos terminando o campeonato em segundo lugar. O Criciúma não ganhava do Avaí, Vitória empatava com o Ceará, São Caetano e Guarani também empatavam. Para não nos classificarmos tínhamos que tomar dois gols e o São Caetano ganhar. E veio a segunda etapa. Começamos dando passe de calcanhar. E eu não gostei. Poucos gostaram. Numa falta desnecessária, seguida de uma desatenção da zaga e uma falha do goleiro, tomamos o gol de empate. O time demorou para reagir. Ao reagir, mandou uma bola no travessão. Depois, Marcelo sofreu pênalti e mostrou sua arrogância juvenil. Ele que em outro jogo já havia "brigado" com Elias porque queria bater um pênalti, dessa vez "teimou". Colocou a bola embaixo do braço, desobedeceu a ordem do banco e bateu no travessão. Que seja uma lição. Ser humilde, meu craque, não faz mal nenhum. Só faz bem. Pênalti é para especialista. Pênalti em jogo decisivo é para maestro.

    Marcelo vibrou antes da hora

    O pênalti perdido por Marcelo abateu o jogador. Abateu o time. Abateu o torcedor. A notícia do segundo gol do São Caetano, lá em Campinas, nos levou ao desespero. Bastava um gol do adversário e não subiríamos. O Paraná Clube se entusiasmou, veio pra cima do Atlético. Eles queriam botar água no nosso chopp, no nosso whisky, no nosso sagrado vinho. E aí entramos em pânico. Foram vários ataques deles. O goleiro Wéverton fez duas boas defesas. E - no pior momento - Cléberson, já no final do jogo, tirou de cabeça uma bola em cima da linha. Seria o segundo gol do time tricolor. Cléberson, o autor do gol mais importante do ano, fez a defesa mais importante do campeonato. Foi o homem do jogo. O craque da partida. O herói da batalha final!

    Albari Rosa / Gazeta do Povo / Jogadores da equipe principal, como o zagueiro Cleberson, devem atuar apenas no segundo turno do Paranaense

    Cléberson, 20 anos feitos em agosto revelação do ano, o herói da decisão

    E o sufoco durou até o último segundo. No fundo tivemos medo de sofrer o segundo gol. Medo de perder a classificação depois de uma campanha tão difícil. Medo de permanecer na segunda divisão. E não é vergonha dizer que tem medo. Mas esse medo nunca se transformou em covardia. Ao contrário,  a ousadia sempre foi maior que o medo. E foi pela ousadia de Tião de Campos - Professor Sebastião Ricardo Drubscky de Campos - que o time deixou de jogar "fechadinho" (diminutivo que combina bem com Jorginho). Foi com Tião de Campos que o time se impôs na cancha, readquiriu confiança, passou a receber novamente o respeito dos adversários. Parabéns, professor!

    O professor Tião (Ricardo Drubscky) de Campos está feliz da vida

    A festa, nos primeiros momentos, foi maior por parte dos jogadores. A torcida ainda estava despertando, meio incrédula, quase que não acreditando na volta à Série A. O torcedor rubro-negro foi muito maltratado nos últimos tempos. Times ruins, diretores péssimos, jogadores fracos, técnicos sofríveis, campanhas desastrosas. Tudo somado nos levou à derrocada, nos colocou como time de segunda. E neste ano sofremos muito. Um ano inteiro sem jogar no próprio estádio. Perdemos o campeonato estadual por um pênalti mal batido. Fizemos um péssimo início de campeonato na Série B. Passamos sufoco a maior parte do segundo turno. Respiramos mais aliviados depois da vitória em São Caetano. Finalmente, ao final do ano, mesmo sem título, a classificação.

    Daniel Castellano / Gazeta do Povo / Foi mais sofrido do que o esperado, mas o Atlético conseguiu o acesso

    A comemoração de jogadores e torcida após o apito final

    Aos poucos o torcedor foi se liberando, começou a vibrar, ergueu a voz, cantou o nosso hino. A nação rubro-negra não silenciou mais e foi às ruas comemorar. Curitiba se enfeitou de vermelho e preto. A alegria voltou à maioria de suas casas, ao seio da maioria de suas famílias. A maior torcida do Paraná está novamente em festa!

    O torcedor feliz, deixando o belo e acanhado Ecoestádio

    Enfim, como sempre digo, esse time só me dá alegria!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 09h42
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    Estamos de volta!

    Quase duas da manhã, retornando agora da casa do amigo Paulo Costa, coxa-branca. Ele a esposa Cibele, ofereceram a mim e ao advogado e professor universitário Manoel Caetano Ferreira Filho um jantar especial, regado a picanha, bife de chorizo e carneiro e uma seleção de vinhos e espumantes de entusiamar todo atleticano em festa. A paz no futebol passa também pelas relações de amizade que construímos com os torcedores de times adversários. E foi isso que fiz hoje. Respeitando os adversários, mas sem jamais deixar de festejar o feito do Furacão, estivemos reunidos com amigos que torcem para os outros times da capital. E, na casa deles, cantamos o hino do Furacão!

    Os dois espumantes e os quatro tintos oferecidos pela família coxa-branca na comemoração da nossa classificação

    O final da tarde e a noite, entrando pela madrugada, é de muita comemoração. Depois de uma campanha de mais de seis meses, com vários tropeços e muitas dificuldades, estamos de volta à elite do futebol brasileiro. A felicidade e a comemoração devem evitar excessos, mas não podem ser contidas. Por isso mesmo, sobre o jogo só escreverei amanhã à noite. Antes, tenho de viajar daqui a pouco para Santos, onde passarei o domingo em família, comemorando com duas das minhas filhas e meu casal de netos. Lá, comemoraremos o acesso do Furacão e o aniversário de primeiro ano da Alice. Na noite deste domingo estarei de volta e escreverei sobre a batalha contra o Paraná.

    Com as bandeiras, Pedro Botelho - à esquerda - e Deivid e Elias - à direita - festejando a classificação do Furacão

    Para a próxima semana, prometo também fazer um balanço do que foi essa caminhada rumo à Primeira Divisão. Foi uma jornada sofrida. Sofrimento com as vergonhosas derrotas, no início da competição, para Boa, CRB e Ceará. Com os empates absurdos - em casa - diante de Goiás, Bragantino, Guarani e América-RN. Derrotas desesperadoras, em Paranaguá, para Vitória e São Caetano. Derrotas doídas como as de Belo Horizonte, Campinas, Goiânia e Bragança Paulista. Mas de jogos maravilhosos, dentre eles a épica vitória de 5x4 contra o América-MG e as espetaculares vitórias em, Salvador e em São Caetano. Um campeonato sofrido até o último jogo, até o último minuto, até o último lance.


    Comecei a comemorar lá mesmo no Ecoestádio

    E antecipo desde já, que - antes do post com o balanço final - publicarei aqui, em no máximo uma semana, uma decisão que dei, quando exercia a magistratura do trabalho, numa ação trabalhista movida contra o Clube Atlético Paranaense, na época em que se construía a Arena da Baixada, há mais de catorze anos.

    Dá-lhe, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 02h12
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    Pra cima deles, Atlético!

    Após o jogo de Criciúma senti dores nas pernas como se tivesse caminhado por longas horas. Senti dores nos braços como se tivesse feito exercícios uma semana inteira. Senti dores nas costas como se tivesse descarregado sozinho um caminhão de sacas de café. Pura tensão. Aquele jogo me deixou tenso demais. Não escondo que aceitei o empate como um resultado normal. Lá, eu aceitava tudo que não fosse uma derrota. E as dores passaram depois de uma boa noite de sono. Só retornei na manhã de domingo, sem pressa, com toda a calma, chegando a Curitiba no final da tarde.


    Trânsito lento na volta de Criciúma

    Desde ontem, sexta-feira, sinto-me ansioso como nunca estive nos últimos anos. Não vejo a hora desse jogo começar e resolver tudo. Já sei que pode chover a qualquer hora e poderemos ter em Curitiba, à tarde, uma tempestade. Meu kit de torcedor na chuva já está preparado. Capa de plástico e boné rubro-negro. A voz preparada para mais de noventa minutos. Chegarei mais cedo para pegar um ótimo lugar, onde possa enxergar bem, lá nas arquibancadas superiores (não consegui habilitar nas inferiores). Sabemos, todos, que será um  jogo difícil. Um jogo tenso. Um jogo estudado. Um jogo de xadrez. Tecnicamente, nosso time é muito melhor, temos muito mais qualidade. Fisicamente, estamos prontos para a batalha final. Psicologicamente, temos jogadores experientes e, portanto, preparados para um jogo dessa importância. Mas se futebol fosse resolvido apenas por esses aspectos, o Barcelona jamais perderia, pois tem qualidade, preparo e frieza. Futebol, como dizia o filósofo argentino, se decide ali, em noventa minutos, onze contra onze!


    Cartão habilitado, ingresso garantido

    Para nós, atleticanos, este é o jogo do ano. Na verdade, como o campeonato é por pontos corridos, todas as partidas foram batalhas importantes e decisivas. É verdade que nem sempre os jogadores entenderam assim. A diferença é que esta é a última batalha. E, por isso mesmo, nela não se pode errar. Quem erra, perde. Quem erra na última, não tem mais chance de se recuperar. O Atlético entra em campo pensando na classificação. Pensando no acesso. Pensando na volta à Primeira Divisão. Temos a necessidade do acesso. Nosso adversário, ao contrário, nada almeja. Joga sem compromisso. Isso é ruim ou é bom? Não é ruim nem bom. Dependemos somente de nós. A batalha será ganha se jogarmos com muita atenção, com muita personalidade, com muito empenho, com muita vontade, com muito desejo, com muito tesão, com muito prazer!

    É preciso jogar com vontade, determinação e alegria

    E o resto é bobagem! Pra cima deles, Furacão!!!

    (Para quem não viu, ontem o blog - e minhas viagens para ver o Atlético - foram motivos de uma reportagem na Gazeta do Povo. Para ler o texto do jornalista André Pugliesi, clique aqui)



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 07h18
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    A polícia medrosa e os "sem ingresso", mundo afora...

    São 14.434 sócios. Que possuem um total de 15.608 cadeiras. Portanto, são 15.608 lugares reservados para os que são sócios, pagam R$ 70,00 por mês, independentemente de haver ou não jogo. Mas a polícia - aquela que adora baixar o cassetete no povo e mostrar virilidade às moças curitibanas - resolveu abaixar o número de lugares no Ecoestádio. É a velha política de segurança pública brasileira. É a velha tática da polícia medíocre. É a velha sistemática de uma polícia autoritária e medrosa. Tem briga no carnaval do Largo da Ordem? Mude-se o local do carnaval. Tem briga de torcedores por causa do futebol? Proíbam-se as torcidas organizadas. Tem marido traído no sofá da sala? Retire-se o sofá. Prenderam alguém? Não! Instauraram algum inquérito? Não! Proibir é muito mais fácil do que trabalhar. E polícia que não prende os brigões do carnaval e do futebol, jamais enfrentará a bandidagem e o crime organizado.

    O "civilizado" policial paranaense acoxando a "violenta" torcedora coxa: uma vergonha!!!

    Com apenas 5.940 lugares para a torcida rubro-negra, mais de 60% dos seus sócios, que pagam rigorosamente em dia, não têm o direito de assistir a partida. Ou seja, menos de quatro em cada dez sócios é que poderão ir ao jogo. Os demais farão o que a maioria já vem fazendo desde o início do ano: assistirão pela TV paga, ouvirão pelo rádio ou acompanharão pela internet. E os não-sócios têm sofrido muito mais, pois este ano não houve venda de ingressos em Curitiba. Enquanto a Arena está sendo reformada para a Copa do Mundo, é difícil a vida do torcedor atleticano. Mas muito mais difícil é a vida do Val Forgatti. Curitibano, ele mora nos Estados Unidos há mais de 12 anos. E, para garantir o sustento da família e o futuro da filha, trabalha duro. Acorda cedo. Enfrenta a neve e o frio. Muito frio. Muitos graus abaixo de zero. Forgatti mora em Boston, Massachusetts, onde é motorista de caminhão entregador. Quem conhece a página do Forgatti, no facebook, sabe da sua paixão pelo Furacão. Acompanha diariamente a vida do clube, sempre pela internet. Tem uma filha de um ano e cinco meses. E, emocionado, ao falar da filha, me disse: "Luiz, minha filha já fala 'Atléticoooo... Goooool' E eu fico cheio de orgulho quando ela fala isso". Mesmo sem estar fisicamente presente, Val Forgatti segue o Atlético em toda a parte.

    Val Forgatti, no Gillette Stadium, em Massachusetts, no jogo Brasil x México, provando o seu amor

    Existem os que não estão no exterior. Que moram aqui no Brasil. Mas não moram em Curitiba e em suas cidades não há jogos do Atlético. Milhares torcem pelo Atlético desde criança e nunca viram o Furacão, ao vivo. Eles não tem dinheiro para viajar e assistir ao seu time do coração. Nem por isso eles são menos atleticanos que os outros. Nesta caminhada pela segunda divisão, acompanhando um Furacão pelo Brasil, vi muita gente feliz, de sorriso estampado no rosto, porque estava pela primeira vez assistindo um jogo do Atlético. Foi assim em Barueri, São Caetano, Campinas, Bragança Paulista, Guaratinguetá, Varginha, Belo Horizonte, Ipatinga, Salvador, Arapiraca, Maceió, Natal e Fortaleza. Muitos chegavam a mim e pediam para tirar uma foto comigo. No início eu não entendia aquilo. Depois comecei a entender. Era o sentimento de ser atleticano. Eles queriam uma foto ao lado do torcedor que estava viajando pelo país para acompanhar o Atlético neste momento difícil da sua história. Imagine se esses torcedores tivessem um acesso mais facilitado junto aos nossos jogadores. Imaginem se o Atlético os presenteasse, ainda que fosse com um simples adesivo ou imã de geladeira. Em Natal, um senhor se aproximou de mim e pediu para tirar uma foto. Eu concordei e ele disse: "Minha filha não pôde vir ao jogo, a mãe não deixou, tem medo da violência. Mas minha filha me pediu uma foto com o homem do blog, o que viaja para ver o Furacão." Essa menina certamente é tão atleticana quanto o Caju, o Jofre Cabral e Silva, o Sicupira e o Mário Celso Petráglia!

    O atleticano Joka Madruga (em Criciúma, à esquerda na foto), enquanto nós vemos o Atlético, está sempre trabalhando

    Dizem que o futebol é uma instituição brasileira. Mentira! O Brasil tem bons jogadores de futebol. E teve grandes craques. Atualmente estamos em baixa. No futebol internacional não temos nenhum grande jogador brasileiro. Em nenhum campeonato europeu, de primeiro nível, há um brasileiro como protagonista. Se aqui o futebol fosse uma insituição, os estádios para a Copa do Mundo já estariam prontos. E o Atlético não estaria jogando no Ecoestádio. Se o futebol fosse uma instituição haveria mais respeito entre os dirigentes de clubes. Que normalmente agem como se fossem torcedores dos mais fanáticos. E normalmente não são. Apenas fazem esse joguinho para agradar a torcida. Futebol é instituição na Inglaterra, na Espanha, na Alemanha. Mas é verdade que o futebol é o que temos de mais democrático. Aqui, em se tratando de futebol,  não há diferença entre juiz e motorista, médico e cozinheiro, dono de posto e frentista, professor universitário e analfabeto. No estádio, somos todos atleticanos. Até achamos que somos mais atleticano que os outros, que somos o maior atleticano de todos os tempos, que a nossa paixão supera a de todos os demais. Mas somos absolutamente iguais!

    Hicham Zraik, em Beiruth, no Líbano, mostrando a sua paixão

    Em Criciúma, ao final do jogo, se aproximou de mim um rapaz que eu não conhecia pessoalmente. Mas foi um prazer conhecê-lo. Hicham Zraik, descendente de libaneses é de uma família de atleticanos, seu pai foi presidente do Atlético na época das dificuldades. Hicham é um jovem médico que está sempre com o Furacão. Este ano esteve no Líbano, visitando familiares. E não esqueceu de, na mala, colocar uma bandeira do nosso clube. Lá, em Beiruth, foi ao estádio assistir a um jogo da seleção do Líbano, válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Vestiu a camisa libanesa, mas fez questão de demonstrar que o seu coração é rubro-negro. Aliás, o futebol tem dessas coisas. Conheci muita gente nesta caminhada. Muita gente especial. Do garçom da Fogo de Chão, em Belo Horizonte - que é do interior do Paraná e fanático pelo Atlético - ao engenheiro e empresário de Aracaju, que esteve no jogo de Arapiraca - e que é atleticano desde a adolescência e nunca morou no Paraná. Na arquibancada, não interessa se o cara é esquerdista, liberal, petista, tucano ou direitista. Ali, somos todos apaixonados pelo Atlético. É o caso, por exemplo, do engenheiro aposentado Alexandre Haag Filho, que reside em Buenos Aires e, lá, fundou uma Embaixada do Atlético.

    Alexandre Haag Filho, mora em Buenos Aires e fez essa foto hoje, no Parque de Palermo, com os jacarandás ao fundo

    Outro aspecto que merece comentário é o da faixa etária. Há jovens que morrem de amor pelo clube, há meninas que levam os namorados para o futebol, há octogenários que não deixam de ir ao estádio, há meninas adolescentes que se apaixonam pelos jogadores, há crianças que choram por uma derrota, há homens sérios que choram por uma vitória. E há mulheres maduras que cantam, em todos os seus versos, a versão atleticana do The Wall (clique e ouça na versão original), como se fossem fanáticas - não pelo Atlético, mas pelo Pink Floyd. E em qualquer país do mundo há um atleticano. Em todos os cantos do planeta alguém já falou no Furacão. Em Toledo ou em Paris, em Rio Negro ou Nova Iorque, em Mangueirinha ou Roma, em Astorga ou Madrid, em Sengés ou Lisboa. Em todos os lugares, sempre há um fanático. Um desses atleticanos apaixonados é o Diego Bento Batista. Curitibano, 29 anos, profissional da área de marketing, Diego Baya - como é conhecido - se transformou num peregrino mundo afora. Já morou em Goiânia, Brasília, Palmas (TO), São Paulo e Florianópolis. Ultimamente, por um ano, morou na Irlanda, em Dublin. E agora anda viajando pela Europa. Na mala, sempre uma camisa e uma bandeira do Furacão.

    Foi assim que Diego Baya, na Praça do Comércio, em Lisboa, comemorou a vitória sobre o ABC

    Portanto, se você não conseguiu habilitar seu cartão, não chore! Nem reclame. Há milhões de atleticanos, mundo afora, sem ingresso. Mas todos estarão unidos no próximo sábado. Todos estarão presentes, seja em alma ou em espírito, no Ecoestádio. Falta um pontinho. Faltam 90 minutos. Falta muito pouco. Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 13h49
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    Previsão confirmada!

    Quem leu o que escrevi aqui, na madrugada de sábado, sabe que o resultado do jogo foi exatamente o que queria o Criciúma, sua torcida, toda a população da cidade. Eles falavam em empate. Conseguiram. Pelas ruas do centro da cidade, na manhã de sábado, famílias inteiras desfilavam com o uniforme do time. Havia um clima de euforia. Mas essa euforia não era manifestada pelo desejo de vencer o Atlético. E, sim, pelo desejo de classificação, o que - na análise deles - seria possível com um empate.

    O calçadão central de Criciúma

    No hotel, já no café da manhã encontrei vários atleticanos que haviam chegado na véspera, além de jornalistas esportivos da RPC, FM 98.7, Transamérica. O comentário, em alta voz, do gaúcho (quase uruguaio) Abrelino Fernando Gomes, era de classificação do Atlético com uma vitória. E é claro que ele não perdeu a oportunidade de falar que suas filhas (netas do grande atleticano Xiquinho Zimermann) são todas torcedoras do Furacão e estavam certas da classificação.


    Na porta da loja, a família do Tigre

    Voltando pro hotel, encontrei vários atleticanos que àquela hora (13h00) já estavam na cidade. Todos também muito otimistas, falando em vitória, em classificação antecipada. Fotografei muitos, conversei com vários, mas não havia negociação. Quem falasse em empate, naquele momento, não era um bom atleticano. Eu que acompanhei o time durante todo o campeonato, desde a primeira partida, sei que ele é limitado e por isso mesmo evitei discutir. Pra mim, o importante era não perder.

    O garotinho adorou fazer pose para o fotógrafo de Curitiba

    A torcida do Atlético foi chegando, chegando mais e tomando aos poucos o espaço dos 1.500 lugares reservados. Mas a diretoria do Criciúma havia vendido outros 300 ingressos na cidade. E, antes do jogo, resolveu vender mais 200 ingressos para os fanáticos atleticanos. Resultado: chamou a polícia, que aumentou o espaço destinado aos rubro-negros. Fomos, pois, 2.000 atleticanos, num total de 16.540 torcedores. Nas ruas da cidade já se notava isso desde cedo.

    Atleticanas, batendo papo com o "tigrinho", na Cachaçaria Água Doce

    Ainda antes de chegar ao hotel para mais um banho e a troca da roupa (era preciso colocar uma camisa que me identificasse como rubro-negro), encontrei outros grupos de torcedores do Furacão. Em cada bar, um grupo de atleticanos. Em cada lanchonete, outro grupo de rubro-negros. Em cada esquina, mais atleticanos. Encontrei até um rubro-negro que mora em Porto Alegre e que veio de ônibus de linha para ver seu time jogar em Criciúma.


    O rapaz sem camisa é bancário em Porto Alegre e viajou pra ver o seu time do coração

    Fomos para o estádio, torcida rubro-negra animadíssima, dando um verdadeiro show. A guerra foi apenas verbal. Nenhum incidente. Nenhuma briga. Nada fora dos limites normais de torcedores apaixonados. A foto era emblemática. Quando a fiz, pensei na hipótese de o futebol ser sempre assim, com paz em todos os estádios do Brasil e do mundo. Quem sabe um dia...

    Surpreendentemente havia poucos policiais a separar as duas torcidas

    O jogo iniciou com 13 minutos e atraso. Tudo para encerrar depois do fim do jogo de São Caetano, onde o time do ABC paulista jogava contra o já classificado Goiás. O Atlético, inexplicavelmente, iniciou o jogo com a camisa branca, com a qual - no primeiro tempo - não deu sequer um chute a gol. O Criciúma mandou uma única bola a gol, em cobrança de falta. Nosso goleiro rebateu e em seguida encaixou a bola, sem comprometer. Aliás, eu já dizia a todos que Santos iria se consagrar defendo a nossa meta. Só não se consagrou porque o adversário, depois da falta, não chutou mais nenhuma.

    No primeiro tempo, a camisa que o torcedor não gosta

    No segundo tempo, de camisa trocada, o rubro-negro finalmente entrou em campo. Era, em campo, o Atlético que o povo gosta. Foi pra cima, atacou, deu vários chutes a gol. Obrigou o goleiro do Criciúma a fazer pelo menos uma importantes e grande defesa, em um "pelotaço" de Marcelo. No segundo tempo, o time da casa não chutou sequer uma bola contra o nosso gol. Mas, aos 32 do segundo tempo, quando veio a notícia do resultado final em São Caetano (1x1), o Atlético abdicou de atacar. O Criciúma já havia abdicado desde o primeiro tempo. Achou melhor, o Atlético, o empate do que o risco de uma derrota. E agora? Agora falta mais um pontinho. No próximo sábado, basta o empate contra o Paraná.

    O time usando a camisa que o povo gosta

    Jogo encerrado, muita festa da torcida local. Depois de oito anos o Criciúma volta à elite do futebol brasileiro. Aos atleticanos, a volta pra casa. Mais 500 km de viagem. Eram 25 ônibus, dezenas de vans, uma centena de automóveis. Eu fiquei. Não gosto de dirigir à noite. Fui jantar na Cantina Vettorazzi. Voltei para o hotel, notei o grande movimento de automóveis, perguntei na recepção o que estava acontecendo. Era o time do Criciúma comemorando a classificação num jantar "fechado", no restaurante do hotel onde me hospedei. Consegui, de longe, fotografar alguns dirigentes e jogadores em festa.

    Zé Carlos, artilheiro da Série B, está sentado, com camisa escura e boné branco

    Falta um pontinho, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h56
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    O café colonial e a luz no fim do túnel

    Em Criciúma, desde a metade da tarde. Já conversei com frentista de posto de gasolina, porteiro de hotel, atendente de farmácia, motoboy, garçom e churrasqueiro. Todos - sem exceção - respeitam o Atlético, acham que o nosso time é melhor que o deles, se dão por satisfeito com o empate (que classifica o Criciúma). Nós, ao contrário, precisamos ganhar. De toda forma, a cidade é bela, limpa, progressista, moderna e de povo educado. Logo na chegada, abaixei o vidro e perguntei a um motoboy onde ficava o hotel. Ele tentou explicar e, em seguida, interrompeu a explicação me dizendo: "Vem comigo!" E, cidade adentro, me mostrou o caminho. Perguntei quando devia, ele me disse: "Nada! Vale a amizade!". E, antes que eu falasse qualquer coisa, olhou a placa do meu carro e disse: "Um empate é bom pros dois!". E, acelerando a moto, foi embora.

    O calçadão da Praça Nereu Ramos, no centro de Criciúma

    Eu havia saído de Curitiba as 10h00. As 13h00 parei para almoçar na metade do caminho, em Itapema, no Café Colonial do Tirolez (com "z" mesmo). O Rudiberth Horwarth (nascido em Corupá, SC, e filho de uma austríaca com um "húngaro alemão"), depois de uma década, lembrou de mim e mais uma vez me recebeu muito bem. Sua esposa, a Gládis, nascida em Estrela (RS), não estava e não pôde saber que em breve eu estarei morando nas terras gaúchas. Paguei R$ 38,00 e comi só o que precisava. Dei um lucro tremendo, nem experimentei as tortas - uma mais bonita que a outra. Mas não fui embora sem me deliciar com um apfelstrudel com nata.

    O apfelstrudel da Gladis, uma maravilha!

    Segui viagem, passei tranquilamente pela região metropolitana de Florianópolis, a estrada está ótima, o trânsito fluiu bem. As notícias negativas ficam por conta da onda de ataques aos ônibus em Florianópolis e outras cidades catarinenses. Como disse o "Rudi", essa "queima" de ônibus é uma coisa de louco. Ou pra louco! Santa Catarina sempre foi um estado tranquilo, sem nenhum histórico de violência. Certamente o governo estadual - e suas polícias - não esperavam por isso. Por isso mesmo o governador não titubeou e pediu socorro à Polícia Federal. Que já está agindo na região.

    À exceção de 10 km, a BR 101 está toda duplicada entre Curitiba e Criciúma

    No Brasil tudo é demorado. Faz quase 20 anos que começaram as obras de duplicação da BR 101, entre Garuva (SC) e Osório (RS). A região é rica, economicamente importante, pela rodovia passam dezenas de milhares de caminhões todos os dias. E a duplicação ainda não está concluída. Falta pouco, é verdade. Mas falta! Ao passar pelo Morro Agudo, no município de Paulo Lopes (SC), vi a luz no fim do túnel. Não sei se a luz é para a duplicação da estrada ou para a caminhada do Atlético pela segunda divisão. Mas havia luz no fim do túnel!

    A luz no fim do túnel

    A grande novidade da viagem foi saber que finalmente começaram a construir a "outra ponte" no canal de Laguna. Trata-se de uma ponte extensa, de mais de 2,5 km. Antes que caia a atual (pois a velha já caiu), finalmente a obra foi iniciada. Em breve teremos, pois, a BR 101 totalmente duplicada neste trecho. E, então, poderemos ir de Curitiba a Porto Alegre por uma rodovia decente.

    A ponte de Laguna

    As 16h30, depois de 480 km, entrei em Criciúma. Em vários estabelecimentos comerciais e industriais encontrei bandeiras do Criciúma, hasteadas ao lado da bandeira nacional. Vi que a cidade está mobilizada, que o povo está entusiasmado com a real possibilidade do Criciúma voltar à primeira divisão. Neste sábado, com toda a certeza o Heriberto Hülse estará lotado. E, exatamente no enorme mastro, em frente ao seu portão principal, uma bandeira gigante do nosso adversário está permanentemente tremulando. Será, sem nenhuma dúvida, um grande jogo!

    A bandeira gigante

    Depois do banho (e do perfume, obviamente), esperei Priscilla. Ela não apareceu. Não ligou, nem me deu a menor satisfação. Sozinho, resolvi jantar no hotel. Em seguida chegaram ao restaurante os atleticanos Joka Madruga e André Ricardo Guenzen, além do seu pai. O papo foi agradável e percebeu-se facilmente o sentimento unânime de muito otimismo.

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 00h19
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    Todos, com olhos em Criciúma

    O jogo é sábado. Estádio Heriberto Hülse, 16h20. Será a penúltima partida. Na matemática de hoje, precisamos fazer quatro pontos em duas partidas. A outra, na rodada final, será contra o Paraná, no Ecoestádio. Logo, o melhor resultado é sempre a vitória. Neste caso, mais do que nunca! Eu iria no sábado pela manhã. São quase 500 km. Mas, todos - de forma unânime - me falam que atravessar a região de Florianópolis leva, hoje, em torno de duas horas. Para não correr riscos, deveria eu sair de Curitiba as 05h00 da manhã de sábado. Então, para chegar antes e sem problemas, viajo nesta sexta-feira. Vou de carro, pela 101.

    Este é o trânsito que devo encontrar entre Biguaçu e Palhoça

    Sem pressa, passarei o dia na estrada. Chegarei à terra que um dia foi a capital brasileira do carvão - e que hoje é uma cidade multi industrial (cerâmica, química, vestuário, plástico, metal-mecânica e também mineração) - no final da tarde. Ficarei hospedado no Hotel Apolo XVI, bem pertinho do estádio. Criciúma, que tem 200.000 habitantes, é bem mais moderna que a progressista Arapiraca. E o Heriberto Hülse é um estádio aconchegante, como o da cidade alagoana, mas com muito mais conforto. O estádio, que já recebeu mais de 31.000 pessoas, em 1995, num jogo contra a Chapeoense, tem hoje capacidade limitada a 22.000 torcedores, em respeito ao Estatuto do Torcedor. Certamente estará lotado e, lá, seremos no mínimo 2.000 rubro-negros, todos com ingressos já comprados.

    Estádio Heriberto Hülse, na bela Criciúma

    O Atlético está preparado e até já escalado. Os dois times precisam vencer. O jogo tem caráter decisivo, é de alto risco, o efetivo policial será dobrado. Mas a cidade catarinense - e seu povo - não tem histórico nem tradição de violência. Muito menos no futebol. Em campo, uma batalha. Fora dele, um clima de paz. Sexta à noite e sábado pela manhã andarei pela cidade com Priscilla e sentirei o clima. Prometo um novo post antes do jogo, ainda na manhã de sábado.

    Priscilla Vieira, a musa do Tigre

    Vamos subir, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h58
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    O amor nordestino!

    Ontem voei pela GOL de Curitiba a Aracaju (passagem de R$ 714, 32, comprada em março e paga em seus vezes), num total de sete horas de viagem, incluídas escala e conexão. Na capital do Sergipe, aluguei um carro (R$ 260,30, divididos com meu amigo Paulo Fernando da Silva) e viajei mais 190 km até Arapiraca, nas Alagoas. Chegamos no final da tarde, nos hospedamos no Hotel Sol Nascente (R$ 99,00 pelo apartamento luxo), onde jantamos (R$ 22,00 por pessoa) com o jornalista curitibano André Ricardo Guenzen e os paranaenses (que moram no Recife) Cesar Aziul Nedopetalski e seu filho Caio Cesar. No hotel estava também hospedada a delegação atleticana e lá encontramos vários outros torcedores rubro-negros que vivem no Nordeste.

    Obra de duplicação da BR-101, trecho entre Aracaju e Maceió

    Em seguida fomos para o "Fumeirão", forma como a imprensa e a população local chamam o Estádio Municipal Coaracy da Mata Machado. Ingresso (a R$ 10,00) comprado em bilheteria única, demos a volta no quarteirão e entramos no setor da torcida visitante. No total, éramos meia centena de atleticanos confiantes em mais uma vitória. O estádio é simpático e aconchegante. Vê-se bem o jogo de qualquer setor. Mas tem um péssimo gramado e uma sofrível iluminação. A progressista cidade e a campanha do seu time merecem um estádio bem melhor.


    Arquibancadas tubulares no Fumeirão

    A foto, feita antes do início da partida, mostra a ansiedade dos meus amigos. Mas, no intervalo, o clima já era de alívio e satisfação. O Furacão começou arrasador. Mesmo perdendo cinco oportunidades de gols, o time fez três ainda no primeiro tempo. Marcelo, Marcão a Maranhão - os 3M - marcaram para a felicidade na nação rubro-negra. O time não parecia o mesmo que na terça-feira à tarde, em Curitiba, no Ecoestádio, havia empatado em 1x1 com o América de Natal.

    André Ricardo Guenzen, Paulo Fernando da Silva, Caio Cesar Nedopetalski e Cesar Aziul Nedopetalski

    No segundo tempo, como de costume, o Atlético recuou e - num momento de desatenção - tomou o primeiro gol. Depois dos trinta minutos, em lance em que havia seis (sim!) impedidos, o adversário fez o segundo gol. Para mim, independentemente de ter havido impedimento, nosso goleiro mais uma vez falhou. Nas duas oportunidades. Ele não tem mesmo nenhuma saída. E, bobamente, ainda levou um cartão amarelo e não joga em Criciúma, no próximo sábado. O show foi dentro de campo, mas também nas arquibancadas.

    Um show em vermelho e preto em Arapiraca

    Os atleticanos, aliás, seguimos mesmo o nosso time em toda a parte. Ontem, lá no interior das Alagoas, havia torcedores das mais diversas cidades. Como Curitiba, Rio de Janeiro, Recife, Aracaju, Maceió, Palmeira dos Índios e Santana do Ipanema. Mas é preciso citar dois deles. Dois rapazes atleticanos, fanáticos pelo Furacão, que sequer conhecem Curitiba e viram pela primeira vez o Atlético jogar perto de suas casas. Na foto abaixo, a faixa levada pelo Lucas Meireles de Melo, sergipano de Macambira, apaixonado pelo nosso querido Clube Atlético Paranaense. Na outra ponta, ajudando-o, o arapiraquense Gabriel Leite. Sem dúvida, uma linda e emocionante demonstração de amor pelo Atlético.

    O sergipano Lucas Meirles de Melo e o alagoano Gabriel Leite

    Jogo encerrado, voltamos para o hotel. Lá, ainda com a presença dos jogadores e comissão técnica - que jantaram e depois viajaram para tomar o voo da madrugada em Maceió - comemoramos a vitória e o aniversário de Paulo Fernando da Silva. Todos alegres, relembramos a vitória, a longa campanha desta Série B, situações difíceis e momentos de felicidade. Esteve conosco, também, o engenheiro Alexandre Gomes Silvestre, paranaense de Castro e que há mais de uma década vive na capital de Pernambuco.

    André, Alexandre, Luiz Carlos, Cesar e Paulo Fernando

    O vinho da comemoração foi uma gentileza do Cesar Aziul Nedopetalski, que o levou de casa (Recife) para Arapiraca. Um tinto chileno, cabernet sauvignon, safra 2008, com 13,8% de álcool. O delicioso Machalí, produzido em uma vinícola boutique, do mesmo nome, situada no Vale do Cachapoal, 130 km ao sul de Santiago.

    Hoje pela manhã retornamos a Aracaju, Gastamos R$ 75,00 de gasolina, divididos com o Paulo Fernando da Silva. Almoçamos (R$ 64,00 para cada um) no excelente restaurante Pitu com Pirão da Eliane, na Praia de Atalaia. Paulo Fernando seguiu para Curitiba, eu permaneço aqui até amanhã no final da tarde, conhecendo mais da capital sergipana.


    A bela vista da Praia de Atalaia, em Aracaju, desde a sacada do meu quarto, no Radisson Hotel

    Faltam quatro pontos, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 18h12
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    O fumo de Arapiraca, quem leva?

    Saio cedinho nesta sexta-feira. Será a última longa viagem desta caminhada. Este blog, todos que o acompanham sabem, surgiu com prazo de validade. O blog existe para registrar a caminhada do Furacão rumo á Série “A”, tudo sob a ótica de um torcedor apaixonado. E a campanha está terminando. Tudo iniciou lá em Joinville, no dia 19 de maio. Quase seis meses atrás. Faltam três partidas. Nesta sexta-feira, dia 09 de novembro, a antepenúltima missão será em Arapiraca, no sertão das Alagoas. Meu voo sai do Afonso Pena as 07h32, com escala em Campinas e conexão no Galeão. Desço as 13h25, horário local (uma hora mais tarde aqui), em Aracaju. Do aeroporto de Aracaju viajo mais 175 km, dirigindo até a cidade do fumo. Eu que sou filho de gente nascida na terra do fumo, no Rio Grande do Sul (mãe de Arroio do Tigre e pai de Cerro Branco, ambas cidades vizinhas a Sobradinho), agora vou conhecer Arapiraca, cidade polo da outra região produtora de tabaco.

    http://www.robsonpiresxerife.com/blog/wp-content/uploads/2010/03/zix.jpg

    O fumo em corda de Arapiraca, que me faz lembrar do Vô Alfredo e seu "palheiro" com fumo de Sobradinho

    O jogo contra a ASA – Agremiação Sportiva Arapiraquense – será as 20h50 (aqui no Sul 21h50). A cidade é a segunda mais importante das Alagoas, tem 217.000 habitantes, foi criada alguns meses depois da fundação do Atlético, em 1924. Centro universitário do interior do estado, Arapiraca possui três universidades públicas e nove faculdades particulares. Como praticamente todo o Nordeste, há quase dez anos cresce a índices chineses, em média 8% ao ano, sendo o quinto município nordestino em aumento do PIB desde 2006. Para termos uma ideia da sua importância, a cidade tem dez emissoras de rádio, oito delas de frequência modulada (FM). É nessa Arapiraca que o Furacão entra em campo logo mais à noite para buscar três pontos.

    O centro da "capital do fumo"

    O jogo será no Estádio Municipal, cujo nome é Coaracy da Mata Fonseca e comporta 14.000 torcedores. Segundo a previsão do tempo, deve chover na hora do jogo e a temperatura será de 23 graus. Aliás, Arapiraca normalmente tem uma temperatura agradável à noite. Chovendo ou não, é preciso que o clima seja de Furacão e que o nosso time faça o possível e o impossível para trazer mais três pontos. Três pontos que serão fundamentais para alcançarmos o nosso objetivo. O time deles? É bom! A ASA faz a quinta melhor campanha do segundo turno, tem o maior artilheiro do país neste ano (e vice da Série B), Lúcio Maranhão. E, com 44 pontos, já garantiu sua permanência na Série B de 2013.


    O "alçapão" da ASA

    No jogo, no qual reencontrarei os curitibanos André Ricardo Guenzen e Paulo Fernando da Silva, verei também Cesar Aziul Nedopetalski e seu filho Caio Cesar, paranaenses que moram em Recife. Aliás, esta campanha tem servido para encontrar atleticanos agradáveis e apaixonados Brasil afora. A respeito, na terça-feira, no triste jogo contra o América potiguar, vi a partida ao lado de dois atleticanos que não moram em Curitiba. De um lado, o advogado Paulo Francisco Veiga de Freitas, de Santo Antônio da Platina (PR). De outro, o administrador de empresas Gabriel Robles de Césero, que mora em Uberlândia (e que eu já havia encontrado nos jogos de Varginha e Belo Horizonte). A amizade e o companheirismo entre atleticanos de todo o país, certamente mereceria uma tese. Ou, ao menos, uma dissertação de mestrado sobre o comportamento humano.

    Paulo Francisco Veiga de Freitas, Luiz Carlos Schroeder e Gabriel Robles De Césero

    A notícia desagradável é o e-mail da Renata Zduniak. Acabei de abrir a caixa de entrada do meu correio eletrônico e, lamentavelmente, me deparei com a mensagem renatiana. Infelizmente, pelo sucesso que anda fazendo em São Paulo, ela não estará de corpo presente em Arapiraca. Estará presente em espírito. Na falta do corpo, fiquemos pois com o espírito. Não se trata de espírito de corpo, muito menos de espírito de porco. Mas, no caso da Renata Zduniak, o corpo fará falta. Muita falta!

    Renata Zduniak, musa da Associação Sportiva Arapiraquense

    Pra cima dela (ASA), Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 20h13
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    O filho do Caju

    Alfredo Gottardi, o grande goleiro Caju, primeiro paranaense a ser convocado para a Seleção Brasileira, é o maior ídolo rubro-negro em todos os tempos. Caju não disputou Copas do Mundo porque elas não aconteceram. Em 1942 e 1946, em razão da Segunda Guerra Mundial, não tivemos o campeonato mundial de seleções. De família atleticana, Caju jogou toda a sua carreira unicamente pelo Atlético, dos 18 aos 35 anos, de 1933 a 1950. Foi seis vezes campeão paranaense (1934, 1936, 1940, 1943, 1945 e 1949), integrando o esquadrão de 1949, responsável pelo apelido de "Furacão".

    No destaque, Caju, o goleiro do time em 1943

    Nascido em 14 de janeiro de 1915, Caju era também conhecido como "A Majestado do Arco". Aprendeu a ser goleiro desde criança. Seu professor e treinador, desde a infância, foi seu irmão mais velho, Alberto Gottardi. Alberto foi goleiro do Atlético de 1928 a 1933, tendo sido campeão invicto e goleiro menos vazado em 1929. E Alberto preparou o irmão Caju como seu sucessor, que acabou sendo o maior goleiro da história atleticana. Alberto Gotardi morava em uma casa vizinha à Baixada, trabalhou no Atlético até o fim da sua vida, foi pai de dois jogadores rubro-negros: Rui, meia-direita do Furacão de 1949 (que fez 65 gols com a nossa camisa); e Aldir, meia-esquerda.

    http://circuloatleticano.files.wordpress.com/2010/05/albertogottardi.jpg?w=460

    Alberto Gottardi, o goleiro de uniforme claro, em 1929

    Em 1944, no dia 07 de novembro, há 68 anos, nascia Alfredo Gottardi Júnior, sobrinho de Alberto, primo de Rui e Aldir, filho do Caju. Alfredo, ao contrário do tio, do pai e do irmão Celso (que jogou no Atlético nos anos 1960), não foi goleiro. Ao contrário dos primos, não foi atacante. Alfredo foi o zagueiro mais técnico que vi jogar. De grande habilidade, bom driblador, excelente toque de bola, Alfredo jogava com classe e elegância. Era elegante dentro e fora do campo. Cabelo sempre bem cortado e penteado, barba aparada, vestia-se muito bem e fazia sucesso entre as mulheres, fossem atleticanas ou não.

    Alfredo, classe e elegância a serviço do Atlético

    O futebol de categoria estava no DNA de Alfredo. Além de ser um  Gottardi, sua mãe era Cecatto - uma família que deu também grandes jogadores para o Atlético. Dona Glacy era irmã de Ari Cecatto e Osvaldo Cecattinho, que formaram a ala esquerda do Atlético nos anos 1930. Outro irmão, Cecattão, foi grande jogador de basquete quando o rubro-negro ainda competia na modalidade. Dificilmente Alfredo disputava uma jogada com os atacantes. Quase nunca corria para tomar a bola dos adversários. Preferia que estes dominassem a redonda e então dava o bote e os desarmava. Era muito difícil alguém driblá-lo. Aliás, era mais fácil acontecer o contrário: ele driblar o atacante e sair jogando. Assisti a mais de 100 partidas de Alfredo com a camisa atleticana. Nunca vi Alfredo dar um chutão e vi pouquíssimas vezes ele perder a bola ao driblar um atacante. Praticamente não cometia faltas. Não lembro de tê-lo visto ser expulso.

    Alfredo, protegendo o goleiro Altevir

    O segredo dessa habilidade veio dos primeiros passos no futebol. Começou como meia-esquerda, criando as jogadas para o ataque, no time juvenil. Depois, foi recuado e passou a jogar como volante de marcação. Alfredo Ramos, técnico do time campeão de 1970, viu no xará a sua imagem e semelhança. Alfredo Ramos, o Polvo, foi quarto-zagueiro do Santos, São Paulo, Corinthians e Seleção Brasileira. Era famoso por desarmar seus adversários com classe. O chamavam de Polvo porque suas pernas pareciam tentáculos que facilitavam o desarme do adversário, sem fazer faltas. Ramos via o xará Gottardi Júnior treinando e aproveitou a contusão do zagueiro Tião - num amistoso contra o Água Verde - para fazer um teste. Ramos recuou o Gottardi Júnior para a quarta zaga. Indagado pelo repórter de rádio Dias Lopes, sobre a improvisação, respondeu: "Esse rapaz vai jogar de quarto-zagueiro, como eu joguei. De cabeça erguida e tomando a bola com categoria." E assim foi!

    Alfredo, no time campeão de 1970

    Neste momento em que o time luta para voltar à Primeira Divisão, nada melhor do que comemorar o aniversário e o bom futebol de um craque como Alfredo Gottardi Júnior. Esse grande jogador faz parte da seleção atleticana de todos os tempos. E nela, está ao lado de seu pai, o Caju. Aliás, essa seleção - eleita por jornalistas, historiadores e ex-jogadores - é composta pelo goleiro Caju; na lateral direita, Djalma Santos; zagueiro central, Zanetti; Alfredo, na quarta zaga; e Júlio na lateral esquerda. No meio campo: Kléberson, Assis e Jackson. No ataque: Alex Mineiro, Sicupira e Cireno.


    Em pé: Treinador Geninho, Djalma Santos, Caju, Alfredo, Júlio, Zanetti e Presidente Petráglia.

    Agachados: Alex Mineiro, Assis, Kléberson, Sicupira, Jackson e Cireno

    No ano passado, Alfredo participou de um encontro do Círculo de História Atleticana (criado e dirigido pela Desing de Produto e fanática atleticana Milene Szaikowski) e lembrou dos tempos em que era marcador de Pelé. Disse: "O Pelé era impressionante. Ele não deixava você encostar nele e fazer falta. E eu sempre deixei o atacante dominar a bola, porque eu tinha a certeza que eu roubava a bola. Mas o Pelé tinha um dom, ele dominava a bola e se ele sabia que tinha dificuldade pra driblar o cara, ele não driblava, ele tocava a bola. Então eu sempre me dei bem marcando o Pelé por causa disso. Porque eu deixava ele dominar a bola e não dava cacete nele. Ele sabia que podia jogar bola. Então ele não me enfrentava, ele pegava a bola, chegava do meu lado, tocava e já saía ali na frente para receber." E sobre a falta que fez em Pelé: "Uma vez eu dei uma chegada nele, mas foi sem querer. Ele ficou tão bravo e me disse: ‘Você nunca chegou em mim!’ E eu falei: ‘Tropecei, desculpa, tropecei.’" Esse é Alfredo Gottardi Júnior, o aniversariante de hoje!

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    Alfredo, em foto de 2011, aos 67 anos de idade

    Parabéns, Alfredo!!!

    -.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.

    EM TEMPO: Ontem à tarde, no EcoEstádio, o torcedor atleticano sofreu um duro golpe. O time jogou mal, desperdiçou várias oportunidades, cometeu uma falha imperdoável e permitiu que o América-RN empatasse o jogo. Perdemos dois pontos. No início da noite, outro golpe: o São Caetano ganhou de 2x0 do Criciúma, em Santa Catarina. A diferença - que era de quatro - agora é de apenas dois pontos entre nós e o São Caetano. Neste momento, precisamos de sete pontos para obter a classificação sem depender dos resultados dos adversários. Sexta-feira, em Arapiraca, e no outro sábado, em Criciúma, precisamos vencer. É claro que não perdemos o otimismo nem a coragem. Como diz o nosso hino

    "Rubro Negro é quem tem raça,
    e não teme a própria morte!
    "



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 11h34
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    Falta pouco, mas falta...

    Sou um eterno otimista. Meu bonequinho, aí ao lado, esteve otimista desde o primeiro comentário. Mesmo nas agruras de Varginha, Maceió, Fortaleza, Belo Horizonte, Paranaguá, Campinas, Paranaguá (de novo), Goiânia e Bragança Paulista, mantive meu otimismo. Lembro do pênalti perdido por Alan Bahia, no último minuto em Varginha. Lembro do ridículo jogo (o último do uruguayo inventor), em Maceió. Lembro do pênalti perdido por Paulo Baier, no finalzinho do jogo em Fortaleza. Lembro do ponto jogado fora pelo Manoel no final do jogo, em Belo Horizonte. Lembro das duas derrotas, em Paranaguá, ambas causadas pelo "medo" do pequeno Jorginho. Lembro do ponto jogado fora lá em Campinas, quando a torcida conseguiu ser pior do que o time, brigando entre si. Lembro com tristeza do vexame de Ipatinga. Lembro do ponto entregue ao adversário pelo recuo "drubsquiano" em Goiânia. E lembro, também, de outro ponto jogado no lixo pelo Manoel, no final do jogo de Bragança Paulista.

    Tristeza

    E também lembro das coisas boas. Aliás, é delas que minha memória tem os melhores registros. Não esqueço da goleada em Joinville. Nem dos 3x0 contra o Barueri, na noite gelada da Vila Capanema. Dos dois gols de Marcelo na noite chuvosa de Florianópolis. Da noite de Marcão, em Goianinha, o único jogo que não assisti ao vivo. Do gol de Baier, dando o sangue, contra a ASA. Da bela e convincente vitória contra o Criciúma. Do grande jogo de João Paulo contra o Paraná, fechando o turno. Como esquecer da goleada de Barueri e do golaço de Marcão no difícil jogo contra o Ceará? Também não esqueço das belas atuações de Manoel, na maioria dos nossos jogos. E ninguém esquecerá jamais da emblemática vitória de 5x4 contra o América-MG. Foi o jogo da "virada". Foi o jogo que mostrou o desejo coletivo de vencer. De se classificar. De subir!

    Alegria

    Até parece mentira. Mas não perdemos mais nenhuma partida desde Bragança Paulista, no dia 29 de setembro. De lá, a esta parte, foram seis vitórias e um empate (contra o Guarani). Três dessas vitórias, fora de casa: ABC, Vitória e São Caetano. Nunca estivemos tão bem. Estamos vencendo por mérito. E não porque o adversário fez pênalti bobo (caso do zagueiro do ABC, em Paranaguá) ou jogou a bola pra dentro (como fez o goleiro do Guaratinguetá, lá nas margens do Rio Paraíba). Este é o nosso melhor momento no campeonato. É a nossa fase adulta. Nosso grande momento de maturidade. Por isso, acredito que nesta terça nosso time fará um bom jogo. Estamos todos - jogadores e torcida - confiantes!

    Confiança

    Nesta caminhada, já viajei 40.014km e gastei R$ 10.353,48. Aproveitei todos os momentos de cada viagem. Gastei em homenagem ao amor incondicional que tenho pelo Atlético. E estou fazendo isso na mais difícil etapa da história do nosso clube, nos últimos 20 anos. E não me arrependo. Ao contrário, me sinto feliz. Tenho certeza que a jornada já valeu por si só. Espero que ela seja coroada com a classificação. Mas já me sinto contemplado pelas alegrias que o time me deu. Nestes seis meses, engordei seis quilos, num  misto de ansiedade e boa mesa. Vinhos? Foram 20 garrafas. A última, em São Paulo, no almoço de domingo. Um vinho tinto da Sicília. Um nero d'ávola. O "Terrae Dei", Da Corvo Di Salaparuta, 13% de álcool, safra 2009.

    Vinte vitórias, vinte garrafas de vinho!

    Dá-lhe, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 22h10
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    Atlético Campanella!!!

    Que alegria! Uma felicidade estampada no rosto. De sair sorrindo pelas ruas sem se preocupar com o que os outros pensam. A imensa nação atleticana merece isso mais uma vez. Em campo, um time que fez lembrar aquele que jogou há duas semanas em Salvador, contra o Vitória. Uma vitória pra ser festejada hoje, amanhã e segunda-feira. E temos que festejar, sim! Eu sei que faltam mais quatro partidas, mais doze pontos a serem disputados. Mas temos o direito de manifestar nossa alegria. E sei, também, que ainda não ganhamos nada. Que faltam mais seis pontos. Mais duas vitórias. Agora, nessas quatro rodadas finais, precisamos ganhar mais duas partidas. Das quatro, bastam duas.

    Torcida rubro-negra tomou conta do Anacleto Campanella

    Por uma dessas casualidades que não se explica, Turquinha e eu assistimos ao jogo de uma posição privilegiada. Os ingressos para a torcida visitante estavam esgotados, teríamos que comprar ingresso para sentar com os torcedores do Azulão. Por acaso conversamos com um familiar, que entrou em contato com um amigo diretor do São Caetano. Logo depois recebemos uma ligação nos oferecendo um camarote. E por isso, pudemos ver o jogo sem problemas, sem conter nossa preferência, ainda que não tenhamos abusado da generosidade dos adversários. E foi bonito ver a torcida do Furacão. Eram 1.100, acrescidos de mais 500 ingressos colocados à venda hoje. Cerca de outros mil rubro-negros assistiram ao jogo em meio à torcida do time da casa. Dos 5.101 pagantes, a metade era nossa.

    Marcelo fez mais dois e já tem quinze gols no campeonato

    Em campo, uma bela atuação. Logo no início uma produtiva troca de passes entre João Paulo, Marcelo, Henrique e Maranhão. Cruzamento na área, gol de Marcão. Antes dos 30 minutos, em cobrança de falta de Elias, Marcão ajeitou de cabeça para Marcelo fazer de peito. No primeiro tempo o São Caetano não chutou nenhuma bola que levasse perigo ao nosso goleiro. Na segunda parte, como era de se esperar, eles vieram para cima. Somente aos 30 minutos diminuíram, em uma falha da dupla Luis Alberto-Weverton. Afora esse lance, os dois - e o time todo - jogaram muito bem. Quando todos nos assustamos, entrou Baier e logo fez um passe para Marcelo, que chutou de fora da área e fez 3x1 quando eram 33 minutos do segundo tempo. E aí foi só esperar o final do jogo.

    Jogadores comemoram a vitória junto à torcida

    Jogo terminado, vitória sendo festejada, bateram à porta, avisaram da saída rápida da van. Voltamos alegres para São Paulo. Não sem antes de sair do estádio, ver e ouvir a torcida atleticana gritando o nome do presidente Petráglia. A mesma torcida que vaiava o presidente há alguns meses atrás, lá em Paranaguá, agora o ovacionava. Me lembrei daquele senhor atleticano de Paranaguá, que depois de um jogo me disse: "esses mesmos que estão vaiando agora, ao final do mandato vão querer fazer uma estátua pra ele". Chegamos há pouco ao hotel, aqui nos Jardins. Agora, pra encerrar bem o sábado, vamos ao Teatro Frei Caneca, ver a peça "A Partilha".

    Faltam duas vitórias, Furacão!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 19h58
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    Anacleto Campanella

    Anacleto Campanella. Todo atleticano sabe o que esse nome significa na história do Clube Atlético Paranaense. É o nome do estádio do São Caetano. É o nome do estádio onde, em 2001, o Atlético ganhou de 1x0 e obteve seu primeiro título de campeão brasileiro. É neste estádio, pois, que o nosso time decide a sua sorte na Série B. Sábado, 16h20, no Anacleto Campanella, em São Caetano, a 15km da Praça da Sé. Outro município, mas perto do centro da capital paulista. Nosso time precisa ao menos empatar para continuar um ponto à frente do São Caetano, nosso único rival na disputa pela quarta vaga. Se ganharmos, nos distanciamos, ficamos a quatro pontos deles. Se perdermos, eles nos ultrapassam. É sábado!

    Anacleto Campanella, palco da mais importante conquista da história atleticana

    Será um jogo de muita paciência. De poucas oportunidades e muitas emoções. De nervos à flor da pele. A calma e a tranquilidade nos levarão à vitória. A pressa e a ansiedade só farão bem ao time adversário. A partida começa com o Atlético um ponto à frente. E será preciso saber administrar essa vantagem. Nesse jogo de tática e inteligência, como dizia o meu amigo argentino - o filósofo do "Bife Sujo" -, entraremos em campo "por una bola" (eu já disse aqui neste blog que ele nunca usava a palavra "pelota"). Que essa única bola seja a que nos levará de volta à Primeira Divisão do futebol brasileiro. Que se repita, também a nosso favor, o placar daquela tarde de 23 de dezembro de 2001.

    A foto do time campeão de 2001, tirada no dia do jogo, no Anacleto Campanella

    É óbvio que essa não será a única partida que precisamos ganhar. Nem será a última do campeonato. Teremos, depois dessa, mais quatro. América-RN, terça-feira, 16h00, em Curitiba. ASA, em Arapiraca, Alagoas, na sexta-feira (09), 21h50. E nas duas últimas rodadas, em dois sábados seguidos, teremos primeiro o Criciúma, lá, no dia 17, e depois o clássico contra o Paraná, no dia 24. O jogo desse sábado não será o jogo mais importante da vida do Atlético. Mas será o jogo mais importante do ano rubro-negro. Por isso todos os atleticanos, presentes ou não ao estádio, estarão "de olho" nos acontecimentos do Anacleto Campanella.

    Apoio não faltará. Em menos de duas horas a torcida rubro-negra esgotou todos os ingressos colocados à venda. No setor de visitantes, estarão mais de mil atleticanos. Centenas de outros estarão, anonimamente, entre os torcedores locais. Centenas de milhares estarão em frente à tela da televisão e outros tantos de ouvido atento às informações do rádio. Essa energia positiva, essa corrente anônima, esse sentimento que nos une, certamente nos encaminharão para um bom final de campeonato. Os momentos mais difíceis foram superados. O time hoje é respeitado pelos adversários. A torcida nunca deixou de acreditar.

    A jovem e bela torcida do Furacão erguerá sua voz no Anacleto Campanella

    Pra cima deles, Furacão!!!



    Escrito por Luiz Carlos Schroeder às 09h45
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